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A PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR NOS CURSOS DE LICENCIATURA EM FÍSICA DE SANTA CATARINA

Angelisa Benetti Clebsch, Otávio Bocheco, Maíra Adriana Hillesheim

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIV
Ano
2012
Data
08/11/2012
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR NOS CURSOS DE LICENCIATURA EM FÍSICA DE SANTA CATARINA PRACTICE AS A CURRICULAR COMPONENT IN PHYSICS GRADUATION COURSES IN SANTA CATARINA

Angelisa Benetti Clebsch , Otávio Bocheco , Maíra Adriana Hillesheim 1 2 3

1, 2, 3 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense/Curso de FísicaLicenciatura/Câmpus Rio do Sul

1 angelisa@ifc-riodosul.edu.br, o.bocheco@ifc-riodosul.edu.br, mairaadrihill@hotmail.com 2 3

## Resumo

Neste artigo discutimos a respeito da Prática como Componente Curricular (PCC). Componente que tornou-se obrigatório no currículo das licenciaturas a partir de Resoluções emitidas pelo Conselho Nacional de Educação e que estabelecem os princípios, fundamentos e procedimentos a serem observados na organização curricular dos cursos de formação docente. Tais documentos oficiais determinam que os cursos de licenciatura devem incluir 400 horas de PCC em sua matriz curricular, de modo a distribuir a dimensão prática da formação docente ao longo de todo o curso. Esta nova composição tem o compromisso de evitar que tal dimensão fique restrita ao estágio supervisionado, geralmente executado na segunda metade dos cursos de licenciatura. No entanto a implementação deste novo componente na matriz curricular dos cursos de licenciatura tem revelado alguns questionamentos quanto a sua natureza e as disciplinas onde deve ser alocado. Para alavancar essa discussão comparamos a forma como a PCC vem sendo implementada nos currículos dos cursos de licenciatura em Física de instituições públicas do estado de Santa Catarina. Esta comparação foi viabilizada, metodologicamente, através da análise documental. Foram analisados as matrizes curriculares e os Projetos Político Pedagógicos (PPP) dos cursos, de modo a serem originadas tabelas que condensam as informações pertinentes à pesquisa e que esclarecem a distribuição da carga horária destinada a PCC. Além da discrepância quanto à forma de alocar a PCC na matriz curricular, observamos que esta, atualmente, está distribuída nos cursos de licenciatura em Física, ofertados por instituições públicas catarinenses, tanto em disciplinas do núcleo comum, que remetem aos conhecimentos técnicocientíficos próprios da área de Física, quanto em disciplinas do módulo sequencial especializado, condizentes com a formação do físico-educador.

Palavras-chave : Prática como Componente Curricular, matriz curricular, licenciatura em Fisica.

## Abstract

In this article, we discuss about Practice as a Curricular Component (PCC), which became obligatory in the curriculum of the graduation courses by the resolutions issued by the National Education Board, and which establishes the principles, fundamentals and procedures to be observed in the curricular organization of courses graduating teachers. Such official documents determine that these courses must include 400 hours of PCC in their curricula in order to distribute the practical dimension of the teaching formation throughout the whole course. This new

composition aims at avoiding that such dimension is curbed within the supervised traineeship, which generally happens during the second half of the course. However, the implementation of this new component in the curriculum of courses graduating teachers has raised some questions about its nature and the subjects in which it must be alocated. To foster this discussion, we compare the way the PCC is being implemented in the curricula of Physics teachers formation courses in public institutions in the State of Santa Catarina. This comparison was feasible, methodologically, through documental analyses. The curricular matrices and the Political Pedagogical Projects (PPP) of the courses were analysed, so that charts which condense data pertinent to the research and which clarify the distribution of the studyload destined to the PCC could be generated. Besides the discrepancy about the way of alocating the PCC in the curricular matrix, we observe that this is currently distributed in the courses of Physics teaching, offered by public institutions in Santa Catarina, both in common nucleus subjects, which lead to technical-scientifical knowledge especifically in the Physics area, as subjects of the especialized sequencial module, suitable to the formation of the Physics educator.

