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AS CONCEPÇÕES DOS PROFESSORES SOBRE A INSERÇÃO DE FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA NO ENSINO MÉDIO

Ana Paula Grimes De Souza, Ivani Teresinha Lawall, Jonathan Tomas De Jesus Neto

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
08/06/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## AS CONCEPÇÕES DOS PROFESSORES SOBRE A INSERÇÃO DE FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA NO ENSINO MÉDIO

## TEACHERS ' CONCEPTIONS ABOUT THE INSERTION OF MODERN AND CONTEMPORARY PHYSICS IN HIGH SCHOOL

Ana Paula Grimes 1 , Ivani Lawall , Jonathan T. de J. Neto 2 3

1

UDESC/DFIS/Bolsista PIBIC/ anagrimes@hotmail.com

2

UDESC/DFIS/ ivani@joinville.udesc.br

3

UDESC/DFIS/Bolsista PIBIC/

jonathan.neto@hotmail.com

## Justificativa e Objetivos

Durante a elaboração e implementação de propostas sobre os tópicos de Física Moderna e Contemporânea (FMC) no Ensino Médio (EM), percebeu-se que algumas modificações eram realizadas pelos professores, buscando adaptações, adequações e reorientações em função de suas realidades escolares. Ou seja, o professor interagiu e negociou com a inovação, explícita ou tacitamente, rejeitando ou modificando aspectos da proposta, da maneira que julgou mais apropriada para as necessidades de suas classes e alunos (Pinto, Couso e Gutierrez, 2005), de modo a se tornarem, de fato, saberes escolares.

Contudo, cada transformação é distinta, pois está relacionada ao conhecimento e às concepções que o professor tem sobre os aspectos do ensino e da aprendizagem e, ainda, às suas concepções de Ciência, que podem ser oriundas de sua experiência acumulada ao longo dos anos de profissão.

A proposta desse trabalho é contribuir para esclarecer o papel do professor no contexto da atualização curricular, por meio da inserção da FMC na sala de aula do EM. Nesse cenário, o objetivo da pesquisa é buscar delimitar os aspectos referentes à prática e à formação do professor na inserção da Física Moderna e Contemporânea, como as concepções, atitudes e comportamentos que tanto o influenciam no momento dessa inserção.

## Marco Teórico

Segundo Tardif (2002) o desenvolvimento do saber profissional é associado tanto às suas fontes e lugares de aquisição quanto aos seus momentos e fases de construção. Acredita-se que estes diferentes fatores podem ser levados em conta ao analisar um grupo de professores que se insere dentro de um projeto de inovação de conteúdos no currículo de Física de escolas brasileiras.

Nas transformações dos saberes dos programas para a sala de aula, pelo menos em uma das passagens desse processo de transformação, há um predomínio de valores didáticos, pois agora a finalidade dessa transposição está voltada para o trabalho do professor em sua prática diária, tornando-o um dos principais agentes desse processo (Chevallard, 1991). Por isso, torna-se importante

investigar a prática do professor em momentos de inovação curricular, porque nesse momento os riscos, desafios e dificuldades se tornarão latentes. Ou seja, ao mesmo tempo em que a Transposição Didática focaliza as transformações dos saberes e sua operacionalização para sua inserção na sala de aula como um saber a ensinar, é preciso considerar a formação do professor e a capacidade de transformar suas práticas profissionais em objetos de investigação, assegurando uma reflexão de suas experiências que supere o mero acúmulo de realizações.

## Metodologia e Análise da Pesquisa

Em 2008 foi aprovado um projeto que tem por objetivo contribuir para a atualização e a melhoria do ensino-aprendizagem de Física, com particular atenção aos conteúdos de Física Moderna e Contemporânea. O projeto consiste em cursos de formação continuada direcionados aos professores da rede pública. Esses professores estão sendo formados por meio de atividades presenciais e à distância, colaborando na adequação e ampliação dos materiais de ensino já produzidos.

São oferecidos aos professores três cursos: Linhas Espectrais, Relatividade e Partículas Elementares. Na primeira edição do projeto participaram 80 professores da rede pública, que foram divididos entre os três cursos. Já na segunda edição, participaram 79 professores, dos quais, 35 já haviam participado da primeira edição do projeto.

