Inserção de Física Moderna no Ensino Médio em Cursos de Formação Continuada: perfil profissional, concepções sobre inovação curricular e mudanças na prática.
Ivani T. Lawall, Adriana Zanella, Ana Luiza Baumer
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIV
- Ano
- 2012
- Data
- 06/11/2012
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2012
Texto completo
Inserção de Física Moderna no Ensino Médio em Cursos de Formação Continuada: perfil profissional, concepções sobre inovação curricular e mudanças na prática.
## Insertion of modern physics and high school in continuing training courses: professional profile, conceptions of curriculum innovation and changes in practice.
Ivani T. Lawall , Adriana Zanellal , Ana Luiza Baumer , 1 2 3
1
UDESC/CCT/DFIS, ivani@joinville.udesc.br 2 UDESC/DFIS/Bolsista PIDIC, zanella2005@hotmail.com 3 UDESC/DFIS/Bolsista PIBIC, ana.baumer@hotmail.com
## Introdução
Nos últimos anos as inovações curriculares tem tido destaque nas pesquisas em Ensino de Ciências, seja pela modificação das abordagens de conteúdos já presentes na sala de aula, seja com a inserção de tópicos mais modernos, como o caso da FM (Brockington, 2005; Brockington e Pietrocola, 2005 e 2006; Siqueira, 2006; Siqueira e Pietrocola, 2005 e 2006; Ambrosis, 2008; Ambrosis e Levrini 2007; Ogborn 2005) . Durante a elaboração e implementação de propostas inovadoras 1 percebe-se a importância da adesão dos professores (Pintó, et al. 2005) que buscam adaptar, adequar e reorientá-las em função de sua realidade escolar.
- O professor, cuja carreira está repleta de vivências únicas, é influenciado pela sua vida profissional quando escolhe a forma de implementação das inovações curriculares. A partir de vivências docentes anteriores e suas crenças, ideologias e valores, ele rejeita, modifica ou cria novas formas de implementar as inovações curriculares, levando em conta o contexto sócio-cultural e as condições adversas dos alunos. ' O tempo de aprendizagem do trabalho não se limita à duração da vida profissional, mas inclui também a existência pessoal dos professores, os quais, de um certo modo, aprenderam seu ofício antes de iniciá-lo ', Tardif (2002, p. 79).
Alguns autores (Huberman, 2000; Fuller & Bown, 1975, Kagan, 1992) analisam o desenvolvimento profissional dos professores em fases, que podem ser definidas como mudanças que ocorrem ao longo do tempo, em aspectos que determinam o comportamento, o conhecimento, as imagens, as crenças ou as percepções dos professores. Huberman (2000) delimita cinco fases que marcam o processo de evolução da profissão docente.
- O objetivo deste trabalho foi identificar o perfil profissional as concepções sobre inovação curricular e a mudança na prática de um grupo de professores da
rede pública que participou de um curso de formação continuada sobre a implementação de FM no EM.
## Aspectos Teóricos
A renovação e inovação curricular vêm se destacando como necessária para o ensino de Física, especialmente quando se trata de conteúdos atuais, sendo condizente com a sociedade moderna (Brockington, 2005; Siqueira, 2006). Para Pinto e Zanetic (1999) é preciso transformar o ensino de Física tradicionalmente oferecido por nossas escolas. Flores e Flores (1980) destacam que a inovação tem como finalidade a melhoria da qualidade do processo de ensino e aprendizagem, refletindo no sucesso educativo do estudante, enfatizando os processos e as práticas, pressupondo uma autonomia ao seu desenvolvimento profissional.
Segundo Ribeiro (1992) a inovação pode englobar processos que vão 'desde a alteração de componentes específicos, tais como objetivos e conteúdos propostos, métodos e estratégias sugeridas, materiais didáticos de apoio a programas de ensino desenvolvidos, até a reestruturação global do currículo'.
Por isso, o docente torna-se parte importante nesse processo de inovação, quando se trata de novos conteúdos, bem como quando se analisa novas metodologias, pois, é o professor que irá aplicar os novos assuntos em sala, utilizando-se de novas práticas, adaptando materiais e fazendo aulas diferenciadas, encontrando a melhor maneira de levar os conteúdos contemporâneos para a sala de aula. Portanto, o professor necessita de um leque de recursos (alternativas) que lhe permita abordar o conteúdo da melhor forma possível. Esses recursos podem ser baseados nas pesquisas ou na experiência de seu desenvolvimento profissional.
