O ENSINO DE FÍSICA PARA SURDOS NO BRASIL: BARREIRAS, PERSPECTIVAS E DESAFIOS
Jucivagno Francisco Cambuhy Silva, Roseli Cecília Rocha De C. Baumel
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 08/06/2011
- Linha de pesquisa
- Didática, Currículo E Inovação Educacional No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## O ENSINO DE FÍSICA PARA SURDOS NO BRASIL: BARREIRAS, PERSPECTIVAS E DESAFIOS
## THE PHYSICS TEACHING FOR DEAF PEOPLE IN BRAZIL: BARS, PROSPECTS AND CHALLENGES
## Jucivagno Francisco Cambuhy Silva 1 , Roseli Cecília Rocha de C. Baumel 2
1
Universidade de São Paulo/Instituto de Física, jucivagno.silva@usp.br Universidade de São Paulo/Faculdade de Educação, EDM, rbaumel@usp.br
2
## 1) Palavras Chave: Ensino de Física, Libras, Surdos
## 2) Justificativa e objetivos
A educação dos Surdos tem passado por diversas transformações, com uma intensa produção científica entre 1990 e 2010. Nesse período, foram realizados muitos trabalhos na área de alfabetização, letramento, história, sociologia e cultura surda, assim como estudos na área de matemática, culminado com a produção de diversos materiais e pesquisas para o ensino de Surdos no Brasil. Entretanto, houve menos trabalhos na área de ensino de Física e de outras disciplinas da área de exatas. Este trabalho foi realizado com o intuito de contribuir com essa produção e destacar os principais desafios, barreiras e perspectivas em relação ao ensino de Física para os futuros pesquisadores, professores e intérpretes nos próximos anos com relação aos materiais e os principais debates sobre o ensino de Física para estes alunos no Brasil.
## 3) Marco Teórico
Segundo os dados do Instituto de Pesquisas Educacionais 'Anísio Teixeira' (INEP), existem no Brasil aproximadamente 200.000 Surdos reconhecidos oficialmente, e entre os alunos do ensino fundamental e médio, 12% possuem algum problema de audição (SACKS apud. CAPOVILLA et. al, 2009). Atenta à questão, a Lei Federal nº 10.436/02 reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua oficial da comunidade surda e imputa aos sistemas de ensino público municipais, estaduais, federais e Distrito Federal a obrigação de inseri-la como disciplina obrigatória nos cursos de licenciatura e de fonoaudiologia do país. Entretanto os surdos inseridos nos sistemas de ensino nacionais ainda não têm acesso aos conceitos de Física, como destacam Botan e Cardoso (2008), devido à falta de sinais e materiais adequados para ensinar os conceitos físicos.
## 4) Metodologia e Análise de pesquisa
Foi realizado um levantamento bibliográfico em diversas obras, leis, artigos disponíveis na internet, nos anais do Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) de 2005 até 2011, no site da Federação Nacional de Educação e Inclusão dos Surdos do Rio de Janeiro (FENEIS) e em artigos e periódicos disponíveis na internet, com o intuito de mapear os desafios e embates na área de ensino de Física para Surdos. O material foi agrupado em sete categorias: 1) políticas de formação de professores e Intérpretes para o ensino de Física, 2) produção de materiais
didáticos em Libras -Física, 3) Libras, Física e o regionalismo de Sinais, 4-) O ensino de Física para alunos incluídos em escolas regulares, Bilíngues e especiais, 5-) Parâmetros de avaliação para educação e ensino de Física para Surdos, 6) Educação científica e cultura surda e 7) Novas áreas. Destacaremos aqui as três primeiras categorias
## 3.1 Políticas de Formação de professores e Intérpretes para o ensino de Física
Para construir essa categoria, encontramos referências na Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (LDBN), nos artigos que citavam a falta de intérpretes para atender à atual demanda de profissionais na área de Libras, nos dados do MEC/INEP (2003) sobre o número de Surdos em cursos superiores e em um levantamento feito no conjunto de cursos de Formação de professores oferecidos pela Universidade de São Paulo e pelo Instituto de Física da USP, denominado VIII encontro IFUSP-Escola que ocorreu entre 17 e 21 de Janeiro de 2011. Dentre os aspectos levantados por um questionário semi estruturado distribuído no final do curso havia uma questão quanto à formação dos professores com a pergunta: Você fez algum curso de educação especial?.
Os dados mostram que 64,4 % dos professores não fizeram nenhum curso de educação para alunos especiais e que cerca de 1% possuíam algum conhecimento em Libras. Isto mostra que a formação em Libras se constitui um grande desafio para garantir ao longo dos anos um número cada vez maior de profissionais atuando nessa área de ensino.
