PIBID Física na UFLA e a inclusão no Ensino Médio
Helena Libardi, Ana Paula Pedroso, André Chicrala, Deyvid Antônio Eugênio, Felipe Fortes Braz, Maria Juanna Lima Hermeto
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 08/06/2011
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2011
Texto completo
## PIBID Física na UFLA e a inclusão no Ensino Médio PIBID Physics in UFLA and inclusion in High School
## Helena Libardi, Ana Paula Pedroso, André Chicrala, Deyvid Antônio Eugênio, Felipe Fortes Braz, Maria Juanna Lima Hermeto
UFLA/DEX, Docente Física/hlibardi@dex.ufla.br; 1
2 Licenciatura em matemática/ paulinhalavras1987@hotmail.com;
Licenciatura em Física/ andrechicrala@hotmail.com; deyvid.ae@gmail.com; 3 4
5 fortesbraz@gmail.com; majuh.bass@gmail.com 6
## INTRODUÇÃO
A inclusão de alunos com necessidades especiais na escola regular está cada vez mais comum, uma vez que o aluno com deficiência tem garantido por lei o direito de uma educação justa e de qualidade. São inúmeras as leis e declarações que asseguram, além de uma educação de qualidade, o direito de terem profissionais capacitados a ensinar e lidar com a inclusão.
Existe a consciência por parte dos professores da falta formação e do despreparo para lidar com a escola dos diferentes. Infelizmente a maioria dos cursos de licenciatura ainda não oferece disciplinas relacionadas à inclusão. Algumas universidades já oferecem disciplinas, no entanto, a maioria está oferecendo apenas a disciplina de libras, que passou a ser obrigatória nos cursos de licenciatura.
Dentro do Pibid Física da UFLA (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência - Subprojeto Física, da Universidade Federal de Lavras) foi criado o Grupo de Estudos sobre Educação Inclusiva. As discussões sobre inclusão não se limitam aos bolsistas do Pibid Física. A integração também está sendo entre os Pibid's da UFLA, especialmente com o da Matemática. A proposta é trabalhar com Ciências e Matemática, de maneira interdisciplinar. Dentro deste grupo visamos a preparação de material didático voltado ao aluno deficiente e o desenvolvimento de novas alternativas de ensino aprendizagem.
## TEORIA E METODOLOGIA
A inclusão de alunos com necessidades especiais em salas de aula regulares, além de um direito para todos os alunos, é também um dever do docente. A adaptação dos PCN's (Parâmetros Curriculares Nacionais) com estratégias para a educação de alunos com necessidades educacionais especiais [Brasil, 1998] já garante esta inclusão. A Educação Inclusiva trará todos os alunos para a sala de aula, inclusive os que possuem deficiência. Devemos estar preparados para essa realidade.
Para Sassaki [1997] o processo de inclusão consiste em uma relação mútua, onde todos participam. Devemos estar aptos a incluir em todos os lugares, seja na escola, no mercado de trabalho, em nosso bairro, pois somos todos iguais em nossas diferenças e isso é o que devemos valorizar.
Fernandes e Lopes afirmam que este aluno também deve frequentar uma instituição especializada, para que esta ofereça suporte específico ao seu desenvolvimento cognitivo, mas a troca de experiência no convívio com os alunos não especiais ajuda na aprendizagem [FERNANDEZ e LOPEZ, apud MELO 2010].
Para desenvolvermos nossas atividades necessitaremos discutir os temas relevantes para a inclusão no ensino de ciências, em geral, considerando as propostas político pedagógicas das escolas do estado de Minas (CBC) [Minas, 2007]. Neste primeiro semestre de atividades trabalhamos com um pequeno grupo de pessoas com necessidades especiais. O primeiro desafio é a nossa inclusão neste grupo tão especial.
## RESULTADOS E DISCUSSÕES
## Centro de Educação e Apoio às Necessidades Auditivas e Visuais
Nosso primeiro contato com pessoas com necessidades especiais foi junto ao CENAV (Centro de Educação e Apoio às Necessidades Auditivas e Visuais). Adaptamos algumas atividades sobre conceitos de física de outro projeto vinculado ao Pibid que é o Magia da Física. Com um espírito semelhante ao projeto original, levamos experimentos que instigassem a curiosidade, promovendo a discussão dos conceitos envolvidos.
