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AVALIAÇÃO DE LIVRO DIDÁTICO DE CIÊNCIAS DOS ANOS INICIAIS A PARTIR DA ANÁLISE DOS CONTEÚDOS DE FÍSICA

Elrismar Auxiliadora Gomes Oliveira

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIV
Ano
2012
Data
06/11/2012
Linha de pesquisa
Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## AVALIAÇÃO DE LIVRO DIDÁTICO DE CIÊNCIAS DOS ANOS INICIAIS A PARTIR DA ANÁLISE DOS CONTEÚDOS DE FÍSICA

## APPROVAL OF TEXTBOOK OF SCIENCES OF THE EARLY YEARS FROM THE ANALYSIS OF THE CONTENTS OF PHYSICS

## Elrismar Auxiliadora Gomes Oliveira 1

1 Universidade Federal do Amazonas/Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente/elrismar@gmail.com

## Resumo

Nesse artigo apresentamos a análise de uma coleção de ciências aprovada nos editais do Programa Nacional do Livro didático - PNLD 2004, 2007 e 2010. O foco do trabalho foi nos conteúdos de Física desses livros, verificando as diferenças encontradas ao longo desse período, em que passou por três avaliações. A escolha por essa coleção se deve basicamente a três fatores: o conteúdo contempla preceitos da disciplina de Física, é uma coleção adotada em muitas escolas e teve aprovação em 3 anos consecutivos no PNLD. No trabalho apresentamos uma análise comparativa feita para a coleção em suas três edições, a partir de 5 parâmetros: i) características físicas dos livros; ii) Dinâmica de utilização dos livros e orientações ao professor; iii)Atividades experimentais; iv)Abordagem dos conteúdos de Física; v)Relação com os Parâmetros Curriculares Nacionais -PCN's. Observando os Guias de Livros do PNLD, constatou-se que os critérios de avaliação desse programa passaram por alterações nesse período. Nossa análise demonstrou que, no geral, essa coleção aprovada em anos diferentes e avaliada a partir de pareceristas e critérios também distintos não apresentou mudanças significativas na sua estrutura, conteúdo, atividades e forma de abordagem, considerou algumas recomendações e ignorou outras. Isso certamente nos leva a refletir sobre a acuidade desses critérios no que se refere à distinção de livros realmente adequados ao ensino. Os parâmetros estabelecidos para definir a adequação, delimitar as recomendações e ressalvas não são totalmente objetivos: a avaliação não é livre de inferência. Ressaltamos que o objetivo do trabalho não é analisar os aspectos positivos e negativos dessa coleção e sim observar a relação entre os critérios de avaliação do PNLD e a aprovação das coleções.

Palavras-chave: Ensino de Física, PNLD, livro didático

## Abstract

In this paper we present an analysis of a collection of Sciences approved of the National Program of Textbooks - PNLD 2004, 2007 and 2010. The focus of this work was in physics content of these books, checking the differences over this period, he spent three assessments. The choice of this collection is primarily due to three factors: the content includes principles of the physics discipline principles, is a collection adopted in many schools and was approved on three consecutive years in the PNLD. At work we present a comparative analysis made for the collection in its three editions, from 5 parameters: i) physical characteristics of books, ii) Dynamic use of books and guidance to the teacher; iii) experimental activities; iv) the approach of contents Physics; v) Relationship with the PCN's. Observing PNLD Guides Books, it was found that the evaluation criteria of this program have undergone changes

during this period. Our analysis showed that, overall, this collection passed in different years and evaluated from different reviewers and criteria also showed no significant changes in its structure, content, activities, and how to approach, consider some recommendations and ignored others. This certainly leads us to reflect on the accuracy of these criteria with regard to the distinction of books really suitable for teaching. The parameters set to define adequacy, defining recommendations and reservations are not totally objective: the assessment is not free of inference. We emphasize that the objective of this study is to analyze the positive and negative aspects of this collection, but observe the relationship between the criterion for assessment and approval of PNLD collections.

Keywords : physics teaching, PNLD, textbook.