Huberman (2000) utiliza o tempo de serviço como base para explicar o ciclo de vida profissional dos professores, dividindo esse ciclo em fases que identificam a evolução profissional do docente. Abaixo, destacam-se as principais características de cada fase descrita por Huberman:
FASE 1 - A entrada na carreira (de 1 a 3 anos de profissão) - No início da carreira, o professor conhece, pela primeira vez, a realidade pedagógica que analisou durante sua formação acadêmica. Através deste choque com a realidade, o professor passa pela experiência de sobrevivência e descoberta, numa fase de adaptação na qual o mesmo, por vezes entusiasmado, avalia sua prática docente constantemente.
FASE 2 - Estabilização (de 4 a 6 anos de profissão) - Na fase de estabilização, o professor cria a sua identidade profissional, constituindo uma etapa decisiva no seu desenvolvimento. A estabilização se caracteriza pela segurança, liberdade e autonomia conquistadas pelo professor; é a fase da afirmação do 'eudocente' perante os colegas mais experientes, do comprometimento consigo próprio e com o desenvolvimento da profissão.
FASE 3 - Diversificação e Experimentação (de 7 à 25 anos de profissão) Depois de ter consolidado sua 'competência' pedagógica, os professores participam de uma série de experiências pessoais, diversificando material didático, os modos de avaliação, maneira de trabalho com os alunos, sequências dos programas, a procura de mais autoridade, responsabilidade e prestígio. Os professores nessa fase seriam os mais motivados, os mais dinâmicos, os mais empenhados nas equipes pedagógicas ou nas comissões de reforma que surgem em várias escolas, podendo
levar a uma ambição pessoal por acesso aos postos administrativos, afastando-se, dessa forma, da 'rotina' da sala de aula, como consequência da busca por novos desafios.
FASE 4 - Serenidade e distanciamento afetivo (de 25 à 35 anos de profissão) - Essa fase, que também pode ser compreendida por uma procura de uma situação profissional estável. Os professores atingem serenidade e se distanciam afetivamente dos alunos, trabalhando de forma monótona, sem grandes mudanças pedagógicas ou aderem ao conservadorismo e lamentações, resistem às inovações, nostálgicos, profissionalmente frustrados.
FASE 5 - Preparação para a aposentadoria (de 35 à 40 anos de profissão) Ao final da carreira, o professor se distancia das questões escolares, dedicando grande parte de seu tempo a projetos pessoais.
- O desenvolvimento de uma carreira é um processo e não uma série de acontecimentos. As fases não são regras podendo então, ocorrer ou não, e mesmo ocorrendo, a sequência não será a mesma para todas, visto que, cada pessoa atua num diferente meio profissional e provém de diversas criações tanto pessoal quanto sua formação profissional (Huberman, 2000).
Pintó et al. (2005) discutem que em um processo de inovação curricular não basta aos professores reconhecerem uma proposta como inovadora em termos autopropostos, mas sim traduzi-las e decodificá-las em termos de sua bagagem pessoal, teórico e prática. Os professores devem ser capazes de reconhecer seu papel transformador no processo de inovação.
As questões de sala de aula, os problemas que lhes são apresentados, fazem parte de seu processo de construção pessoal e determinam o professor o qual ele se tornou. Essa busca pela formação continuada leva os docentes a melhorar, modificar e renovar suas práticas em sala de aula. Segundo Tardif (2002) o desenvolvimento do saber profissional é associado tanto às suas fontes e lugares de aquisição quanto aos seus momentos e fases de construção, são estes diferentes fatores que podem ser levados em conta ao analisar um grupo de professores que se insere dentro de um projeto de inovação de conteúdos no currículo de física.