Os dados analisados nesse trabalho foram obtidos por meio de questionários respondidos no primeiro dia dos cursos de formação. Foram analisados apenas os professores que participaram do projeto pela primeira vez, totalizando 124 professores.

Como forma de caracterização de cada um dos professores, convencionou-se uma sigla de referência para os mesmos, citada aqui como: P1, P2, P3, P4......P124. Em relação a formação desses professores cursistas, constatou-se que 62% são formados em Física, 23% em Matemática, 8% em Ciências e 7% em outras áreas.

A partir da análise das respostas dos professores à questão 'O que você pensa sobre a inserção de conteúdos de Física Moderna e Contemporânea (FMC) no Ensino Médio?', constatou-se que todos os professores mostraram-se a favor dessa proposta. Os termos mais citados foram 'Importante', 'Necessária' e 'Essencial', como se pode observar na resposta do professores P19, P47 e P66.

P19 -'Muito importante para o entendimento do aluno no avanço da tecnologia.'

P47 -'Acho necessária devido às evoluções tecnológicas.'

P66 -'Penso que inserir tópicos de Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio é essencial (...) além do mais, é necessário levar ao aluno o conhecimento da física como sendo decorrente do desenvolvimento humano, e que as teorias não são verdades absolutas que não podem ser mudadas.

Alguns professores complementaram suas respostas apresentando justificativas para a inserção desses conteúdos em sala de aula. Dentre as respostas obtidas, destaca-se que 53,8% dos professores cursistas, acreditam ser importante ensinar FMC em sala de aula por ela estar presente no dia-dia dos estudantes e nas tecnologias que os cercam. Apenas 17% apontam a relevância desses temas para a formação dos alunos e 12,2% citam a importância do estudante compreender a

evolução da Ciência. O restante dos professores (17%) apontaram outras justificativas.

Os professores também foram questionados sobre tentativas de implantar FMC nas salas de aula do EM. Dentre os professores cursistas, 57% responderam que já tentaram abordar alguns conteúdos relativos à FMC. Quando perguntados em relação às dificuldades encontradas nesse processo, os professores apontaram a falta de material adequado, a falta de conhecimento do conteúdo e a falta de tempo para preparação e execução das aulas, como os principais obstáculos para implementar essa proposta em sala aula..

## Conclusões

Ao analisar as concepções dos professores sobre a inserção de FMC no EM, percebeu-se nas respostas da maioria destes uma visão simplista a respeito da implantação desses conteúdos em sala. Acredita-se que seja necessário que o professor compreenda o verdadeiro significado de abordar esses conteúdos no EM, pois a FMC vai muito além de uma mera curiosidade, ela explica fenômenos que a Física Clássica não explica, é responsável pelo atendimento de novas necessidades que surgem a cada dia e principalmente constitui uma nova visão de mundo (Pinto & Zanetic, 1999).

Outro aspecto que merece destaque nessa pesquisa é que apesar das várias dificuldades encontradas para implantar FMC no Ensino Médio, mais da metade dos professores cursistas (57%) já tentaram abordar esses conteúdos em classe. No entanto, há necessidade, principalmente, da produção de novos materiais que englobem esses conteúdos e/ou que os materiais já produzidos cheguem ao alcance desses professores. Destaca-se também a necessidade de reorganizar esses conteúdos ao longo dos três anos do EM, para que estes não sejam prejudicados pela pequena carga horária da disciplina. E por último, ressalta-se a importância da capacitação dos professores, seja na formação inicial ou continuada, para implementação efetiva dessa proposta.

## Referências

CHEVALLARD, Yves. La Transposicion Didactica: Del saber sabio al saber enseñado . Argentina: La Pensée Sauvage,1991.

PINTO, A.C., ZANETIC, J. É possível levar a física quântica para o ensino médio? Caderno Catarinense de Ensino de Física , Florianópolis, v.16, n.1, p.7-34, abril 99.

PINTÓ, R; COUSO, D.; & GUTIERREZ, R. Using research on teachers' transformations of innovate ons to inform teacher education. The case of energy degradation. Science Education. v.89, n.1, p.38-55, jan. 2005.

SHULMAN, L. S. Those who understand: knowledge growth in teaching. Educational Researcher, v. 15, n. 2, p. 4-14. 198.

TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. 2. Petrópolis: Vozes, 2002.

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