Key-words: Practice as a Curricular Component, curricular matrix, bachelor in teaching Physics

## Introdução

A Resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE)/Conselho Pleno (CP) n .1 de 18 de fevereiro de 2002 (BRASIL, 2002a) institui as Diretrizes o Curriculares Nacionais para a Formação de Professores de Educação Básica. Nela são estabelecidos os princípios, fundamentos e procedimentos a serem observados na organização curricular dos cursos de formação docente. Destaca-se nesta Resolução a orientação para que a prática docente não se restrinja ao estágio supervisionado, geralmente desenvolvido a partir da segunda metade dos cursos de licenciatura. Isto fica explicito nos parágrafos 1º, 2º e 3º do seu artigo 12:

- § 1 A prática, na matriz curricular não pode ficar reduzida a um espaço 0 isolado, que a restrinja ao estágio, desarticulada do restante do curso.
- § 2 0 A prática deve estar presente desde o início do curso e permear toda a formação do professor.
- § 3 0 No interior das áreas ou das disciplinas que constituem os componentes curriculares de formação, e não apenas nas disciplinas pedagógicas, todas terão a sua dimensão prática. (BRASIL, 2002a)

No entanto, apesar deste documento oficial indicar que a prática se dilua ao longo da formação docente, devendo permear as disciplinas que constituem a matriz curricular, não determina a carga horária destinada a esta dimensão. Isto cabe a Resolução CNE/CP n o .2 de 19 de fevereiro de 2002 (BRASIL, 2002b) que institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, e que determina em seu Art. 1º a duração mínima de 2800 (duas mil e oitocentas) horas, nas quais a articulação teoria-prática garanta em seus projetos pedagógicos as seguintes dimensões dos componentes comuns:

- I -400 (quatrocentas) horas de prática como componente curricular, vivenciadas ao longo do curso;
- II - 400 (quatrocentas) horas de estágio curricular supervisionado a partir do início da segunda metade do curso. (BRASIL, 2002b)

A partir destas Resoluções (BRASIL, 2002a, 2002b) cursos de formação de professores, em vigência ou a serem criados, tiveram que adequar sua organização curricular em acordo com este novo componente, a Prática como Componente Curricular (PCC). Porém, os cursos de licenciatura vigentes na época, em geral, restringiam a sua dimensão prática ao estágio supervisionado. Assim, surgem controvérsias quanto ao que se constitui de fato a PCC e em quais disciplinas sua carga horária deve estar presente ou ser alocada.

Por causa destes questionamentos, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, por exemplo, solicitou ao Conselho Nacional de Educação esclarecimentos a respeito da implementação da PCC nos cursos de licenciatura:

04 - Qual a compreensão desse Conselho em relação à distinção entre prática como componente curricular e prática de ensino?

05 - No caso dos cursos que possuem disciplinas com créditos práticos, as horas desses créditos poderão ser utilizados como horas de prática como componente curricular? Do contrário como poderá ser feito tal aproveitamento: serão criadas disciplinas específicas ou poderá se adaptar as já existentes? (Brasil, 2005, p.2 - grifos do autor)

O órgão competente em questão responde aos questionamentos através do Parecer CNE/CES N o 15/2005 (BRASIL, 2005) que define a PCC e a diferencia do estágio supervisionado, sugerindo disciplinas, cujas cargas horárias totais ou parciais poderão ser computadas com a PCC:

04 - [...] a prática como componente curricular é o conjunto de atividades formativas que proporcionam experiências de aplicação de conhecimentos ou do desenvolvimento de procedimentos próprios da docência. Por sua vez, o estágio supervisionado é um conjunto de atividades de formação, realizadas sob a supervisão de docentes da instituição formadora, e acompanhado por profissionais, em que o estudante experimenta situações de efetivo exercício profissional.

