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FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA: ENTRE A FORMAÇÃO INICIAL E A ATUAÇÃO PROFISSIONAL

Alisson Antonio Martins, Ivanilda Higa, Nilson Marcos Dias Garcia

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
08/06/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA: ENTRE A FORMAÇÃO INICIAL E A ATUAÇÃO PROFISSIONAL

## PHYSICS TEACHERS EDUCATION: BETWEEN INITIAL EDUCATION AND PROFESSIONAL ACTIVITIES

## Alisson Antonio Martins , Ivanilda Higa , Nilson Marcos Dias Garcia 1 2 3

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UFPR/Setor de Educação/PPGE, alimartins@gmail.com 2 UFPR/Setor de Educação/PPGE e DTPEN, ivanilda@ufpr.br 3 UTFPR/PPGTE e DAFIS e UFPR/Setor de Educação/PPGE, nilson@utfpr.edu.br

## A Formação de Professores: o professor como intelectual

Reconhecendo a formação de professores como um campo de investigação de grande importância, mister se faz a compreensão teórica de muitos de seus aspectos para que se possam identificar elementos que contribuam com a sua formação inicial e atuação profissional. Neste sentido, é desejável que o debate não se limite apenas ao espaço da formação inicial, mas que se passe a compreender a atuação dos futuros docentes também como espaço formativo, considerando a necessidade de interconexão entre estes espaços.

Conforme Rockwell e Ezpeleta (1985), a escola, espaço da futura atuação dos professores em formação, resulta de uma construção social, estando imersa numa trama de múltiplas determinações sociais e inserida em um movimento histórico e social amplo, guardando com este movimento, entretanto, uma relação particular. Para essas autoras, cada escola possui particularidades que a distinguem das demais, ainda que entre si guardem semelhanças normativas no âmbito da superestrutura social, política e jurídica mais ampla.

Nesse contexto, é importante se pensar, em termos de referenciais teóricos, o papel e a formação dos professores, sujeitos do universo da escola. Nos anos 1990, as pesquisas sobre a formação de professores adotaram, entre outros, o referencial do 'professor reflexivo' (PIMENTA, 2002). Este conceito também se apresentou nas pesquisas sobre a formação de professores de Física, ainda que menos intensamente (MARTINS e HIGA, 2007). Numa outra perspectiva, Giroux (1997), apoiando-se em Gramsci (1988), propõe a noção de 'professor como intelectual', estabelecendo-se relações entre teoria e prática, desde os campos de formação inicial e de atuação profissional, na perspectiva da construção social da escola (ROCKWELL e EZPELETA, 1985) e da produção de conhecimentos pelos professores (TARDIF, 2004).

Para Giroux (1997), os professores devem ser considerados como trabalhadores intelectuais, no intuito de fortalecer a ação docente na produção de conhecimentos sobre o ensino. Em sua acepção, o professor como intelectual pode ser de diferentes tipos: adaptado, crítico, hegemônico ou transformador, dependendo das relações estabelecidas com a estrutura social e educacional. De modo geral, pode-se distinguir os intelectuais em dois grupos maiores: de um lado, os intelectuais adaptados e críticos e, de outro, os hegemônicos e transformadores. Para Giroux (1997), os cursos de formação de professores devem formar intelectuais transformadores comprometidos com a transformação das relações

entre educação e sociedade, na perspectiva de uma democracia radical emancipatória.

## A atuação profissional dos professores em formação

A grande demanda por professores para as escolas de Ensino Fundamental e Médio e a falta de concursos públicos para o suprimento das vagas decorrentes dessa demanda, são alguns dos motivos que levam à contratação de profissionais de outras áreas para exercer a atividade de docência das mais diversas disciplinas nas escolas públicas de todo o país. Do mesmo modo, de maneira geral e regular, são contratados estudantes das licenciaturas e mesmo de bacharelados, para atuarem como professores antes mesmo de concluírem a graduação, caracterizando uma situação de atuação antes de sua completa formação e obtenção da respectiva licença profissional. O caso dos professores de Física não foge à regra, sendo um dos principais campos em que essa carência é sentida.

Estudos exploratórios indicaram que os professores de Física que iniciaram a docência antes da conclusão da licenciatura procuravam estabelecer relação de sua atuação educacional prática com os conhecimentos teóricos advindos dos espaços da formação inicial. Assim, levantou-se a hipótese de que os estudantes que já atuam como professores poderiam ser interpretados como produtores de conhecimento sobre o ensino, postura derivada de suas experiências simultâneas nos espaços de formação e o de trabalho, evidenciando-se a necessidade de se compreender o que se passa na relação entre eles e que não se explicita quando se tomam estes espaços isoladamente. Com esta compreensão, foi desenvolvida uma pesquisa (MARTINS, 2008) com alunos de licenciatura em Física que já atuavam como docentes em escolas, estudando em que medida esses sujeitos poderiam ser considerados como intelectuais que produzem conhecimentos sobre sua prática, em estreita relação com a construção social da escola.

