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AS EXPECTATIVAS DOS ALUNOS INGRESSANTES NAS LICENCIATURAS EM FÍSICA: OS CASOS DA UNICAMP E DA UTFPR

Maurício U. Kleinke, Maria J. F. Gebara, Angela E. A. Pinto

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIV
Ano
2012
Data
06/11/2012
Linha de pesquisa
Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## AS EXPECTATIVAS DOS ALUNOS INGRESSANTES NAS

## LICENCIATURAS EM FÍSICA: OS CASOS DA UNICAMP E DA UTFPR THE EXPECTATIONS OF STUDENTS ENTERING IN THE TRAINING COURSE FOR PHYSICS TEACHERS: UNICAMP AND UTFPR EXAMPLES

Maurício U. Kleinke , Maria J. F. Gebara , Angela E. A. Pinto 1 2 3

- 1 Unicamp/Instituto de Física 'Gleb Wataghin', kleinke@ifi.unicamp.br
- 2
- 3

UTFPR/Departamento Acadêmico de Física, mgebara@utfpr.edu.br UTFPR/Departamento Acadêmico de Física, angelae@utfpr.edu.br

## Resumo

Neste trabalho são analisadas semelhanças e diferenças na natureza das expectativas de ingressantes nos Cursos de Licenciatura em Física da Unicamp e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, com relação à Universidade com o objetivo de compreender o fenômeno da evasão. Para o encaminhamento dessa análise, procuramos responder a duas questões: formas diferentes de acesso ao ensino superior implicam em ingressantes com expectativas distintas sobre a universidade? É possível identificar expectativas não contempladas nos modelos de formação atual que possam, eventualmente, configurarem-se em obstáculos para a permanência no curso? Para levantar as expectativas dos ingressantes com relação ao curso superior, utilizamos o Questionário de Expectativas dos Estudantes Ingressantes em Universidades, criado para obter informações relativas às expectativas pessoais, profissionais e acadêmicas, na transição da educação básica para o ensino superior. O tratamento dos dados foi realizado com uma técnica de análise fatorial, ajustadas às particularidades da pesquisa. Com essa técnica é possível transformar o número original de variáveis em um número reduzido de fatores que refletem as correlações estabelecidas entre as questões propostas e grupos respondentes. Os primeiros resultados indicam a possibilidade de extrapolação dos achados da pesquisa para ingressantes de outras universidades. Do ponto de vista das expectativas manifestadas pelos estudantes, foi possível elencar alguns fatores que podem gerar controvérsias causadas pelo distanciamento entre o que os alunos desejam e aquilo que os formadores acreditam ser importante. Mais que respostas conclusivas, esta pesquisa apontou a necessidade de ampliarmos a investigação e, consequentemente, o debate acerca desse tema e criar uma agenda para discutir o fenômeno da evasão nas universidades e, em particular, nos Cursos de Licenciatura em Física.

Palavras-chave : Licenciaturas, evasão nas universidades, expectativas dos estudantes ingressantes

## Abstract

This paper analyzes the similarities and differences in nature of students' expectations about the university and the training course of physics teachers at State University of Campinas, Unicamp, and at Federal University of Technology,

Paraná, aiming to understand the dropout phenomenon of Brazilian universities. For the routing of this analysis we seek to answer two questions: different forms of access to higher education can be related to distinct expectations about the university? Is it possible to identify not attended expectations by ours current training models that eventually can be configured as obstacles for staying the course? To understand the entrants' expectations with respect to the college, we used the comprehensive student transition to college questionnaire, created to obtain information about to personal, professional, and academic expectations in the transition from basic to higher education. Data analysis was performed through a factorial analysis, adjusted to the particularities of this research. This technique enables to transform the original number of variables in a reduced number of factors that reflect correlations established between proposed questions and groups of respondents. Early results indicate the possibility of extrapolating research findings for different universities. From the standpoint of student's expectations, it was possible to list some factors that may generate controversy caused by the gap between what students want and what educators believe is important. More than conclusive answers, this survey indicated the need to broaden the investigation and, consequently, the debate about this issue and to create an agenda aiming to discuss the phenomenon of dropout from universities, particularly related to the training course of physics teachers.