## Aspectos metodológicos
Neste artigo são analisadas as respostas de 194 professores que participaram das três edições de um curso de inovação curricular sobre FM no EM, em um projeto aprovado pela FAPESP em 2008. O projeto consistia de três cursos de formação continuada que foram oferecidos em três edições, a primeira em 2009, outra 2011 e a 3ª edição em 2011, abordando os temas de Relatividade, Linhas Espectrais e Partículas Elementares. Cada curso é composto por dois módulos: o primeiro consiste em cinco encontros presenciais, nos quais são apresentados os conteúdos e discutidas as atividades, e o segundo módulo, no qual os professores aplicam na sala de aula do EM uma sequência de ensino.
Optou-se pela pesquisa qualitativa, por entender que seria importante compreender também o processo ao invés de centrar-se unicamente no produto (Triviños, 1987). Os dados analisados nesse trabalho foram obtidos por meio de questionários respondidos no inicio e ao final curso de formação, os instrumentos utilizados foram os questionários respondidos pois permite realizar um estudo exploratório, o qual possibilita ao 'investigador aumentar sua experiência em torno
de determinado problema' Triviños (1987). O questionário inicial continha perguntas com o objetivo de identificar o perfil dos professores, as suas concepções sobre inovação curricular etc. O questionário final tinha por objetivo verificar se os professores aplicaram em sala de aula os conhecimentos adquiridos no curso e identificar as dificuldades encontradas na implantação de (FM) em sala de aula.
Tendo como base as respostas fornecidas pelos professores e com o auxílio da teoria de desenvolvimento profissional de Huberman, traçou-se o perfil profissional dos professores participantes do curso. A nomenclatura 'P1, P2, ...,P194' foi adotada para identificar os professores, sendo que professores da primeira turma são os que tem nomenclatura de P1 até P80, professores da segunda turma são os de nomenclatura entre P81 a P159 e os da terceira turma estão no grupo de P160 a P194.
## Estudo dos Resultados
Os resultados serão apresentados em três partes, na primeira parte traçarse o perfil profissional dos professores, na segunda parate foram analisadas as concepções dos professores a respeito de inovação curricular e na terceira parte se essa participação influenciou ou não na mudança da prática pedagógica.
## I. Perfil Profissional
Levando-se em conta as informações obtidas no questionário aplicado no início do curso tais como: formação profissional, participação em cursos sobre inovação curricular e o tempo de magistério, observa-se a partir das respostas que 62% dos docentes são formados em Física, 22% são formados em Matemática, 3% são formados em Química e 6% são formados em outros cursos, em sua maioria de cursos de Engenharia, esta característica fica visível, pois a condição para o professor participar do curso é fosse professor em sala de aula na disciplina de Física. Em relação a qualificação profissional, constatou-se que 36,5% possuem Especialização. Quando perguntado aos professores sobre sua participação em cursos de formação continuada nos últimos cinco anos, verificou-se que 76% participaram de algum curso desse gênero evidenciando a vontade dos professores em aprender e inovar em sala de aula.
Foi utilizada a teoria de Huberman, com o objetivo de delinear o perfil de desenvolvimento profissional dos professores, que divide os professores em fases a partir do tempo de magistério. Essas fases não são regras, podendo ocorrer ou não. Pela análise das respostas dos 194 professores que realizaram o curso pode-se observar que, a maioria, 61% encontra-se na fase de Diversificação e Experimentação (7 a 25 anos lecionando), que é caracterizada pela vontade do docente em inovar em sala de aula, pois se sente seguro e estabilizado, os professores nessa fase seriam 'os mais motivados, os mais dinâmicos, os mais empenhados nas equipes pedagógicas' (Huberman, 2000). A análise do questionário também aponta que 11% dos professores encontram-se na fase de Entrada de Carreira; 21% encontram-se na fase de estabilização, ou seja, ainda estão se acostumando com a vida escolar, 4% já estão na fase de Serenidade e Distanciamento Afetivo, estão se preparando para a aposentadoria, porque encontram-se em sala de aula há mais de 25 anos, aqui fica evidente que as fases
descritas por Huberman não são regras, pois esses professores ainda frequentam cursos de inovação, demonstrando interesse em inovar e aprender novos métodos de ensino.,
## II. Concepções sobre Inovação Curricular:
Para destacar as ideias e concepções dos professores sobre o processo de inovação curricular foi realizada a pergunta: 'O que é uma inovação curricular para você?'. Analisando as respostas dos professores, destacaram-se duas categorias, são elas: Novas Metodologias, a que se podem atribuir modificações nas estratégias de ensino, como aulas experimentais e diversificadas e, Alterações no Currículo, ou seja, mudanças no conteúdo curricular, como por exemplo, a inserção de FM.
