Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

Análise da Aprendizagem de Conceitos Relacionados à Astronomia no Ensino Fundamental II

Marcos Rincon Voelzke, Roberta Izabella De Moraes E Poffo

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIV
Ano
2012
Data
09/11/2012
Linha de pesquisa
Ensino / Aprendizagem / Avaliação Em Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2012

Texto completo

## ANÁLISE DA APRENDIZAGEM DE CONCEITOS RELACIONADOS À ASTRONOMIA NO ENSINO FUNDAMENTAL II

## ANALYSIS OF LEARNING OF CONTENTS RELATED TO ASTRONOMY IN ELEMENTARY EDUCATION II

## Marcos Rincon Voelzke 1 , Roberta Izabella de Moraes e Poffo 2

1

Universidade Cruzeiro do Sul, mrvoelzke@hotmail.com

2 Universidade Cruzeiro do Sul, izabellamoraes@yahoo.com.br

## Resumo

A Proposta Curricular do Estado de São Paulo, na disciplina de Ciências Físicas e Biológicas, apresenta conteúdos relacionados à Terra e Universo, que são abordados pela astronomia, no Ensino Fundamental II. No ano letivo de 2010, em uma escola da rede pública estadual em Santo André, São Paulo, 89 alunos do sexto ano do Ensino Fundamental II, responderam a um questionário com dez questões abertas relacionadas à astronomia para se realizar uma análise da aprendizagem desses conceitos, antes e depois da abordagem dos conteúdos com três estratégias de ensino diversificas: aula expositiva dialogada, aula expositiva com auxílio de recursos audiovisuais e pesquisas em livros didáticos. Com isso, pode-se comparar o conhecimento prévio do aluno, assim como, se houve melhoria na aprendizagem após a abordagem dos conceitos e a eficácia das estratégias utilizadas. Dessa forma, pode-se concluir quais conteúdos podem ser considerados adequados à faixa etária e como melhorar a abordagem de conceitos astronômicos nessa fase. Com relação à aprendizagem dos conceitos através da análise dos questionários, conclui-se que: Na primeira fase: os resultados em geral apontam uma falta de conhecimento específico relacionado ao tema astronomia. Na segunda fase: os resultados apontam uma melhora significante no rendimento dos alunos em geral. Todas as turmas apresentaram um bom nível em conceituar e associar os assuntos abordados. Das estratégias utilizadas, as aulas expositivas dialogadas, se mostraram melhores para essa faixa etária e com relação à aprendizagem, conclui-se que foi expressiva e eficiente, tendo em vista que a maior parte dos alunos se desenvolveu melhor ao final do ano letivo com relação aos conceitos.

## Palavras-chave: Astronomia, Ensino Fundamental, Aprendizagem

## Abstract

The Curriculum Proposal of the State of São Paulo presents in the discipline of Physical and Biological Sciences contents related to Earth and Universe, which are covered by the subject of Astronomy in the Elementary Education II (aged between 11 and 14). During the school year 2010, in a public school in Santo André, São Paulo, 89 pupils of the sixth year of an elementary school answered a questionnaire with ten open questions related to Astronomy to perform an analysis of the learning success of these concepts before and after the approach of the contents. With this work it is possible to compare the previous knowledge, mainly if there was an improvement in learning after

imparting the concepts. In this way, it is possible to conclude what contents may be considered appropriate for this age and how to enhance the conveyance of astronomical contents in this step. With respect to learning the concepts by analysing the questionnaires, one can draw the following conclusions. In the first phase: The results generally indicate a lack of specific knowledge related to the subject Astronomy. Few pupils were able to say what a star is and had difficulties in citing constellations, and most could not identify the Milky Way. In the second phase: the results show a significant improvement in the pupils' performance in general. All groups showed a good level in conceptualizing and associating the discussed topics. It could be observed that it still proved as a difficulty for most of the pupils to conceptualize a star, to explain what it is, but on the other hand, one of the issues with greater correctness was precisely the one with respect to the sun. They do not exactly define a star but know that the Sun is one, and that is really good because there was an association. With respect to learning, it is concluded that it was significant and efficient, considering that most learners progressed better at the end of the school year with respect to the concepts.

