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REFLEXÃO E FORMAÇÃO: O CONHECIMENTO SOBRE AS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA PRÁTICA DO PROFESSOR DE FÍSICA

Charlie Antoni Miquelin, Awdry Feisser Miquelin, Luiza Sabchuk

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
08/06/2011
Linha de pesquisa
Tecnologias Da Informação E Comunicação E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## REFLEXÃO E FORMAÇÃO: O CONHECIMENTO SOBRE AS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA PRÁTICA DO PROFESSOR DE FÍSICA

## THINKING AND EDUCATION: KNOWLEDGE ON THE INFORMATION AND COMMUNICATION TECHNOLOGIES INSIDE THE PHYSICS' TEACHERS PRACTICE

Charlie Antoni Miquelin , Awdry Feisser Miquelin , Luiza Sabchuk , 1 2 3

1 Universidade Tecnológica Federal do Paraná, DAFIS, charlie@utfpr.edu.br

- 2 Universidade Tecnológica Federal do Paraná, DAFIS, awdry@utfpr.edu.br

## O contexto do problema

Há quase duas décadas, a discussão sobre as tecnologias de informação e comunicação (TIC) na prática educativa do professor de Física ganhou maiores proporções. Porém, a evolução das TIC é mais veloz do que essas discussões e a intensificação do conhecimento tecnológico na formação dos professores é algo que merece maior racionalidade e agilidade, pois estas tem invadido cada vez mais as escolas, de forma sorrateira, e sem a devida reflexão crítica.

Sobre isso temos pesquisado há quatro anos, investigando a concepção dos professores de Física de escolas públicas do Paraná sobre o papel das TIC em sua prática e os componentes de sua formação sobre possíveis conhecimentos interfaceando as TIC, Física e formação pedagógica.

Miquelin (2009), já aponta resultados com um grupo de 19 professores de Física, que comprovam a necessidade de uma reflexão crítica para novas estratégias formativas, para aproximar o conhecimento sobre as TIC na formação tanto inicial quanto continuada dos professores de Física.

- O que mostramos neste artigo são extratos da continuação desta perspectiva investigativa, que agora ampliamos através da interação com professores de Física, e desenvolvendo uma estratégia diferenciada de trabalho com o conhecimento sobre as TIC e suas possíveis intersecções na prática em sala de aula.

## O problema

Ao trabalharmos um curso sobre Educação e Tecnologia de formação continuada com professores de Ciências Naturais da rede pública do Estado do Paraná, nos deparamos com a seguinte problemática: como instrumentalizar de maneira satisfatória estes professores para que incorporem conhecimento, discussões e reflexões sobre as TIC em sua prática educacional?

Esta pergunta serve, na verdade, como mote investigativo para este trabalho e outros. Porém, não temos, ainda, uma resposta satisfatória para essa questão. O

que possuímos e que apresentamos aqui são indícios de uma primeira etapa, que nos revelam alguns elementos potencializadores para a problematização e incorporação de conhecimento das TIC na formação continuada dos professores. Os reflexos concretos no palco das aulas deste professores nós só poderemos conhecer em etapas futuras de investigação, que exigem o acompanhamento destes professores em seu exercício profissional.

## A Tomada de Investigação

O curso que ministramos compunha-se de duas etapas distintas: uma fase de formação teórica na qual trabalhamos com cinqüenta e quatro professores de Ciências Naturais (Física, Química, Biologia e Ciências), e uma fase prática com cinco professores de Física.

Tendo a questão como mote investigativo, refletimos sobre a necessidade inicial de investigar como as TIC permeavam a prática e formação educacional dos professores. Para tanto, elaboramos um questionário baseado no trabalho de tese de Miquelin (2009) investigando os seguintes eixos: a percepção dos sujeitos sobre as TIC em suas práticas e formações, seu conhecimento sobre TIC e suas experiências de sala de aula sobre as mesmas.

