POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA E A PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS
Tatiana Da Silva, Diogo Chitolina
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 08/06/2011
- Linha de pesquisa
- Tecnologias Da Informação E Comunicação E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA E A PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS
## POPULARIZATION OF SCIENCE AND THE PRODUCTION OF TEACHING MATERIALS
Tatiana da Silva , Diogo Chitolina 1 2
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UFSC/Departamento de Física, tati@fsc.ufsc.br UFSC/Licenciando do Departamento de Física/diogoch@gmail.com
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## Introdução
A educação para a ciência é parte integrante do processo educacional. A importância dada à popularização da ciência e da tecnologia (CT) ampliou-se consideravelmente no Brasil. No governo anterior foi criado dentro do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), um departamento dedicado a esse fim, pertencente à Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (Secis). Seu principal objetivo é o de contribuir para a melhoria da divulgação científica e da educação científica (Eichler e Pino, 2002). No que diz respeito à educação científica formal o quadro é alarmante com o fraco desempenho de estudantes brasileiros em avaliações como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) (Barroso e Franco, 2008). Aliado a isso há a carência de professores na área de ciências (Silva et al , 2010) e as deficiências relacionadas à infra-estrutura das escolas (laboratórios, bibliotecas, materiais didáticos). Sendo assim, foram definidas linhas prioritárias estabelecidas pela Secis/MCT (Moreira, 2006) e percebe-se que há um entendimento de que a divulgação científica e tecnológica participa e assume um papel estratégico na formação e no aumento da qualificação da sociedade como um todo.
Uma das linhas de ação e programas específicos para a popularização da ciência está a de produção e distribuição de material didático para diferentes níveis de formação e outra que visa promover ações junto às universidades e agências de fomento para a valorização do trabalho de extensão e de divulgação científica (Moreira, 2006). Foi nesse contexto que um edital (Brasil, 2008) foi lançado para dar apoio financeiro para projetos de divulgação científica na área de Astronomia e ciências afins buscando-se estimular a popularização da CT e promover a melhoria da educação científica aliadas às comemorações do Ano Internacional de Astronomia (Brasil, 2008).
É nesse cenário que elaboramos o projeto CARONTE (Conteúdos de Astronomia paRa O eNsino apoiado em TEcnologias) que visa a produção e popularização de materiais didáticos hipermídia voltados a fenômenos astronômicos básicos para que se tornem um aliado no processo de ensino e aprendizagem.
## O tema
A Astronomia é uma ciência que exerce uma fascinação natural em todos nós. E mostra-se muito adequada para a apresentação de vários conceitos científicos, por seu caráter multidisciplinar intrínseco e pela possibilidade de discussão de temas científicos sem a necessidade do uso de um formalismo matemático muito além das habilidades desenvolvidas pelo público em geral. A capacidade de despertar a curiosidade geral, um requisito fundamental para o sucesso de qualquer processo de aprendizagem, possibilita introduzir noções sobre
o uso de modelos em ciência, o uso e as limitações das analogias, sistemas de coordenadas, unidades, dimensões, distâncias e escalas, entre outras. O fascínio pelos movimentos e a observação dos corpos celestes abre um caminho para o despertar da curiosidade e do interesse científicos nos jovens e adultos.
## O contexto
Muitas publicações nacionais e internacionais e estudos e avaliações de aprendizagem indicam que as concepções não científicas e as explicações incorretas sobre fenômenos astronômicos básicos estão presentes em grande parte da população (Silva e Barroso, 2008, e referências ali citadas). O PISA desenvolvido pela OECD define o letramento científico como 'a capacidade de usar 1 o conhecimento científico, de identificar questões e de chegar a conclusões baseadas em evidências para entender e ajudar a tomar decisões a respeito do mundo e as mudanças causadas a ele pela atividade humana'; no exame de ciências em 2003, o desempenho dos estudantes de 15 anos nos itens sobre fenômenos astronômicos ('Claridade') demonstrou que o desconhecimento sobre o tema não se restringe aos alunos brasileiros, e está presente nas populações de outros países, mesmo desenvolvidos e de nível educacional mais elevado que o brasileiro (Barroso e Franco, 2008).