Do total de questionários estudados, 22% não apresentavam resposta nessa questão. Optamos por estudar somente os questionários respondidos, dos quais 49% dos professores atribuíram ao conceito de inovação curricular a implantação de novas metodologias e estratégias de ensino, ou seja, para estes, estão ligadas apenas a alterações na prática docente, como incluir experimentos e outras atividades em sala de aula, como se pode observar nas opiniões dos professores P 14, P104 e P168:
P14- Acredito que uma inovação curricular ocorra quando novas formas de didática e metodologia, na prática docente, sejam incorporadas para se trabalhar com conceitos de Física. (turma 1 - Linhas Espectrais)
P104: Uma nova maneira de abordar o assunto - não apenas para atrair a atenção do aluno, mas também para fazê-lo se questionar dos fenômenos a sua volta. (turma 2 - Partículas Elementares)
P168: Novas formas de contextualização, metodologias diferenciadas com utilização de diversos materiais pedagógicos, como por exemplo, os objetos de aprendizagem. (turma 3 - Partículas Elementares)
O professor 14 atribuiu inovação curricular à Novas Metodologias, comentando a incorporação de novas formas de didática e metodologia. O professor 104 destacou inovação como sendo novas maneiras de abordar os assuntos em sala, despertando a atenção dos alunos e fazendo-os questionar-se sobre esses. E, para o professor 168, inovações condizem com metodologias diferenciadas e novas formas de contextualização, com aulas diferenciadas e utilização de materiais tem como finalidade a melhoria da qualidade do processo de ensino e aprendizagem conforme destacam Flores e Flores (1998).
Em relação a alteração curricular 26,5% dos professores destacou como sendo uma reorganização nos conteúdos abordados, como a inserção de FM no Ensino Médio, como se pode observar nas justificativas dos professores P2, P85, P173:
P2- Considero uma inovação a implantação da proposta curricular do estado de São Paulo, a qual contém conteúdos de Física Moderna. (turma 1 - Linhas Espectrais)
P85: Inovação curricular é quando abordamos um tema não contemplado na atual proposta. Ex: Relatividade. (turma 2 - Relatividade)
P173: Quando determinado conteúdo relevante não está contemplado no currículo oficial, ele pode ser introduzido, inovado. (turma 3 - Partículas Elementares)
Pode-se observar que para o professor 2, inovações são mudanças na proposta curricular, com a implantação de FM. E, para os professores 85 e 173, inovação curricular é a abordagem de conteúdos diferentes dos que estão na atual proposta curricular, ou seja, assuntos diferenciados em relação a proposta tradicional. Aqui os professores estão fazendo referência em alteração aos conteúdos programáticos.
Ainda 18,5% dos professores associaram a inovação à alterações no currículo e a novas metodologias, sendo assim, para estes, além das alterações nos assuntos abordados é necessário também a utilização de novas estratégias de ensino para a implantação desses conteúdos, como se pode analisar nas respostas dos professores P 15, P96 e P 184:
P15: Um misto de novos conteúdos (no caso, física moderna) com uma nova metodologia na apresentação dos tais conteúdos. (turma 1 -Partículas Elementares)
P96: No meu ponto de vista, inovação curricular, é criar uma nova proposta curricular, dentro de um conteúdo considerado difícil ou pouco 'apreciado' pelos educandos, tornando-o de fácil compreensão, introduzindo novas metodologias. (turma 2 - Partículas Elementares)
P184: Inovação curricular, eu acredito que é introduzir conteúdos novos e também trabalhar diferenciando conteúdos clássicos. (turma 3 -Relatividade)
Na opinião do professor 15, inovação curricular está ligada tanto a inserção de novos conteúdos, como a FM, quanto a novos métodos para tratar desses conteúdos em sala de aula. Da mesma maneira para os professores 96 e 184, inovação seria propor novos conteúdos e utilizar também maneiras diferenciadas para aplicar esses conteúdos em sala, para melhor compreensão dos alunos, aqui a inovação pode implicar em alterações curriculares, nos materiais curriculares, nas estratégias e nos objetivos, conforme destaca Ribeiro (1992) a inovação pode englobar processos que vão desde a alteração de conteúdos propostos e métodos e estratégias. Desta maneira, a reorganização dos conteúdos, bem como os métodos dispostos para o ensino desses novos assuntos, tem aspectos importantes para a melhoria do ensino como um todo. Sendo assim, as concepções dos professores sobre Inovação Curricular podem direcionar de maneira favorável o estudo e a aplicação de FM no EM, para que se possibilite aos docentes trabalhar melhor o tema, bem como os alunos possam ter um ensino de maior qualidade. As respostas dos demais professores não foram possíveis de serem classificadas em nenhuma destas categoriais.