Keywords : training course for teachers, dropout from universities, expectations of entering students

## Introdução

Embora o número de vagas disponíveis para o ensino superior em instituições públicas tenha crescido bastante na última década, temos ainda um grande contingente de jovens, que buscam, como lembra Stern (1966), oportunidades intelectuais, sociais e crescimento pessoal, sem acesso à universidade . Contudo, apesar das dificuldades de acesso e de superação dos 1 desafios dos vestibulares e do Enem, verificamos que parcela não desprezível desses estudantes não conclui os cursos iniciados . É, principalmente, a insatisfação 2 com o curso o fator fundamental de desistência.

Particularmente preocupante é a situação dos Cursos de Licenciatura em Física (CLF) no Brasil, como discutiremos nesse trabalho a partir das Sinopses do Ensino Superior (INEP, 2001 a 2010). Embora esses dados apontem um significativo aumento no número de inscritos nos CLF na última década - aumento esse correlacionado à expansão de vagas nas universidades públicas - o desafio continua sendo a permanência dos alunos dessas licenciaturas nas universidades. O número de Licenciaturas em Física saltou de 60 para 222, sendo que, somente em 2010, as universidades federais criaram 42 novos cursos e as universidades estaduais públicas criaram 19, representando um aumento de 43% quando comparados aos dados de 2009.

As altas taxas de evasão, aliadas à baixa demanda pela carreira, comprometem quaisquer ações que visem à melhoria do ensino de Física. Sabemos que, de modo geral, deficiências no processo de ensino, questões socioeconômicas, altos índices de reprovação nos anos iniciais e restrições do mercado de trabalho exercem forte influência na decisão de abandonar um curso universitário. É necessário acrescentar que, no caso das licenciaturas, os baixos salários dos professores da educação básica, a excessiva carga de trabalho, a falta de reconhecimento pela sociedade etc. são razões complementares para diminuir o interesse pela carreira.

De maneira geral - não restrito aos estudantes dos CLF - um fator que também pode influenciar, negativamente, a permanência nos cursos universitários está relacionado às expectativas prévias em relação à universidade. Stern (1966) relata preocupação com o idealismo dos jovens, que pode levá-los a acreditar que encontrarão na vida universitária mais oportunidades de crescimento pessoal e profissional do que efetivamente as universidades podem prover.

Entender a natureza dessas expectativas é importante, em parte, porque podem nos fornecer subsídios para ajustes nos cursos de graduação, tornando o caminho da transição para a universidade mais fácil. Sabemos que o interesse profissional caracteriza-se pela preferência por certos tipos de atividades em detrimento de outras, e nesse caso, identificar possíveis preditores de ajustamento durante a transição e indicadores de expectativas com relação à universidade - e à carreira escolhida - constitui-se em relevante objeto de pesquisa.

- O objetivo deste trabalho é, a partir de dados obtidos junto aos ingressantes nas Licenciaturas em Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), identificar semelhanças e diferenças de expectativas com relação à universidade que possam contribuir para compreender o fenômeno da evasão.

Duas questões guiaram este estudo. Primeiro, se formas diferentes de acesso ao ensino superior implicam em ingressantes com expectativas distintas sobre a universidade. Segundo, se é possível identificar expectativas não contempladas nos modelos de formação atual que possam, eventualmente, configurarem-se em obstáculos para a permanência no curso.

Nossa hipótese é que esses indicadores podem atuar como diagnóstico, e fornecer alguns subsídios que orientem estudos mais aprofundados sobre as altas taxas de evasão das Licenciaturas em Física.

## 1. Metodologia

Com o intuito de traçar um perfil dos grupos ingressantes, elaboramos um questionário socioeconômico conciso, focado nos seguintes aspectos: gênero, formação escolar no ensino fundamental e médio; escolaridade dos pais; ter frequentado, ou não, curso preparatório para o vestibular (CPV), dentre outros.

Para levantar as expectativas dos ingressantes com relação ao curso superior, utilizamos o Questionário de Expectativas dos Estudantes Ingressantes em Universidades (QEXP). Trata-se de um instrumento de coleta de dados criado para obter informações relativas às expectativas pessoais, profissionais e acadêmicas desse alunado, na transição da educação básica para o ensino superior. O QEXP é uma experiência construída durante vários anos na Comissão Permanente para os

Vestibulares da Unicamp (Comvest), através da análise de questionários abertos, aplicados aos ingressantes na universidade. O questionário aqui utilizado, especificamente, foi elaborado a partir da análise das respostas obtidas entre 1997 e 2005, de aproximadamente quatro mil ingressantes, à seguinte questão: 'Quais são as suas expectativas em relação à universidade?' (BITTENCOURT, KLEINKE, & SHIOTA, 2011).

