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LIVRO DIDÁTICO: UM RECURSO ''DE PESO" NAS SALAS DE AULA DO ENSINO MÉDIO

Eder Francisco Da Silva, Tânia Maria F. Braga Garcia, Nilson Marcos Dias Garcia

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
08/06/2011
Linha de pesquisa
Didática, Currículo E Inovação Educacional No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## LIVRO DIDÁTICO: UM RECURSO 'DE PESO' NAS SALAS DE AULA DO ENSINO MÉDIO

## TEXTBOOK: A HEAVY RESOURCE IN HIGH SCHOOL CLASSROOMS

## Eder Francisco da Silva 1* , Tânia Maria F. Braga Garcia 2** , Nilson Marcos Dias Garcia 3***

1

UFPR-PPGE, ederfrancisco.dasilva@gmail.com 2 UFPR-PPGE/NPPD, taniabraga@pq.cnpq.br 3 UTFPR-DAFIS/PPGTE e UFPR-PPGE, nilson@utfpr.edu.br

## Introdução

A crescente presença dos livros didáticos nas escolas brasileiras deve ser examinada como resultado de uma política pública que visa à universalização da distribuição de livros escolares para alunos das escolas públicas, por meio de programas governamentais que têm acontecido desde o segundo quarto do século passado.

No início da década de 1980, com a criação do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), e especialmente na década de 1990 após a divulgação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, os livros passaram a ser avaliados segundo critérios aos quais as editoras devem atender para incluir seus títulos nos Guias de orientação de escolha pelos professores. Ampliada essa política, em 2004, foi instituído o Programa Nacional do Livro para o Ensino Médio (PNLEM) que, com objetivos similares aos do PNLD, colocou como meta a universalização da distribuição de livros didáticos para os alunos do Ensino Médio. Este programa Iniciou com as disciplinas de Matemática e Língua Portuguesa, ampliando gradativamente para as demais disciplinas que compõem tradicionalmente os currículos escolares, sendo os livros de Física incluídos na última etapa, para serem distribuídos em 2009.

Essa nova condição - o ensino de Física com a presença de livros didáticos - certamente poderá provocar alterações em práticas escolares tão fortemente questionadas nos documentos curriculares oficiais e nos manuais de orientação aos professores, bem como pelos pesquisadores do Ensino de Física.

No entanto, na perspectiva da pesquisa educacional, pode-se afirmar que pouco ainda se conhece sobre o uso de livros didáticos nas salas de aula (CHOPPIN, 2004; VALLS, 2008). Trabalhos avaliativos feitos por pesquisadores e grupos internacionais que investigam o tema (JOHNSEN, 2001; FERNÁNDEZ REIRIS, 2005) tem indicado que ainda se estuda mais o livro didático do que o uso que professores e alunos fazem dele.

Nesse sentido, justifica-se a pertinência de projetos de pesquisa sobre os manuais escolares em uso nas salas de aula, nos diferentes níveis de ensino. Em

***

particular, destacam-se estudos realizados de forma a articular elementos da Didática Geral e das Didáticas Específicas, entre os quais se situa a pesquisa relatada neste texto, que procurou identificar o peso que os livros didáticos têm nas aulas de Física.

## O desenvolvimento da pesquisa e alguns resultados

A pesquisa teve como objetivo investigar o que pensam os alunos sobre o uso livro didático de Física, para compreender: a) como os alunos receberam os livros de Física; b) o que os alunos pensam a respeito do livro didático que estão utilizando; c) elementos do conteúdo específico que os jovens destacam nos livros de Física; d) se e como este artefato da cultura escolar está modificando a relação dos jovens com os conteúdos de Física.

A investigação empírica foi desenvolvida em duas fases, durante o ano de 2009. Na primeira fase, ao início do ano letivo, os instrumentos (questionários) foram aplicados aos alunos de duas turmas de terceira série do Ensino Médio, em duas escolas públicas de um município da Região Metropolitana de Curitiba, Paraná, para saber suas expectativas em relação ao uso do livro didático de Física. Na segunda fase, ao final do ano letivo de 2009, foram aplicados questionários aos alunos das três séries do Ensino Médio, uma de primeiro, uma de segundo e uma de terceiro ano do Ensino Médio, em apenas uma das escolas que já havia participado da primeira fase, para avaliar algumas condições de uso durante o ano.

## Expectativas, condições de uso e o conteúdo apresentado no livro didático

Os resultados da primeira fase da pesquisa evidenciaram a expectativa apresentada pela maioria dos alunos (67% de um total de 66 participantes) de que a presença desse artefato da cultura escolar nas aulas de Física seria positiva em relação às suas possibilidades de aprender os conteúdos.

