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Livros didáticos no ensino de Física: o ponto de vista de alunos e professores

Tânia Maria F. Braga Garcia, Nilson Marcos Dias Garcia

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
08/06/2011
Linha de pesquisa
Didática, Currículo E Inovação Educacional No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## LIVROS DIDÁTICOS NO ENSINO DE FÍSICA: O PONTO DE VISTA DE ALUNOS E PROFESSORES

## TEXTBOOKS ON PHYSICS TEACHING: THE POINT OF VIEW OF STUDENTS AND TEACHERS

Tânia Maria F. Braga Garcia 1* , Nilson Marcos Dias Garcia 2**

1

UFPR-PPGE/NPPD, taniabraga@pq.cnpq.br 2 UTFPR-DAFIS/PPGTE e UFPR-PPGE, nilson@utfpr.edu.br

## Justificativa e objetivos

Presentes na cultura escolar há muito tempo, os livros didáticos constituíram-se, nas últimas décadas, em objeto de investigação no campo da pesquisa em educação. Abordagens históricas com o intuito de compreender a história do livro no Brasil, bem como a sua presença na cultura escolar e em algumas disciplinas específicas foram as mais desenvolvidas.

No caso brasileiro, os estudos sobre o livro didático têm levado em conta um aspecto particular, que define relações diferenciadas em relação ao que acontece em outros países. Trata-se da existência, dentro das Politicas Públicas de Educação, de um Programa Nacional (PNLD) que avalia, compra e distribui gratuitamente livros didáticos para todos os alunos da escola básica, em todas as disciplinas do currículo, recentemente incluindo os livros didáticos de Física, os quais, após serem avaliados em 2007, chegaram às escolas públicas pela primeira vez em 2009, criando outras condições para o ensino.

Portanto, os livros didáticos, no caso brasileiro, devem ser examinados à luz dessas determinações da cultura escolar e das politicas públicas, além de outras que tradicionalmente sustentam os estudos internacionais sobre o tema. Em especial, justificam a relevância de estudar a presença dos livros didáticos nas salas de aula, um dos objetivos das pesquisas realizadas no âmbito do Núcleo de Pesquisa em Publicações Didáticas (NPPD) que buscam investigar as relações que professores e alunos estabelecem com os livros didáticos de Física..

## Marco Teórico

- O livro didático tem estado fortemente presente na cultura escolar e é considerado de reconhecida importância na definição de conteúdos e na difusão de métodos de ensino ao longo do último século. Entretanto, é somente a partir da década de 1950 que as pesquisas voltadas a essa temática ganham espaço no Brasil.

Segundo Choppin (2004, p. 549), esse objeto 'complexo', negligenciado pelos historiadores e bibliófilos durante muito tempo, 'vêm suscitando um vivo interesse entre os pesquisadores de uns trinta anos para cá' e as investigações sobre esse tema podem ser justificadas pela 'onipresença - real ou bastante desejável - de livros

didáticos pelo mundo e, portanto, o peso considerável que o setor escolar assume na economia editorial nesses dois últimos séculos' (p. 551).

Reiris (2005) aponta a existência de linhas de investigação como os estudos críticos, históricos e ideológicos sobre o conteúdo dos livros, os estudos formais, linguísticos e psicopedagógicos sobre a legibilidade e compreensibilidade dos livros, sua apresentação e adequação geral, assim como os estudos sobre as políticas culturais, editoriais e a economia política do livro que se materializam na produção, circulação e consumo. Apesar desse conjunto amplo de pesquisas, têm sido pouco frequentes as que aprofundam a relação dos professores e alunos com os livros, principalmente quanto à apropriação que fazem dos conteúdos e métodos presentes nos livros que utilizam para a preparação e desenvolvimento de suas aulas. Portanto, ainda é incipiente a investigação sobre a vida dos livros nas escolas e nas aulas, isto é, sua presença na produção do currículo real. (REIRIS, 2005).

Ferreira e Selles (2004), em estudo que tomou como material empírico os artigos publicados em periódicos da área de Ciências, apontam que predominam pesquisas cujo 'foco da análise recai predominantemente sobre os conteúdos de ensino' (p. 2), indicando uma concentração temática por parte dos investigadores. Sobre o livro didático de Física, concluem existir várias formas de abordagem do objeto, mas apontam a concentração quase que absoluta dos estudos em torno de questões relativas ao conteúdo - erros conceituais, estruturação na forma de apresentação, assuntos/ temas específicos, comparação com ideias alternativas ou espontâneas ou de senso comum dos alunos, presença de analogias, uso do cotidiano, entre outros.