## Desenvolvimento da pesquisa: questionário e entrevista

Dentro de grupo de dezessete possíveis formandos de um curso de Licenciatura em Física, foram identificados oito estudantes que já estavam atuando como professores da rede de educação pública. Estes foram então tomados como sujeitos de pesquisa, sendo-lhes solicitado o preenchimento de um questionário que explorou questões relativas à sua formação inicial e à sua atuação em sala de aula. Dos 8 questionários, apenas 5 foram devolvidos aos pesquisadores.

A análise dos questionários possibilitou identificar elementos que relacionavam os sujeitos à noção de professor como intelectual (GIROUX, 1997). Os posicionamentos em relação aos problemas enfrentados na atuação profissional e a postura de produtores de conhecimento sobre o ensino de Física possibilitou identificar dois sujeitos com as características de intelectuais transformadores. Para aprofundar a análise, foi realizada uma entrevista semi-estruturada com esses dois sujeitos, para compreender o que os levou a adotar estes posicionamentos e como os sujeitos entendiam a sua situação de estudantes e professores.

## Conclusão e considerações finais

Os dois participantes que se aproximaram da noção de intelectuais transformadores, além de teorizar sobre o planejamento, os meios didáticos e as estratégias de ensino, colocavam-se como resolvedores dos problemas colocados

na sala de aula. Estas posturas se deram, por um lado, a partir de seu contato simultâneo com o espaço de formação e de atuação e, por outro, pela participação em projetos de pesquisa e extensão sobre o ensino de Física, indicando que o trabalho docente não se resume à transmissão cultural, ainda que, sob condições concretas, a produção de conhecimentos sobre o ensino se encontre diminuída.

Os espaços de formação e de atuação fornecem os elementos constituintes da profissão, presentes na cotidianidade (HELLER, 1972). As relações estabelecidas na escola são modificadas através da ação dos sujeitos e por meio das circunstâncias, à medida que o professor vai se apropriando dos modos de agir próprios do cotidiano escolar (ROCKWELL e EZPELETA, 1985), ampliando-se na medida em que o futuro professor possa relacionar teoria e prática no contato com estes espaços. Assim, é mister caracterizar a profissão docente não pelos aspectos que sempre estiveram presentes nela, mas através da realização gradual e contínua das possibilidades imanentes, em contato com a dinâmica da realidade social.

Conclui-se também que, apesar de não desejável e circunstancial, a prática de assumir a docência enquanto estudante indica que é saudável o relacionamento do espaço de formação inicial (na licenciatura) com o espaço da futura atuação (na escola). Nesse sentido, é desejável que na formação inicial sejam planejadas atividades, estimulada a participação em projetos de pesquisa e extensão e também fornecidas as condições necessárias, tais como estágios em instituições de ensino, para que os futuros professores ampliem suas compreensões sobre o ensino da Física, com o objetivo de estabelecer o contato com a realidade escolar, destacando a importância de suas contribuições na consolidação ou na transformação das circunstâncias em que este ocorre e para que a produção de conhecimentos pelos professores deixe de ser potencialidade e se expresse como realidade.

## Referências

GIROUX, Henry. Os professores como intelectuais : Rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. Porto Alegre, Artmed, 1997.

GRAMSCI, Antonio. Os intelectuais e a organização da cultura. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1988

HELLER, Agnes. O cotidiano e a história . São Paulo, Paz e Terra: 1972.

MARTINS, Alisson Antonio; HIGA, Ivanilda. O professor reflexivo e a formação inicial de professores de ciências: uma análise da produção recente. Atas VI ENPEC , CDROM, Belo Horizonte, ABRAPEC, 2007.

MARTINS, Alisson Antonio. A formação do professor de física entre a graduação e a atuação profissional: aprender atuando e atuar aprendendo. Dissertação (Mestrado em Educação), Curitiba, UFPR: 2008.

PIMENTA, Selma Garrido. Professor Reflexivo no Brasil : gênese e crítica de um conceito. 2002

ROCKWELL, Elzie; EZPELETA, Justa. A construção social da escola. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos , Brasília, v. 66, n. 152, p.106-119, jan/abr, 1985

TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis, Vozes, 2004.

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