## Introdução

A partir da década de 1980 os livros didáticos passaram a ser objeto de inúmeras pesquisas. Algumas dessas pesquisas focalizam o caráter comercial e social. Cassiano (2003), por exemplo, escreve sobre a história das principais editoras e suas práticas comerciais, caracterizando seu papel e dos divulgadores junto às escolas e professores. Em Freitag et al . (1993) os divulgadores chegam a ser descritos como ' vendedores que coagem o professor' . Bittencourt (1993) apresenta um estudo dos primeiros autores de livros didáticos brasileiros numa tentativa de indicar as relações complexas entre editores e autores, entre os autores e professores, as autoridades, os alunos e suas famílias, assim como situá-los junto aos demais sujeitos que constituíram a história da educação escolar no século XIX e início do século XX.

Outras vertentes de pesquisa sobre o papel do livro didático apontam para sua importância no processo educacional. Apple (1995) ressalta que os livros didáticos estabelecem grande parte das condições materiais para o ensino e a aprendizagem nas salas de aulas de muitos países. No Brasil, segundo Lajolo (1996), são eles que acabam se tornando o principal controlador do currículo e orientador dos conteúdos e atividades a serem ministrados pelos professores. Na mesma direção, Francalanza e Megid Neto (2006) consideram o livro didático como o principal material de apoio ao professor, que o utilizam para pesquisar e preparar suas aulas. Santos (2001), em sua pesquisa, mostra que o livro didático se caracteriza como um guia curricular para cerca de 75% a 95% da instrução, principalmente nas séries iniciais, o que demostra sua grande importância no trabalho docente

Embora encontremos um grande volume de pesquisas sobre o livro didático, as publicações no conteúdo de Ciências das séries iniciais ainda se apresentam em tímida quantidade, sendo ainda mais restritas aquelas sobre a abordagem de conteúdos de Física nos livros nesse nível. Podemos perceber esforços nesse sentido, como o trabalho de Cunha (2006) sobre o uso de analogias e o de Kamel e Rocque (2006) sobre o papel das histórias em quadrinhos no desenvolvimento dos conteúdos. Ainda nesse segmento os trabalhos de Lima (Lima, 1995; Lima et al 1996; Lima e Alves, 1997; Lima e Carvalho, 2003) buscam apresentar conceitos da Física contando histórias, procurando desenvolver uma leitura prazerosa, e sem perda de rigor ou precisão, estimulando a curiosidade das crianças e facilitando o processo de ensino - aprendizagem.

O PNLD é o mais antigo dos programas voltados à distribuição de obras didáticas aos estudantes da rede pública de ensino brasileiro, data seu início em 1929 (com outra denominação), e ainda hoje continua sendo um programa de grandes proporções.

Até 1994 a preocupação do Ministério da Educação - MEC era com a aquisição e distribuição gratuita de livros às escolas. A partir dessa data o MEC passou a implementar medidas visando avaliar o livro didático, reunindo grupos de professores para analisar a qualidade desse material. Os documentos resultantes dos estudos de análise e avaliação das coleções passaram a ser denominados como Guia de Livros Didáticos (Leão e Megid Neto, 2006). Assim, foram publicados os Guias de Livros Didáticos dos anos iniciais do ensino fundamental: Guias 1996, 1998, 2000/2001, 2004, 2007 e o mais recente, Guia 2010.

Dentre os trabalhos que buscam investigar os livros didáticos, um foco é a avaliação dos conteúdos de coleções. Em pesquisa anterior (OLIVEIRA, 2008) identificamos e qualificamos os conteúdos de Física em três coleções de livros didáticos de Ciências das séries iniciais aprovadas pelo PNLD 2007, utilizando as áreas tradicionalmente apresentadas para classificar os conteúdos da Física (Mecânica, Acústica, Física Térmica, Ótica, Eletricidade, Magnetismo, Física Moderna) e Astronomia. Essa pesquisa procurou mostrar os conteúdos presentes em cada uma dessas coleções, constatando que todos eles foram encontrados nos livros, com exceção da Física Moderna.

