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CONCEPÇÃO SOBRE O PLANEJAMENTO NUM GRUPO DE PROFESSORES EM FORMAÇÃO CONTINUADA

Cristina Leika Horiil, Jesuína Lopes De Almeida Pacca

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
08/06/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## CONCEPÇÃO SOBRE O PLANEJAMENTO NUM GRUPO DE PROFESSORES EM FORMAÇÃO CONTINUADA

## CONCEPTION ABOUT PLANNING IN A GROUP OF TEACHERS IN PROFESSIONAL DEVELOPMENT

## Cristina Leika Horiil , Jesuína Lopes de Almeida Pacca 1 2

1 USP/Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências/Instituo de Física, cristina.horii@usp.br 2 USP/Física Aplicada/Instituto de Física, jepacca@if.usp.br

Palavras-chave : Planejamento, Formação Continuada, Desenvolvimento Profissional, Professores em Atividade, Ensino de Física.

## 1) Justificativa e objetivos

Todo começo de ano, não há escola que não promova dias dedicados ao planejamento com seus professores. Mas, esses são exclusivamente burocráticos, não fazem sentido para o professor, sua realidade e o curso que ministrará. (PACCA, 1992) A nós, interessa o planejamento participativo (OTT, 1984), em que o professor pode ainda ter uma visão mais social, visando transformar a realidade. Mas, não uma realidade qualquer, média, teórica: a sua. E a sua maneira.

Tivemos acesso a um programa de Formação Continuada de professores de física atuantes na escola pública, graduados que enfrentam problemas no cotidiano da sala de aula, com alunos reais. Neste programa, os professores encontram, nas interações com seus pares e com a formadora, elementos para avaliar, criticar e analisar as práticas que desenvolvem; dessa forma são capazes de reelaborar planejamentos participativos mais adequados para atingir objetivos almejados e para melhorar sua formação e desempenho profissional.

## 2) Marco Teórico

Tanto se fala em planejamento, e exatamente pelo seu uso indiscriminado não conseguimos mais definir um. Lista de conteúdos? Roteiro? Segundo Margot OTT (1984) são três os tipos de planejamento:

Planejamento como Princípio Prático : esse tipo de planejamento é de uma tendência mais tradicional, não se preocupa em ser formal, apresentando um roteiro fixo, independente da realidade.

Planejamento Instrumental/Normativo: formato mais quadrado, mais burocrático, reforçando o ensino como transmissão. No Brasil, surgiu na década de 60 como um instrumento miraculoso, que resolveria todos os problemas educacionais e como o planejamento anterior, ainda distante da realidade sóciopolítico-econômico.

Planejamento Participativo: historicamente é fruto da resistência, que se recusou a fazer parte do sistema, e via nos planejamentos anteriores um mecanismo de reprodução.

Aqui, consciência, intencionalidade e participação são os fundamentos mais marcantes.

## 3) Metodologia e Análise de pesquisa

O Grupo Lumini é um grupo de professores em formação continuada, que há mais de dez anos vem produzindo mudanças atitudinais na realização das suas práticas específicas, em torno dos planejamentos dos professores. Com encontros semanais, o grupo consegue manter-se unido para enfrentar problemas da sala de aula, o 'update' do que cada um está trabalhando criando um ambiente propício para que o formador possa intervir e propor mudanças.

Realizamos entrevistas, semi-estruturadas, individuais, com quatro professores (dos dez) LZ, SZ, CS e RN, gravadas em áudio. A estrutura básica da entrevista abordava a descrição do planejamento antes e após a entrada no grupo, na ocorrência de mudanças, o motivo das mesmas e a importância do planejar. O intuito com esse caminho foi remeter ao que Ott, caracterizou como um planejamento participativo, ou seja, um planejamento em que 'consciência', 'intencionalidade' e 'participação' fossem discutidos. Visto que se o professor vê mudanças no planejamento e concebe o motivo, é muito mais consciente do planejar. Por observações anteriores do grupo, imaginávamos que com a descrição dos planejamento atuais, as duas últimas características seriam abordadas espontaneamente, por parte dos professores, ao contar sobre as mudanças e o planejamento atual. E de fato, como veremos a seguir, apareceram na fala dos professores.

Percebemos no planejamento anterior, mais uma sequência de conteúdos, visando orientar o professor. Sem objetivos, ou com objetivos de cumprir conteúdos, de 'dar a matéria', características de um planejamento como princípio prático.

RN Eu colocava lá uma lista de exercícios (...). Como sendo o planejamento. Eu vou lá eu coloco uma lista de exercício e o aluno vai lá faz o exercício e ele pode aprender mecanicamente. Qual o fundamento de eu colocar lá seis exercícios pra ele? Como eu fazia antes.