## 3.2 Produção de materiais didáticos em Libras-Física
Os dados levantados mostraram que até a última década a maioria dos trabalhos encontrados estavam direcionados para a área de linguística, como mostra as diretrizes do MEC para a para surdez. Em seu volume II atualidades pedagógicas publicado em 1997, encontramos
Vale ressaltar que, atualmente, todo o fazer educacional com o aluno surdo ou parcialmente surdo deve ter como objetivo específico o desenvolvimento de sua linguagem, se possível num enfoque bilíngue. (MEC/SEESP. 1997. V. II pag.288)
O esforço foi até então para a comunicação e alfabetização dos alunos Surdos. Além disso, os poucos materiais mostraram que existem poucos símbolos disponíveis desde cinemática até eletromagnetismo (Botan e Cardoso, 2008) e à inexistência dos mesmos na área de Física moderna. Sinais como Watt, Potência e Energia não estão presentes no maior dicionário de Libras do país (Novo DeitLibras, 2009) haja vista o recente reconhecimento desta língua em nosso país e ainda estarmos construindo muitos dos sinais por meio de projetos como o Sinalizando a Física - Botan e Cardoso (2009) - que propõe a produção e confecção de símbolos na área de Física.
## 3.3 Libras, Física e o regionalismo de sinais
Da mesma forma que se diz aipim, macaxeira e mandioca em estados diferentes, este fenômeno também acontece em Libras (o regionalismo dos sinais).
Algo positivo do ponto de vista sociocultural e lingüístico para os Surdos Raphael, (2007). No entanto, isso pode se constituir uma barreira devido a peculiaridade dos conceitos em Física.
Tomando como exemplo a definição do termo eletricidade no novo Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue de Libras (Deit -Libras,2009), (CAPOVILA et. all., 2009, p.880, V. 1): Nele, eletricidade é apresentada em alfabeto manual (datilologia), em português, em Libras conforme os estados e sua respectiva configuração de mãos, em inglês e em Sign writing (Escrita de Sinais), e a explicação em português vem em seguida. O regionalismo de sinais acontece quando temos sinais diferentes para expressar o mesmo conceito. Neste caso é apresentada a configuração de mãos (Sinal) para os estados de São Paulo, Mato grosso do Sul e Distrito Federal que é diferente no estado do Rio de Janeiro.
A padronização dos sinais na área de Física e demais áreas técnicas, será uma das grandes dificuldades enfrentadas para a formação de professores e intérpretes que atuarão em todo o país, entretanto, a participação da comunidade surda, de pesquisadores e do governo, favorecerá a aprendizagem dos alunos Surdos e ampliará o trabalho desenvolvido nos cursos de formação de professores e intérpretes em escala nacional.
## 4) Conclusões
As três primeiras categorias mostraram que as barreiras estão ligadas principalmente à falta de recursos humanos (intérpretes), à inserção da disciplina de Libras e educação de Surdos em todos os cursos de licenciatura em Física no país, produção de materiais didáticos em Libras para o ensino de Física e como perspectivas: Maior número de pesquisas na área, elaboração de um currículo diferenciado para alunos Surdos apoiados em todos os estados da federação e no distrito federal e os desafios consiste em conhecer profundamente, as sete categorias encontradas ao longo dos anos.
## 5) Referências
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Especial. Resultados do Censo Escolar. http://www.mec.gov.br/seesp/dados.shtm , 2001a. Acesso em 16 de jul. de 2008.
BOTAN, Everton. CARDOSO, Fabiano Cesar; A Física, A Lingua Brasileira de Sinais e a Divulgação científica: A imobilidade da cinemática no ensino de Física 2008, On line. Disponível em: <WWW.ie.ufmt.br/semiedu2008/gts/gt4/poster/ EVERTON%20BOTAN.pdf . > acesso em 10 de Mar. De 2011.
CAPOVILA, Fernando César; RAPHAEL, Walkyria Duarte. MAURICIO, Aline Cristina C.; Novo Deit-Libras: Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue da Língua de Sinais Brasileira (Libras) baseado em Linguística e Neurociências Cognitivas, Vol. 1, São Paulo:EDUSP: Inep/CNPq/Capes, 2009.
CHASSOT, Attico. Alfabetização científica: uma possibilidade para a inclusão social. In: Revista Brasileira de Educação, n. 22, p. 89 -100, jan./fev./mar./abr., 2003.
QUADROS, Ronice Muller de. Diversidade e Unidade nas Línguas de Sinais: LIBRAS e ASL. In SKLIAR, Carlos. (Org.). Atualidade da educação Bilíngue para Surdos. Porto Alegre, 1999, v. 2, p.195-197.
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