Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

ENSINO E PESQUISA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA: ESTABELECENDO CONEXÕES PELA MEDIAÇÃO DO AMBIENTE VIRTUAL MOODLE

Henrique César Da Silva, André Ary Leonel, José André Peres Angotti, Luana Carina Benetti, Fabricio Luiz Faita, Diego Aurino

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIV
Ano
2012
Data
09/11/2012
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2012

Texto completo

## ENSINO E PESQUISA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA: ESTABELECENDO CONEXÕES PELA MEDIAÇÃO DO AMBIENTE VIRTUAL MOODLE

## TEACHING AND RESEARCH IN TEACHER INITIAL FORMATION: ESTABLISHING RELATIONS BY MOODLE VIRTUAL ENVIRONMENT MEDIATION

Henrique César da Silva , André Ary Leonel , José André Peres Angotti , Luana 1 2 3 Carina Benetti 4 , Fabricio Luiz Faita , Diego Aurino 5 6

1

UFSC/CED/MEN, henriquecsilva@gmail.com

2

PPGECT/UFSC, profandrefsc@yahoo.com.br

3

UFSC/CED/MEN, angotti@ced.ufsc.br

4

PPGF/UFSC/Tutora, luanacbenetti@gmail.com

5

IPPGF/UFSC/Tutor, flffisica@yahoo.com.br

6

UFSC/Tutor, diegoaurino@gmail.com

## Resumo

A importância do estabelecimento de relações entre teoria & prática e ensino & pesquisa na formação inicial docente vem sendo discutida por ampla literatura há várias décadas, se se deseja contribuir para os futuros professores atuarem com autonomia na produção de seu trabalho pedagógico e aprimoramento continuado. O ambiente virtual Moodle da disciplina de Estágio Supervisionado em Ensino de Física na modalidade à distância foi organizado pela equipe docente para estabelecer essas relações. Este trabalho teve como objetivo fornecer indicativos preliminares para responder a seguinte questão: como aspectos e características das tecnologias empregadas, das interações e da arquitetura pedagógica da disciplina mediaram o estabelecimento de relações entre pesquisa e ensino nas reflexões elaboradas por professores em formação inicial? Analisamos materiais escritos pelos licenciandos, incluindo suas atuações nos fóruns do ambiente virtual e percorrendo a produção de alguns estudantes ao longo de toda a disciplina. As análises buscaram se ater na intersecção desses três elementos: aspectos tecnológicos, interações, arquitetura pedagógica da disciplina. Apontamos a escolha de um tema pelos alunos relacionado à sua prática para ser o eixo de todas as atividades desenvolvidas como aspecto importante para potencializar o estabelecimento dessas relações. Retomadas de conhecimentos pedagógicos de disciplinas anteriores pelos alunos é outro resultado que destacamos neste trabalho. Limitações e novas possibilidades para reedições futuras da disciplina são apontadas. Entre elas, a importância de se investir mais no trabalho de reescritura, incluindo relações e retomadas entre as diferentes escrituras dos alunos ao longo da disciplina. Finalizamos indicando pontos para futuros aprofundamentos.

Palavras-chave : formação de professores; pesquisa em ensino de física; ambiente virtual

## Abstract

The importance to establish the relations between theory & practice and teaching & research in the initial teaching formation has been discussed in the literature for many decades, if we aim to contribute to future teacher works with autonomy in the his pedagogic work production and development. The virtual environment Moodle of the Preservice teacher course was designed by teacher team to establish those relations. The aim of this work was to give preliminary marks to answer the question: how aspects and characteristics of distance education technologies, interactions and course pedagogic design mediated the establishment of relations among research and teaching in the reflections made by Preservice teachers? We analyzed written materials of students, including forums of virtual environment and all productions along the time of some students. We point out the students choice of a specific issue related to your school practice to be the axis of all activities developed as the very important to make possible to establish those relations. Limitations and news possibilities to course re-edition were pointed out, like the importance of the rewritten, relations and retaking of different writings along the course including forums. We finalized with indications to future research works.

Keywords : teacher education, physics education research, virtual environment.