No PNLD 2004, 2007 e 2010, foram aprovadas, respectivamente: 21 coleções, 12 coleções e 11 coleções de ciências das séries/anos iniciais do Ensino Fundamental. De todas as coleções aprovadas, somente uma Coleção Ciências Vivência e Construção, foi aprovada consecutivamente nesses três últimos editais do programa.

Observando os Guias de Livos do PNLD, constata-se que os critérios de avaliação desse programa passaram por alterações ao longo desses seis anos, além de os pareceristas terem sido diferentes. Tendo em vista a aprovação de uma mesma coleção em anos em que houve mudanças nos critérios de avaliação, algumas questões devem ser consideradas para discutirmos a relevância dos parâmetros estabelecidos para aprovação dos livros didáticos. Apresentamos, nesse trabalho, uma análise dos conteúdos de Física da Coleção Ciências - Vivência e Construção nas três edições: PNLD 2004, 2007 e 2010. Procuramos responder alguns questionamentos: O que mudou na abordagem dos conteúdos de Física propostos por essa coleção nas três edições? Houve alterações na capa, cores e figuras da coleção? A coleção foi alterada levando em consideração as observações indicadas no Guia do Livro? O título dos livros e a sequência de apresentação dos conteúdos mudou? E ainda no espírito da discussão, fazemos uma breve reflexão sobre o resultado dessa análise e a aprovação segundo os critérios do PNDL desses anos.

Ressaltamos que o objetivo do trabalho não é analisar os aspectos positivos e negativos dessa coleção, e sim observar a relação entre os critérios de avaliação do PNLD e a aprovação das coleções. Como já citado anteriormente, essa coleção foi a única aprovada nos três últimos editais desse programa. Mesmo a coleção melhor avaliada em 2004, ficando como única coleção na categoria Recomendada com Distinção, apareceu aprovada no PNLD 2007, mas não consta no PNLD 2010. Essa categoria será explicada mais adiante nos Critérios de avaliação das coleções.

## O PNLD Critérios de avaliação

- O Guia de Livros didáticos 2004 estabelecia três critérios eliminatórios: 1. correção dos conceitos e informações básicas; 2. correção e pertinência metodológicas; e 3. contribuição para a construção da cidadania. O não atendimento dos aspectos de cada um desses critérios resultava na exclusão da obra inscrita no PNLD. Além desses três critérios, havia outros cinco: 1. inscrição de uma única versão ou variante de uma obra; 2. ausência de erros de impressão e de revisão; 3. adequada reformulação pedagógica de obras anteriormente excluídas; 4. articulação pedagógica dos volumes que integram uma coleção didática; 5.inadequação: esse critério é avaliado a partir da consideração de cada obra individualmente- se tiverem um ou mais volumes excluídos no processo de avaliação, a obra não era aprovada
- O guia também apresentava critérios classificatórios, que tratavam de aspectos gráficos-editoriais, dentro do qual avalia-se a estrutura editorial e aspectos visuais. Somando-se todos os itens contemplados dentro desses critérios, totalizavase 80 itens a serem observados na ficha de avaliação das coleções.

Para classificar as coleções quanto à adequação aos critérios de avaliação e ao grau de excelência da obra, o Guia estabeleceu três categorias: 1. Recomendada com Distinção , 2. Recomendada e 3. Recomendada com Ressalvas . De acordo com o Guia, a obra Recomendada com Distinção apresenta proposta pedagógica elogiável e qualidade inequívoca e bastante próximas do ideal. A obra classificada como Recomendada cumpre plenamente todos os requisitos de qualidade exigidos naquele processo de avaliação. Enquanto que a obra Recomendada com Ressalvas contém algumas limitações.

- O Guia de Livros didáticos 2007 apresentou critérios observados em 2004, porém a ficha de avaliação apresentava um total de 45 itens: 1. Aspectos teóricometodológicos (34 itens); 2 . Aspectos socioculturais e preceitos éticos (3 itens) e 3. Manual do Professor (8 itens), número bem menor que 2004.

