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EDUCAÇÃO EM ASTRONOMIA: ATIVIDADES EXPERIMENTAIS E A CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA NA FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES

Tais Rodolfo De Almeida, Rodolfo Langhi, Hamilton Perez Soares Correa

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
08/06/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## EDUCAÇÃO EM ASTRONOMIA: ATIVIDADES EXPERIMENTAIS E A CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA NA FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES

## ASTRONOMY EDUCATION: EXPERIMENTAL ACTIVITIES AND THE AUTONOMY CONSTRUCTION IN CONTINUING TEACHERS EDUCATION

## Tais Rodolfo de Almeida¹, Rodolfo Langhi², Hamilton P. S. Correa 3

- 1 Licencianda do curso de Física. Departamento de Física. Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. UFMS, Campo Grande. Programa Casa da Ciência. Apoio: CEX/PREAE/UFMS. [e-mail: taisrdealmeida@gmail.com]
- 2 Professor Adjunto. Departamento de Física. Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências. UFMS, Campo Grande. Programa Casa da Ciência. Apoio: CEX/PREAE/UFMS. [e-mail: rodolfo@dfi.ufms.br]
- 3 Professor Adjunto. Departamento de Física. Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. UFMS, Campo Grande. Programa Casa da Ciência. Apoio: CEX/PREAE/UFMS. [e-mail: hpsoares@gmail.com]

Palavras-chave: Educação em Astronomia, Projeto Eratóstenes Brasil, formação de professores, autonomia docente, atividades experimentais.

## 1) Justificativa e objetivos

Resultados de pesquisas sobre Educação em Astronomia apontam para a existência de obstáculos a serem superados no ensino de Física, os quais são sintetizados nos três itens seguintes: difusão em massa de concepções de senso comum (concepções alternativas) referentes aos fenômenos astronômicos; falhas durante a formação do professor em conteúdos básicos de Astronomia; erros conceituais de Astronomia em livros didáticos (LANGHI, 2009). Além disso, a interdisciplinaridade da Astronomia e as orientações contidas nos PCN para o ensino deste tema (BRASIL, 1998) são fatores adicionais que justificam o presente estudo, cujo foco manteve-se no âmbito das atividades experimentais para o ensino de Astronomia. De fato, conforme Araújo e Abib (2003), a literatura nacional recente mostra que os pesquisadores têm apontado para a importância do uso das atividades experimentais como uma das estratégias de ensino mais frutíferas para se minimizar as dificuldades de se aprender e de se ensinar Ciências e Física, e na intenção de mobilizar o interesse do aluno, o que se aplica diretamente ao ensino da Astronomia, uma vez que ela possui uma forte componente observacional e prática. Analisando artigos cujos autores contemplaram o uso de atividades práticas para o ensino, Araújo e Abib (2003) mostram que, das 92 publicações com este tipo de abordagem (abrangendo várias áreas da Física), a Astronomia é uma das menos encontradas: três publicações. Uma das importantes considerações sobre as atividades experimentais apresentadas por Araújo e Abib (2003) e Gioppo, Scheffer e Neves (1998) é a de que não há contribuição efetiva no uso de kits , roteiros prontos, procedimentos fechados e mensuração de resultados experimentais já esperados, uma vez que não contempla a autonomia do professor e do aluno no processo de ensino-aprendizagem.

É neste contexto que nossa questão de investigação foi estudada: quais elementos contribuem para a construção da autonomia docente na elaboração e execução de atividades experimentais para o ensino de Astronomia? Objetivou-se, assim, desenvolver e aplicar ações de formação continuada para professores em relação à construção de sua autonomia para o planejamento e execução de atividades experimentais voltadas para o ensino de tópicos de Astronomia fundamental. Desenvolvemos esta pesquisa no contexto do Projeto Eratóstenes

Brasil, vinculado ao Programa Casa da Ciência da UFMS, com o apoio da Coordenadoria de Extensão, Cultura e Desporto, da Pró-reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis (CEX/PREAE/UFMS).

## 2) Marco Teórico

Fundamentamos nossa investigação principalmente nos conceitos de autonomia docente, conforme apresentados por Contreras (2002). Segundo este autor, a autonomia profissional possui diferentes significados, pois suas concepções definem-se em função de três modelos de profissionalidade docente: 1) autonomia como status ou como atributo; autoridade unilateral; autonomia ilusória; 2) autonomia como responsabilidade moral própria, levando em consideração os diferentes pontos de vista; 3) autonomia como emancipação: liberação profissional e social das opressões; consciência crítica; autonomia como processo coletivo. Assim, Contreras (2002) deixa claro a importância da reflexão do professor, voltada para a construção de si mesmo enquanto um intelectual crítico e transformador, sendo uma prática social. De fato, segundo Zeichner (1993), o desenvolvimento dos professores só pode ocorrer rejeitando-se a ideia individualista de reflexão, e incentivando-os a envolverem-se coletivamente para a construção da autonomia, contrariamente ao modelo da racionalidade técnica, normalmente presentes em roteiros fechados de atividades experimentais e de laboratórios didáticos.