: Astronomy, Elementary Education, Learning

## Keywords Introdução

Atualmente, a Proposta Curricular do Estado de São Paulo [1], no currículo da disciplina de Ciências Físicas e Biológicas, propõe que os tópicos disciplinares necessitam ser organizados em torno de problemas concretos, próximos aos alunos e que tenham relevância para suas vidas pessoais e comunitárias. Sendo assim, conteúdos relacionados à Terra e Universo, cujos conceitos são tratados pela astronomia, estão presentes na Proposta Curricular do Estado de São Paulo do 6° ao 9° do Ensino Fundamental Ciclo II (EFII). De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) [2], a astronomia deve fazer parte do conteúdo na Educação Básica, e reforça, ao mencionar que: [...] a grande variedade de conteúdos teóricos das disciplinas científicas, como a astronomia, a biologia, a física, as geociências e a química, assim como dos conhecimentos tecnológicos, deve ser considerada pelo professor em seu planejamento.

A astronomia é uma das ciências mais antigas, talvez pelo fato de seu objeto de estudo, o céu fazer parte da vida humana desde os seus primórdios [3]. 'Desde a aurora da civilização, o homem luta para compreender os complexos movimentos dos corpos celestes, e incontáveis monumentos e artefatos antigos refletem sua fascinação' [4]. Há um grande interesse por parte dos alunos sobre esse tema: 'O senso comum dos estudantes, em geral, mostra que eles não só conhecem fenômenos astronômicos como procuram explicações para os mesmos' [5]. Por outro lado, nota-se a recusa de alguns professores, e até mesmo a falta de preparo para lidar com certos conteúdos relacionados à astronomia, o que acaba dificultando a aprendizagem dos alunos, pois o professor não aborda, ou aborda indevidamente, o tema. No caso dos professores que ensinam astronomia, na sua imensa maioria, não são especializados nesta área de conhecimento e, quando são, não estão muito preocupados com o processo pedagógico como tal, nem com o uso de estratégias didáticas adequadas [6]. Não é surpreendente que os professores do Ensino Fundamental (EF) tenham receio de levar a astronomia para a sala de aula; estes se sentem incapazes de suprir as próprias expectativas, e

consequentemente, as de seus alunos [7]. Daí surge a importância de capacitar melhor os professores para permitir um preparo e uma segurança maior ao tratar os conceitos astronômicos, sendo de suma importância o despertar do conhecimento e do ensino científico incutido nos profissionais da educação [8].

Aos professores de Ciências, é, sem dúvida, importante um bom conhecimento da matéria a ser ensinada [9]. A astronomia é uma das ciências mais antigas da humanidade e sempre despertou a curiosidade do ser humano, fato que pode ser observado em todas as faixas etárias e diferentes classes sociais. Desde muito tempo, o homem utiliza a astronomia em sua vida, como na agricultura, navegação, localização, entre outras aplicações. O interesse humano tem procedência na busca pelas origens e as conexões entre a astronomia e consciência humana [10].

- O fascínio pelos fenômenos celestes levou o homem à criação de teorias sobre o Universo desde a mais remota antiguidade [11]. Mesmo com essa aceitação, observa-se uma falta de conhecimentos relacionados à astronomia em alunos da rede pública estadual de São Paulo. A astronomia é pouco compreendida pelo público em geral, incluindo crianças e professores de todos os níveis de ensino [12-13-14].

Em uma pesquisa realizada no município de Suzano, em escola da rede Estadual de São Paulo, foi observado que estudantes do Ensino Fundamental (EF) não apresentavam os conhecimentos esperados paras as séries sobre astronomia [15]. Além disso, a aprendizagem deve ser contínua e, a cada série, o aluno tem a oportunidade de ampliar e aprimorar seus conhecimentos. Em geral, um grande problema no processo de ensino e aprendizagem é a transmissão de conhecimento de forma ineficiente. Pensando nisso, a astronomia pode ter uma função motivadora e, ao utilizar sua característica multidisciplinar, despertar a curiosidade científica dos estudantes [16]. Assim sendo, o conhecimento sobre o Universo e principalmente sobre a Terra é de extrema importância para que o indivíduo perceba e entenda fenômenos e fatos do seu cotidiano. Um aluno, que seja bem preparado, pode ser articulador de suas ideias em sua vida e em sua comunidade, permitindo a ele uma análise mais crítica da sociedade e do mundo em que vive: 'A astronomia é a motivação ideal para introduzir uma vasta gama de conceitos de todas as áreas de conhecimento' [16].