## Introdução

O objetivo principal deste trabalho reside em apontar indícios sobre como se deram as relações entre a prática de ensino de professores de física ainda em formação inicial e o campo de pesquisa em ensino de física, visando compreender aspectos das condições em que essas relações aconteceram. Essas relações aconteceram nas disciplinas semestrais de Estágio Supervisionado em Ensino de Física A e B de um curso de licenciatura em Física na modalidade à distância da [universidade], que utilizou o Moodle como ambiente virtual. Buscamos verificar como a arquitetura pedagógica (Bear, 2008) das disciplinas, repercutindo na constituição de interações, principalmente em relação às mudanças realizadas na disciplina B, mediou essas conexões entre ensino (prática docente) e pesquisa em ensino de física, e qual o papel da equipe docente nesse processo.

A citação abaixo expressa uma das concepções que embasou o planejamento das disciplinas de Estágio pela equipe docente.

Os bons professores são necessariamente autônomos relativamente à sua profissão. Não precisam que lhes digam o que hão de fazer. Profissionalmente, não dependem de investigadores, superintendentes, inovadores ou supervisores. Isso não significa que não queiram ter acesso às ideias criadas por outras pessoas, noutros lugares ou noutros tempos, nem que rejeitem conselhos, opiniões ou ajudas, mas sim que sabem que as ideias e as pessoas só servem para alguma coisa depois de terem sido digeridas até ficarem sujeitos ao julgamento do próprio professor. (STENHOUSE apud ZEICHNER, 1993, p. 20).

De fato, nas últimas décadas, as concepções de formação de professores se modificaram, deslocando-se daquelas que o viam como uma espécie de técnico aplicador de currículos e métodos criados por outros e em outras condições, para concepções que o reconhecem como agente criador, principal agente inovador da educação escolar. Nessa concepção de autonomia, vê como constitutivo do trabalho docente a própria modificação de suas práticas, a produção de inovações, por meio de suas próprias reflexões. Essas concepções mais recentes relacionam-se a mudanças na legislação que orienta a formação de professores no país ocorrida na última década. Essas mudanças implicaram num aumento da carga horária de prática, tanto no sentido de Prática como Componente Curricular quanto no sentido dos Estágios Docentes, propiciando melhores condições para enfrentarmos o desafio complexo de construir uma formação que integrasse teoria & prática da melhor maneira possível. Esse debate sobre formação de professores, e, dentro dele, a relação ensino & pesquisa, tem sido intenso e controverso também no campo da educação em ciências (Queiroz, 2001; Slongo, Delizoicov e Rosset, 2010), e incluído a questão dos ambientes virtuais (Rezende et al., 2003).

No caso da formação em física, grande parte da teorização associada ao seu ensino pode ser considerada derivada das pesquisas sobre ensino de física que vêm sendo realizadas no país e no mundo há várias décadas. Assim, o que a literatura sobre formação de professores vem apontando e problematizando nos últimos anos como componente importante da formação de professores, a relação do ensino com a pesquisa, no sentido de desenvolvimento de atitudes investigativas que possam fazer parte de suas ações e seu pensar profissionais, no caso do ensino de física, pode ser traduzido como inserção do futuro professor nessa grande comunidade de pesquisa acadêmica na área. Inserção não no sentido de torna-se pesquisador e deixar de ser prático, nem no sentido de tornar-se um prático e também pesquisador tal qual um pesquisador acadêmico, mas no sentido de fazer parte dessa comunidade como dialogante crítico e reflexivo.

Autores como John Elliot, Keneth Zeichner, Donald Shön, Stenhouse, entre outros (Geraldi, Fiorentini e Pereira, 1998) contribuíram para consolidar a concepção de que o professor não é apenas um prático no sentido técnico, mas um práticoreflexivo. A prática passa a ser concebida como componente epistemológico dos saberes docentes. Isso exige uma formação coerente que, essencialmente, possibilitaria espaço para a reflexão sobre sua própria prática, uma reflexão que pode ser potencializada se se constituir enquanto diálogo com a própria pesquisa que a área realiza, ou seja, esse outro campo de reflexão sobre o ensino, que é o campo da pesquisa propriamente dita.

'A ênfase nesse tipo de formação está no desenvolvimento de uma atitude investigativa por parte do professor, detectando problemas, procurando, na literatura educacional, na troca de experiência com os colegas e na utilização de diferentes recursos, soluções para encontrar formas de responder aos desafios da prática (...)' (SANTOS, 2001, p. 24) .