## III. Mudanças na prática docente
A mudança na prática do professor leva em conta sua formação, bem como suas concepções e valores pessoais. Para que haja uma mudança em sua prática, o professor precisa sentir-se seguro e consciente das mudanças que quer implantar. Desta forma, para analisar se, de fato, o curso poderia contribuir para uma mudança
na prática dos professores, mesmo que estes não fossem implantar FM, mas, que incorporassem parte do que foi abordado, foi feita a seguinte pergunta: 'Você notou alguma mudança na sua prática durante o processo de formação?' Dos professores que responderam ao questionário, 76% afirmaram que houve mudança em sua prática docente. As principais justificativas para a mudança foram os novos métodos e técnicas aprendidos no curso, que facilitaram a abordagem de FM em sala de aula, com aulas diferenciadas, o que também proporcionou aos professores maior segurança, como se pode observar na justificativa do professor P 14:
P14 - Sim trouxe uma nova visão de trabalho em sala, um trabalho que enfoca a participação do aluno com leitura, atividades práticas. -É fundamental à prática (experimento) relacionado com a teoria. (turma 1 Partículas Elementares)
Para o professor 14, o curso proporcionou uma visão diferenciada de como trabalhar FM em sala de aula, destacando a maior participação dos alunos em sala, com leituras e atividades práticas.
Nesta análise, outros 9% responderam que ainda não alteraram sua prática pedagógica, pois, segundo eles, ainda não abordaram o tema em sala de aula, como se pode verificar nas opiniões dos professores P1:
P01 - Toda formação sempre vem a contribuir e influências nas práticas em sala, porém ainda não cheguei a trabalhar os conteúdos de FM. Achei conveniente terminar a formação para ter mais propriedade na hora de repassar aos alunos. (turma 1 - Partículas Elementares)
Como se pode observar, o professor 1 comenta que ainda não alterou sua prática docente, pois acha melhor terminar o curso para depois aplicar os conteúdos de FM em sala.
- E, ainda, 4% responderam que não alteraram a prática em sala de aula, pois, segundo o que os professores relataram, a constante atualização sobre os conteúdos abordados já fazia parte de seu cotidiano, como é possível observar na justificativa do professor P112:
P112 - Não. Pois sempre fui inovador, e tento deixar a aula mais dinâmica. (turma 2 - Partículas Elementares)
- O professor 112 comenta que sempre buscou inovar em sala de aula e tornar as aulas dinâmicas, diferenciadas. Isto indica que esse docente busca estar sempre atualizando sua prática, o que indica uma busca constante por cursos de formação. Segundo (Huberman, 2000), na fase de diversificação e experimentação, os professores seriam os mais motivados, os mais dinâmicos e empenhados na buscar por novos desafios, o que justifica sua participação em cursos de formação continuada.
Como foi possível observar, a maioria dos professores alegaram ter modificado sua prática docente. Portanto, nota-se que a participação dos mesmos em cursos de formação continuada pode se tornar um fator relevante para as inovações, pois o contato com materiais diferenciados e novas metodologias permite aos professores diversificar suas práticas em sala de aula.
## Conclusão
A participação dos professores nos projetos de inovação proporciona contato com novos conteúdos, práticas de ensino, materiais e aportes teóricos, e isso permite aos docentes diversificar e renovar suas práticas em sala de aula, contribuindo para que seu desenvolvimento profissional se consolide na fase da experimentação e diversificação, o que se observa na maioria dos professores da pesquisa, 61%, conforme o modelo de Huberman.