A percepção dos professores sobre as TIC em sua prática é de muita esperança em relação à melhoria da qualidade de ensino-aprendizagem com a mediação da TIC em suas práticas, e que o conhecimento das mesmas na formação do professor é essencial. Porém, a maioria, cerca de quarenta e oito questionados revela que, em sua formação inicial, foram raras ou ausentes as experiências educativas envolvendo as TIC, e trinta e sete deles afirmam que seu conhecimento sobre as mesmas é básico ou quase inexistente. Quarenta e um professores ainda afirmaram que a freqüência de trabalho com as TIC em sala de aula se dá em algumas aulas ou quase raramente.

Partindo disto, tratamos, no módulo teórico, com o grande grupo, de tencionar os professores sobre o papel da tecnologia na sociedade e na educação. Para isso nos baseamos na discussão sobre tecnologias, relações de conhecimento, poder e simbolismo tecnológico, trabalhando com autores como Postman (1994), Vicente (2005) e Bazzo (1998, 2010). Com isso, verificamos um avanço na posição crítica dos professores em relação ao papel das TIC em sua prática e um reforço no sentimento da formação continuada para conhecimentos mais específicos de TIC e suas implicações educacionais.

Na segunda fase, com os cinco professores de Física, trabalhamos os principais conceitos envolvendo o uso da computação, desde o contexto histórico até as noções básicas de hardware e software, sempre destacando como esses conhecimentos corroboram com conteúdos e experimentos a serem aplicados na sala de aula. A metodologia usada aqui foi a de que os próprios professores, à medida que o curso era ministrado, construiriam seu material de apoio para futuras aulas, baseando se nas discussões e conteúdos abordados durante o curso.

## Conclusão

Neste contexto nos deparamos com uma amostra diversificada (professores das Ciências Naturais) que nos mostrou, inicialmente, a necessidade constante de problematizarmos a inserção do conhecimento envolvendo a mediação das TIC na formação de professores. Para isso, verificou-se que a relação de trabalho teoriaprática produz bons resultados, pois pode-se aliar uma reflexão crítica sobre a mediação de TIC nas práticas educacionais e também instrumentalizar os professores a possuírem uma espécie de proficiência tecnológica, que os auxilia na avaliação das TIC e conteúdos escolares, e proporciona uma tomada de decisão mais eficiente em relação aos recursos tecnológicos. Isso nos fez perceber que é possível proporcionar uma racionalidade em relação às TIC que os professores não possuíam antes do curso.

Entretanto, em nossa percepção, isso não é um produto final, mas sim o começo. Ainda estamos buscando uma resposta completa e satisfatória para a questão mote que colocamos aqui. Questionamos-nos constantemente se as estratégias que descrevemos seriam factíveis para outros grupos de professores e, ainda, como no exercício profissional, nas aulas de Física, após estas etapas, estes mesmos professores que participaram conosco das duas fases incorporarão todo o conhecimento trabalhado. Continuaremos buscando tais resultados e esperamos apresentá-los em trabalhos futuros.

## Referências

BAZZO, W. A. A tecnologia e o Homo Simbolicus . XXXVIII COBENGE, Fortaleza. 2010. Disponível em www.nepet.ufsc.br/Documentos/Artigo\_453\_revisado.doc Acesso em 25 mar de 2011.

BAZZO, W. A. Ciência, tecnologia e sociedade: e o contexto da educação tecnológica . Florianópolis, Ed. Da UFSC, 1998.

MIQUELIN, A. F. Contribuições dos meios tecnológicos para o Ensino de Física na Escola Básica . 2009. Tese (Doutorado em Educação Científica e Tecnológica) Universidade Federal de Santa Catarina, RS.

POSTMAN, N. Tecnopólio: a rendição da cultura à tecnologia . Tradução de Reinaldo Guarany. São Paulo: Nobel, 1994.

VICENTE, J. K. Homens e Máquinas: como a tecnologia pode revolucionar a vida cotidiana . Tradução Maria Inês Duque Estrada. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005.

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