05 - As disciplinas relacionadas com a educação que incluem atividades de caráter prático podem ser computadas na carga horária classificada com prática como componente curricular, mas o mesmo não ocorre com as disciplinas relacionadas aos conhecimentos técnico-científicos próprios da área do conhecimento para a qual se faz a formação. (BRASIL, 2005, p.3)

Na elaboração dos projetos de criação e projetos pedagógicos de cursos de Licenciatura em Física devem ser observadas também as Diretrizes Nacionais Curriculares para cursos de Física dispostas no Parecer do CNE/CES N 1304/2001 0 de 06 de novembro de 2001 (BRASIL, 2001). Para atingir a formação que contemple os perfis, competências e habilidades definidos neste Parecer é sugerido que os cursos sejam divididos em núcleo comum e módulos sequenciais especializados (no caso da licenciatura, físico-educador). O documento oficial citado esclarece que:

O Núcleo Comum é caracterizado por conjunto de disciplinas relativos à física geral, matemática, física clássica, física moderna e ciência como atividade humana. (Brasil, 2001, p.6)

[os módulos] sequenciais estarão voltados para o ensino da física e deverão ser acordados com os profissionais da área de educação quando pertinentes. (BRASIL, 2001, p.7)

Frente às Resoluções Brasil (2002a, 2002b), e ao Parecer Brasil (2005) fica evidente que os cursos de licenciatura em Física devem incluir na sua matriz curricular a carga horária de 400 horas de PCC, de modo que esta seja alocada nas

disciplinas do módulo sequencial especializado ou em disciplinas criadas especificamente para este novo componente.

Diante deste cenário, com o objetivo de esclarecer nossos próprios questionamentos com relação à natureza e alocação da PCC na matriz curricular, nos propomos a pesquisar a forma como as instituições públicas catarinenses que ofertam cursos de licenciatura em Física estão cumprindo as determinações das Resoluções e Pareceres supracitados.

## Metodologia

Como instrumento de pesquisa optamos pela utilização da análise documental que busca apresentar o conteúdo de um documento de modo a facilitar consultas posteriores mantendo o máximo de informações, tanto qualitativas quanto quantitativas.

De acordo com Bardin (1977) a analise documental possui discrepâncias frente à análise de conteúdo.

- O objetivo da analise documental é a representação condensada da informação, para consulta e armazenagem; o da análise de conteúdo é a manipulação de mensagens (conteúdo e expressão desse conteúdo), para evidenciar os indicadores que permitam inferir sobre outra realidade que não a da mensagem. (BARDIN, 1977, p.46)

Os documentos pesquisados foram as matrizes curriculares disponibilizados por cursos de licenciatura em Física, ofertados por instituições públicas de Santa Catarina: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que oferta os cursos de licenciatura em Física na modalidade presencial e à distância; a Fundação Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), que oferece o curso presencial de licenciatura em Física; o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC), que oferece o curso de licenciatura em Ciências da Natureza Habilitação em Física e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense (IFCatarinense), que oferta o curso presencial de licenciatura em Física.

Na medida da necessidade, também foram analisados os Projetos Político Pedagógicos dos cursos em questão. Foi neste momento que optamos excluir de nossa pesquisa os cursos ofertados por instituições privadas catarinenses, visto que as mesmas não disponibilizaram o Projeto Político Pedagógico (PPP) de seus cursos. Restando como fonte de pesquisa uma grade curricular disponibilizada no site das instituições, sem qualquer informação a respeito da PCC.

Como forma de condensar as informações referentes à implementação da PCC, nas matrizes curriculares dos cursos supracitados, optamos pela confecção de tabelas que contemplam apenas as disciplinas que incluem a PCC, acompanhadas de algumas observações por escrito.