Portanto, neste trabalho busca-se utilizar a astronomia como ferramenta motivadora e compreender quais são as dificuldades dos alunos, para que, problemas relacionados ao ensino de astronomia possam ser minimizados.

## Desenvolvimento do Trabalho

Este trabalho foi realizado através de uma pesquisa que forneceu dados para analisar a aprendizagem de conceitos astronômicos, assim como estratégias de ensino diversificadas para abordagem dos conceitos. Em uma escola da rede pública estadual situada no município de Santo André, no ano letivo de 2010, 89 alunos do sento ano do Ensino Fundamental II (EFII), de três turmas diferentes, denominadas sextos anos E, F e G, na faixa etária média de 11 anos, no início do ano letivo (abril de 2010) responderam a um questionário com dez questões abertas que abordavam conteúdos relacionados à

astronomia para análise do conhecimento prévio; essa etapa foi denominada de fase um.

Durante o mesmo ano, os conteúdos exigidos na Proposta Curricular foram abordados detalhadamente em todas as turmas. Para cada turma utilizou-se uma estratégia de ensino diferente para a abordagem dos conteúdos. Com a turma E, utilizou-se aulas expositivas com auxílio de recursos audiovisuais, denominada estratégia 1; com a turma F, estratégia 2, realizada com aulas expositivas dialogadas; e a turma G, estratégia 3, com pesquisas realizadas em livros didáticos em grupos. Após essa abordagem, ao final de novembro de 2010, as turmas responderam novamente ao questionário, etapa denominada de fase 2, para se realizar a comparação ao questionário da fase 1 e analisar se houve melhora no conhecimento e quais conteúdos devem ser aprimorados, além de analisar o desempenho de cada turma para avaliar a aplicação das estratégias.

Com esses dados, é possível a realização de uma análise mais detalhada para que possa ser feita uma apreciação dessa aprendizagem, levando em consideração as estratégias utilizadas para melhorar o ensino de Astronomia em Ciências na rede estadual de ensino. Dessa forma, cumpre-se de maneira mais eficaz uma das etapas da Proposta Curricular para alunos do 6° ano na disciplina de ciências, permitindo que falhas anteriores a essa série sejam minimizadas.

## Estratégias utilizadas e conteúdos abordados

O processo de ensino-aprendizagem é um processo longo e que não depende única e exclusivamente de uma metodologia de ensino ou um método ou estratégia específicos. Neste trabalho, buscou-se elencar algumas maneiras de ensinar conceitos astronômicos nas aulas de ciências, utilizando práticas de ensino comumente aplicadas. Sendo assim, distribuiu-se uma estratégia para cada turma: com a turma do sexto ano E, utilizou-se a estratégia 1, aula expositiva com auxílio de recursos audiovisuais (multimídias), com a turma do sexto ano F, utilizou-se a estratégia 2, aula expositiva dialogada e com a turma do sexto ano G, utilizou-se a estratégia 3, pesquisas em livros didáticos em grupos. Em todas as estratégias os alunos realizaram atividades do caderno do aluno, do livro didático e lições de casa, pois é necessário o cumprimento do programa da Proposta Curricular. É importante destacar que, em todas as estratégias e com todas as turmas, os conceitos e assuntos abordados e a ordem em que foram discutidos foi à mesma para que todas as turmas tivessem o mesmo conteúdo, além disso todas foram apresentadas pelo mesmo professor para não haver discrepâncias na abordagem dos conteúdos.

