O PAPEL DO MONITOR EM UM PROJETO DE DIVULGAÇÃO DA ASTRONOMIA
Glênon Dutra, Anderson Almeida, Lucas Guimarães Barros
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 07/06/2011
- Linha de pesquisa
- Questões Teórico-Metodológicas E Novas Demandas Na Pesquisa Em Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## O PAPEL DO MONITOR EM UM PROJETO DE DIVULGAÇÃO DA ASTRONOMIA
## THE FUNCTION OF THE MONITOR IN ASTRONOMY DISSEMINATION PROJECT
Glênon Dutra 1 , Anderson Almeida 2 , Lucas Guimarães Barros 3
anders.amd@gmail.com²
## Introdução
Entende-se por divulgação científica a ação de tornar a Ciência conhecida entre um público a ser alcançado. Diferente do padrão de ensino nos moldes formais da sala de aula, a divulgação científica consiste no que (STRACK et al. 2009) nomeiam como 'Tentativa de tradução' ao transpor a Ciência para um contexto e situação diferenciados dos da sala de aula. Essa 'tradução' ocorre, normalmente, com a mudança de ambientes: do ambiente formal padronizado na escola, para o não formal das exposições, museus, feiras de ciências, etc. Nesse contexto o projeto 'Astronomia no Recôncavo da Bahia' (ARB), desenvolvido pelo Centro de Formação de Professores (CFP) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), procura promover atividades de divulgação da Astronomia na região onde se localiza o CFP 2 . Sua proposta é despertar o interesse das pessoas pela ciência através da educação não-formal, fazendo-se valer de exposições itinerantes, acompanhadas de atividades de observação do céu ao telescópio, como ferramentas de disseminação do conhecimento científico.
Considerando que a boa formação dos monitores é essencial para garantirmos a qualidade de nossas atividades, este trabalho pretende identificar as principais dificuldades encontradas pelos monitores do ARB no trabalho de popularização da Ciência e as estratégias utilizadas para contornar essas dificuldades e propor, com base no referencial teórico utilizado, direcionamentos que orientem a formação e a capacitação dos monitores.
## Metodologia
Foram entrevistados oito monitores que estão no projeto há cerca de um ano e participam constantemente das atividades de preparação e capacitação
oferecidas. As entrevistas, realizadas ao longo das visitas, foram feitas com o objetivo de se conhecer as dificuldades relacionadas ao trabalho de mediação e avaliar as estratégias desenvolvidas para contorná-las. As respostas dos monitores e considerações foram transcritas no momento da entrevista para posterior análise. Através de uma pequena revisão bibliográfica procuramos entender o papel do monitor na divulgação científica.
## Resultados e discussões
No processo de formação e capacitação dos monitores do ARB, são oferecidos durante o ano palestras, seminários e mini-cursos voltados para as áreas envolvidas no projeto como, Astrofísica, Cosmologia e Divulgação Científica. Além das palestras, oficinas e cursos de férias são oferecidos com o intuito de preparar e instruir os monitores para lidarem com o público durante as exposições. Em 2010 foram oferecidas palestras abordando conteúdos específicos como: evolução do Universo, formação de estrelas e galáxias, História da Astronomia, Ensino de Astronomia e Divulgação Científica.
Apesar disso, de acordo com a entrevista, constatamos que a maior preocupação apontada pelos monitores se dá no momento da interação com o público durante as apresentações. A maiores dificuldades estão relacionadas à manutenção do interesse do público ou em lidar com as dúvidas e questionamentos feitos pelos visitantes, de modo que não haja excesso de informações durante a mediação, tornando cansativa a apresentação.
'(...) Ainda tenho pouca experiência no momento de interagir com os alunos e visitantes no momento das exposições itinerantes .' (Monitor 1)
Essas dificuldades são identificadas por Ovigli e Freitas (2009) podendo abranger conflitos, dúvidas, desinteresse do grupo ou de algum visitante específico. Esses autores propõem, para superar tais dificuldades, uma tomada de decisões baseadas em reflexões de vivencias e experiências adquiridas na própria ação. Mas, Barros (2002) indica que, para os monitores iniciantes e inexperientes, esse processo de tomada de decisão deva ser orientado por uma boa formação anterior que, além de incluir os conhecimentos científicos básicos, inclua também: o estudo do significado da divulgação científica; dos aspectos históricos da ciência e a evolução das ideias. (BARROS, 2002, p. 38)
Outras respostas dos monitores indicam, nos casos de dificuldade de interação, o uso das concepções prévias, comuns a cada assunto específico, como instrumentos de mediação.
'Na hora da explicação eu já cito algumas concepções espontâneas (esperadas) dentro da interpretação que estou fazendo.' (Monitor 2)
Esta estratégia expõe uma nova dificuldade. Como trabalhar as concepções espontâneas dos espectadores?
'(...) É uma parte um pouco complicada. Deve-se fazer um confronto das idéias (interrogar antes que eles manifestem). (Monitor 4)
O uso de 'perguntas socráticas' (PANZERA e THOMAZ, 1995, p.20) pode revelar-se aqui não apenas como uma estratégia para iniciar o diálogo, mas também como uma ferramenta para levar os expectadores a perceberem incoerências em suas ideias e 'reconstruírem seu pensamento de forma mais adequada' (PANZERA e THOMAZ, 1995, p.20).
## Considerações Finais
Os resultados obtidos sugerem que a boa formação dos monitores do ARB deve passar, além da formação técnica em Astronomia, pela promoção da discussão de questões como: o desenvolvimento de sensibilidade para lidar com pessoas diferentes; utilização do carisma e do bom humor durante a mediação; o reconhecimento dos conhecimentos prévios dos espectadores. A formação do monitor deve conduzi-lo à compreensão de seu papel como construtor do aprendizado em conjunto, através do desafio e do diálogo com o visitante.
Destaca-se também a necessidade de se dar uma maior atenção à forma como são tratadas as informações, sendo o papel do monitor, não o de fornecer respostas prontas, mas de perguntar, desafiar, induzir o visitante a pensar e confrontar suas ideias com novas possibilidades de pensamento oferecidas pelo conhecimento científico.
## Referências
BARROS, S. de S. Metodologias da observação e da pergunta nas exposições. In: Caderno museu da vida: O formal e Não-formal na Dimensão Educativa do Museu. 2001/2002. p. 36-45.
GASPAR, Alberto. Museus e Centros de Ciências - conceituação e proposta de um referencial teórico. São Paulo. Tese (Doutorado), USP, 1993. 150 p.
STRACK, R.; LOGUERCIO, R. Q.; DEL PINO, J. C. Percepções de professores de ensino superior sobre a literatura de divulgação científica. Revista Ciência e Educação, v5, n.2, p. 425-442, 2009.
PANZERA, A. C.; THOMAZ, S. P. Fundamentos de Astronomia: uma abordagem prática para o ensino fundamental. Edição experimental. Centro de Ensino de Ciências e Matemática (CECIMIG) e Faculdade de Educação (FaE), UFMG, Belo Horizonte,1995.
OVIGLI, D. F. B. FREITAS, D. de. Contribuições de um centro de ciências para formação inicial do professor. I Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia, 2009 p. 693-708.
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