Com este questionário é possível avaliar expectativas relativas a dimensões distintas na transição para o ensino superior, tais como formação ética e socialmente comprometida; relações sociais e de amizade; mercado de trabalho; carreira profissional; dentre outras.

## 1.1 Amostra

Nossa amostra foi constituída por 53 estudantes de Licenciatura em Física, ingressantes em 2012, no curso noturno da Unicamp e no curso vespertino da UTFPR. É importante lembrar que o ingresso na Unicamp se dá por meio de um vestibular clássico, enquanto que na UTFPR o processo seletivo utilizado é o Enem e, posteriormente, a classificação pelo sistema MEC-Sisu.

Nas duas universidades a porcentagem de mulheres ingressantes foi menor que a dos homens, correspondendo a 22% na Unicamp e 46% na UTFPR. A idade média é maior no grupo da Unicamp (26,8 anos) do que na UTFPR (21,6 anos), indicando a possibilidade de existirem, na primeira universidade, casos de retorno para complementar a formação com a licenciatura. Na média, em ambas, a participação de alunos de escolas públicas é de 57%, caindo para 40% quando consideramos toda a educação básica cursada na rede pública de ensino. Em ambas, pouco mais da metade dos candidatos frequentou um CPV.

No que se refere à escolaridade da mãe, os resultados para ambas também são parecidos: 21% possuem ensino superior completo, 34% ensino médio completo e o restante apresenta níveis mais baixos de escolaridade. A renda familiar média nos dois grupos é próxima de R$ 4.000.00, não existe variação de renda significativa entre os dois grupos. A diferença mais importante entre os grupos diz respeito à relação com o mundo do trabalho: a maioria (81%) dos alunos da Unicamp já trabalha, em comparação com os seus colegas da UTFPR (15%).

Considerando-se as respostas dadas, são candidatos de primeira opção em ambos os cursos (62%), apesar disso, são cursos de alta evasão posterior. Quando questionados sobre os motivos de escolha da carreira, os que optaram por Licenciatura em Física como primeira opção responderam que o fizeram por motivação pessoal (50%), seguido de baixa concorrência para o ingresso (16%) e prestígio da profissão (9%), além de outras respostas menos votadas.

## 1.2. Uma análise da evasão nas Licenciaturas em Física

Existem vários modelos para a elaboração de índices de evasão, contudo no caso específico do Brasil, há poucas análises, dentre elas o trabalho de Lobo e Silva (2007), que sugere uma correlação negativa entre a demanda no vestibular e a evasão nos cursos. Um modelo simples utilizado para o cálculo da evasão é a porcentagem de ingressantes que não se formaram em um determinado prazo. No caso das análises da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE), esse prazo é de quatro anos. No Brasil, vários dos CLF são

ofertados no período noturno, com duração de cinco anos; sendo assim, estimamos um prazo de cinco anos para o cálculo de um valor indicativo nacional. A taxa de evasão (TE) será expressa por

Tabela 1

Vagas, candidatos, relação candidato/vaga (C/V),matriculados, concluintes e taxa de evasão (TE) nos CLF em função do ano de ingresso

Fonte: MEC/INEP/Sinopses do Ensino Superior, 2001 a 2010 (INEP)

Observamos na Tabela 1 que, ao final dessa década, o número de matriculados triplicou, enquanto que o de concluintes quintuplicou; resultados que indicam uma aparente diminuição na taxa de evasão. Por outro lado, um ponto negativo observado nessa mesma Tabela aponta a existência de muitas vagas não ocupadas pelos ingressantes (40% em média) que, assim como a baixa demanda (expressa pelos números da relação C/V), são indicadores de cursos não atrativos. Como consequência temos ingressantes menos preparados, fato esse que pode comprometer a formação de profissionais com as qualidades necessárias para o ensino de Física desejado nesse milênio.

Outra maneira de avaliar a evasão é seguir toda uma coorte de alunos, ano a ano, de forma a poder observar em que momento da vida escolar ocorre a evasão, e se ela está associada a questões curriculares específicas. No caso dos dados indicativos da TE apresentados na Tabela 2, relativos à Unicamp, temos uma média de acompanhamento de sete anos após o ingresso, semestre a semestre, seguindo as sugestões clássicas de Tinto (1975) sobre estudos de evasão. Para a UTFPR , 3 onde o processo de acompanhamento dos estudantes está se iniciando, os resultados referem-se aos alunos ativos em 2012, não à média de vários anos, o que impõe a necessidade de uma leitura diferenciada entre as duas séries de evasão.