Diferente de 2004, o Guia de Livros didáticos PNLD 2007 não trouxe nenhuma categoria de classificação. Os limites e possibilidades de cada coleção eram descritos nos textos dessas resenhas, ou seja, o professor precisava ler atentamente cada resenha para identificar ressalvas em relação às coleções.

Em 2010 a ficha de avaliação do Guia de Livros didáticos apresentou 51 itens a serem analisados: 1. Proposta pedagógica (8 itens); 2. Conhecimentos e conteúdos (9 itens); 3. Pesquisa e experimentação (6 itens); 4. Cidadania e ética (7 itens); 5. Ilustrações, diagramas e figuras (3 itens); 6. Incentivo ao uso de outros recursos e meios (9 itens); 7. Manual do Professor (9 itens). Nesse ano o Guia voltou a trazer categorias de classificação, porém diferentes das apresentadas em 2004. A classificação veio em um quadro, denominado Quadro comparativo das coleções, onde a intensidade da cor roxa indicava o resultado da avaliação das coleções: quanto mais intensa a cor, mais a coleção atendia aos critérios especificados no edital.

## Análise da coleção

A coleção analisada nesse trabalho foi Ciências - Vivência e Construção, sendo seu título alterado em 2010 para Aprendendo sempre ciências, dos autores e editora: CAMPOS, Maria C. da Costa e NIGRO, Rogério G.: Editora Ática.

A escolha por essa coleção se deve basicamente a três fatores: i) o conteúdo contempla preceitos da disciplina de Física (foco da pesquisa); ii) é uma coleção adotada em muitas escolas e iii) teve aprovação em 3 anos consecutivos no PNLD.

A seguir apresentamos uma análise comparativa feita para a coleção em suas três edições, a partir de 5 parâmetros: i) características físicas dos livros; ii) Dinâmica de utilização dos livros e orientações ao professor; iii)Atividades experimentais; iv)Abordagem dos conteúdos de Física; v) Relação com os PCN's

## Características físicas dos livros

A primeira alteração observada nessa coleção, foi no título: em 2004 e 2007 ela apresenta-se como Coleção Ciências - Vivência e Construção. Em 2010 ela passa a chamar-se Aprendendo sempre ciências.

Nos livros dessa Coleção aprovada pelo PNLD 2004 as capas apresentam recortes de figuras variadas como animais, objetos e plantas, já em 2007 as capas apresentam desenhos de crianças realizando diferentes atividades: escovando os dentes, alimentando um gatinho, regando um canteiro e escolhendo frutas em uma banca. Na coleção agora intitulada Aprendendo sempre ciências, PNLD 2010, as capas apresentam figuras com crianças desenvolvendo as mesmas atividades da coleção aprovada em 2007. A Figura 1 mostra a capa dos três livros das coleções. Pode-se observar que em 2007 e 2010, apesar de ser a mesma figura, diferem na caricatura.

Figura 2: Capas coleção aprovada pelos PNLD 2004, 2007 e 2010, respectivamente.

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A edição 2004 apresentava na primeira capa essencialmente tons de vermelho e azul turquesa, em 2007 passou a ter as cores verde água e branco, agora em 2010, apresenta cores mais quentes em tons de branco e vermelho. Os livros das três coleções apresentam tamanhos iguais, área de cerca de 21cm x 28 cm. As dimensões das figuras, no interior dos livros, foram significativamente reduzidas em 2010, fazendo com que nesse ano os livros tivessem um número menor de páginas que em 2004 e 2007. As fotos e figuras em 2004 e 2007 foram impressas com qualidade melhor que 2010.

## Dinâmica de utilização dos livros e orientações ao professor

Em todas as edições, PNLD 2004, 2007 e 2010, os livros dirigidos ao professor trazem respostas às atividades, orientações e sugestões específicas ao trabalho do professor para cada assunto nas laterais de praticamente todas as páginas dos livros. Esses pequenos textos aparecem na cor azul claro e em letras de tamanho reduzido.

