INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO: UM DESAFIO NAS AULAS DE FÍSICA
Maria Helena Carvalho Da Costa, Grayce Kelly Alves Santos, Bernúbia Almeida Santos, Tiago Nery Ribeiro, Celso José Viana-Barbosa, Tatiana Maria Dos Santos Dias
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 09/06/2011
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO: UM DESAFIO NAS AULAS DE FÍSICA
## STUDENT-TEACHER INTERATIONS: A CHALENGE IN PHYSICS CLASSROOM
*Maria Helena Carvalho da Costa , Grayce Kelly Alves Santos , Bernúbia 1 2 Almeida Santos 3 , Tiago Nery Ribeiro , Celso José Viana-Barbosa , Tatiana 4 5 Maria dos Santos Dias 6
1 Universidade Federal de Sergipe/ Departamento de Física / helenacosta\_fisica@hotmail.com
2 Universidade Federal de Sergipe / Departamento de Física /grayce.graycinha@gmail.com
- 3 Universidade Federal de Sergipe / Departamento de Física / bernubia@gmail.com
- 4 Universidade Federal de Sergipe / Departamento de Física / tnribeiro@globo.com
- 5 Universidade Federal de Sergipe / Departamento de Física /cjvianna@yahoo.com.br
Palavras-chave : Interação professor-aluno, aulas de Física e ensinoaprendizagem.
## 1) Justificativa e Objetivos
A interação verbal entre professor e aluno é fundamental no processo de ensino-aprendizagem, uma vez que através da mesma podemos identificar características importantes dos alunos, tornando possível conhecê-los, avaliá-los e interferir positivamente no aprendizado dos mesmos.
Sabendo que a linguagem é o principal recurso utilizado pelos professores no ato de ensinar e de suma importância na relação professor-aluno nas aulas de Física, essa pesquisa teve como principal objetivo analisar a interação verbal professor-aluno das aulas de Física, da cidade de Itabaiana-SE, utilizando dois métodos de observação: o sistema de Flanders e o sistema de Mortimer e Scott, a fim de trazer dados atuais de como ocorre à interação nesta disciplina na cidade de Itabaiana-SE.
## 2) Marco Teórico
Para reforçar a importância da interação verbal em sala de aula consultamos na literatura alguns autores que se posicionam nesta direção. Dentre eles escolhemos Flanders (1970) e Mortimer e Scott (2002), que foram utilizados para fazer as observações e análise das aulas.
O sistema de Flanders (1970) foi criado para observar a interação verbal professor-aluno em sala de aula. A tabela de Flanders é dividida, como podemos verificar na figura 1, em 10 categorias. Durante a aula, o observador identifica a situação e marcam a sua categoria, os dados serão colocados na tabela. Essa tabela está estruturada em dez linhas e dez colunas. Os números são marcados em pares, onde o primeiro número indica a linha e o segundo número indica a coluna. Os números são marcados a cada 3 segundos. A análise da tabela pode ser efetuada de duas formas: numérica (quantitativa) ou por áreas (qualitativa).
As tabelas de Flanders são preenchidas usando as seguintes categorias para o professor: 1Aceitação dos sentimentos dos alunos, 2Elogio ou
encorajamento, 3- Aceitação ou uso das ideias dos alunos, 4- Perguntando, 5Exposição de conteúdo, 6- Dando ordens, 7- Crítica ou justificativa de autoridade. Para os alunos: 8- Respondendo, 9- Iniciando a participação. E uma terceira categoria: 10- Silêncio ou confusão (FLANDERS, 1970, CARVALHO, 1985).
Tomando como referencial a estrutura de análise do discurso proposto por Mortimer e Scott (2002). A estrutura é baseada em cinco aspectos interrelacionados, focalizando o papel do professor, e também são agrupados em termos de focos de ensino, abordagem e ações (Tabela 2).
Tabela 1 - A estrutura analítica: uma ferramenta para analisar as interações e a produção de significados em sala de aula de ciências.
## 3) Metodologia e Análise da Pesquisa
A investigação foi realizada em aulas de Física em duas escolas públicas de ensino médio da cidade de Itabaiana no estado de Sergipe, com professoras voluntárias da pesquisa. O instrumento utilizado na coleta de dados foi a gravação em vídeo das aulas para as análises utilizando o sistema de Flanders e o de Mortimer e Scott.
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Tabela 1 - Professora A Tabela 2 - Professora B
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Foram construídas e analisadas duas tabelas de Flanders (Tabelas 1 e 2), na tabela 1 podemos observar que o professor não fez críticas ou justificativa de autoridade e deu poucas ordens, o que pode significar que ele não teve dificuldade em manter a disciplina da classe. Boa parte das marcações estava na célula (10,10), isso significa dizer que os alunos se mantêm calados para ouvir as informações sem fazer questionamentos, quando o professor faz perguntas o aluno responde, verificamos isso também na célula (4,8). Como há poucas marcações na célula (8,8), isso significa que as respostas dos alunos são curtas. Observa-se também que não há marcações na célula (1,1) e (2,2), o que nos mostra que não houve grande aceitação dos alunos por parte do professor. O que podemos perceber é que o professor participa mais de forma direta, onde não há interação professor-aluno, verificando que a participação do aluno não chega a 5% do total.
Na tabela 2, percebe-se uma maior distribuição de pontos ao longo da mesma. As marcações nas células (9,9) indicam que os alunos dialogaram e teve a iniciativa antes mesmo do professor, o que pode significar que o aluno fez comentários ou perguntas mais elaboradas. Já as marcações na célula (4,8) indicam que o professor faz perguntas e os alunos respondem e as respostas são longas, pode-se inferir isso na célula (8,8). O professor fez algumas críticas e deu ordens, observa-se respectivamente na célula (7,7) e (6,6), mas não podemos afirmar que o professor teve dificuldade em manter a disciplina da classe, pois a concentração de pontos nesta área é pequena. Enfim podemos concluir que os alunos se sentiram a vontade para participar da aula respondendo as perguntas e iniciando um diálogo. A participação dos alunos chegou a aproximadamente 45% do total.
A partir da análise, utilizando o sistema de Mortimer e Scott, das mesmas aulas, obtemos:Tabela 3 - Professora A
Tabela 4 - Professora B
Na tabela 3 a professora apresenta um ponto de vista específico, ou seja, sem interação o que corresponde a uma abordagem não-interativa/de autoridade, onde apenas ela responde exercícios. Já na tabela 4 a intenção da professora é a partir de uma dinâmica de grupo estudar os fenômenos ondulatórios. Durante a aula há interação aluno-aluno, com algumas intervenções de autoridade da professora.
## 4) Conclusões
Após uma análise inicial dos dados obtidos nas tabelas podemos concluir que o sistema de Flanders e o sistema IRF podem ser ótimas ferramentas para análise das interações em sala de aula, também podemos observar que a interação entre professores e alunos nas aulas de Física é mínima, demonstrando que estas aulas ainda se encontram centradas no professor, e o aluno como sujeito passivo. O que nos sugere novas análises para discussões futuras sobre a interação professoraluno nas aulas de Física e a devida utilização dos sistemas de observação da interação professor-aluno.
## 5) Referências
CARVALHO, A.M.P., Práticas de ensino: os estágios na formação do professor. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1985.
FLANDERS, N. A., Analyzing Teaching Behavior, Addison-Wesley Company, USA, 1970.
MORTIMER, E. F., SCOTT, P. Atividade discursiva nas salas de aula de ciências: uma ferramenta sociocultural para analisar e planejar o ensino. Investigação em Ensino de Ciências- V7(3), pp. 283-306, 2002.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.