Taxa de evasão em função dos anos na universidade

Tabela 2

Observa-se na tabela acima que a evasão não ocorre somente nos anos iniciais, o que é um indício de modificação no comportamento dos estudantes, visto que os estudos clássicos sempre apontaram uma desistência maior no início do curso (TINTO, 1975). Também fica claro que ela é muito alta, tanto na Unicamp, com acesso pelo vestibular, quanto na UTFPR, com acesso pelo Enem seguido da distribuição de vagas do MEC-SISU. Esses resultados nos trazem de volta preocupações com os modelos dos CLF e com a, hoje difícil, opção de 'ser professor da educação básica'.

## 1.3. Análise dos dados

Devido ao reduzido número de alunos respondentes, foram consideradas somente as 27 frases com maior peso na distribuição para a análise fatorial (técnica aqui utilizada para a classificação das respostas). Essas frases foram classificadas pelos participantes em uma escala Likert entre 1 e 6 pontos. Tomando-se como critério o valor-próprio igual ou superior à unidade (Princípio de Kaiser), obtiveram-se dez fatores, explicando 76,4% da variância dos resultados. Face à definição prévia de que o número de dimensões proposto pelas questões deveria ser menor, optouse por reduzir a cinco dimensões, que nos permitem explicar 55,7% da variância observada, com uma saturação mínima de 0,35 em todos os itens. A adequação da amostra à análise realizada pode ser aferida pelo índice de Kaiser-Meyer-Olkin, que apresentou um valor de 0,559, sendo que valores entre 0,5 e 1,0 sugerem que a análise fatorial é apropriada. Avaliamos, nesse momento, a conveniência de prescindir de grande rigor estatístico em favor de iniciar uma discussão mais ampla sobre as expectativas dos ingressantes nos CLF.

A Tabela 3 apresenta os resultados para a matriz de cargas fatoriais, com as frases e a indicação das respectivas cargas.

## 2. Primeiros Resultados

A aplicação da técnica de análise fatorial objetiva facilitar a organização dos dados, reduzindo-os a um número de fatores menor que o número original de variáveis (27 frases). Essa diminuição ocorre na medida em que as correlações substanciais que existem entre as frases propostas, e os respondentes são analisadas; sendo as frases e os estudantes reclassificados em fatores . Os fatores se apresentam em uma matriz de cargas fatoriais e decrescem em ordem de importância. Ou seja, os primeiros fatores são os mais relevantes para a descrição das expectativas dos alunos amostrados.

Tabela 3 - Matriz de cargas fatoriais

Os 27 itens que compõem a matriz acima foram reagrupados, a partir da técnica da análise fatorial, em cinco fatores, a saber:

Fator 1. Expectativa de formação para o emprego/carreira;

- Fator 2. Expectativa de formação para obtenção de uma visão crítica do mundo, aliada a uma formação geral;
- Fator 3. Expectativas de condições complementares, de estrutura e sociais, para a formação;
- Fator 4. Expectativas de formação de qualidade internacional;
- Fator 5. Expectativas de formação para a cidadania, para o desenvolvimento social e ético-profissional.

A partir da definição dos fatores, foi calculada a média das respostas na escala Likert (considerando a pontuação das frases, entre 1 e 6) para cada um dos fatores, e percebeu-se que, em ambas as Universidades, os candidatos são muito otimistas, com médias gerais de 5,5 pontos para UTFPR e 5,4 pontos para a Unicamp, em um máximo de 6,0 pontos possíveis. Essas médias elevadas, e muito próximas entre grupos que, a princípio, poderiam ser distintos, sugere ser possível extrapolar esses resultados para um universo mais amplo, possibilitando um olhar mais geral sobre as expectativas dos ingressantes nos CLF.

Para os ingressantes nas Licenciaturas, o fator mais importante está associado à expectativa de formação para o mundo do trabalho, o que parece conflitar, em parte, com a visão de alguns professores universitários, que a opção por uma carreira de licenciatura seria mais romântica do que a opção por engenharias p.e. Como se observa na Tabela 3, a carga fatorial das primeiras frases ( obter formação para vir a ter um bom emprego ; realizar estágios e/ou ter experiências profissionais e boas oportunidades no mercado de trabalho ) é superior a 0,75, sendo considerada elevada e significativa.