Em se tratando do contexto da educação à distância, é preciso considerar que esta tem características específicas em seu fazer pedagógico, que, em parte se dão pela mediação das tecnologias. Este fazer é essencialmente coletivo, ou seja, raramente se encontra na educação à distância um único docente relacionando-se com seus alunos. Em nosso caso, a equipe docente, interagindo com cerca de 50 alunos, em 11 polos espalhados pelo Estado de [nome do Estado], era composta por dois professores da universidade, um professor substituto e três tutores à distância,

todos formados em física, os professores doutores em Educação, o professor substituto mestre em Educação Científica e Tecnológica, assim como um dos tutores, e os outros dois tutores, uma mestranda e um doutorando em física, ambos também licenciados. Além disso, contava com os tutores-polo ou presenciais que também contribuíram com as reflexões docentes. Este trabalho representa parte do processo autorreflexivo coletivo e autotransformador da própria equipe docente.

## Materiais e Método

As disciplinas de Estágio A e B foram compostas pelas seguintes atividades cada uma delas: 4 videoconferências, 2 encontros presenciais nos polos (11 polos na época), pelo menos uma visita da equipe docente da universidade às escolas campo de estágio, realização de resenhas a partir da literatura da área de educação e educação em ciências (ensino de física) (duas na disciplina A e uma da disciplina B), realização de relato escrito e entrega de relatório final escrito, incluindo fotos e filmagens de trechos das aulas ministradas. As atividades escritas utilizaram a ferramenta Tarefa do Moodle. No Estágio B foi incluída uma nova atividade: realização de um Fórum . Num primeiro momento os alunos defenderam, por meio de fórum , seus temas de reflexão selecionados a partir da realidade de seus estágios e planejamento de suas atividades docentes e, num segundo momento, participaram dos fóruns temáticos criados pela equipe docente a partir da organização e síntese dos temas por eles levantados. Cada aluno deveria participar do fórum designado pela relação que estabelecia com o tema por ele levantado. Além de uma hipermídia especificamente criada para a disciplina com ampla bibliografia da área já organizada por descritores, os alunos foram instruídos a organizarem buscas em periódicos online e anais de eventos da área disponíveis na rede.

O material empírico analisado diz respeito apenas à disciplina B. Foram selecionados aleatoriamente três alunos, de um conjunto de 53, para exemplificação de uma análise detalhada, cujos dados encontram-se na Tabela 1. O material de todos os alunos foi consultado, bem como uma reflexão sobre o desenvolvimento de cada atividade foi pautada em anotações realizadas por toda a equipe docente, confrontando diferentes perspectivas e interpretações. Isso permitiu uma visão ampla do desenvolvimento da disciplina que apresentaremos no primeiro tópico dos resultados, já evidenciando alguns aspectos das relações entre ensino & pesquisa. Contribuindo para esse painel geral das relações ensino/pesquisa foi feito um levantamento dos temas e dos artigos pesquisados e resenhados por todos os alunos. Analisamos que justificativas deram para a escolha dos temas (cf. Tabela 2).

Tabela 1: Exemplo da relação tema/leituras de pesquisa realizada pelos alunos

Tabela 1: fonte: dados obtidos no moodle (ambiente virtual da disciplina)

No segundo tópico dos resultados apresentamos a análise desses três alunos. Neste caso, foi percorrido todo o material de cada aluno identificando-se e selecionando-se para análise trechos relacionados direta ou indiretamente tanto com a prática quanto com a pesquisa.

## Resultados e discussão

## Uma visão geral

A tabela 2 mostra apenas uma linha da organização dos dados que permitiram uma visão geral da relação ensino & pesquisa mediada pelos fóruns. Aqui, para exemplificarmos, colocamos apenas três dos 15 temas escolhidos pelos alunos e os artigos por eles encontrados e resenhados.

Tabela 2: Exemplo de análise da relação ensino/pesquisa nos fórunsTabela 2: fonte: dados obtido no ambiente virtual moodle da disciplina

Em relação ao papel mediador da equipe docente pudemos identificar os seguintes aspectos: 1) sugerir outras leituras, objetos de aprendizagem ou sites sobre o tema, por meio de links dentro das próprias mensagens dos fóruns; 2) produzir uma reinterpretação indireta das temáticas formuladas individualmente pelos alunos ao agrupá-las sob uma mesma grande temática na formação dos grupos e ligá-las a uma temática de pesquisa (cf. Tabela 3); 3) levantar questões para elicitação das ideias dos alunos; 4) incentivar alunos a comparecerem aos fóruns durante conversas sobre suas temáticas nos encontros presenciais ou videoconferências.

