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A PRESENÇA DE MULHERES NA CIÊNCIA: O CASO DO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA DA UFOPA

Naiane Da Silva Santana, Luciena Dos Santos Ferreira, Cláudia Silva De Castro, Nilzilene Ferreira Gomes

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
09/06/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A PRESENÇA DE MULHERES NA CIÊNCIA: O CASO DO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA DA UFOPA WOMEN IN SCIENCE: THE CASE OF THE MAJOR IN PHYSICS EDUCATION AT UFOPA

## *Naiane da Silva Santana¹, Luciena dos Santos Ferreira , Cláudia da Silva 2 Castro³, Nilzilene Ferreira Gomes 4

- ¹ Acadêmica do curso de Física, UFOPA, pepe\_alberteinstein@hotmail.com
- ² Acadêmica do curso de Física, UFOPA, luluferreira26@yahoo.com.br

³Docente do Programa de Física, UFOPA, cscastro@ufpa.br

4 Docente do Programa de Física, UFOPA, nilfergo@yahoo.com.br

Palavras-Chave: Mulheres na física, licenciatura em física, questões de gênero

## JUSTIFICATIVA E OBJETIVO

Um baixo índice de mulheres nas áreas científicas tem sido observado ao longo da história (CHASSOT, 2004) tanto no contexto internacional como nacional (AGRELLO; GARG, 2009). Apesar do significativo crescimento da participação feminina nos cursos superiores a presença das mulheres ainda se concentra nas ciências humanas (NASCIMENTO; TEIXEIRA, 2010). Assim, mesmo sendo maioria em cursos superiores, estas são minoria quando se analisa cursos da área de exatas, principalmente os cursos de Física. Na Licenciatura Plena em Física (LPF) da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) , observamos que presença 1 feminina é recorrente. Em virtude de este caso ser atípico, buscamos investigar a participação das mulheres no curso por meio de análises comparativas entre homens e mulheres no que diz respeito ao ingresso, desistência e conclusão, além da análise do quadro de professores. Os dados obtidos foram comparados com os resultados de outros estudos que tratam da participação feminina em cursos de Física no contexto nacional e internacional.

## MARCO TEÓRICO

Dentre as áreas científicas, na física tem se observado o menor crescimento da presença das mulheres. Quando se considera níveis, como mestrado e doutorado, o número de mulheres é ainda menor, tanto no contexto nacional como internacional. No Brasil, tem-se observado uma diminuição da presença de mulheres desde o nível de graduação. Estudos que tratam do tema indicam que o abandono dos cursos de física, em todos os níveis, é maior para as mulheres do que para os homens (AGRELLO; GARG, 2009). Em nível mundial apenas 20% da titulação em nível de doutorado são concedidas às mulheres. Nos cursos de física das universidades brasileiras o maior índice para a presença das mulheres é de 25% (AGRELLO; GARG, 2009). No que diz respeito à titulação ao nível de graduação, o maior percentual para as mulheres é da Turquia (39%).

Quando se trata da disparidade entre a presença de homens e mulheres na ciência, particularmente na física e na matemática, são citados fatores desde as diferenças inatas, o papel biológico da mulher e as responsabilidades por ela assumidas na família (AGRELLO; GARG, 2009). Também há evidência de que as mulheres são mais motivadas a atuarem nas áreas científicas quando compreendem as aplicações deste campo de conhecimento para melhorar o contexto em que vivem. Diante disso, a baixa representatividade das mulheres na ciência e na física tem sido foco de investigações e discussões em busca de compreender as razões deste fenômeno, bem como mecanismos de incentivo a inserção e permanência das mulheres nesta área (AGRELLO; GARG, 2009).

## METODOLOGIA E ANÁLISE DA PESQUISA

A coleta de dados foi feita mediante os registros do controle acadêmico do curso de Licenciatura em Física da UFOPA. Foram coletadas informações referentes ao período de 2005 a 2010, de forma a identificar os percentuais de mulheres e homens ingressantes, desistentes e diplomados no curso. Também foram levantados dados referentes ao quadro de professores.

Ingressaram nas seis turmas ofertadas 220 estudantes, dos quais 102 estão regularmente matriculados no II período de 2011 e 40 já concluíram (turmas 2005 e 2 2006). A distribuição de mulheres e homens nas turmas, em relação às vagas ofertadas, desistentes, diplomados e matriculadas no II período de 2011 nas seis turmas do curso, está disposta na tabela 1:

Tabela 1 . Dados sobre as turmas do curso de física desde 2005 a 2010.

Do total de 220 alunos que entraram no curso, 43% são mulheres e 57% são homens, percentuais estes superiores aos obtidos em outros estudos (AGRELLO; GARG, 2009). No que se refere aos desistentes, do total de 74 alunos, as mulheres representam 38% e os homens 62%. Do total de diplomados, 45% são mulheres, superando o maior índice de titulação no nível de graduação em cursos de física apontados na literatura, 39% da Turquia (AGRELLO; GARG, 2009). Verificamos ainda que as mulheres, apesar de serem minoria no ingresso à LPF, apresentam baixo percentual de desistência.

Com relação à participação das mulheres no quadro de professores efetivos do curso (onze professores), elas são apenas três, mas ainda representam percentual acima da média nacional (25%) (AGRELLO; GARG, 2009; REZENDE;

OSTERMANN, 2007). Os dados referentes à formação dos docentes no nível da graduação e a titulação estão dispostos na Tabela 2:

Tabela 2: Número de docentes do curso de LPF/UFOPA e suas respectivas formações

No que diz respeito ao nível de formação, identificamos que a titulação dos homens é superior ao das mulheres, o que corresponde ao indicado na literatura (AGRELLO; GARG, 2009). Quanto à área de formação/atuação verificamos que predomina para as mulheres a área de ensino (Tabela 3):

Tabela 3: Número de docentes do curso de LPF/UFOPA e área de formação/atuação

## CONCLUSÃO

A partir da análise dos dados percebemos que o curso de LPF da UFOPA se diferencia do panorama nacional e internacional quanto ao ingresso, permanência e diplomação de mulheres. Quanto ao ingresso, apesar de ainda serem minoria, o percentual está acima da média nacional e quanto à permanência e diplomação elas são maioria. No que se refere ao corpo docente, as mulheres representam um percentual superior à média nacional (25%). Quanto aos motivos que levam às mulheres a optarem pelo curso de LPF da UFOPA acreditamos que podem estar relacionados ao diferencial do Projeto Pedagógico do Curso, que possui ênfase ambiental, o que poderá ser verificado em estudos futuros.

## REFERÊNCIAS

AGRELLO, D. A.; GARG, R.; Mulheres na física: poder e preconceito nos países em desenvolvimento. In: Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 31, n. 1, 2009.

CHASSOT, A. A ciência é masculina? São Leopoldo, RS: Unisinos, 2004.

NASCIMENTO, S. S.; TEIXEIRA, A. B. M.; Trajetória de sucesso de mulheres no curso superior de física. In: XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física. 11. Anais... , Águas de Lindóia, 2010.

REZENDE, F.; OSTERMANN, F. A questão de gênero no ensino de Ciências sob o enfoque sociocultural. In: XVII Simpósio Nacional de Ensino de Física. 17. Anais... , São Luiz, 2007.

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