## Elaboração, aplicação e correção do questionário

Para analisar os conhecimentos dos alunos, assim como analisar a aprendizagem, utilizou-se um questionário com dez questões abertas discorrendo sobre os conteúdos exigidos na Proposta Curricular da série. Este questionário foi elaborado, aplicado e corrigido de uma maneira criteriosa e foram levados em consideração alguns aspectos importantes, tais como:

- · Ser elaborado de acordo com o conteúdo da Proposta Curricular para não ultrapassar o conteúdo exigido nessa série;
- · Utilização de uma linguagem adequada à série e faixa etária dos alunos para facilitar a compreensão dos mesmos;
- · Na aplicação dos questionários os alunos estavam cientes que era uma pesquisa para avaliar o conhecimento sobre os assuntos abordados;

## Questionário aplicado e correções

O questionário dispõe de dez questões abertas discorrendo sobre os conteúdos relacionados ao tema sugeridos na Proposta Curricular:

Tabela 1 - Questionário aplicado

Para a correção das questões levou-se em consideração os conceitos astronômicos definidos em dicionário astronômico [17] de extrema importância na definição de conceitos e grande referência no assunto, também foi utilizado o Livro 'Projeto Araribá' [18], livro didático o qual os alunos utilizaram neste ano letivo e o qual tinham como referência. Além deles, utilizou-se também o dicionário Mini Aurélio [19].

Para a consideração de uma resposta estar correta ou não, levou-se em consideração a linguagem e limitações dos alunos, por isso algumas respostas podem não estar de acordo com a definição científica exata, mas estão adequadas à compreensão do aluno. Cada questão equivale a um ponto, somando dez no total.

## Resultados: análise de cada questão do questionário

1ª questão - O que é uma estrela?

Nesta questão, busca-se entender o que os alunos compreendem sobre estrelas e como as definem.

Segundo [17]: 'Trata-se em geral de um objeto de forma esferoidal, no interior do qual reinam temperaturas e pressões muito elevadas, particularmente nas regiões vizinhas do centro, onde se verificam reações termonucleares que liberam considerável energia que se propaga sob a forma de radiações eletromagnéticas.' De acordo com [19]: 'Nome comum aos astros luminosos que mantêm praticamente as mesmas posições relativas na esfera

celeste, e que, observados a olho nu, apresentam cintilação.' Em [18], definese: 'corpo celeste que tem luz própria.'

Esta última definição seria a mais aproximada do esperado. Foram consideradas respostas próximas a esta, pois seria mais adequado conforme a faixa etária. Foram consideradas corretas respostas como: 'astro que tem luz própria'; ou 'astro que brilha'; 'astro ou algo luminoso no céu'. Porém, alguns alunos demonstraram uma total falta de conhecimento conceitual e utilizaram a criatividade. Foram obtidas respostas como: 'é um satélite', 'uma bola de fogo', muitos responderam 'é um meteoro'. Respostas como estas não foram consideradas como corretas. Observe graficamente os resultados das fases 1 e 2 na figura a seguir:

<!-- image -->

Figura 1 - (a) 1ª fase; (b) 2ª fase

<!-- image -->

Essa questão foi a que teve o menor índice de acertos no total geral. Isso se deve, provavelmente, à complexidade do conceito. Conclui-se que, nessa faixa etária, ainda não há maturidade suficiente para compreender completamente esse conceito, até porque nessa fase eles ainda não tiveram contato com nenhum conteúdo relacionado a átomos, fusão nuclear e elementos químicos. Esse conteúdo somente é apresentado no nono ano do EFII; portanto, esse aspecto deve ser enfatizado no ensino de astronomia para essa faixa etária de uma maneira clara e voltada para essa série.

## · 2ª questão - Qual é a estrela mais próxima da Terra?

Nessa questão esperava-se que os alunos tivessem noção de diferenciação dos astros e pudessem apontar os que eles conhecem, pois desde muito pequenas as crianças escutam falar sobre as estrelas e sobre o Sol, mas será que elas conseguem igualar o Sol as outras estrelas que eles observam no céu? Esperava-se exclusivamente a resposta correta: 'O Sol'.

[17] define Sol como: 'Estrela em torno da qual a Terra e os outros planetas do sistema solar giram, e que comparada às outras estrelas é relativamente de tamanho pequeno e de brilho fraco, parecendo-nos maior e mais brilhante por encontrar-se mais perto.' Para [19] Sol é: 'estrela em torno da qual gira a Terra e os outros planetas do sistema solar.' Em [18] afirma-se claramente: 'O Sol é a estrela mais próxima da Terra.' Observe as figuras:

<!-- image -->

Figura 2 - (a) 1ª fase; (b) 2ª fase

<!-- image -->

Como observado na Fig. 2, nesta questão, houve uma melhora expressiva da 1ª para a 2ª fase. Esse fato é interessante se considerada a questão anterior, 1ª questão, na qual, a maioria dos alunos não conseguiu responder corretamente o que é uma estrela, mas conseguiram associar que o Sol é uma estrela e esse fato é positivo.