Mas, agora você não dá exercício?

RN Dô, mas cada exercício tem um objetivo pra mim (...). Se você não planejar, você não tem nenhum objetivo a alcançar.

Nesse último diálogo com RN percebemos a intencionalidade, nos planejamentos atuais, característica do planejamento participativo. Percebe-se como os professores adquiriram esse hábito com o grupo, o planejamento deixa de ser uma lista de assuntos; e como o objetivo é claro, há possibilidade de mudar o caminho para chegar até ele, ser flexível.

CS No começo quando eu fazia esse planejamento, eu queria seguir a risca então eu não ouvia muito o aluno. (...) Agora como eu já quero usar o que o aluno fala, daí muitas vezes eu mudo. Mas, assim, eu tenho que ter na cabeça, onde é que eu quero chegar.

Percebemos como o planejamento passou a ser pensado no e para o aluno, O que o aluno já sabe? Onde o professor quer que ele chegue? Qual o caminho que o professor pode percorrer com ele? O aluno participa desse processo. Outra característica do planejamento participativo. Esse novo modo de planejar, muda principalmente a atitude do professor frente ao aluno e seus questionamentos.

LZ A gente fazia muito na ideia: eu levo tudo, eu faço tudo, o conhecimento está comigo. (...) agora muda o foco para o aluno.

CS Mudo quando eu entrei aqui pro grupo. (...) porque eu comecei a prestar atenção no que o aluno fala, porque eu quero construir com ele a física. Ele tem as concepções dele.(...) Eu só percebia quando eu voltava pra casa e

voltava pro planejamento. Nossa o aluno falou isso e eu não aproveitei naquele momento, porque eu não percebia. (...) A formadora faz muito isso, o que você fala ela aproveita ou o que você conta. (...) Ela pega no ar.

Como é um planejamento que está preocupado que o aluno aprenda e não no que o professor vai falar, por mais que se façam previsões, o aluno é outra pessoa e por isso mesma ele pode pensar algo que o professor não imaginava, cabe ao professor ouví-lo para continuar com ele. E como o professor passou a ouvir seu aluno? A fala de CS é clara, com os questionamentos da formadora a respeito dos acontecimentos em sala de aula, ela volta à atenção do professor para o aluno. A discussão da formadora com os professores é construída através das falas dos próprios professores, quase que numa demonstração que é possível ouvir o seu aluno e incluí-lo no processo.

Em especial, a clareza desses professores sobre o planejamento que fazem hoje, atrelado as críticas ao antigo, mostra a consciência que têm sobre o planejar.

## 4) Conclusões

O motivo pelo qual o professor planeja é outro, mais consciente; deixa de ser uma sequência de tópicos a ser abordados por ele, para o aprendizado do aluno. O planejar passa de uma ação para uma atividade LEONTIEV (2001).

- O planejamento deve ser concretamente o instrumento pedagógico imprescindível na atuação profissional, que, tendo objetivos bem definidos, guarda particularidades e especificidades de acordo com os usuários e as condições de sua utilização.

PACCA (1992) p.42

E com isso a atitude do professor muda, passa a escutar e valorizar a fala do aluno. Deixa de ser um monólogo para se tornar um diálogo, assim mais participativo, e por isso é mais flexível. Percebemos nesse planejamento participativo, de Ott, feito pelos professores do grupo Lumini, características do que ZEICHNER(1993) aponta como as de professores reflexivos, 'abertura de espírito' para que com os questionamentos contínuos admitam o erro em seus planejamentos; a 'responsabilidade', que vê em cada um ato planejado uma conseqüência; e a 'sinceridade' que admite que numa escola real, com alunos reais, nem sempre, o planejamento se encaminha como o desejado.

## 5) Referências

LUMINI, Site do Grupo Lumini http://fap.if.usp.br/~lumini/

LEONTIEV, A.N. Uma contribuição à teoria do desenvolvimento da psique infantil . In: VIGOTSKII, L.S., LURIA, A.R. & LEONTIEV, A.N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. 9ª ed. São Paulo: Ícone, 2001.

OTT, Margot. Planejamento de aula: do circunstancial ao participativo. I n. Planejamento e participação Revista de Educação da AEC, n. 54. Brasília: AEC, 1984.

PACCA, J.L.A. O profissional de educação e o significado do planejamento escolar: problemas dos programas de atualização. Rev. Bras. Ens. Fís. v.14(1), 1992, 39-42.

ZEICHNER, K.M. A Formação reflexiva de professores: idéias e práticas. Lisboa: Educa. 1993

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