Levamos dois experimentos: o experimento com a maisena, onde a mistura de maisena e água nas proporções certas permite a discussão de mistura, soluções, pressão, tensão, entre outros e que garante uma grande manipulação por parte das pessoas, e o experimento com a plataforma giratória, onde se discutem movimento circular, princípios de conservação, distribuição de massa e que sempre causa bastante impacto e descontração.
Os experimentos foram aplicados com dois grupos com necessidades visuais, um com dois meninos e o outro com adultos, a maioria de terceira idade; e com dois grupos com necessidades auditivas, um composto de quatro meninas e outro um grupo misto.
## Deficientes Visuais
Nos dois grupos todos os participantes eram cegos. O contato com a terceira idade foi uma grata surpresa. Embora não preparados para este grupo, uma vez que utilizaríamos a plataforma giratória com pessoas com constituição mais frágil, todos fizeram questão de experimentar, mesmo uma senhora que apresenta sintomas de tontura e que deu apenas uma voltinha. Com os dois meninos a plataforma também foi um sucesso. Mas apenas um deles se sentiu a vontade com a experiência da maisena. Chegou a comparar a mistura com 'vomito de gato'. Indagado sobre esta comparação, disse que se lembrava de quando ainda enxergava. O outro menino era muito mais retraído e escolheu não colocar mais as mãos.
## Deficientes Auditivos
O desafio em se trabalhar com pessoas surdas é muito grande, pois a comunicação é bastante difícil. Em nossas atividades tínhamos o apoio das professoras do CENAV. Na atividade com as crianças surdas fomos auxiliados por duas crianças, filhos de pessoas surdas e que dominavam libras. Sentimos nestes contatos a necessidade de orientar o interprete, para que ele consiga transmitir mais
fielmente possível as explicações. Grande parte de nossas limitações vem da falta de sinais correspondentes a linguagem científica.
## Inclusão nas Tardes do saber
Na atividade do Pibid Tardes do saber, alunos do ensino médio vão para a Universidade e participam de diversas atividades monitoradas pelos bolsistas. No ano passado tivemos a participação de um aluno com baixa visão. Ele ainda podia ler alguns textos ampliados e com auxílio de lupa. O maior obstáculo observado foi sua timidez. Os bolsistas logo perceberam que quando era dada a ele a devida atenção ele interagia com o grupo na sala. Devido a sua necessidade ele necessita de acompanhamento sempre. Este aluno ingressou no grupo após o início das atividades. O grupo de alunos o recebeu muito bem e ele podia sempre contar com o auxilio dos colegas. Nas atividades em que era produzido material de apoio para este aluno ele podia sentir, montar, saber como estava montado e assim entender os conceitos. Numa atividade em que o apoio era o quadro, embora dois monitores ficassem junto para apoiar, o aproveitamento não foi tão bom.
## Minicurso Educação Inclusiva
- O minicurso Educação Inclusiva foi oferecido como curso de Verão 2010/2011 por um dos autores. Este minicurso teve como objetivo a conscientização dos futuros professores para a importância da Educação Inclusiva. O foco foram as discussões sobre as pessoas com deficiência e as possibilidades destas diante da educação inclusiva.
## CONCLUSÕES
As atividades aplicadas com os diversos grupos, considerando o interesse e a curiosidade demonstrados por parte de todos, foram muito gratificante.
As discussões e explicações com os grupos que não enxergavam foram mais fáceis, pois não necessitávamos de intermediários. Em relação ao grupo que não ouvia, nós éramos os não incluídos, pois a barreira da comunicação é muito grande.
Estas experiências nos mostraram a grandeza do desafio a que nos propomos. Nossas impressões, junto com as discussões levantadas no minicurso sobre inclusão, nos mostram o quanto temos que avançar para garantir o ensino de qualidade para todos.
A educação inclusiva tem crescido notoriamente no Brasil e nós devemos estar atentos a esse processo, para que possamos oferecer aos nossos alunos uma educação para todos.
## REFERÊNCIAS
Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. PCN: Adaptações Curriculares / Sec. Ed. Fundamental. Sec.Ed. Especial. - Brasília: MEC/SEF/SEESP, 1998.
MELO, E.S. A educação inclusiva de alunos com limitações visuais no ensino superior. Universidade Federal de Lavras, MG. 2010.
Minas. CBC Proposta Curricular: Ensino Médio. Sec. Est. Ed. MG, 2007.
SASSAKI, R.K. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 3 ed. Rio de Janeiro: WVA, 1999.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.