Em relação ao perfil profissional desses professores, pode-se observar a partir da análise dos questionários, que 62% dos docentes são formados em Física, os demais possuem formação na área de Ciências Naturais e/ou Exatas. É interessante destacar que 76% desses professores participaram de cursos de formação continuada nos últimos cinco anos.
Ao se fazer uma análise sobre a concepção dos professores sobre Inovação Curricular, pode-se observar duas categorias formadas sobre o que os docentes pensam sobre inovações, uma delas é a mudança no currículo, com inserção de novos conteúdos, como a FM, e à outra categoria pertencem as novas metodologias, maneiras diferenciadas de trabalhar em sala de aula, utilizando novas estratégias. Pode-se destacar que tanto a primeira quanto a segunda tem importância para a melhoria do ensino de Física como um todo, pois à implantação de conteúdos diferenciados seguem métodos e práticas que necessitam de modificações e adaptações para que os assuntos abordados possam ser bem compreendidos, confirmando o que Ribeiro (1992) afirma..
Faz-se importante destacar também a mudança na prática docente, pois, 76% dos professores afirmaram que modificaram sua prática em sala de aula quanto a implantação de FM no EM. As bases teóricas, as consequências práticas, fazem parte do processo evolutivo dos conhecimentos profissionais, e por isso, necessitam de formação contínua. Os profissionais devem, assim, auto formar-se e reciclar-se através de diferentes meios, após seus estudos universitários iniciais (Tardif).
## Referências
AMBROSIS. A. Introducing new approaches in the curriculum: what do teachers need to make it possible? In: GIREP 2008 - International Conference, University of Cyprus, 2008, Nicosia.
AMBROSIS, A. de; LEVRINI, O. Insernare Renaività ristretta a scuola: esigenze degli insegnanti e proposte innovative. Giornale di Física, v. 48, n.4, p. 255-276. out./dez. 2007.
BROCKINGTON, G. A Realidade escondida: a dualidade onda-partícula para alunos do Ensino Médio. Dissertação de mestrado. IF/FE-USP, São Paulo, 2005.
BROCKINGTON, G. e PIETROCOLA, M. O Ensino de Física Moderna necessita ser real? . In: XVI SNEF - Simpósio Nacional de Ensino de Física, 2005, Rio de Janeiro. Atas do XVI SNEF.
FULLER, F. F., BOWN, O. H.; Becoming a Teacher. in Kevin Ryan, ed., Teacher Education - Yearbook N. S. S. E.. Chicago: University of Chicago Press, pp. 25-52. 1975
FLORES, M. A.; FLORES, M.; O professor-agente de inovação curricular . 1998. In: Nóvoa, A. (coord.) Os professores e sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992.
HUBERMAN, M. O ciclo de vida professional de professores . In: Nóvoa, A. (org) Vida de professores, 2000, Porto. 2000.
KAGAN, D. M. Professional growth among preservice and beginning teachers. Review of Educational Research, v. 62, n. 2, p. 129-169. 1992.
OGBORN, J. Introducing relativity: less may be more . Physics Education, Bristol, v. 40, n. 3, p.213-222, 2005.
PINTO, A.C., ZANETIC, J. É possível levar a física quântica para o Ensino Médio? Caderno Catarinense de Ensino de Física , Florianópolis, v.16, n.1, p.7-34, abril 99.
PINTÓ, R; COUSO, D.; & GUTIERREZ, R. Using research on teachers' transformations of innovate ons to inform teacher education. The case of energy degradation. Science Education. v.89, n.1, p.38-55, jan. 2005.
RIBEIRO, L. A avaliação de aprendizagem no processo de inovação curricular. Lisboa: Universidade Aberta, 1992.
SIQUEIRA, M. Do visível ao invisível: uma proposta de Física de Partículas Elementares para o Ensino Médio . São Paulo: IF/FE-USP, 2006. Dissertação de Mestrado.
SIQUEIRA, M.; PIETROCOLA, M. A Transposição Didática aplicada a teoria contemporânea: A Física de Partículas elementares no Ensino Médio. In: X Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2006, Londrina.
TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. 2. Petrópolis: Vozes, 2002.
TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à Pesquisa em Ciências Sociais: A pesquisa Qualitativa em Educação . São Paulo: Atlas, 1987.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.