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ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE AS CONCEPÇÕES DOS PROFESSORES DE FÍSICA ACERCA DOS OBJETOS EDUCACIONAIS DIGITAIS

Alessandra Riposati Arantes, Ducinei Garcia, Nelson Studart Filho

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
08/06/2011
Linha de pesquisa
Tecnologias Da Informação E Comunicação E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE AS CONCEPÇÕES DOS PROFESSORES DE FÍSICA ACERCA DOS OBJETOS EDUCACIONAIS DIGITAIS

## EXPLORATORY STUDY ON PHYSICS TEACHERS CONCEPTIONS REGARDING DIGITAL LEARNING OBJECTS

## Alessandra R. Arantes , Ducinei Garcia , Nelson Studart 1 2 3

1 Universidade Federal de São Carlos/ Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Exatas

1 ale.riposati@gmail.com

2 ducinei@df.ufscar.br

3 n.studart@gmail.com

## Introdução

Computadores e tecnologias de informação contam com grande receptividade dos alunos, fornecendo aos educadores um ambiente inovador que pode ser usado para estimular e enriquecer o processo de ensino e aprendizagem. A utilização dessas tecnologias no ambiente escolar está se tornando cada vez mais comum, à medida que as escolas vão sendo equipadas com os devidos recursos [1]. No Brasil, o governo federal tem criado vários programas que visam à inserção de computadores na escola, como por exemplo o projeto UCA (Um Computador por Aluno)[2]. Simultaneamente, recursos digitais com finalidade didática vêm sendo cada vez mais produzidos e disponibilizados. Esses recursos são comumente chamados de Objetos de Aprendizagem (OA) ou objetos educacionais [3] e podem ser vistos como blocos de informação à disposição do professor para que este os conecte da maneira que achar mais eficiente. Eles se caracterizam por sua generalidade, reusabilidade, adaptabilidade, escalabilidade e flexibilidade.

Muitos repositórios de objetos de aprendizagem foram criados para facilitar a busca e o acesso a essas ferramentas. Um dos mais importantes é o projeto canadense CAREO (Campus Alberta Repository of Educational Objects, www.careo.org), mas podemos citar também o MERLOT (Multimedia Educational Resource for Learning and Online Teaching, (www.merlot.org) e o comPADRE (http://www.compadre.org/), entre outros [4]. Além dos repositórios, excelentes simulações também podem ser encontradas no site PhET (Physics Education Technology, http://phet.colorado.edu/). O projeto PhET desenvolveu dezenas de simulações em Java para professores de física, química, ciências e matemática. No Brasil, o Ministério da Ciência e Tecnologia também criou um repositório, denominado Banco Internacional de Objetos Educacionais (BIOE). No BIOE encontram-se recursos digitais em diferentes formatos - áudio, vídeo, animação, simulação, software-, que são relevantes e adequados à realidade da comunidade educacional.

Entretanto, como verificado nos Estados Unidos por Larry Cuban [5], o que acontece na prática é que os computadores são 'subutilizados' pelas escolas e pelos professores. Aqui no Brasil a situação não é muito diferente, como mostra Lopes et al [6] e é claramente comprovado pela nossa própria experiência na

formação docente. A fim de contribuir para alterar esta situação, e porque acreditamos que tão importante quanto equipar as escolas é formar professores utilizadores de tecnologias de informação e comunicação, decidimos realizar oficinas para professores interessados em melhorar sua prática docente através do uso de objetos educacionais.

No presente trabalho o nosso objetivo foi revelar as atuais concepções dos professores de física acerca dos objetos educacionais digitais, dentre os quais incluimos simulações, animações, softwares educacionais e, em menor escala, videos [7]. Conhecer melhor tais concepções pode fornecer subsídios importantes para o processo de desenvolvimento de novos materiais [8]. Além disso, é necessário averiguar se o enorme esforço de recursos humanos e investimentos financeiros para produzir e disponibilizar tais ferramentas de ensino deve ser mantido, ou mesmo intensificado. Nosso desejo é que os professores se tornem agentes nucleadores de um novo processo de ensino e aprendizagem que venha a contribuir de forma significativa para a melhoria da prática docente.

