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A UTILIZAÇÃO DE METODOLOGIAS EXPERIMENTAIS NA FÍSICA DO ENSINO MÉDIO: UMA PERSPECTIVA DISCENTE

Ludnilson Antônio De Jesus Pereira, Rafaela Medeiros De Souza, Paulo Cavalcante Da Silva Filho

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
09/06/2011
Linha de pesquisa
Ensino / Aprendizagem / Avaliação Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A UTILIZAÇÃO DE METODOLOGIAS EXPERIMENTAIS NA FÍSICA DO ENSINO MÉDIO: UMA PERSPECTIVA DISCENTE

## THE USE OF EXPERIMENTAL METHODS IN PHYSICS OF HIGH SCHOOL: A STUDENT PERSPECTIVE

## Ludnilson A. de J. Pereira , Rafaela M. de Souza , Paulo C. da Silva Filho 1 2 3

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IFRN/Diretoria Acadêmica de Ciências, paulo.cavalcante@ifrn.edu.br

IFRN/Diretoria Acadêmica de Ciências, ludy.rn@hotmail.com 2 IFRN/Diretoria Acadêmica de Ciências, rafaelarms@hotmail.com 3

## Justificativa e objetivos

Dados do Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM), em 2009, apontam as escolas estaduais do Rio Grande do Norte como uma das piores realidades educacionais do Brasil. Uma análise mais aprofundada dos extratos INEP de desempenhos por áreas de conhecimento permite-nos considerar as disciplinas relativas à área de Ciências Naturais e Matemática e suas Tecnologias, segundo categorização do ENEM, com os mais baixos coeficientes de aproveitamento.

Da inquietação de se desvendarem os reais fatores que aplacam o entendimento efetivo das Ciências Físicas e de como se proporem diligências proativas nesse sentido é que se decidiu propor o seguinte estudo.

Avaliou-se, para tanto, a visão discente acerca de quais seriam os aspectos culminantes aos déficits de aprendizagem e péssimos desempenhos. Em seguida, o presente estudo mostrou-se no intento de propor a introdução de metodologias experimentais no ensino dessa ciência.

## Marco Teórico

O Grupo de Reelaboração do Ensino de Física (GREF), ciente da relação desarmônica entre o saber prático e teórico, subsidia esta pesquisa ao afirmar que

'O caráter prático-transformador e o caráter teórico-universalista da Física não são traços antagônicos, mas, isto sim, didaticamente complementares' (GREF, 1993, p. 15).

Reforçando este estudo, Wallon assegura, segundo Alves (2001, p. 56), que

'se o ensino ainda padece de incontáveis problemas é porque, infelizmente, a atividade experimental ainda não se estabeleceu como algo rotineiro nas nossas escolas'.

Contrapondo-se, em essência, à corrente pedagógica tradicional, a abordagem valorizada nesse estudo foi feita sob a óptica construtivista, pois,

'para Piaget, o conhecimento não é uma qualidade estática e sim uma relação dinâmica. A forma de um indivíduo abordar a realidade é sempre uma forma construtivista' (Alves 2001, p. 17).

Desta forma, a pretendida formação cidadã é alcançada, uma vez que

'o aluno, ser único, capaz e ativo, é desafiado a aplicar e construir conhecimentos, formular uma compreensão do mundo e resolver problemas reais...' (Ramos, 2004, p. 10).

## Metodologia e Análise de pesquisa

Este artigo delimitou o público discente em 4 escolas de Ensino Médio da rede estadual de educação - Escola Estadual Desembargador Floriano Cavalcanti (FLOCA); Escola Estadual Professor Francisco Ivo Cavalcante (FIC) ; Instituto Padre Miguelinho ; Escola Estadual Régulo Tinôco - localizadas na região metropolitana de Natal. O estudo fez-se segundo metodologia de pesquisa mista com abordagem fenomenológica em campo, qualitativa e quantitativa, por intermédio da veiculação de 294 questionários, no total, contendo questões abertas e fechadas.

