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Novos modelos de cursos de Licenciatura e a opção pela carreira docente.

Maria Beatriz Fagundes

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
09/06/2011
Linha de pesquisa
Didática, Currículo E Inovação Educacional No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## NOVOS MODELOS DE CURSOS DE LICENCIATURA E A OPÇÃO PELA CARREIRA DOCENTE

## NEW MODELS OF DEGREE COURSES AND THE OPTION FOR THEACHER'S CAREER

## Maria Beatriz Fagundes 1

1 Universidade Federal do ABC/Centro de Ciências Naturais e Humanas, mbeatriz.fagundes@ufabc.edu.br

## Justificativa

A Segunda Grande Guerra Mundial deixou marcas profundas nos povos europeus. Com o objetivo de por fim aos conflitos e de garantir a paz no continente, muitos governos do pós-guerra concentraram seus esforços no sentido de incentivar e de implementar ações de integração, tanto na esfera política, como no âmbito econômico e cultural, com intuito de promover tratados de cooperação entre os países europeus.

Após a queda do muro de Berlim, em 1989, e a conclusão do Tratado do Mercado Único em 1993, ficou estabelecida a livre circulação de mercadorias, de serviços, de pessoas e de capitais entre os países europeus. A abertura das fronteiras políticas e físicas proporcionou também um rápido e forte estreitamento das relações entre os países da Europa e, com isso, a consolidação da Comunidade Europeia (CE), que atualmente é uma união supranacional econômica e política, constituída por 27 Estados-Membros.

As drásticas alterações no cenário europeu impactaram de forma substancial na organização política, econômica e cultural das sociedades modernas e, como não poderia deixar de ser, também acabaram por provocar profundas alterações no sistema educacional, com repercussão sentida até os dias atuais.

A educação, na configuração de um mundo unificado e dinâmico, deve ser abrangente e flexível, e mais do que isso, precisa ser passível de reformulações constantes para que possa dar conta de promover a pretendida mobilidade e o dinamismo que caracterizam as sociedades contemporâneas.

A "Declaração de Sorbonne" , assinada em 1998 em Paris, enfatiza a 1 posição favorável de quatro nações européias: França, Itália, Alemanha e Reino Unido (berços das universidades mais antigas do mundo), com relação ao incentivo para

"[... ] criação do espaço europeu de Ensino Superior como a chave para promover a mobilidade e a empregabilidade dos cidadãos, para além do desenvolvimento geral de todo o continente." 2

É fato também que, com o enorme desenvolvimento tecnológico as transformações sociais, que ocorrem em qualquer parte do planeta, não estão mais sujeitas aos limites impostos por fronteiras físicas e/ou temporais. As barreiras da atualidade são muito mais de cunho intelectual e cultural do que de caráter geográfico. Como cidadãos do/no mundo contemporâneo os estudantes de hoje precisam ter acesso a programas educacionais que valorizam a diversidade e a interdisciplinaridade, que proporcionam o desenvolvimento da proficiência em línguas estrangeiras e que possibilitam o domínio das novas tecnologias da informação. Destacamos que tais pressupostos também são de suma importância para a formação do profissional docente.

Diante dessas perspectivas, e no curso da visionária "Declaração de Sorbonne", a "Declaração de Bolonha", assinada em 19 junho 1999, veio reiterar o compromisso mútuo das instituições europeias de ensino superior para promover a educação e a cooperação intelectual entre as nações como meta para o desenvolvimento de sociedades sustentáveis, pacíficas e democráticas.

No Brasil, as diretrizes estabelecidas para uma Reforma do Ensino Superior, como propostas no manifesto elaborado na reunião de 2004 em Angra dos Reis e organizada pelo programa de Estudos Avançados da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPEA), estão em consonância com os princípios defendidos na Declaração de Bolonha. E é neste contexto que a Universidade Federal do ABC (UFABC) foi fundada, em 2006, com um Projeto Pedagógico bastante inovador para o território nacional.

Partindo de algumas reflexões sobre nossa experiência de atuação como docente em disciplinas específicas do curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal do ABC, buscamos, no âmbito do presente trabalho, apontar os argumentos que nos levam a considerar que a nossa hipótese - de que a nova organização curricular desta Instituição de Ensino Superior é uma variável significativa para a escolha da carreira docente pelos estudantes de graduação pode constituir-se numa questão de pesquisa relevante para a área de educação.

## Marco Teórico

Sabemos que as concepções primeiras que muitos ingressantes possuem sobre licenciandos e professores de ensino da escola básica e fundamental, tidos como estudantes menos qualificados e profissionais pouco valorizados social e economicamente, contribuem para a perceptível rejeição dos alunos aos cursos de Licenciatura (VILLANI, 2002 e BRITTO, 2005).

Acreditamos que a nova estrutura de curso de Licenciatura em Física, como proposto pela UFABC, ao valorizar a autonomia do estudante e garantir que ele experimente durante o período inicial de sua formação profissional diferentes

'saberes' e diferentes áreas do saber, pode minimizar falta de interesse pela carreira docente.

## Metodologia e análise de pesquisa

Ao compararmos a estrutura curricular do curso de Licenciatura em Física da UFABC com o formato da Licenciatura em Física adotado por outras instituições de ensino superior como, por exemplo pela "Humboldt Universität" (HU) de Berlim, nossa intenção primeira é mostrar que, mesmo guardando fortes semelhanças entre si, tanto em termos dos conteúdos didático-pedagógicos e de física abordados ao longo do curso, como também pelo fato do currículo ser constituido, em parte, por um Bacharelado em Ciências, comum a outras carreiras, constatamos que a proposta da UFABC difere substancialmente das das outras instituições contempladas na análise. Diferente do que ocorre, por exemplo, na HU, o modelo da UFABC não é modular e os estudantes podem cursar as disciplinas de sua escolha livremente, pois não há pré-requisitos.

A possibilidade de cursar simultaneamente disciplinas de conteúdos didáticopedagógicos e de conteúdos específicos ao longo de todo o percurso; além da convivência e da troca de experiências entre alunos de diversos cursos e com diferentes perspectivas profissionais, que se encontram nas disciplinas específicas da Licenciatura, parece favorecer a construção de uma imagem mais positiva do "ser professor" e melhorar a auto-estima dos licenciandos.

## Conclusões

Como resultado desta primeira análise comparativa de novos modelos de cursos de Licenciatura, salientamos a necessidade e a importância de lançar um olhar detalhado para a estrutura (forma) destes novos modelos de cursos, frequentemente classificados de forma bastante superficial como "modelo 3 + 1" ( Bachelor of Science em 3 anos + Master of Science em 1 ano), observando os seguintes aspectos como temas norteadores:

- · a existência de uma estrutura modular no Bacharelado,
- · a ausência de pré-requisitos ao longo do curso,
- · a obrigatoriedade de se fazer a opção pelo curso de Licenciatura já no ingresso à universidade.

## Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Propostas de Diretrizes para a Formação Inicial de Professores de Educação Básica em Cursos de Nível Superior , Brasília, Abril, 2001.

BRITO, M. R. F. de. ENADE 2005: Perfil, desempenho e razão da opção dos estudantes pelas licenciaturas. Avaliação , Campinas; Sorocaba, SP, v. 12, n. 3, p. 401443, set. 2007.

Projeto Pedagógico da Universidade Federal do ABC <http://www.ufabc.edu.br/index.php option=com\_content&view=article&id=627&Itemid=74> Acesso em março de 2011.

VILLANI, A.; FREITAS, D. Formação de professores de ciências: um desafio sem limites. Investigações em Ensino de Ciências , 7 (3), p. 215-230, 2002.

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