## Metodologia e Análise de pesquisa

Visando entender elementos da presença do livro na vida escolar foram desenvolvidas, no âmbito do NPPD, investigações que têm como foco o uso dos livros nas atividades didáticas. Do ponto de vista metodológico, os estudos são de natureza qualitativa, buscando aproximações com os professores e alunos de escolas públicas, e permitem sistematizar resultados que articulam os campos da Didática Geral e da Didática da Física.

Em estudo sobre o significado atribuído pelos docentes ao seu trabalho com o livro didático, Garcia, Garcia e Pivovar (2007) verificaram que poucos professores fizeram menção à presença de livros em sua formação no ensino médio, em algumas disciplinas e em alguma série do curso, relatando que seus estudos foram feitos com apoio em textos ou apostilas; indicaram também a existência de práticas de estudo com os cadernos de anotações, copiadas de registros feitos pelos professores no quadro de giz. Em suas aulas, relataram não usar livros com seus alunos, mas referiram-se ao fato de que os livros didáticos estão presentes em suas atividades de planejamento de aulas, nos seus próprios estudos preparatórios, definindo um outro tipo de relação com esse recurso: apesar de não estarem presentes em suas salas de aula, tem funções no seu ensino e também na sua própria aprendizagem dos conteúdos de Física que devem ensinar.

Em estudo realizado com alunos de Licenciatura em Física (GARCIA, 2009), parcela significativa dos participantes afirmou não ter tido contato com livros de Física no Ensino Médio, predominando o uso de apostilas e a exposição oral, apoiada no quadro de giz, anotações para copiar no caderno, além do ditado do conteúdo pelo professor. Esses futuros professores têm opiniões positivas com relação à presença de livros didáticos nas salas de aula de Física, mas a maior parte

deles não construiu experiências de aprendizagem por meio deles e aponta que o ensino cabe muito mais ao professor do que aos livros.

Uma terceira pesquisa, realizada durante o ano de 2009 (SILVA e GARCIA, 2009), primeiro ano em que os alunos receberam, por meio do PNLD, livros de Física para uso em sala de aula, envolveu alunos do primeiro e terceiro anos de Ensino Médio, em escola pública. Foram aplicados instrumentos no início e no final do período letivo e os resultados apontaram que, por diferentes razões, os livros não foram utilizados nas aulas. Entretanto, os alunos do primeiro ano mostraram-se mais receptivos e favoráveis ao seu uso do que seus colegas de terceiro ano. Quando usados, predominaram os modelos didáticos centrados na explicação do professor, com pouca presença de abordagens que estimulassem os alunos à leitura ou a atividades com os livros, evidenciando-se um alto grau de desinteresse por parte de muitos alunos em relação ao livro de Física.

## Conclusões

As constatações dos estudos realizados apontaram, dentre outros aspectos, que os livros didáticos de Física estiveram pouco presentes na formação de professores e alunos de licenciatura; que o livro é considerado referência para estudos e preparação das aulas por parte dos professores, mas pouco usado em sala; que as estratégias de ensino expositivo permanecem e não se incluem os livros como uma condição - ou mesmo um recurso - que poderia favorecer novas práticas nas aulas..Apesar de ser considerado um elemento importante para o ensino, é necessária a continuidade de estudos que possibilitem aprofundar a compreensão sobre como os livros afetam o ensino, ou, em outras palavras, compreender em que medida os livros - resultado de investimentos públicos de alto valor - de fato contribuem para a produção de aulas de Física de maior qualidade.

## Referências

BRASIL/MEC.http://www.fnde.gov.br.

CHOPPIN, Alain. História dos livros e das edições didáticas: sobre o estado da arte. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 30, n.3, p. 549- 566, set./dez. 2004.

GARCIA, T. M. F. B; GARCIA, N. M. D; PIVOVAR, L. E. O uso do livro didático de Física: estudo sobre a relação dos professores com as orientações metodológicas. In: ENPEC, 5, Florianópolis, 2007. Anais... Florianópolis, UFSC, 2007.

GARCIA, T.M.F.B. e SILVA, E.F. Livro didático de Física: o ponto de vista de alunos do Ensino Médio. In XI Congresso Nacional de Educação - Educere, Curitiba, 2009.

GARCIA, Tânia M. F. B. Relações de professores e alunos com os livros didáticos de Física. In: XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física, Vitória, 2009.

REIRIS, Adriana F. La importancia de ser llamado 'libro de texto': hegemonía y control del currículum en el aula. Buenos Aires: Miño y Dávila, 2005

FERREIRA, M. S.; SELLES, Sandra E. Análise de livros didáticos em Ciências: entre as ciências de referência e as finalidades sociais da escolarização. Educação em Foco, Juiz de Fora, v. 8, n. I e II, p. 63-78, 2004.

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