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CONCEPÇÕES DE ALUNOS SOBRE A COR APARENTE DO SOL

Juliana Alves Da Silva Ubinski, Daniel Iria Machado

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
08/06/2011
Linha de pesquisa
Ensino / Aprendizagem / Avaliação Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## CONCEPÇÕES DE ALUNOS SOBRE A COR APARENTE DO SOL CONCEPTIONS OF STUDENTS ABOUT THE APPARENT COLOR OF

## THE SUN

## Juliana Alves da Silva Ubinski , Daniel Iria Machado 1 2

1 Unioeste, juliana\_ubinski@hotmail.com 2 Unioeste, dpedm@uol.com.br

## Introdução

De acordo com a teoria de Ausubel (2003), é essencial considerar as ideias prévias existentes na estrutura cognitiva dos alunos, pois estas são determinantes na aprendizagem subsequente. Tal premissa não deixa de ser relevante no caso de conceitos físicos e astronômicos. Os estudantes chegam às aulas de Ciências com diversos conceitos, que podem não coincidir com a ideia a ser ensinada. As ideias não-científicas dos alunos, também denominadas concepções alternativas, podem ser bem resistentes à mudança e ainda atuar como um obstáculo à aprendizagem escolar (DRIVER, 1989).

Pelo fato de o Sol ser o astro mais influente sobre a vida na Terra e ser constantemente retratado por alunos de diferentes faixas etárias, foi escolhido como base para a investigação relatada neste trabalho. Mediante uma pesquisa de campo, objetivou-se caracterizar o conhecimento e as concepções de 69 estudantes de uma escola pública a respeito das cores exibidas pelo Sol e sua modificação ao longo do dia. Buscou-se também avaliar o amadurecimento científico dos participantes e verificar a persistência, ao longo das séries, de concepções alternativas em relação à variação da cor aparente do disco solar desde o nascer até o pôr do Sol.

## A Cor do Sol

Ao amanhecer e ao entardecer, o Sol nos proporciona um espetáculo de luz e cores que deixa maravilhados seus espectadores, incluindo as crianças, as quais muitas vezes retratam esse fenômeno em seus desenhos. O Sol, normalmente representado em amarelo, é ilustrado em vermelho-alaranjado quando está nascendo ou se pondo. O Sol é visto mais avermelhado nesse período devido ao espalhamento seletivo da radiação solar pela atmosfera. Em tais horários, o Sol encontra-se mais próximo ao horizonte, e seus raios atingem a Terra num ângulo mais agudo, ficando mais longe de nós e atravessando uma camada mais espessa da atmosfera. Neste caso, quase toda a porção de azul é espalhada antes de se aproximar da superfície da Terra, ocorrendo o mesmo com a luz verde. Logo, na luz que atinge a superfície terrestre nesses horários predominam as cores amarela, alaranjada e vermelha. Dentre elas, a de maior comprimento de onda é a vermelha, primeira a surgir ao amanhecer e última a desaparecer ao entardecer (FIGUEIREDO; PIETROCOLA, 1997; HEWITT, 2002). Outros fatores como o número de partículas de poeira em suspensão na atmosfera, a quantidade de vapor d'água na atmosfera e a poluição também interferem na cor aparente do Sol (HEWITT, 2002).

## Desenvolvimento da Pesquisa

Para a realização da investigação, foram convidados alunos do segundo ciclo do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de um colégio estadual da cidade de

Cascavel, no Estado do Paraná. A amostra foi composta de 30 alunos do Ensino Fundamental, sendo 10 alunos da 6 série, 11 alunos da 7 série e 9 alunos da 8 série, a a a além de 39 alunos do Ensino Médio, sendo 17 alunos do 1 ano, 8 alunos do 2 ano e o o 14 alunos do 3 ano. Os alunos do Ensino Fundamental estudavam no período veso pertino e os alunos do Ensino Médio estudavam no período matutino.

Foram apresentados slides com diferentes imagens do Sol ao amanhecer e ao entardecer, por meio da TV pendrive e, em seguida, cada aluno recebeu uma folha com a seguinte questão: ' Nas primeiras horas do dia podemos observar que o Sol apresenta uma coloração avermelhada. Com o passar das horas, a cor vai ficando mais clara, passando por tons amarelados, até ficar praticamente branco. Em seguida, a coloração do Sol passa pelas mesmas escalas de cores, voltando para o avermelhado, cada vez mais escuro, até não poder mais ser visualizado por nós. Explique esse fenômeno'.

## Concepções dos Estudantes

Examinando-se os dados obtidos, fez-se, conforme a concepção predominante evidenciada pelos estudantes, a classificação das respostas em 11 grupos, as quais emergiram durante a análise.