Observando apenas a carga fatorial, o quinto fator ( expectativas de formação para a cidadania, para o desenvolvimento social e ético-profissional ) é o que apresenta o maior índice para a frase desenvolver-me como profissional íntegro e ético . Apesar de alta carga fatorial, sua posição na matriz indica que essa preocupação está associada a um pequeno número dos licenciandos amostrados. Esses indicadores sugerem que, se desejamos formar um professor com vínculos sociais mais fortes, essa questão deve ser inserida em nossos currículos.

Podemos ainda afirmar que expectativas de formação de qualidade internacional não se situam entre os primeiros interesses desse alunado, estando situada apenas à frente do fator associado à ética e cidadania. O fato de uma formação de qualidade internacional ser uma expectativa baixa é preocupante, pois pode sugerir uma 'acomodação' associada a uma visão simplista e limitada da formação universitária.

Por outro lado, a expectativa de uma formação para obtenção de uma visão crítica do mundo, aliada a uma formação geral (fator 2) é o segundo grupo de expectativas em importância, sendo um dos aspectos que pode se constituir em fonte de conflito com algumas de nossas propostas curriculares, que nem sempre privilegiam essa visão crítica do mundo.

As expectativas de condições complementares, de estrutura e sociais, para a formação referem-se, principalmente, às instalações físicas adequadas ( encontrar instalações modernas, acessíveis e funcionais ) assim como professores comprometidos com o ensino ( professores acessíveis e disponíveis para esclarecer duvidas ), caracterizando a busca por estruturas eficientes, tanto físicas quanto pedagógicas, para os cursos de Licenciatura. Em alguns dos novos cursos de Licenciatura, sabemos que essas condições não estão, ainda, completamente estabelecidas.

## Considerações finais

O acompanhamento da evasão, semestre a semestre, é necessário para que se possa tentar compreender a que esse fenômeno está associado. Trata-se de dificuldades específicas dos estudantes, situadas temporalmente ou relacionadas a

disciplinas específicas? Serão, eventualmente, questões mais gerais, associadas às dificuldades com sua própria manutenção durante? Ou seriam as incertezas e desencantos ao projetar cenários futuros que os fazem repensar as relações com o mundo do trabalho e reconsiderar a carreira escolhida?

A leitura dos principais fatores de nossa amostra (estudantes das Licenciaturas em Física da UTFPR e da Unicamp), indica que esses grupos apresentam mais semelhanças entre si do que supúnhamos inicialmente. Os resultados sugerem que em outras instituições de ensino superior os problemas e as contradições podem ser similares. Dessa forma, esperamos que esse trabalho propicie as condições iniciais para compreensão da importância das expectativas dos ingressantes sobre suas decisões futuras, principalmente, sua permanência na carreira escolhida. Ou seja, trata-se do início de um diálogo, que nos permitirá contribuir para a realização das expectativas dos estudantes ou ainda mostrar a eles nossa impossibilidade de atendê-las.

Cabe aqui uma última reflexão para os responsáveis pelos cursos de Licenciatura (em última instância, nós mesmos, os pesquisadores sobre educação e ensino): a abertura de novas vagas e cursos, aliado ao sistema de seleção MECSISU, trouxe maior mobilidade aos estudantes e, nesse sentido, é possível supor que haverá algum impacto sobre os cursos de baixa demanda (entre eles, os CLF). De que forma podemos associar os conhecimentos sobre as expectativas dos estudantes à essa mobilidade, que facilita a entrada de estudantes de outras áreas nos cursos de licenciatura, em favor da formação de professores?

## Referências

BITTENCOURT, M., KLEINKE, M., & SHIOTA, R. As expectativas dos estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Brasil) em Relação à Universidade: Contribuição ao estudo sobre transição para o ensino superior. Libro de Actas do XI Congreso Internacional Galego-Portugués de Psicopedagoxía (pp. 46694677). Coruña: Universidade da Coruña, 2011

BRASIL. INEP Sinopses Estatísticas do Ensino Superior de 2001 a 2010 , http://portal.inep.gov.br/superior-censosuperior-sinopse acessadas em 23/04/2012.

SILVA FILHO, R. L. L.; MOTEJUNAS, P. R., HIPOLITO, O.; LOBO, M. B. C. M. A evasão no ensino superior brasileiro. Caderno de Pesquisa . São Paulo, v.37, n.132, p.641-659, 2007.

STERN, G. G. Myth and reality in the American college . AAUP Bulletin , 52, 408414, 1966

TINTO, V. Dropout from Higher Education: A Theoretical Synthesis of Recent Research . Review of Educational Research . Vol. 45, No. 1, pp. 89-125, 1975.

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