## A implementação da PCC na Matriz Curricular de Licenciaturas em Física nas instituições Públicas Catarinenses

Referente ao curso presencial de licenciatura em Física disponibilizado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) verificou-se um total de 480 horas reservadas a PCC. Tal carga horária aparece, basicamente, em disciplinas do módulo-sequencial especializado, relativas à formação do físico-educador. Três disciplinas ao longo do curso possuem carga horária total computada como PCC, enquanto outras possuem uma parcela da carga horária destinada ao trabalho teórico e o restante destinada a PCC. A Tabela 1 mostra estes detalhes.

Tabela 1: Carga horária da PCC no Curso presencial de Licenciatura em Física da UFSC

FONTE: http://www.fsc.ufsc.br/ensino/cursodegraduacaoemfisica/gradefsc2009/Lic.html

Já o curso licenciatura em Física na Modalidade à Distância da UFSC apresenta uma estrutura curricular que dilui a carga horária destinada a PCC desde o primeiro até o nono semestre do curso, tanto em disciplinas do núcleo comum como em disciplinas do módulo sequencial especializado.

No trabalho de tutoria deste curso, acompanhamos a realização da PCC nos dois primeiros semestres. Nestas etapas um dos objetivos formativos era familiarizar o licenciando com atividades conectadas ao ensino de física.

No primeiro semestre, na disciplina de Física Básica A, por exemplo, a PCC concentrou-se na elaboração de uma aula envolvendo aspectos históricos dos conceitos trabalhados ao longo da disciplina. O acompanhamento desta atividade de implementação da PCC na formação docente gerou a publicação Peduzzi e Clebsch (2007).

No segundo semestre, na disciplina de Física Básica B, a PCC explorou a elaboração e apresentação de um problema aberto (PEDUZZI e PEDUZZI, 2001) utilizando, novamente, conceitos de Física estudados ao longo da disciplina.

A Tabela 2 apresenta a forma como a PCC é alocada, atualmente, na grade curricular do curso em questão.

Tabela 2: Carga horária da PCC no Curso de Licenciatura em Física - modalidade à distância da UFSC

Fonte: matriz curricular do Curso de Licenciatura em Física na modalidade à distância da UFSC.

Por intermédio da Tabela 2, observamos que a carga horária destinada a PCC apresenta um somatório de 310h. No entanto, o mesmo documento analisado e que originou esta Tabela apresenta um resumo de distribuição da carga horária do curso e neste são reservados um total de 400h para a PCC. Com isso, acreditamos que a UFSC não registrou na matriz curricular as 90h de PCC necessárias para fechar a carga horária em acordo com a legislação.

Ao diferenciar, explicitamente, a PCC do estágio supervisionado, fica evidente que a Fundação Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) considera no Projeto Político Pedagógico do seu curso presencial de licenciatura em Física as Resoluções Brasil (2002a, 2002b), que instituem a PCC e delimitam carga horária mínima para a mesma, bem como o documento oficial Brasil (2001) que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para cursos de Física.

Quanto à matriz curricular do curso é apresentada uma matriz geral compondo todas as disciplinas do curso, subdividas em carga horária teórica e prática. No mesmo documento, é apresentada uma tabela que especifica as disciplinas cujos créditos estão computados total ou parcialmente como PCC, num total de 405 h.

Observamos na Tabela 3, que a UDESC privilegia a carga horária destinada a PCC para disciplinas do módulo sequencial especializado, com exceção de duas disciplinas pertencentes ao núcleo comum.

Tabela 3: Carga horária da PCC no Curso de Licenciatura em Física da UDESC

FONTE: http://www.joinville.udesc.br/portal/ensino/graduacao/fisica/

Os Institutos Federais foram criados pela Lei 11.892 de 29 de dezembro de 2008 (BRASIL, 2008) e em seu artigo 8º deixa claro que, no desenvolvimento da sua ação acadêmica, os Institutos devem garantir 20% de suas vagas a cursos de licenciatura, com vistas na formação de professores para a educação básica, sobretudo nas áreas de ciências e matemática, e para a educação profissional.