A maioria dos alunos encontrou e relacionou pesquisas com seu tema de reflexão, ou referenciais da educação. Houve apenas um aluno cuja referência de leitura se deu no campo da auto-ajuda e não da pesquisa ou da educação. Notamos que os fóruns também funcionaram como divulgadores de pesquisas, além daquelas diretamente levantadas para a realização da resenha.

## Uma visão detalhada de três casos

## Análise do aluno Anderson

A tabela 3, adaptada diretamente do Moodle, exemplifica apenas 3 dos seis tópicos de um dos fóruns, uma das fontes de dados relativa à participação do aluno Anderson em seu fórum temático, como exemplificação das análises realizadas sobre os fóruns.

Tabela 3: Exemplo de tópicos de um dos fóruns temáticos

Tabela 3: fonte: moodle (ambiente virtual da disciplina)

Este fórum temático (' Dificuldade dos alunos com a matemática em aulas de física ') foi criado a partir do tópico de escolha do tema da aluna Letícia. Um dos professores leva para esse fórum , os tópicos criados por outros alunos na escolha individual de seus temas, que aparecem aqui como os quatro últimos tópicos e, por isso, o único comentário, em três dos casos, é do próprio professor. No entanto, ao abrirmos o primeiro tópico (com 11 comentários) encontramos outros alunos que se incluíram nesse tema depois de criado o fórum do grupo temático. Assim, participaram desse fórum 10 (dez) alunos, de cinco polos. Na comparação entre os tópicos 1 e 3 da tabela 3, percebe-se um dos papéis mediadores da equipe docente na construção do fórum , no estabelecimento de conexões entre temas de diferentes alunos que poderia ser significados de maneiras diferentes. Esse fórum temático de grupo é o que teve mais comentários (23 ao todo) e o que gerou mais polêmica, seguido do fórum sobre Ensino de Física na EJA.

Este aluno, Anderson, assumiu uma posição muito coerente em todos os trabalhos e bem fundamentada defendendo uma física quase que exclusivamente conceitual para o ensino médio, o que causou bastante polêmica. Sua posição parece, no entanto, ter sido originada no encontro entre sua experiência profissional, já razoavelmente grande em escolas públicas e particulares de ensino médio, e ideias encontradas em disciplinas anteriores, e não propriamente da literatura, o que gerou um diálogo de diferença para com a literatura, como mostra o trecho abaixo de sua resenha:

No entanto, quando resgato minha experiência de estágio no semestre anterior em uma escola pública estadual onde atuei em duas turmas conduzidas por dois professores distintos e ambos licenciados em Física e percebi que a dinâmica de aula era reduzida ao binômio fórmula-exercício, percebo que preciso discordar do autor.

## Análise do aluno João Carlos

Este aluno era do polo de Canoinhas e escolheu como tema Física do Cotidiano. Sua única participação nos fóruns aconteceu quando ele justificou a escolha do tema:

Percebo que, na maioria dos casos, a Física ensinada em sala de aula é apresentada completamente desconectada da Física que nos cerca no diaa-dia. Para muitos, as aulas de Física acabam, na prática, sendo aulas mais de matemática do que de Física propriamente dita, ou então, com situações em que o aluno não é capaz de perceber que aquilo que lhe foi ensinado faz parte do seu cotidiano.

