Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

TRANSVERSALIDADE E O ENSINO DE FÍSICA

Luciana Da Cunha Ferreira, Walter Esteves De Castro Junior, Roberto Barbosa De Castilho

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
08/06/2011
Linha de pesquisa
Didática, Currículo E Inovação Educacional No Ensino De Física
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2011

Texto completo

## TRANSVERSALIDADE E O ENSINO DE FÍSICA TRANSVERSALITY AND THE TEACHING OF PHYSICS

## LUCIANA DA CUNHA FERREIRA 1 , WALTER ESTEVES DE CASTRO JUNIOR 2 , ROBERTO BARBOSA DE CASTILHO 3

1 Universidade Federal do Amazonas / luciana1953@gmail.com

- 2 Universidade Federal do Amazonas / wcastrojr@gmail.com
- 3 Universidade Federal do Amazonas/ bobcastilho@gmail.com

RESUMO: Este trabalho consiste num ensaio sobre a relação entre a Transversalidade e o Ensino de Física, no sentido de discutir as melhorias no ensino que possam advir de práticas transversais. A transversalidade busca aproximar as ciências humanas das ciências físicas, revelando as diversas interconexões entre os diferentes saberes, estabelecendo assim uma dimensão sociológica que nutre o imaginário da Física, facilitando e incentivando o seu aprendizado. Destarte, a proposta visa despertar o interesse dos alunos por revelar a física como atividade humana inserida num contexto social, com relação direta com as humanidades.

PALAVRAS-CHAVES: Currículo; Transversalidade; Ensino de Física.

## Introdução

Ao pensar na aplicação da transversalidade no currículo do Ensino Médio, tendo como foco aspectos epistemológicos, políticos e metodológicos da prática educativa, constata-se a precariedade na formação dos docentes a respeito do tema (MORAES, 2000). Políticas públicas para educação, geralmente elaboradas por estrangeiros com ideologia neoliberal, buscam de forma descontextualizada adaptar experiências de outros países a realidade brasileira, dificultando a adoção efetiva de práticas transversais, principalmente na região amazônica.

Visando compreender como vem se efetivando a transversalidade nas escolas da rede pública estadual do município de Manaus, realizou-se uma pesquisa em duas escolas da Zona Leste de Manaus, com professores de Física e Ciências. Utilizando-se como instrumento de coleta de dados entrevistas com questões abertas, buscando compreender a aplicação da transversalidade no currículo de Ciências e de Física, contribuindo para a reflexão sobre sua eficiência, seu aperfeiçoamento e incorporação destas políticas e práticas nessas escolas.

## A proposta da Transversalidade

Com sua elaboração orientada por organismos internacionais e baseado na reestruturação do sistema escolar espanhol, ocorrida em 1989, os Temas Transversais foram incorporados aos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (MEC, 1997-1998) como uma pretensa novidade na forma de abordar conteúdos relacionados às humanidades, direcionados a formação do homem e da cidadania através de áreas do conhecimento tradicionais na escola. A proposta dos Temas Transversais retoma a valorização do conhecimento das

humanidades, apesar de ser considerado por alguns como um retorno aos temas 'helênicos', ao apontar a necessidade do resgate do homem enquanto ser, em sua subjetividade. Naturalizando causas e conseqüências inerentes a filosofia da estrutura social capitalista e sua concepção neoliberal, os PCNs delegam à escola, através dos Temas Transversais, a tarefa de 'resgate' da degradação ético-social, humana e ambiental através da abordagem de temas pré-determinados, sem com isso reduzir o espaço de disciplinas tradicionais do currículo. As contradições intrínsecas as práticas escolares, ao abordar conceitos, atitudes, valores e práticas sociais devem ser exploradas a fim de que se possa dar sentido as atividades desenvolvidas, relacionando-as ao cotidiano e a atualidade. A transversalidade deve ser adotada como uma proposta aberta, abordando temas indispensáveis e significativos para a vida na sociedade contemporânea. Segundo os (PCNs p.26). 'Nas várias áreas do currículo escolar existem, implícita ou explicitamente, ensinamentos a respeito dos temas transversais, isto é, todas educam em relação a questões sociais por meio de suas concepções e valores que veiculam nos conteúdos, no que elegem como critério de avaliação, na metodologia de trabalho que adotam, nas situações didáticas que propõem aos alunos. Por outro lado, sua complexidade faz com que nenhuma das áreas, isoladamente, seja suficiente para explicá-los; ao contrário, a problemática dos temas transversais atravessa os diferentes campos de conhecimento'. A transversalidade surge como perspectiva para a superação da hierarquização, rompendo estruturas de poder, atravessando horizontalmente áreas de saber tradicionais na educação.