Na segunda fase da pesquisa, um dado interessante diz respeito à frequência com que o livro foi utilizado. Com relação ao uso em sala de aula, as respostas se concentraram entre as alternativas 'Pouco' e 'Raramente', em todas as turmas (representando cerca de 85% de um total de 77 alunos que participaram nesta fase). A baixa frequência de uso em casa também se confirma: o número de alunos que indicaram nunca ter utilizado ou ter usado raramente o livro em atividades em casa foi aproximadamente 80%, em todas as séries.

Pode-se afirmar, portanto, que para o desenvolvimento das aulas, na situação particular em estudo, a presença dos livros na escola não significou a incorporação deste artefato nas atividades de sala de aula como um recurso para a realização de atividades dos alunos. Apesar dos dados quantitativos revelarem pouca presença dos livros nas aulas e nas casas, deve-se ressaltar que aqueles que usaram o livro didático durante o ano (cerca de 12%, maior parte da primeira série) apontam contribuições positivas para seu aprendizado, como afirma um aluno:

'Particularmente eu achei que o livro está bem completo e, através do mesmo, e juntamente com o auxílio do professor, eu pude sim compreender muitos assuntos, principalmente coisas do cotidiano'.

Perguntados sobre em quais assuntos de Física as figuras, desenhos e esquemas do livro influenciavam o processo de compreensão, 85% dos alunos

reconheceu que essa influência ocorreu muito frequentemente. Percebeu-se ainda que as respostas, de todas as séries incidiram sobre os assuntos tradicionalmente desenvolvidos em cada uma delas. Assim, predominaram aqueles relacionados com a Mecânica, Termodinâmica, Acústica e Eletricidade.

## Considerações finais

Ainda que as expectativas dos alunos fossem altas, a pesquisa mostrou que por diferentes razões os livros não foram utilizados por alunos e professores nas aulas. Muitas respostas culparam o peso dos livros (produzidos para uso nas três séries) pela sua ausência das aulas; mas pode-se supor que isso evidencia a permanência, na cultura escolar, dos modelos didáticos em que é o professor que conduz o caminho para o conhecimento, muitas vezes prescindindo do uso do livro recurso que, neste caso, não teria o 'peso' geralmente atribuído a ele como apoio ou guia do professor nas aulas.

Apesar disso, é apontado pelos alunos como capaz de contribuir para a aprendizagem da Física em função da presença de elementos como as figuras, esquemas, imagens. Sob o aspecto da cultura escolar, o livro tem sido tradicionalmente olhado como um recurso - como uma televisão, ou um quadro de giz, mas sua natureza é diferenciada desses objetos, uma vez que é suporte de conteúdos e métodos de ensino. Isso aponta para a complexidade da temática e sugere pesquisas que estudem a natureza do livro didático e o seu uso na produção das aulas, evidenciando de que formas ele pode possibilitar, estimular, efetivar a relação dos alunos com o conhecimento.

## Referências

BRASIL/MEC.http://www.fnde.gov.br.

CHOPPIN, Alain. História dos livros e das edições didáticas: sobre o estado da arte. Educação e Pesquisa , São Paulo, v. 30, n.3, p. 549- 566, set./dez. 2004.

FERNÁNDEZ REIRIS, Adriana. La importância de ser llamado 'libro de texto ' : hegemonia y control del curricullum en el aula. Buenos Aires: Miño y Dávila, 2005.

FERREIRA, M. S.; SELLES, Sandra E. Análise de livros didáticos em Ciências: entre as ciências de referência e as finalidades sociais da escolarização. Educação em Foco , Juiz de Fora, v.8 n. I e II, p. 63-78, 2004.

GARCIA, T. M. F. B; GARCIA, N. M. D; PIVOVAR, L. E. O uso do livro didático de Física: estudo sobre a relação dos professores com as orientações metodológicas. In: Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciência, 6, Florianópolis, 2007. Anais... Florianópolis, UFSC, 2007.

GARCIA, Tânia M. F. B. Relações de professores e alunos com os livros didáticos de Física. In: XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física, Vitória, 2009.

GARCIA, T.M.F.B. e SILVA, E.F. Livro didático de Física: o ponto de vista de alunos do Ensino Médio. In XI Congresso Nacional de Educação - Educere, Curitiba, 2009.

JOHNSEN, Egil B. Textbooks in the Kaleidoscope : a critical survey of literature and research on educational texts. Translated by Linda Sivesind. Tønsberg: Vestfold College, 2001.

VALLS, Rafael. La enseñanza de la Historia y textos escolares . Buenos Aires : Libros del Zorzal, 2008.

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