Em virtude do pequeno tempo de existência e o processo transitório que estas instituições passaram, após a sua criação, é natural que a maior parte delas não contemple a tradição, experiência e estrutura para ofertar cursos superiores como as Universidades.

No estado de Santa Catarina existem dois Institutos Federais e ambos possuem cursos de licenciatura, recentemente criados em acordo com a legislação.

- O Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) oferece o curso de Licenciatura em Ciências da Natureza Habilitação em Física com uma estrutura diferente dos outros cursos citados neste artigo.
- É apresentado para cada semestre um diagrama demonstrando uma concepção abrangente e dinâmica de currículo, e expressando o conjunto de elementos a serem combinados. Tais diagramas contemplam as unidades curriculares integrativas e os questionamentos e argumentos que deverão permear cada semestre.

Como pode ser visto na Tabela 4, está previsto, nos quatro primeiros semestres do curso, a realização de um Projeto Integrador com carga horária destinada, especificamente, a PCC.

Tabela 4: disciplinas explicitamente alocadas para PCC no curso do IFSC

FONTE: PPP do Curso Licenciatura em Ciências da Natureza Habilitação em Física do IFSC

Observa-se, através da Tabela 4, que o somatório da carga horária para os quatro projetos integradores, previstos nos quatro primeiros semestres do curso em foco, atinge 160h. Assim, estariam faltando 240h para satisfazer a carga horaria destinada, em legislação, a PCC.

No PPP, o IFSC apenas menciona que esta carga horária de 240h seria explicitada em unidades curriculares ao longo do curso. No entanto, de forma explicita a única carga horária que pudemos computar para a PCC refere-se aos projetos integradores.

Um detalhe polêmico que nos chamou a atenção, diz respeito a uma passagem do PPP onde é mencionado que a carga horária destinada a PCC será contemplada em unidades curriculares desenvolvidas em laboratórios. Segundo o Parecer Brasil (2005), citado anteriormente, as disciplinas relacionadas à educação e que incluem atividades de caráter prático podem ser computadas na carga horária destinada a PCC. No entanto, o mesmo não ocorre com disciplinas relacionadas aos conhecimentos técnico-científicos característicos da área de formação. Portanto, se estas unidades curriculares desenvolvidas em laboratórios estiverem constituídas em disciplinas de caráter prático em Física, cujo objetivo é promover a formação básica em Física, não poderão ser computadas como PCC. Caso isto ocorra, estará sendo efetuada uma interpretação reducionista deste componente curricular, que a vincula a atividades de campo ou de laboratório próprias da tradição das disciplinas técnico-científicas (ALMEIDA e FARIAS, 2011).

No Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Catarinense (IFC), instituição da qual fazemos parte, a PCC está presente desde o primeiro semestre do curso, tanto em disciplinas do núcleo comum como do módulo sequencial especializado, totalizando uma carga horária de 405h.

Na elaboração do PPP procuramos atender à legislação vigente, interpretando a PCC como um dos componentes pedagógicos que contempla a transposição didática dos conteúdos em estudo para o ensino.

Como pode ser visto na Tabela 5, numa tentativa de perspectiva interdisciplinar, em cada semestre está prevista a realização de atividades que integram as disciplinas selecionadas para alocar a PCC.

Tabela 5: Carga horária da PCC no Curso de Licenciatura em Física do IFC

Fonte: PPP do Curso de Física-Licenciatura do IFCatarinense

Como exemplo da operacionalização da PCC, no IFCatarinense-câmpus Rio do Sul, promoveu-se a produção de materiais didáticos a serem utilizados na prática docente, envolvendo as três disciplinas do 1º semestre do curso. Para a PCC envolvendo as disciplinas do 2º semestre optou-se por diagnosticar e identificar aspectos da realidade escolar da educação básica que envolve a região, através de observações in loco de planos de ensino de Física e aplicação de questionários com professores de Física em exercício.