É nesse contexto que a produção de materiais sobre astronomia em formato digital (animações, simulações, vídeos e hipermídia) conquista espaço. Eles podem desempenhar importante papel nos processos de ensino e aprendizagem, bem como para a divulgação científica em geral.
## A hipermídia
Em decorrência das características de forma de utilização e de disponibilização do material, adotou-se como forma de construção o conceito de 'objetos de aprendizagem' (Wiley, 2000).
A atual versão do material é composta por dois temas: 'As fases da Lua' e as 'Marés'. Os conteúdos são apresentados de forma independente em função da escolha do formato descrito e podem ser acessados a partir de uma página principal ilustrada na Figura 1.
Figura 1: Página de abertura da hipermídia CARONTE.
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A proposta didática que permeia todo o material apóia-se em estratégias diferenciadas com o uso de recursos digitais distintos tais como hipertexto, animações, simulações. A ideia é apresentar diferentes representações, trocas de referenciais, uso de analogias e de simplificações que permitem a compreensão em pequena escala do que é um modelo científico e de como podemos usá-lo na compreensão dos fenômenos observados. Não obstante busca-se uma interação com a criação de personagens
que propiciam um diálogo do conteúdo com o usuário. No tema 'Fases da Lua', desenvolvemos também um Quiz e um simulador (Que cara ela tem?). No Quiz , o usuário pode avaliar o seu aprendizado de forma lúdica com um jogo de perguntas e respostas e o simulador proporciona a experiência de observação de uma dada fase lunar alterando-se dinamicamente a localização do observador sobre a superfície do planeta Terra. O material está disponível no endereço http://www.fsc.ufsc.br/~tati/caronte/ com versões em Português, Inglês e Francês.
## Comentários Finais
O projeto alcançou o seu objetivo principal de elaboração de materiais hipermídia voltados para temas básicos em Astronomia e que pretendem alcançar públicos diferenciados em diversos níveis de formação. Para isso, a concepção levou em consideração dificuldades de compreensão relatadas na literatura de pesquisa em ensino de física. As estratégias didáticas adotadas buscaram o uso de analogias e a descrição dos fenômenos a partir da identificação da ocorrência dos mesmos em objetos do cotidiano. Considera-se que o material hipermídia é hoje, uma excelente ferramenta para a diversificação das metodologias de ensino, pois foge do estilo tradicional, para uma concepção construtivista, onde o aluno participa ativamente do processo de construção do conhecimento.
## Referências
BARROSO, Marta F.; FRANCO, Creso. Avaliações educacionais: o Pisa e o ensino de ciências. Anais do XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Curitiba, outubro de 2008.
EICHLER, Marcelo; PINO, José Claudio Del. Popularização da ciência e mídia digital. QUÍMICA NOVA NA ESCOLA, n° 15, MAIO 2002.
MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA (Brasil). Edital MCT/SECIS/CNPq Nº 63/2008. Brasília, 22 de setembro de 2008. 13p. Disponível em: http://astroweb.iag.usp.br/~damineli/IYA2009/images/download/edital\_63\_2008.pdf, acessado em 26 de abril de 2011.
MOREIRA, Ildeu de Castro. A inclusão social e a popularização da ciência e tecnologia no Brasil. Inclusão Social, v.1, n.2 (2006).
SILVA, Tatiana da; BARROSO, Marta F. Fenômenos astronômicos e ensino a distância: Produção e Avaliação de Materiais Didáticos Anais do XI Encontro de . Pesquisa em Ensino de Física, Curitiba, outubro de 2008.
SILVA, Tatiana et al . 'Expansão do Ensino Superior: panorama, análises e diagnósticos do curso de licenciatura em Física a distância da Universidade Federal de Santa Catarina' in Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 27, n.3, 2010, pp. 528-548. DOI: 10.5007/2175-7941.2010v27n3p528.
Wiley, D. A. (2000) Connecting learning objects to instructional design theory: A definition, a metaphor, and a taxonomy. In D. A. Wiley (Ed.), The Instructional Use of Learning Objects: Online Version, 2000. Disponível em: http://reusability.org/read/chapters/wiley.doc, acessado em 20 de dezembro, 2010.
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