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O USO DE SOFTWARES COMPUTACIONAIS NO ENSINO DE FÍSICA

Fernando Marcos Da Silva, Abdalla Antonios Kayed, Wagner Wilson Furtado

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
08/06/2011
Linha de pesquisa
Tecnologias Da Informação E Comunicação E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O USO DE SOFTWARES COMPUTACIONAIS NO ENSINO DE FÍSICA THE USE OF COMPUTER SOFTWARE IN TEACHING PHYSICS

## Fernando Marcos da Silva 1,4 , Abdalla Antonios Kayed 2,4 , Wagner Wilson Furtado 3,4

1

Secretaria da Educação do Estado de Goiás, fmarcos.fisica@pop.com.br 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano/Campus Morrinhos, kayed@bol.com.br 3 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, wagner@if.ufg.br 4 Universidade Federal de Goiás/Programa de Mestrado em Educação em Ciências e Matemática

## Introdução

A utilização dos recursos da informática na educação é hoje um dos assuntos mais discutidos em meio escolar (TEDESCO, 2004; VALLIN, 1998). As discussões a respeito dos possíveis usos dessas tecnologias aplicadas à educação devem levar em consideração as posições de professores, uma vez que existem aspectos culturais que merecem atenção. Segundo Masetto (2000), o uso desse recurso modifica o papel do professor no processo de aprendizagem. O professor deixa de ser o centro das atenções e passa ser coadjuvante no processo ensino aprendizagem.

Segundo Moran et. al. (2000), o professor deve conhecer e dominar primeiramente para si as estratégias de uso dessas tecnologias e depois ensinar seu aluno, caso contrário o laboratório permanecerá fechado e os equipamentos sem uso, ou usados indevidamente. Também se deve levar em consideração que oferecer ao professor oportunidade de formação contínua para o uso dessas tecnologias não basta, é fundamental que o professor queira, e sinta necessidade de usá-la.

Assim, esta pesquisa teve como objetivo verificar se a informática pode colaborar para a melhoria do ensino de Física e da educação em geral, tornando o processo de aprender mais prazeroso. Para tal, propusemos o uso de simulações computacionais em auxilio às tradicionais aulas que dispunham apenas de quadro e giz. O computador foi usado como mediador do processo de ensino aprendizagem, apresentando simulações de experimentos físicos, leitura de textos e algumas aplicações relacionadas com o conteúdo estudado com os objetivos de: introduzir aulas utilizando computadores com softwares que simulam situações experimentais de um laboratório de física; analisar o desempenho dos alunos antes e após as aulas; desenvolver a atitude investigativa dos alunos e colaborar com a inclusão digital na escola.

## Metodologia e análise

Esta pesquisa foi realizada em uma escola da rede pública da cidade de Goiânia, Goiás, com 51 alunos de três turmas de terceiros anos (turmas A, B e C) do

turno noturno do ensino médio. O conteúdo da disciplina Física abordado foi o eletromagnetismo (eletrostática, eletrodinâmica, magnetismo e eletromagnetismo). No primeiro bimestre foram ministradas aulas tradicionais com a exposição dos conteúdos e resolução de problemas e exercícios para as três turmas. Nos segundo e terceiro bimestres, as turmas A e B foram levadas ao laboratório de informática da escola onde, a partir de uma lista de sítios da internet, deveriam experimentar simulações de experiências de Física relacionadas aos conteúdos estudados. Como a carga horária da disciplina era de duas aulas por semana, uma era dedicada à exposição dos conteúdos em sala e a outra ao trabalho no laboratório de informática. A turma C continuou, durante os outros bimestres, com a mesma estratégia de ensino inicial, para servir de parâmetro de comparação.

Foram feitas avaliações regulares e idênticas, ao longo dos bimestres, com as três turmas. Os resultados finais, após esses três bimestres, estão apresentados nas Figuras a seguir.

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(c)

Figura 1 - (a) e (b) Desempenho dos alunos do 3º A e do 3º B no primeiro bimestre (antes do laboratório) e após o terceiro bimestre (com o laboratório); (c) Desempenho dos alunos do 3º C no primeiro e no final do terceiro bimestres (turma de referência).

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Podemos verificar na Figura 1 (a) que houve melhoria no aprendizado após a turma ser levada ao laboratório de informática. A Figura 1 (b) indica que não houve aumento significativo no desempenho da turma. Na Figura 1 (c) observamos que a turma C, que não foi levada ao laboratório de informática, apresentou desempenho inferior às outras duas turmas após o terceiro bimestre. Vale lembrar que os

instrumentos e os processos avaliativos das três turmas foram sempre os mesmos. Se compararmos a turma A com a C, verificamos que inicialmente a turma C teve um desempenho melhor, mas ao final do terceiro bimestre seu rendimento ficou abaixo do apresentado pela turma A.

É importante ressaltar que, geralmente, o que se observa é uma redução do desempenho das turmas ao longo dos bimestres, como ocorrido com a turma C. Isso se justifica devido ao maior grau de dificuldade dos assuntos abordados nesses últimos bimestres. Com isso, podemos considerar que o rendimento da turma B foi, também, satisfatório, pois não houve queda nos resultados.

## Conclusão

Foi possível notar que a inserção de aulas usando o computador como mediador do processo ensino-aprendizagem, auxiliado por softwares que simulam experimentos, pode contribuir para a aprendizagem dos alunos. O grupo de alunos que participou das aulas no laboratório apresentou um melhor desempenho em relação ao momento em que não foram usadas as simulações. Foi possível notar, também, que os alunos apresentaram maior motivação quando os conteúdos eram trabalhados com esse recurso, pois eles participaram mais ativamente durante as aulas. Durante a apresentação dos novos conteúdos, os alunos relacionaram o que havia sido estudado com o que estavam estudando, fazendo referência as demonstrações realizadas no computador. As turmas que participaram das aulas usando softwares computacionais tiveram um aumento em relação ao seu próprio desempenho antes das aulas diferenciadas.

Apesar de muitas pesquisas terem sido realizadas em relação à aplicação de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), faz-se necessário um estudo mais profundo para que o uso dessas tecnologias não se transforme em simples utilização do computador em substituição do quadro e giz. Vemos, atualmente, em muitas escolas os professores levando seus alunos para o laboratório, sem estar cientes das potencialidades dessas ferramentas e quais as contribuições elas podem proporcionar à aprendizagem dos alunos.

## Referências

MASETTO, Marcos T. Mediação pedagógica e o uso da tecnologia. In: MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos T.; BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2000. P. 133-173.

MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos T.; BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas tecnologias e mediação pedagógica . José Manuel Moran, Marcos T. Masetto, Marilda Aparecida Behrens. Campinas, SP: Papirus, 2000.

TEDESCO, Juan Carlos (org.). Educação e novas tecnologias . Tradução de Claudia Berliner, Silvana Cobucci Leite - São Paulo: Cortez; Buenos Aires: Instituto de Planeamiento de la Educacion; Brasília: UNESCO, 2004.

VALLIN, Celso. Como usar o computador na escola . São Paulo: Moderna, 1998.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.