Essa estruturação facilita muito o trabalho do professor, pois aumenta as possibilidades de interação com essas orientações e sugestões sem que o professor

tenha que localizá-las no final do livro. Além dessas orientações página a página, as três edições oferecem, ao final do livro do professor, em textos mais extensos, que caracteriza o Manual do Professor , apresentando pressupostos teóricos, e explicando a natureza dos conteúdos aplicados às novas metodologias. Sugerem planejamento de atividades e avaliação, leituras complementares e pesquisa na internet, bem como referências bibliográficas. Como avanço, a coleção PNLD 2010 traz mais figuras e orientações específicas para cada módulo, apresentando nesse tópico, vinte páginas em média a mais que as coleções PNLD 2004 e 2007.

## Atividades experimentais

Em relação às atividades experimentais sobre conteúdos de Física, a coleção PNLD 2004 e 2007 , apresentavam pelo menos uma atividade experimental por área: Acústica, Física Térmica, Ótica, Eletricidade e Magnetismo. A coleção PNLD 2010 continua oferecendo praticamente a mesma porcentagem de atividades experimentais, ou seja, pelo menos uma atividade experimental por área, porém foi modificado o nível de investigação: algumas passaram exigir apenas observação ou verificação.

## Abordagem dos conteúdos de Física

Utilizando as áreas tradicionalmente apresentadas para classificar os conteúdos da Física (Mecânica, Acústica, Física térmica, Ótica, Eletromagnetismo, Física Moderna) e Astronomia, identificamos, em percentuais, os conteúdos presentes na coleção. Apresentamos os resultados no Gráfico 1:

Gráfico 1: Distribuição dos conteúdos das áreas da Física, em percentuais na coleção.

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Nos três editais, a coleção manteve o percentual de abordagem dos conteúdos de Física: Para Mecânica, 17%; para acústica 2%; para Física térmica 15%, para Óptica 26%, para eletricidade 21%; para magnetismo 6 % e para Astronomia 13%. Esse percentual foi levantado em função do número de páginas que abordava cada assunto.

## Relação com os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN's

Mesmo com a iniciativa do governo federal de avaliação dos livros, e com a tentativa dos PCN em normatizar o currículo escolar de todo país, a avaliação a partir dos Guias de Livros Didáticos de Ciências - PNLD evidencia que as coleções referentes ao 1º e 2º ciclos não se apresentam totalmente adequadas aos seus parâmetros.

No tocante aos conteúdos de Astronomia, a coleção (em suas 3 edições) atende parcialmente aos PCN's e à perspectiva de Delizoicov (1990), que sugerem ao abordagem do eixo Terra e Universo a partir do terceiro ciclo.

Os PCN's destacam a importância do trabalho do professor ao selecionar, organizar e problematizar os conteúdos para promover o avanço intelectual dos

alunos, não resumindo o ensino de Ciências à apresentação de definições científicas. Nesse sentido a coleção trabalhou com atividades de observação para tratar os conteúdos de Astronomia, não privilegiando a abordagem conceitual. Assuntos que requeriam o uso apenas da memória como as definições problemas de visão como a miopia, hipermetropia e suas respectivas lentes corretivas, divergente e convergentes, em 2004 vinham no texto do aluno e em 2007 foram tratados em um tópico extra denominado Para saber mais. No edital seguinte, em 2010, o tema foi levado para dentro do manual do professor. Nas três edições o tema foi mantido no segundo ano

Os livros foram analisados também na perspectiva de compreender a natureza dos conteúdos em termos de desenvolvimento conceitual, atitudinal e procedimental. As duas dimensões de análise evidenciaram que coleção 2007 procurou atender aos PCN, onde o ensino das habilidades atitudinais e procedimentais foi realizado a partir da abordagem conceitual. A coleção 2004 já procurava atender a essa dimensão, o mesmo ocorrendo na coleção 2010.

## Considerações

A análise das edições dos livros didáticos da coleção Vivência e Construção - ciências aponta para o fato de que é necessário pensar no avanço dos sistemas de avaliação de livros didáticos.