- · 3ª questão - O que é uma constelação?

Nesta questão, esperava-se que os alunos associassem constelação a estrelas.

Foram consideradas corretas respostas como: 'grupo de estrelas', ou 'conjunto de estrelas', ou até mesmo 'várias estrelas juntas'. A maior parte dos alunos que respondeu corretamente apresentou respostas próximas a: 'um conjunto de estrelas' ou 'grupo de estrelas'.

Conforme a Fig.3, se observa que esta questão foi a que teve maior índice de acertos na 1ª fase, ou seja, sem a intervenção em sala de aula, no conhecimento prévio. Nesta fase foram obtidos os índices de 57% na turma 'E', 30% na 'F' e 38% na turma 'G'. Isso, provavelmente, dá-se ao fato de ser um assunto bastante abordado culturalmente. É comum as pessoas observarem o céu e as constelações são muito difundidas e associadas a objetos, desenhos e até associadas à astrologia, que é muito difundida na cultura popular. Observe figura:

<!-- image -->

Figura 3 - (a) 1ª fase; (b) 2ª fase

<!-- image -->

- · 4ª questão - Diga o nome de uma constelação que você conhece.

Com este questionamento esperava-se que os alunos tivessem conhecimento do nome de estrelas que fazem parte de uma constelação para diferenciar umas das outras.

## Observe figura:

<!-- image -->

Figura 4 - (a) 1ª fase; (b) 2ª fase

<!-- image -->

Se comparadas à questão anterior, que questionava se eles sabiam o que é uma constelação, esta questão não teve um bom resultado. As melhoras foram pouco expressivas e não houve o avanço esperado na segunda fase.

Analisando as respostas, percebe-se que eles confundem muito os nomes, e mesmo sendo parecidos com nomes verdadeiros, não podem ser considerados corretos. De fato as constelações mais citadas foram 'Cruzeiro do Sul', visto que eles realizaram atividades no caderno do aluno relacionadas a esta constelação e também as estrelas conhecidas como 'três Marias', que são pertencentes à constelação de Órion. Estas estrelas também foram citadas nas atividades e são de fácil observação no céu, sendo muito conhecidas popularmente.

## · 5ª questão - Dentro de qual galáxia a Terra está?

Nesta questão buscou-se analisar o conhecimento do aluno sobre Universo. Objetivava-se saber se eles possuem noção de grandeza e que a Terra faz parte de um sistema e que esse sistema é apenas um entre vários existentes no Universo.

Considerou-se como resposta correta Via Láctea e conforme aparece na Fig. 5, os alunos, inicialmente, tinham pouco conhecimento do assunto, apresentando as turmas E, F e G acertos de 3%, 10% e 10%, respectivamente. Já na segunda fase, houve uma boa assimilação do conceito, já que a turma 'E' subiu de 3% para 63%, a turma 'F' foi de 10% para 33% e a turma 'G' saltou de 10% para 62%.

Nas respostas da segunda fase, um aspecto interessante é que muitos alunos, além de responder o nome corretamente, associaram 'Via Láctea' a 'caminho de leite'. Essa associação aparece na abordagem em aula e associar o nome com o significado dele facilitou a assimilação do conceito, mostrando que o uso de associações, nessa faixa etária se faz importante.

<!-- image -->

Figura 5 - (a) 1ª fase; (b) - 2ª fase

<!-- image -->

- · 6ª questão - Qual é o nome do satélite natural da Terra?

Esta indagação tem o objetivo básico de saber se um estudante nesta faixa etária sabe diferenciar satélites naturais de objetos artificiais.