Ou seja, trata-se de uma concepção que ele tinha antes da realização das tarefas e que manteve ao longo delas. Na resenha ele não explicita nenhuma referência bibliográfica de pesquisa, mas cita, e parece ter entendido isso como uma referência, a homepage da disciplina de Metodologia de Ensino de Física em que 2 aparecem vários trabalhos de alunos de semestres anteriores cujo foco estava justamente na relação da física com o cotidiano. Essa página foi sugerida pela equipe docente num dos tópicos desse fórum , juntamente com a página do GREF na internet, um projeto de ensino de física para o nível médio todo voltado para o cotidiano e, de fato, no mesmo fórum , foi respondido afirmativamente a uma dúvida de uma aluna se a homepage poderia ser utilizada como referência para a resenha. Assim, o aluno utiliza a resenha para desenvolver seu tema: ' O que precisamos fazer é mostrar ao aluno que a física não é algo que está distante, trancada a sete chaves dentro de um laboratório onde apenas os cientistas têm acesso. Ela está aí, ao nosso redor, basta olharmos em volta. ' Também no relato menciona a homepage da disciplina de Metodologia de Ensino, comentando sobre os trabalhos que são apresentados utilizando temas do cotidiano. Também faz uma crítica ao livro didático. Outra fonte utilizada no relato são as diretrizes curriculares do Paraná para a Física. Embora não estejam explícitos os artigos que leu, além da homepage e da proposta curricular, percebe-se uma reflexão rica entremeando a prática vivida nos estágios com elementos de conhecimento pedagógicos de disciplinas cursadas anteriormente por meio do foco no tema da relação entre física e cotidiano.

## Análise do aluno Kim

Este aluno, do polo de Tubarão, escolheu como tema ' Uso de TIC (tecnologias da informação e comunicação) no ensino de física '. No plano de ensino enviado no início do semestre letivo pela ferramenta Tarefa , ele apresenta as quatro primeiras aulas e em nenhuma delas aponta a utilização de alguma TIC. Trata-se de um indicativo de que a sequência de atividades da disciplina tenha influenciado a mudança nas suas aulas, ou seja, a reflexão no coletivo da disciplina modificando ações em sala de aula. Em sua resenha, diz que o objetivo de utilizar um software (tracker) é tornar a cinemática mais interessante. Cita especialmente o artigo de Oliveira e outros autores, publicado nas atas do XIX SNEF de 2011, como foco da resenha, mas também coloca mais quatro outros artigos como suas fontes, três deles de importantes periódicos na área. Em relação aos fóruns, houve apenas três participações apresentando apenas o tema a justificativa e as referências, sem interagir, ou seja, não participou de nenhuma discussão, afirmando:

Acredito que a utilização de novas estratégias metodológicas que incluem ferramentas tecnológicas possam aproximar o aluno aos conceitos da física. Especificamente, penso em propor análise de movimento através de filmagens caseiras e tratamento do vídeo em software específico.

Cabe notar que apesar deste tema ter sido o mais escolhido pelos alunos, e portanto, com o maior número de tópicos, houve pouca interação entre os

participantes. No melhor momento de interação houve uma sequência de quatro mensagens em resposta ao comentário de uma aluna que apontava a importância das TIC para o desenvolvimento de novas metodologias, e complementava: ' Porém sua inserção na escola ainda é tímida, poucos professores sabem/ conhecem todas as suas possibilidades de uso .' Essa colocação gerou troca de informações sobre condições de trabalho, tanto física nas escolas, quanto de formação continuada oferecida pelo Estado e pelas prefeituras para aprimoramento nesse aspecto. Vale ressaltar que a participação da equipe docente também foi muito baixa no fórum dessa temática. Vejamos um trecho de seu relato:

Isso porque, segundo os autores Oucci e Bauer (2008), a utilização desses recursos pode servir simplesmente como instrucionismo, ao invés de construtivismo. Onde o instrucionismo trata o aluno como mero receptor, entendendo a educação como um movimento essencialmente reprodutivo, e pelo contrário, o construtivismo busca colaborar no caminho da formação reflexiva e voltada para compreender, por meio da observação, experimentação e da criação.

O relato está muito bem estruturado e ele aproveita todos os apontamentos da resenha. Apresenta os passos da atividade com imagens fotografas durante as aulas e a conclusão bem coerente com os objetivos, o que demonstra a influência das leituras das pesquisas e também das atividades da disciplina. De seu relatório final destacamos os seguintes trechos:

Em suma, podemos dizer que o estágio de ensino de física aprimorou a capacidade de transmitir conhecimento, problematizar situações, planejar momentos pedagógicos, demonstrar ferramentas científicas para busca de explicações, enfim, proporcionou condições para que pudéssemos por em prática nossa estratégia de ensino como docentes.

Todavia, a tarefa de se tornar um professor de física exige estudo, dedicação e prática e, sendo assim, não podemos esquecer que a busca pela excelência se inicia aqui e jamais termina.