## Repensando o Ensino de Física

Foi-se o tempo em que a Física não passava de mera memorização de fórmulas e conceitos abstratos avessos à realidade das coisas - pelo menos é assim de que se recordam muitos estudantes. Muitos estudantes experimentam extrema dificuldade nesta disciplina, justificando que a Física se confunde com a matemática, de modo que para aprendê-la, precisar-se dominar, primeiro, os difíceis conceitos matemáticos. O ensino de Física poderia ser focado na busca de analogias do cotidiano, em que os alunos perceberiam os diversos matizes da física nas atividades diárias comuns - uma verdadeira física do dia a dia. A tarefa de mostrar a física como parte integrante da sociedade e como agente de transformação social pode ser levada a cabo pela transversalidade, pela possibilidade de revelar as interconexões entre os diversos saberes com a Física. Isso será possível quando houver uma aproximação maior das disciplinas de humanidades (História, Arte, Literatura, Sociologia) com a Física, para que os alunos percebam os aspectos humanos e sociais comuns a toda as outras ciências e possam, a partir do estudo das ciências em transversalidade, desenvolver uma consciência social e moral: ' A Física percebida enquanto construção histórica, como atividade social humana, emerge da cultura e leva à compreensão de que os modelos explicativos não são únicos nem finais, tendo se sucedido ao longo dos tempos (...) O surgimento de teorias físicas mantém uma relação complexa com o contexto social em que ocorreram (PCN Ensino Médio, 1999, p.59). Por exemplo, o modelo geocêntrico guarda relação com a visão religiosa e bíblica da Terra como o centro do universo. De certo modo, o conceito de energia - que vem de transformação - vai se solidificar numa época de complexas, rápidas e variadas transformações, como as guerras, a revolução industrial, a revolução francesa, etc. Enfim, a aproximação da Física com as ciências humanas pode levar os alunos a perceberem o componente histórico e social na elaboração da física, de forma que esta não seja vista como uma atividade desvinculada da natureza humana. Talvez essa aproximação possa inserir a física como atividade humana e relevar toda a sua beleza tal como uma obra de arte. Isto facilitaria sua apreensão como disciplina ligada ao cotidiano e às outras ciências, de modo a

despertar no estudante o mesmo encantamento e curiosidade que ele sente ao apreciar uma obra artística, poética ou histórica. Tal como a arte, a elaboração da física não é trivial, exigindo esforços tenazes das mentes mais brilhantes de todas as épocas. ' Essa percepção do saber físico como construção humana constitui-se condição necessária, mesmo que não suficiente, para que se promova a consciência de uma responsabilidade social e ética (PCN Ensino Médio, 1999, p. 59)'.

## Conclusões

Os professores, em sua grande maioria, não têm clareza sobre o que seja transversalidade. A variedade de temas e abordagens adotadas na tentativa de implementar os Temas Transversais retrata a dificuldade dos docentes em perceber o que seja a transversalidade. Em um universo tão rico e complexo, repleto de temáticas próprias, as escolas da Amazônia não exploram devidamente a realidade local como Temática Transversal, reduzindo-se a questão ambiental e, quase que prioritariamente, a questão do ambiente físico. A transversalidade na Amazônia consiste em buscar um ensino de física que reflita a história e cultura indígenas, mostrando como a realidade de vida dos índios exige o conhecimento e utilização dos conceitos físicos, e como esta pode levar a abstrações matemáticas a partir do contato com a natureza e, por conseguinte, produzir transformações que levem a melhorias tecnológicas e na qualidade de vida. O ensino de física que omite os aspectos históricos e sociais de um povo, não consegue estabelecer relações com as transformações sociais e políticas e, assim, acaba por retratar a ciência como atividade laboratorial ou tecnológica. A transversalidade no ensino de física pode levar os alunos a compreenderem melhor o significado da física na sociedade como agente transformador, e assim despertar neles uma maior consciência ética e sociológica, bem como ambiental.

## Referências Bibliográficas

MORAES, Maria Cândida. O paradigma emergente. Campinas, São Paulo: 2000.

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. 2 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2008.

SILVA, Tomas Tadeu. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2 ed. Belo Horizonte, Autêntica, 2007.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.