## 3) Metodologia e Análise de pesquisa

A pesquisa foi desenvolvida durante episódios de formação continuada com uma amostra de professores participantes do Projeto Eratóstenes, envolvendo escolas do território nacional na elaboração autônoma de atividades experimentais para a realização da medida do raio da Terra, cujos procedimentos assemelham-se aos que o grego Eratóstenes utilizou para medir as dimensões do planeta Terra. As escolas brasileiras participantes representaram os seguintes estados: Maranhão, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul (outros países da América do Sul também participaram). Para a coleta de dados e a emergência dos discursos dos professores, utilizamos os procedimentos de discussões em grupo, conhecida por grupo focal (GIOVINAZZO, 2001), tendo como referencial de análise a vertente francesa da Análise de Discurso, divulgada por Orlandi (2002). Contatos foram mantidos com os participantes (presencialmente e por e-mail), os quais deveriam planejar e elaborar uma atividade experimental que permitisse aos seus alunos medirem o raio da Terra com o uso de um gnômon no instante do meio-dia solar do solstício de inverno. Não eram fornecidos roteiros fechados do tipo 'receita pronta' (da racionalidade técnica) para esta atividade experimental, dependendo em grande parte, da autonomia docente na execução da mesma. Duas escolas distantes de, no mínimo, 400 km entre si trocavam dados de suas medidas e calculavam o valor final, com o uso das TIC.

Assim, a análise dos excertos dos discursos da amostra, obtidos por grupo focal com uma amostra presencial e pelos contatos por e-mail com os professores de escolas distantes, levou-nos a elencar os seguintes elementos que contribuíram para a construção de sua autonomia docente, segundo os níveis apresentados por Contreras (2002), ao elaborar e aplicar, coletivamente e reflexivamente, as atividades experimentais para o ensino de Astronomia: observações sistemáticas do céu e dos movimentos aparentes dos astros (neste caso, o Sol); aproveitamento do potencial interdisciplinar da Astronomia; consideração contínua das concepções

alternativas dos alunos durante a execução da atividade; abordagem de aspectos da História e Filosofia da Ciência; utilização das TIC no ensino e em atividades didáticopedagógicas, mediante o contato direto entre escolas distantes entre si, de mesma língua ou não; envolvimento de professores, alunos e escolas do Brasil e de outros países em atividades didáticas colaborativas sob um contexto comum históricofilosófico (neste caso, Eratóstenes); socialização de resultados entre comunidades escolares distintas e distantes entre si, através da utilização das TIC; atuação articulada entre a comunidade escolar e a universidade.

## 4) Conclusões

Considerando a problemática acima apontada, o presente estudo envolveu o estabelecimento de relações principalmente entre escolas brasileiras, através de uma atividade didática realizada de modo simultâneo e conjunto em todo o país (e outros países), através da utilização das TIC no ensino e do intercâmbio de experiências e ideias, sob o modelo formativo dialógico-reflexivo de construção coletiva da autonomia docente, em torno da elaboração, execução e análise de um experimento semelhante ao que Eratóstenes usou há cerca de 2.300 anos, num resgate histórico-filosófico da Ciência. Portanto, os elementos contribuintes para a construção da autonomia docente em atividades experimentais para o ensino de Astronomia, encontrados nos resultados desta pesquisa, contribuem para o crescente debate sobre o papel da Astronomia introdutória nas instituições formadoras de professores, a fim de aproximar esta ciência do ensino formal escolar enquanto tema (não simplesmente um conjunto de conteúdos), numa tentativa de aprimorar a formação dos professores e dos estudantes.

## 5) Referências

ARAÚJO, M. S. T.; ABIB, M. L. V. S. Atividades Experimentais no Ensino de Física: Diferentes Enfoques, Diferentes Finalidades. Revista Brasileira de Ensino de Física , vol. 25, no. 2, p.176-194. Junho, 2003.

BRASIL. Secretaria de Educação Média e Tecnologia. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental - ciências naturais . Brasília: MEC/SEMTEC,1998.

CONTRERAS, J. A autonomia de professores . São Paulo: Cortez, 2002.

GIOPPO, C.; SCHEFFER, E. W. O.; NEVES, M. C. D. O ensino experimental na escola fundamental: uma reflexão de caso no Paraná. Educar em Revista , n. 14, p.39-57, 1998.

GIOVINAZZO, R. A. Focus group em pesquisa qualitativa - fundamentos e reflexões. Revista Administração on line . Fecap. V. 2, n. 4, out/nov/dez, 2001. Disponível em: <http://www.fecap.br/adm\_online/ > Acesso em: dez/2001.

LANGHI, R. Astronomia nos anos iniciais do ensino fundamental: repensando a formação de professores . Tese de doutorado em Educação para a Ciência, UNESP, Faculdade de Ciências, Bauru, 2009. Disponível em: <http://sites.google.com/site/proflanghi/tese>. Acesso em dez. 2009.

ORLANDI, E. P. Análise de discurso - princípios e procedimentos. 4º ed. São Paulo: Pontes, 2002.

ZEICHNER, K. A formação reflexiva de professores: idéias e práticas . Lisboa: EDUCA, 1993.

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