Esses trechos indicam a formação de um professor capaz de se basear em pesquisas para propor modificações em sua prática tornando-se autor de seu trabalho docente, já que as pesquisas não fornecem soluções prontas, o texto do aluno, comparado com os artigos por ele citados, indica elementos pessoais. Tratase de um professor que concebe sua formação como contínua, como parte de seu trabalho.

## Conclusões

Entre as mudanças na arquitetura da disciplina que as análises aqui apresentadas sugerem, destacamos: 1) associar pelo menos uma das videoconferências aos debates ocorridos precedentemente nos fóruns de modo a potencializar a troca entre polos utilizando-se outro meio de educação virtual e outro modo de comunicação; 2) requisitar obrigatoriamente o envio de versões preliminares dos trabalhos escritos, potencializando a reescritura, pela correção formativa, e, portanto, o próprio processo de reflexão; 3) fazer circular a produção escrita dos alunos dentro da comunidade de aprendizagem, redirecionando e ampliando o foco interlocutivo da exclusiva relação aluno-docentes para a relação aluno-aluno; 4) mediar mais presentemente os fóruns e incentivar mais a participação; 5) potencializar, de alguma forma, a retomada de conhecimentos pedagógicos trabalhados em outras disciplinas.

As análises indicam que não foi apenas a leitura de pesquisas que contribuiu para desenvolver o caráter reflexivo do trabalho do professor, mas o fato de terem focado sua reflexão sobre uma única temática, associada tanto às leituras realizadas, quantos aos trabalhos escritos, resenha e relato, envolvendo reflexão e descrição de aula ministrada. Reflexão esta focada numa única temática que parece ter sido intensa, mesmo individualmente, ou seja, quando interações com pares e com equipe docente não aconteceram como pretendido.

Na educação medida por tecnologias de informação e comunicação, grande parte das interações ocorre utilizando a escrita e não a oralidade. Pudemos notar, ainda que apenas superficialmente, que os alunos utilizaram muito pouco, apesar de vários incentivos a esse respeito, as escritas já produzidas por eles próprios para a elaboração de suas novas escrituras, para a transformação de um trabalho em outro, como é o caso das escritas nos fóruns. A focalização temática no desenho pedagógico da disciplina, embora potencialmente importante para isso, já que mantinha o mesmo tema em todas as escrituras e interações, possibilitando melhor as retomadas, parece não ter sido condição suficiente. A investigação das relações entre escritura dos alunos, prática reflexiva e mediações tecnológicas, trata-se de um tema importante para pesquisas futuras.

Enfim, as análises indicam que uma disciplina de Estágio Supervisionado na modalidade à distância não deixa a desejar em relação à modalidade presencial, no que diz respeito ao caráter reflexivo do futuro professor sobre sua própria prática associado à busca de inovações em seu fazer pedagógico e sua inserção no diálogo com a comunidade de pesquisa em ensino de física, pelo contrário com uma arquitetura pedagógica bem pensada pode superar algumas limitações encontradas na modalidade presencial.

## Referências

BEHAR, P. A. Modelos Pedagógicos para Educação a Distância . Artmed, 2008.

GERALDI, C. M. G.; FIORENTINI, D.; PEREIRA, E. M. A. (orgs.). Cartografias do trabalho docente : professor(a)-pesquisador(a). Campinas, SP: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil - ALB, 1998.

QUEIROZ, G. Processo de formação de professores artistas-reflexivos de física. Educação & Sociedade , ano XXII, nº 74, Abril, 2001.

REZENDE, F.; BARROS, S. de S.; LOPES, A. M. de A.; ARAÚJO, R. dos S. InterAge: um ambiente virtual construtivista para formação continuada de professores de Física. Caderno Catarinense (Brasileiro) de Ensino de Física , Florianópolis, v. 20, n. 3, p. 372-390, 2003.

SANTOS, L. L. C. P. Dilemas e perspectivas na relação entre ensino e pesquisa. In: André, M. (org). O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores . Campinas, SP: Papirus, 2001, p. 11-25.

SLONGO, Ione Ines Pinsson ; Delizoicov, Nadir Castilho ; Rosset, Jéssica Menezes . A Formação de professores enunciada pela pesquisa na área da Educação em Ciências. Alexandria (UFSC), v. 3, p. 97-121, 2010.

ZEICHNER, K. M. A formação reflexiva de professores : ideias e práticas. Lisboa: Educa, 1993.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.