Proposta para o estudo do movimento na educação de jovens e adultos
Rolsden Souto Sousa, Armando De Mendonça Maroja
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 08/06/2011
- Linha de pesquisa
- Ensino / Aprendizagem / Avaliação Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## PROPOSTA PARA O ESTUDO DO MOVIMENTO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
## PROPOSAL FOR THE STUDY OF THE MOVEMENT FOR YOUTH AND ADULT EDUCATION
Rolsden Souto Sousa 1 , Armando de Mendonça Maroja 2
1 Fundação Educacional do DF/Escola Classe Paraná, rolsden@gmail.com
2 Faculdade UnB Planaltina/Curso de Ciências Naturais, amaroja@unb.br
## Justificativa e objetivos
O ensino de Física na educação de jovens e adultos (EJA) é um desafio tanto para os jovens professores recém chegados ao sistema educacional quanto para professores experientes. Os alunos da EJA são jovens que não tiveram acesso ou continuidade dos estudos no ensino fundamental e médio na idade própria (LDB, 1996). As turmas são heterogêneas não só em relação à faixa etária, mas também aos pré-requisitos de matemática e compreensão de textos, imprescindíveis para o desenvolvimento dos temas de Física. O presente trabalho tem como afirmativa trazer os resultados da aplicação de uma proposta de ensino do estudo do movimento dos corpos na EJA. A proposta foi construída através de um conjunto de aulas que incluem atividades que utilizaram: a experimentação, a informática, o vídeo e a leitura. O objetivo das aulas é proporcionar um ensino de física na EJA contendo um sentido real para os alunos, com sua participação efetiva, contextualizado e com a preocupação de aumentar a interação aluno-aluno e professor-aluno. A proposta promove um ensino mais significativo, para que os alunos sintam-se mais confiantes e, de acordo com os PCN, cria a possibilidade de um aprendizado útil à vida e ao trabalho (BRASIL, 1998), no qual a informação, o conhecimento, as habilidades e os valores desenvolvidos sejam instrumentos reais de percepção, interpretação e desenvolvimento pessoal ou de aprendizado permanente.
## Marco teórico
O ensino tradicional de Física tem como material básico o livro didático. O conteúdo programático extenso não é comportado pelo número de aulas semanais destinados à disciplina física. Muitas vezes, a apresentação do conteúdo ocorre através da substituição de números em fórmulas, sem nenhuma contextualização, sem significado real para os alunos, que não percebem de onde vem e qual a utilidade de tantas fórmulas. Dessa forma, os alunos não conseguem ver a aplicação da Física no auxilio de questões do dia a dia. Assim, é urgente diversificar os métodos de ensino com o uso do computador, de demonstrações em sala, de experimentos, leituras, etc., necessários para retirar a física da lista de disciplinas indesejáveis pelos alunos, elevando-a a uma posição de cumprir os objetivos do PCN de formação de um cidadão crítico e independente.
Nesse sentido, as metodologias da informação e da comunicação ganham importância como recurso pedagógico a serviço do professor, pois possibilitam o desenvolvimento de processos de aprendizagem, diversificando e facilitando os métodos de ensino. Favorecem o surgimento de novas linguagens e sintaxes que podem ser postos a serviço da humanização e da educação de sujeitos (BRASIL, 2008, p. 17-18).
Assim, de um lado temos as simulações computacionais que contribuem para o ensino de Física, pois permitem além das animações uma vasta classe de metodologias, do vídeo à realidade virtual (MEDEIROS, 2002). Do outro, existem pesquisadores que defendem que a leitura também deve fazer parte do currículo da educação escolar em ciência, não apenas como instrumento, mas como prática, um hábito inerente ao aluno. Defende ainda que os alunos jovens e adultos necessitam de práticas educativas distintas daquelas que os excluíram do ambiente escolar, segundo Silva (2004, p. 70):
O uso de diferentes recursos como softwares, internet, imagens, experimentos e textos contribuem para as práticas pedagógicas. O texto escrito é um dos elementos fundamentais da mediação escolar. A leitura não é exercida apenas como um modo de organização dos conceitos científicos, mas como uma maneira de construir, organizar e ampliar as interações existentes entre o professor, alunos e a comunidade escolar.