## Considerações finais

Dentro da temática de formação de professores de ciências, em específico, na área de Física, percebemos a escassez de publicações envolvendo discussões a respeito da PCC. O que de fato consiste este novo componente e de que forma implementá-la na grade curricular dos cursos de licenciatura em Física são questões incipientes na área.

Franco e Pires (2008) realizam uma análise de matrizes curriculares de cursos de licenciatura ofertados em Centros de Educação Federal e Tecnológica CEFET - e mencionam a necessidade de uma analise critica em relação a PCC.

Neto e Silva (2011) abrem uma discussão com relação à implementação da PCC nos cursos de licenciatura da Universidade Estadual Paulista (UNESP) e defendem que este novo componente curricular deve ser interpretado numa perspectiva interdisciplinar, de forma a alavancar uma reestruturação dos currículos das licenciaturas e não apenas uma adequação.

Em nossa pesquisa documental, há evidências de que as instituições analisadas concebem a PCC como um componente a ser adequado na matriz curricular, porém são encontradas discrepâncias quanto a esta adequação. Estará este componente simplesmente sendo pulverizado na matriz curricular dos cursos de licenciatura em física apenas para cumprir uma obrigatoriedade legal ou como estratégia para encontrar um equilíbrio na relação teoria-prática?

A presente pesquisa revela ser propício incluir a natureza da PCC no âmbito da pesquisa em ensino de física, uma vez que a dimensão prática dada aos cursos de formação docente reflete na identidade (ou perfil) dos novos profissionais.

## Referências

ALMEIDA, A. V.; FARIAS, C. R. O. A Natureza da Ciência na Formação de Professores: reflexões a partir de um curso de licenciatura em ciências biológicas. Investigações em Ensino de Ciências. V.16 N.3, 2011.

BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Ed. 70, 1977.

BRASIL, Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CES 1.304 de 06 de novembro de 2001. Diretrizes Nacionais Curriculares para os Cursos de Física. Brasília: CNE, 2001.

- \_\_\_\_\_\_\_, Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP 1, de 18 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Brasília: CNE, 2002a.
- \_\_\_\_\_\_\_, Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP 2, de 19 de fevereiro de 2002. Institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, de formação de professores da Educação Básica em nível superior. Brasília: CNE, 2002b.

\_\_\_\_\_\_\_, Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CES 5, de 02 de fevereiro de 2005. Solicitação de esclarecimentos sobre as Resoluções CNE/CP nºs 1 e 2. Brasilia: CNE, 2005.

\_\_\_\_\_\_\_, Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Ministério da Educação. Lei 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Brasília: MPOG, 2008.

FRANCO, L. R.; PIRES, L. L. A. As licenciaturas em Física e Matemática nos Centros Federais de Educação Tecnológica. In: Anais eletrônicos: XXIV Congresso de Educação do Sudoeste Goiano: Infância, Sociedade e Cultura. Jataí, 2008.

NETO, S. S.; SILVA, V. P. Prática como componente curricular: questões e reflexões. In: I Encontro das Licenciaturas da UNESP e III Simpósio: A prática de ensino em questão. Águas de Lindóia, 2011.

PEDUZZI, L. O. Q; CLEBSCH, A. B. Uma experiência sobre Galileu em um Curso de Licenciatura em Física na modalidade à distância. In: Anais VI ENPEC. Florianópolis, 2007.

PEDUZZI, L.O.Q.; PEDUZZI, S. S. Sobre o papel da resolução literal de problemas no Ensino de Física: Exemplos em Mecânica In: Ensino de Física: conteúdo, metodologia e epistemologia em uma concepção integradora. PIETROCOLA, M. (org.). UFSC: Florianópolis, 2001.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.