Em relação aos critérios estabelecidos pelo PNLD, a coleção de 2004 foi classificada como Recomenda, teve ressalvas quanto à imprecisão do uso de escalas e cores e quanto à utilização de textos muito longos para a faixa etária dos alunos. Citou-se também que na grande maioria, as fotos, os exemplos citados e os pesquisadores entrevistados são do Estado de São Paulo, observando-se certo regionalismo na apresentação dos conteúdos. A ressalva está no sentido de que professores de outras regiões devem fazer adaptações. Nos anos de 2007 e 2010 as mesmas entrevistas foram usadas, mas os Guias não voltaram a fazer recomendações sobre o fato. A coleção procurou melhorar a abordagem dos conceitos, evitando textos muito longos em 2007 e 2010. A imprecisão do uso de escalas volta a ser uma ressalva no Guia 2010. Percebemos, nesse sentido, uma oscilação em relação à avaliação de características determinantes para classificar as obras.

A resenha descritiva da coleção em 2007 trouxe ressalvas em temas de Física, quanto às unidades de caloria que estavam confusas, o que poderia levar à má interpretação de tabelas e/ou dados contendo valores calóricos de alimentos, já encontrada em 2004, mas não indicada pelos avaliadores. Nesse mesmo ano o Guia cita que o conteúdo direcionado para a área de Astronomia localiza-se apenas no livro da 1ª série/2º ano, porém a pesquisa revela que esse conteúdo é abordado também na 4ª série/5º ano. Essa é uma evidência da fragilidade e subjetividade de interpretação dos critérios no momento da avaliação das coleções, uma vez que um elemento foi desconsiderado em uma ocasião e foi significativo para a avaliação em outro momento. As unidades de caloria foram corrigidas em 2010.

O Guia 2010 vem com ressalvas quanto ao incentivo restrito sobre o uso de softwares e vídeos educativos, e uma maior frequência na abordagem de conteúdos referentes às áreas de Biologia e Ecologia, sendo a Astronomia a área com menor frequência de conteúdos, seguida da Geologia.

Nossa análise demonstrou que, no geral, uma coleção aprovada em anos diferentes e avaliada a partir de pareceristas e critérios também distintos não apresentou mudanças significativas na sua estrutura, conteúdo, atividades e forma de abordagem. Isso certamente nos leva a refletir sobre a acuidade desses critérios no que se refere à distinção de livros realmente adequados ao ensino. Os parâmetros estabelecidos para definir a adequação, delimitar as recomendações e ressalvas não são totalmente objetivos: a avaliação não é livre de inferência. Dessa maneira, devemos promover discussões sobre até que ponto as coleções devem se moldar para atender a esses critérios e como estabelecer formas de avaliação que possam distinguir as coleções em termos de qualidade para o ensino.

No que se refere também à avaliação dos livros, Francalanza e Megid Neto (2006), explicitam que em 2004 houve apenas uma coleção Recomendada com Distinção .

De acordo com o Guia 2010 duas coleções foram melhores pontuadas. Caso esse seja o critério dos professores ao realizarem a escolha dos livros, poderemos ter obras tornando-se o manual didático nacional. Lembrando que o Guia 2007 não apresentou categorias de classificação.

Ao final desse trabalho permanecem questionamentos para estudos futuros. Dentre eles, por que os Guias não discutem as alterações das coleções avaliadas, no tocante ao atendimento às recomendações anteriores? Os livros aprovados com recomendações muitas vezes não as consideram; nesse caso, não seria mais prudente que a coleção atendesse às recomendações, da mesma forma que as reprovadas, para voltar a se inscrever? Por que as obras inscritas e não aprovadas não são citadas? O Guia do livro é disponibilizado online. A maioria das escolas não chega a receber o Guia impresso a tempo de realizar a análise dos livros; assim, até que ponto este guia esta sendo utilizado como um dos critérios de escolha das obras pelos professores?

Todos os esforços, tanto das pesquisas como dos documentos oficiais, vêm contribuindo para a melhoria da qualidade dos Livros didáticos. Acreditamos, porém, que seja necessário um trabalho com foco direto na relação do professor e este material didático.

## Referências

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