Aresposta adequada a essa questão seria 'Lua'. A Lua é de fato, provavelmente, depois do Sol, o astro mais mencionado pelos alunos, principalmente, em representações como em desenhos. Veja na figura 6, que nos questionamentos da primeira fase, a turma 'E' obteve 30% de acertos; já a turma 'F', 33% e a turma 'G', 24%, porém após a intervenção, os índices subiram para 83%, 87% e 86%, respectivamente. Com isso, considera-se que nesse conceito a abordagem foi eficaz e a maioria dos alunos não teve dúvida ao responder a questão após as aulas.

<!-- image -->

Figura 6 - (a) 1ª fase; (b) 2ª fase

<!-- image -->

- · 7ª questão - Qual é o movimento da Terra que determina o ciclo dia e

noite?

Com este questionamento, buscou-se entender o que o aluno compreende do ciclo dia e noite. Os conceitos relacionados à compreensão da movimentação da Terra são prioridade na Proposta Curricular do Estado de São Paulo. A compreensão desse movimento pelo aprendiz é importante, pois é um aspecto significante do cotidiano humano.

Esperava-se como resposta correta: 'movimento de rotação'. Alguns alunos não souberam dizer o nome corretamente, mas conseguiram explicar como funciona, como por exemplo, dizendo que a Terra gira em torno dela mesma e por isso acontecem dias e noites. Respostas próximas a esta explicação também foram aceitas.

Observou-se que muitos alunos confundiram os movimentos de rotação e translação na primeira fase. Durante a apresentação dos conceitos

esses movimentos foram amplamente discutidos e solicitados, com o intuito de que eles compreendessem a diferença entre esses movimentos e a melhora foi significativa da primeira para a segunda fase. Observe diferenças entre a primeira e segunda fase na figura 7:

<!-- image -->

Figura 7 - (a) 1ª fase; (b) 2ª fase

<!-- image -->

- · 8ª questão - O que é uma estrela cadente?

Essa questão foi colocada conforme o conhecimento popular, pois é muito comum os questionamentos dos alunos sobre 'estrelas cadentes.' Esse é de fato um aspecto da astronomia muito mal interpretado pela crença popular. Muitos alunos na primeira fase responderam que a expressão 'estrela cadente' refere-se a uma estrela que caiu do céu, inclusive alguns expressaram nas respostas dizendo que deveriam ser feitos pedidos para a estrela ou não se pode apontar para uma estrela. Respostas como essas elucidam a inocência dos aprendizes dessa faixa etária e como eles 'aprendem' e 'repetem' o que ouvem, mesmo sem saber o que significa, denotando assim, novamente, um enfoque sociocultural no seu desenvolvimento intelectual.

Na correção considerou-se correto respostas como: 'é um meteoro', ou, 'um pedaço de asteróide', e até mesmo respostas como 'são pedaços de rochas que caem na Terra' ou algo similar.

Nas respostas dos alunos foi observado que na primeira fase alguns alunos tinham o conhecimento correto de 'estrela cadente', mas houve uma melhora na segunda fase. observe figura 8:

<!-- image -->

Figura 8 - (a) 1ª fase; (b) 2ª fase

<!-- image -->

- · 9ª questão - Qual é o maior planeta do Sistema Solar?

Esta indagação tinha o objetivo de questionar o conhecimento do aluno acerca dos planetas do sistema solar. Este assunto também costuma ser muito

questionado em sala de aula e os alunos tem o hábito de perguntar sobre os planetas, especialmente, porque muitos aspectos relacionados a alguns planetas são difundidos pelos meios de comunicação como televisão e revistas. Um fato que também os deixa muito curiosos é a questão de vida fora da Terra. Muitos alunos têm fascinação por esse assunto e questionam sobre esse aspecto durante as aulas. Como resposta correta foi aceito o planeta Júpiter, que segundo [17]: 'é o maior dos planetas do Sistema Solar, com diâmetro de 143.000 km e massa 318 vezes maior que a da Terra.

De acordo com a análise da Fig. 9, houve uma melhora no rendimento na segunda fase, sendo que a turma 'E' foi de 20% para 60%, uma melhora relevante, já a turma 'F' foi de 33% sendo a turma que teve o melhor rendimento na primeira fase, para 57% e a turma 'G' também melhorou consideravelmente partindo de 31% para 66%. Observe a figura:

<!-- image -->

Figura 9 - (a) 1ª fase; (b) 2ª fase

<!-- image -->

- · 10ª questão - Qual é o menor planeta do Sistema Solar?