Os dados foram obtidos a partir das respostas de discentes de todas as séries do Ensino Médio, convidados a preencher o questionário logo após visitarem a exposição 'Por que a Matemática?'*. A tabulação dos dados quantizou e qualificou as visões dos alunos em unidades de significado, abstraídas de análise ideográfica.

Dos dados angariados, nota-se que a maior parte dos alunos (72%) gosta da disciplina de física, apesar de sentirem enormes dificuldades. Segundo eles, o fator que impõe maior empecilho à aprendizagem seria a metodologia utilizada (gráfico 1).

Gráfico 1 . Fatores que dificultam o processo de ensino-aprendizagem.

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Por outro lado, almejou-se desvendar a visão discente a respeito de se a prática, de fato, facilitaria seu entendimento. O resultado obtido figurou bastante alinhado com o pensamento estudado, pois 96% dos alunos admitiram que a metodologia proposta seria extremamente relevante no processo de aprendizagem. A justificativa dos que apoiam a utilização de experimentos é mostrada no gráfico 2.

Gráfico 2. Melhorias à aprendizagem proporcionada pela utilização de metodologias experimentais.

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2

A maior parte das respostas (23,5%) analisa que as experiências poderiam fortalecer a aprendizagem. Na fala do aluno da 3ª série do FLOCA:

'Porque veríamos à prática e seria mais incentivador ao contrario de usarmos apenas números e letras para estudarmos'.

Na opinião de um discente da 1ª série do FIC é possível observar que a abordagem experimental poderia desenvolver a aprendizagem interdisciplinar:

'diminuiria as dificuldades de entender os conteúdos, assim poderíamos obter mais conhecimentos e aprendizagem (...) de qualquer matéria'

## Segundo Souza,

alguns professores acreditam que a metodologia do ensino da física deveria ser mudada no sentido de os estudantes relacionarem o conhecimento físico com a prática e, também, que deveria haver mais aulas em laboratórios (Souza, 2002, p. 107).

Uma possível maneira de se complementar o trabalho docente, nesse sentido, seria a introdução de mais metodologias experimentais, segundo alunos e professores.

## Conclusões

Do exposto, pode-se considerar que muito dos signos pesquisados fizeramse por confirmar pelos discentes questionados. A grande maioria dos respondentes, embora se declarando admiradores da física, possuíam grandes dificuldades de aprendizagem da disciplina. No entanto, acreditaram que a introdução de metodologias experimentais auxiliaria a complementar e consolidar essa aprendizagem. Assim, a exposição 'Por que a Matemática?' fez-se por congregar amostra de vivência aos alunos na ciência experimental.

Mesmo com baixos índices, alguns discentes se mostraram contrários à veiculação dos experimentos em sala de aula. Suas opiniões não devem ser descartadas, pois o processo de ensino-aprendizagem é bastante complexo, indo além dos métodos. Ao buscar melhores maneiras de ensinar, é preciso respeitar a individualidade de cada aluno e seus modos de aprender.

Longe de admitir o método proposto como infalível ou milagroso, vale ressaltar, que a utilização de recursos experimentais no ensino de física não figura algo utópico e trabalhos acerca dessa metodologia são numerosos. Muitas escolas no Brasil e, para citar um bom exemplo no Rio Grande do Norte, a escola Monteverde, já vêm reconhecendo nessa ferramenta algo proativo aos processos educativos. O estudo intentou obter uma análise do método sob a visão discente.

## Referências

ALVES, Ângela Christina Souza, et al. A Educação na perspectiva construtivista: reflexão de uma equipe interdisciplinar. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.

GREF. Física 2: física térmica/óptica. São Paulo: Edusp, 1993. Vol. 2.

RAMOS, Cosete. O despertar do gênio: aprendendo com o cérebro inteiro. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002. 108 p.

SOUZA, Tadeu Clair Fagundes . Avaliação do Ensino de Física: um compromisso com a aprendizagem. Passo Fundo: UPF, 2002. 188 p.

Acesso em: 09/03/2011. Disponível em: &lt;http://www.enem.inep.gov.br&gt;

*Exposição francesa, iniciativa da UNESCO, realizada em Natal nas instalações do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE - no ano de 2009.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.