Eis os grupos com exemplos de respostas dos estudantes: A) Vontade / interferência divina: 'Tudo isso ocorre porque Deus quer'; B) Ilusão de ótica: 'De acordo com a inclinação da Terra, os raios solares incidem em linhas paralelas constantes sobre um ponto, não onde estamos. Com o passar do tempo, os raios se tornam paralelos sobre toda a face iluminada, dando-nos a impressão de que sua cor mudou, mas isso é ilusão de ótica'; C) Movimento relativo entre a Terra e o Sol: 'Por causa da rotação da Terra vai ficando mais alaranjado em um lado dela e no outro vai ficando mais fraco' ; D) Fuso horário em diferentes regiões do planeta: 'Porque o Sol quando está começando a aparecer, na outra cidade está acabando'; E) Variação da trajetória dos raios solares: 'Porque de manhã e à tarde o Sol não se reflete diretamente na Terra e nos outros horários se reflete diretamente na Terra e por isso fica mais forte a sua luminosidade'; F) Sombra projetada pela Terra sobre o Sol: 'É porque quando ele está bem no alto não é pego sombra nele, da Terra, e quando ele está baixo pega'; G) Variação de propriedades intrínsecas ao Sol: 'O Sol ainda vai se aquecer, por isso ele está alaranjado e conforme o dia passa o Sol aquece mais e mais, e no fim da tarde e o início da noite o Sol volta a se desaquecer e com isso volta a ficar laranjado' ; H) Diferentes graus de exposição do disco do Sol: 'Como o Sol está surgindo aos poucos, sua cor está alaranjada, porque seu brilho só aparece quando o observamos inteiro. A mesma coisa quando desaparece: seu brilho está enfraquecendo' ; I) Ocorrências na atmosfera: 'Acredito que como o ar é poluído nas cidades é mais pesado que o oxigênio atmosférico. Assim, quando o Sol surge ou desaparece no horizonte, sua luz chega mais fraca. Essa luz alaranjada é explicada porque as luzes laranjas são mais fracas do que o Sol' ; J) Cor alaranjada do Sol: 'Eu acho que é porque quando vemos em filmes ou pesquisamos podemos ver que ele é todo laranjado no espaço' ; K) Respostas confusas e/ou desarticuladas: 'Porque o Sol emite uma luz branca que conforme a Terra se movimenta ele muda de cor graças ao reflexo das galáxias'.

No gráfico abaixo, indica-se o percentual de respostas verificado em cada grupo de análise. Os grupos com respostas mais frequentes foram os designados por C (24,6%) e G (18,8%).

Gráfico. Frequência das respostas dos alunos de acordo com a classificação.

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Analisando os dados obtidos quanto ao tipo de conhecimento manifesto pelos participantes da pesquisa, pôde-se constatar o predomínio das ideias de senso comum nas respostas da maior parte dos alunos. O senso religioso também compareceu, mas em proporção reduzida. O conhecimento científico esteve presente em várias respostas, porém de maneira incompleta ou confusa, indicando o desconhecimento dos alunos quanto à explicação apropriada para a variação da cor aparente do Sol ao longo do dia.

## Considerações Finais

Os resultados obtidos fornecem um indicativo, mesmo que parcial, da qualidade do ensino de Astronomia que, embora não constitua uma disciplina específica da Educação Básica, possui conceitos cujo tratamento é previsto em Ciências e Física e, dado seu caráter interdisciplinar, pode comparecer associada a questões de outras matérias escolares. Nas respostas dos alunos, ao longo das séries, estiveram presentes noções não-científicas ou a distorção do conhecimento científico. Mesmo os alunos do segundo ano do Ensino Médio, que haviam estudado conceitos de luz e cores na disciplina de Física no semestre da realização da pesquisa, não conseguiram relacionar adequadamente esse conteúdo com o fenômeno a respeito do qual foram indagados. Uma vez que o aluno traz consigo concepções próprias sobre determinados temas, nem sempre é fácil conduzi-lo a uma compreensão científica, pois as novas informações, ao interagir com as noções prévias, podem produzir concepções equivocadas, ou mesmo ser descartadas se não for possível relacioná-las apropriadamente à estrutura cognitiva.

## Referências

AUSUBEL, D. P. Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano, 2003 .

DRIVER, R. Students' conceptions and the learning of science. International Journal of Science Education, [s.l], v. 11, n. 5, p. 481-490, 1989.

FIGUEIREDO, A.; M. PIETROCOLA. Luz e cores . São Paulo: FTD, 1997.

HEWITT, P. G. Física conceitual. 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.