Esta questão vem completar a idéia de planeta para o aluno. Além disso, muitos alunos questionam o fato de Plutão não ser mais considerado um planeta. Na concepção de muitos alunos, Plutão foi 'rebaixado' e não reclassificado, eles não conseguiam compreender o porquê dessa mudança. Na abordagem nas aulas, esse assunto foi bem apresentado para que não houvesse dúvidas sobre a reclassificação de Plutão e não rebaixamento. Além disso, com essa abordagem foi possível estender o assunto para explicar a existência de outros corpos do Sistema Solar, assim como os limites do próprio. Foi considerada resposta correta o planeta Mercúrio, dado o fato de Plutão na reunião de 2006 da União Astronômica Internacional, ter sido definido como Planeta-anão.

Conforme observado na Fig. 10, os índices na primeira fase foram satisfatórios, o que denota que os alunos já tinham um bom conhecimento sobre esse aspecto. Um aspecto intrigante é o fato da turma 'G' ter diminuído o índice de acertos. Destaca-se aqui problema semelhante ao ocorrido na primeira questão. Este tema parece ser muito complexo e específico, devendo ser repensado em uma próxima abordagem para essa faixa etária. Observe figura:

<!-- image -->

Figura 10 - (a) 1ª fase; (b) 2ª fase

<!-- image -->

## Comparação entre as fases

Na tabela abaixo se destaca os índices de acertos de cada turma em cada fase. Os pontos destacados sublinhado, indicam os melhores resultados em cada questão:

Tabela 2 -Índices de acertos por questão

## Considerações Finais

Ao concluir este trabalho percebe-se que a astronomia está presente na Proposta Curricular do Estado de São Paulo, assim como em outras propostas pedagógicas, sendo elemento importante dos Parâmetros Curriculares Nacionais e que há muito interesse por parte dos alunos com relação ao tema.

Com relação à abordagem com estratégias diferentes, conclui-se que a utilização de aulas expositivas dialogadas é a estratégia mais eficiente para essa faixa etária, mas que se a inclusão de recursos audiovisuais puder ocorrer em paralelo sem muito destaque como na estratégia 1, os resultados devem melhorar.

Com relação à aprendizagem do conceitos através da análise dos questionários, conclui-se que:

- · Na primeira fase: os resultados em geral apontam uma falta de conhecimento específico relacionado ao tema astronomia. Poucos alunos sabiam dizer o que é uma estrela e tiveram dificuldade em citar constelações e a maioria não conseguiu identificar a Via Láctea. Atribui-se isso ao fato de uma preparação regular no Ensino Fundamental I, pois esses temas deveriam ser abordados nessa fase. Se segundo a Proposta Curricular, o aluno tem que associar conceitos científicos ao cotidiano, conceitos sobre constelações e estrelas, por exemplo, deveriam ser melhor abordados no Ensino Fundamental I (EFI), dada a dependência da Terra em relação ao Sol; Além disso, a questão dez que se refere ao planeta Mercúrio, também mostrou certa complexidade para essa faixa etária, dada a recente reclassificação de Plutão para outra categoria.

Portanto, devendo esse conceito ser melhor abordado. Outro tema que eles apresentaram dificuldades foi com relação a meteoritos, devendo este tema também ser aprimorado.

- · Na segunda fase: os resultados apontam uma melhora significante no rendimento dos alunos em geral. Todas as turmas apresentaram um bom nível em conceituar e associar os assuntos abordados. Conceituar estrela, explicar o que é uma estrela, novamente, aparece como uma dificuldade para a maior parte dos alunos, mas por outro lado, uma das questões com maior acerto foi justamente com relação ao Sol. Eles não definem bem o que é uma estrela, mas sabem que o Sol é uma, e isso é realmente bom, pois houve associação. Nessa fase, eles também apresentaram uma boa compreensão sobre a Lua. Isso provavelmente ocorreu porque é mais fácil para um aluno dessa idade imaginar e observar a Lua do que Júpiter, por exemplo. Fica evidente, que eles precisam fazer associações entre o que eles vêem e o que eles entendem.