## Metodologia

A UFSCar implementou recentemente um Mestrado Profissional em Ensino de Ciências Exatas com duas áreas de pesquisa, Ensino de Física e Ensino de Matemática. Oferecemos no verão de 2010 e 2011 um mini-curso intitulado 'Física na Web', além de uma oficina no XXVIII Encontro de Físicos do Norte e Nordeste. O mini-curso foi oferecido em duas partes: uma teórica e outra prática. Na primeira parte foi abordada a conceituação teórica dos objetos educacionais. Na segunda parte, os alunos conceberam e implementaram projetos de aula que faziam uso desses objetos.

Ao final do curso, foi solicitado que os professores respondessem a um questionário, cujas questões foram redigidas de modo a obter informações que nos permitissem identificar a experiência prévia do usuário com os objetos educacionais e qual o impacto da aprendizagem desta ferramenta pedagógica na sua atuação como professor. O questionário foi dividido em duas partes. A primeira pretendeu avaliar as concepções prévias sobre o uso das novas tecnologias proporcionadas pelo computador e revelar o conhecimento anterior do professor sobre objetos educacionais. Na segunda parte, quisemos avaliar o mini-curso oferecido e o impacto que este teve nessas mesmas concepções.

O questionário que forneceu a amostra deste estudo foi elaborado no Google Docs e disponibilizado via e-mail.

## Resultados e Discussões

Os resultados indicaram que objetos educacionais digitais ainda não fazem parte do cotidiano escolar dos profissionais que estão atuando no ensino de Física, pela simples falta de conhecimento de fontes dessa ferramenta e, consequentemente, do conhecimento sobre como utilizá-los em aula. Verificou-se elevado nível de interesse dos professores em relação ao emprego desses recursos para suas futuras práticas em sala de aula.

Entretanto, trabalhar com objetos educacionais digitais exige um esforço maior e continuado por parte dos professores, para que seja possível transformar a simples utilização do computador numa estratégia que efetivamente possa favorecer a aprendizagem do aluno. Esse esforço foi claramente denunciado nos relatos das

experiências dos professores cursistas. Problemas como a infraestrutura escolar, disponibilização de máquinas e acesso à internet fazem parte do cotidiano da maioria de professores da rede pública e muitas vezes das escolas particulares.

A grande maioria dos professores que participaram do estudo não tinha conhecimento sobre o BIOE ou outros repositórios e não havia usado estes recursos em suas aulas. No entanto, constatou-se que ao tomar conhecimento dos objetos educacionais e de sua eficiência todos tornaram-se bastante motivados para empregá-los em sua proposta pedagógica. Acreditamos que tal processo está ainda nos primórdios e deve ser acompanhado de perto em futuras pesquisas.

- O trabalho teve o apoio do CNPq e da CAPES.

## Referências

- 1 - ARAUJO, I. S. ; VEIT, E. A. Moreira, M. A. Uma revisão da literatura sobre estudos relativos a tecnologias computacionais no ensino de Física. Investigações em Ensino de Ciências (UFRGS), São Paulo, v. 4, n. 3, p. 1-16, 2004.
- 2 -BRASIL, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Um computador por aluno. www.uca.gov.br. Acesso em: 13 out. 2011
- 3 - WILEY, David A., The instructional use of learning objects (2000). Disponível em www.reusability.org/read/chapters/wiley.doc. Tradução disponível em: http://penta3.ufrgs.br/objetosaprendizagem/. Acesso em: 03 out. 2010.
- 4NASH, Susan Smith. Learning Objects, Learning Object Repositories, and Learning Theory: Preliminary Best Practices for Online Courses. Interdisciplinary Journal of Knowledge and Learning Objects, Volume 1, 2005.
- 5 Cuban, L. Oversold & Underused: Computers in the Classroom. Harvard University Press. (2001).
- 6 - LOPES, et. al. O uso do computador e da internet na escola pública

http://www.fvc.org.br/estudos-e-pesquisas/avulsas/estudos1-7-usocomputadores.shtml?page=0. Acesso em: 10 mar. 2011.

- 7 - ARANTES, R. Alessandra, MIRANDA, S. Marcio, STUDART, Nelson. Objetos de aprendizagem no ensino de física. Física na Escola, v. 11, n. 1, p, 27-31, 2010.
- 8 NASCIMENTO, Anna Christina de Azevedo. Objetos de aprendizagem: a distância entre a promessa e a realidade. In: Carmem Lúcia Prata; Anna Christina Aun de Azevedo Nascimento. (Org.). Objetos de aprendizagem: Uma proposta de recurso pedagógico. 1a ed. Brasília: SEED/MEC-Secretaria de Educação a Distância, 2007, p. 135-145.

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