De igual modo, a experimentação também consiste numa importante ferramenta para o ensino de física na EJA, tornando-o mais significativo, auxiliando na fixação e na contextualização dos conteúdos, contribuindo para que o aluno tenha autonomia, possibilitando uma aproximação maior entre o professor e o aluno, permitindo que este constate que a ciência está presente em seu dia a dia. (ALVES e STACHAK, 2002).
## Metodologia e análise da pesquisa
A proposta foi aplicada em uma escola de ensino médio de Planaltina-DF para 106 alunos do 1° ano, na modalidade EJA do período noturno. As quatro aulas programadas contemplavam a discussão dos conceitos básicos do movimento dos corpos. Na primeira aula, os alunos realizaram medidas de tempo e de distância percorrida pelos colegas em uma quadra de esportes, determinando grandezas como deslocamento e velocidade média. Os resultados foram confrontados com os da segunda aula, onde os alunos realizaram a leitura e análise de infográficos de reportagens sobre o desempenho dos recordistas mundiais Usain Bolt e César Cielo na olimpíada de 2008. Na terceira aula, com o uso de vídeo e de experimentação, foi 'comprovado' que o tempo de queda de corpos é independente da massa, apesar da descrença de alguns alunos. Na aula final estava planejado o uso de simulações sobre os assuntos discutidos nas aulas anteriores, fazendo um fechamento dos conceitos. Por motivos de ordem técnica a última aula não foi realizada. A seguir apresentamos alguns dos resultados.
A fim de verificar a efetividade proposta, foram aplicados questionários antes e depois das aulas para os alunos e para o professor. No questionário inicial surpreendentemente 52% dos alunos disseram 'gostar de estudar Física' e outros 33% 'dependendo do conteúdo', apesar de 63% afirmarem que uma das dificuldades é 'decorar fórmulas'. Os alunos consideraram como 'aula ideal', as metodologias envolvem experimentos com a participação da turma, demonstrando o
desejo de ser autor da própria prática, ou seja, sujeitos ativos que constroem o próprio conhecimento e não apenas o recebem pronto e acabado.
Depois das atividades, o questionário mostrou que a grande maioria dos alunos aprovou as aulas. Quando solicitada 'sua opinião sobre as aulas destacando pontos positivos e ou negativos', não ocorreram comentários destacando pontos negativos, 29% responderam 'deveria ter mais aulas com esse tipo de metodologia para que houvesse melhor compreensão dos conteúdos' enquanto 36% 'gostei muito das aulas, mas não consigo aprender/entender Física'. Assim, apesar de gostar de física os alunos têm dificuldade em compreender a disciplina. Portanto, novas metodologias de ensino de física são importantes, mas têm de ser acompanhadas de esforços de melhorar base de conhecimento dos alunos.
Já o professor mostrou, no primeiro questionário, que tem experiência e está ciente que alunos jovens e adultos necessitam de práticas educativas distintas daquelas que os excluíram do ambiente escolar. Ao final, o professor aprovou a proposta de aulas com nota 4 em 5 e mostrou interesse em utilizar as aulas desenvolvidas nos próximos semestres.
## Conclusões
A aprovação das aulas utilizando experimentação, leitura e vídeo pelos alunos e a disposição do professor em repetir as aulas nos semestres seguintes, mostra que o objetivo principal da proposta foi atingido: a inclusão de novas metodologias de ensino torna a Física na EJA mais atraente e mais significativa, incentivando a inovação das práticas educativas e maior participação dos alunos como construtores do próprio conhecimento.
## Referências
ALVES, C. V.; STACHAK, M. A importância de aulas experimentais no processo ensino aprendizagem: 'eletricidade'. XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física, Rio de Janeiro, 2005.
LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LDB/1996). [online] Disponível em < portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf > Acesso em: 29 de Março de 2011.
BRASIL. Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Brasília: Ministério da Educação e Cultura, 1998.
BRASIL, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Documento Base Nacional Preparatório à VI Confitea. Brasília: Ministério da Educação e Cultura, 2008.
MEDEIROS, A.; MEDEIROS, F. C. de. Possibilidades e Limitações das Simulações Computacionais no Ensino da Física. Revista Brasileira de Ensino de Física, vol. 24, n. 2, p. 77-86, Jun. 2002.
SILVA, C. H. Discursos e Leituras da Física na Escola: Uma Abordagem introdutória da síntese Newtoniana para o Ensino Médio. Brasília: Universa, 2004.
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