Com relação à quinta questão, sobre a Via Láctea, houve uma boa melhora na segunda fase, mostrando que esse tema pode ser bem compreendido se for adequadamente trabalhado.

Outro ponto importante foi o índice de melhora na sétima questão acerca do movimento de rotação, onde houve uma melhora bastante expressiva, fato importante, dado o destaque desse tema na Proposta Curricular.

Com relação à aprendizagem, conclui-se que foi expressiva e eficiente, tendo em vista que a maior parte dos alunos se desenvolveu melhor ao final do ano letivo com relação aos conceitos. As experiências adquiridas em sala de aula remetem o professor a vários dilemas, dentre eles destaca-se a função de adequar teorias de ensino e aprendizagem com as propostas pedagógicas da escola, neste caso do Estado, com a realidade dos alunos.

A tarefa de educar crianças e adultos é multidisciplinar e engloba diversas áreas do conhecimento humano. A sala de aula é um laboratório vivo e os instrumentos são pessoas que devem ser respeitadas como indivíduos participantes de um processo. Se os alunos forem motivados da maneira adequada, eles se sentirão mais aptos a participarem das aulas.

## Referências

- [1] Estado de São Paulo. Secretaria de Estado da Educação, Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas. Proposta Curricular do Estado de São Paulo : (SEE/CENP, São Paulo. SP, 2008) 60 p.
- [2] Brasil, Ministério da Educação. Secretaria da Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio . (MEC, Brasília, 1999). 364 p.
- [3] M. D. Longhini e I. M. Mora, in: Uma Investigação sobre o Conhecimento de Astronomia de Professores em Serviço e em Formação . Educação em Astronomia: experiências e contribuições para a prática pedagógica , organizado por M. D. Longhini (Átomo, Campinas, 2010) p. 87-115.
- [4] I. Ridpath. Guia ilustrado zahar: Astronomia (Jorge Zahar Editora, Rio de Janeiro, 2007), 298 p.
- [5] A.L. Scarinci e J.L.A. Pacca. Revista Brasileira de Ensino de Física. 28, 89 (2006).
- [6] J. B. M. Barrio, in: A Educação Investigativa em Astronomia. Educação em Astronomia: experiências e contribuições para a prática pedagógica (Átomo, Campinas, 2010) p. 160-178.
- [7] C. Leite e Y. Housoume. Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia 4, 47 (2007).
- [8] E.P. Gonzaga e M.R. Voelzke. Revista Brasileira de Ensino de Física 33, 2311 (2011).
- [9] A. M. P. Carvalho e D. P. Gil, Formação de Professores de Ciências. Tendências e Inovações (Editora Cortez, São Paulo, 2006) 120 p.
- [10] L. C. Jafelice, in: Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Física , Águas de Lindóia, 2002. 20 p.
- [11] C. Leite, Os professores de Ciências e suas formas de pensar a Astronomia. Dissertação de Mestrado, Instituto de Física e Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.
- [12] E. Albrecht, Diferentes Metodologias Aplicadas ao Ensino de Astronomia no Ensino Médio . Dissertação de mestrado, Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2008.
- [13] E. Albrecht e M. R. Voelzke, Teaching of Astronomy and Scientific Literacy . Journal of Science Education. 11, 35-38 (2010).
- [14] E. Albrecht e M.R. Voelzke, Creating Comics in Physics Lessons: A Didactical Practice. Journal of Science Education,13, 2 (2011).
- [15] E.F. Oliveira, M.R. Voelzke e L.H. Amaral, Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia 4,79 (2007).
- [16] E. A. M. Gonzalez, R.V. Nader, A.B. Mello, S.S. Pinto, D.N.E. Pereira, E.A. Souza e J.A.S. Campos, in: Anais 2° Congresso Brasileiro de Extensão Universitária, Belo Horizonte, (2004) 7 p.
- [17] R.R.F. Mourão. Dicionário enciclopédico de Astronomia e astronáutica (Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1995) 925 p.

[18] Projeto Araribá. Ensino fundamental de ciências (Editora Moderna, São Paulo, 2007) 224 p.

[19] A.B.H. Ferreira, Mini Aurélio: O dicionário da língua portuguesa/Aurélio Buaruqe de Holanda Ferreira (Editora Positivo, Curitiba, 2010) 856

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.