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Formação continuada e construção de material didático para professores indígenas

Vitor Acioly, Paulo Roberto Vilarim, Luan De Almeida De Abreu

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
24/01/2025
Linha de pesquisa
Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## FORMAÇÃO CONTINUADA E CONSTRUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO PARA OS PROFESSORES INDÍGENAS

Paulo Roberto Vilarim , Luan de Almeida Abreu , Vitor Acioly 1 2 3

1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul, paulo.vilarim@ifms.edu.br -

2 Universidade Federal Fluminense, luanabreu@id.uff.br

3 Universidade Federal Fluminense, vitoracioly@id.uff.br

## Resumo

Este estudo visa examinar como os professores Terena do Mato Grosso do Sul (MS) interagem com o material didático com base em seus próprios relatos. Foram conduzidas entrevistas semiestruturadas comunidades Terena em MS. A análise textual discursiva das transcrições revelou que a maior parte dos materiais didáticos desenvolvidos para os Terena é voltada para os anos iniciais do ensino fundamental. Além disso, as dificuldades enfrentadas pelos professores indígenas na produção de materiais didáticos estão relacionadas tanto à formação acadêmica quanto à formação continuada. com docentes indígenas das escolas nas

Palavras-chave : Formação; Indígena; Material.

## Introdução

Em outubro de 2021, foram entrevistados 31 professores Terena de seis comunidades indígenas no Mato Grosso do Sul, Brasil. O objetivo das entrevistas semiestruturadas (Triviños, 1987; Manzini, 1990/1991) foi entender como esses professores transmitem o conhecimento tradicional em suas práticas pedagógicas. Este artigo, parte de uma pesquisa maior sobre história da ciência e educação científica na Universidade de Coimbra, analisa a relação dos professores Terena com o material didático, identificando os fatores fundamentais para a criação de materiais específicos para a educação indígena.

As entrevistas foram gravadas em celular e transcritas, preservando o vernáculo dos professores, que falam Terena como língua materna e português como segunda língua. A análise textual discursiva (MORAES 2003; MORAES; GALIAZZI, 2016) foi aplicada às transcrições, destacando o uso de 'Material Didático' nas falas. A reconstrução dessas falas permitiu identificar elementos centrais, como o protagonismo dos professores na criação de materiais, a formação continuada e parcerias com instituições de ensino.

- O objetivo deste estudo é refletir sobre os materiais produzidos para comunidades indígenas, especialmente os Terena, e como esses materiais podem ser ressignificados para incluir conhecimentos tradicionais, integrando-se às práticas pedagógicas cotidianas dos professores.
- O material didático tem um papel essencial na prática docente, facilitando o aprendizado, motivando a aula e conectando o aluno à realidade (Nérici, 1971). É importante distinguir entre livro didático, que orienta conteúdos e currículo, e material

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didático, que abrange todos os recursos que apoiam o ensino. A LDB (1996) enfatiza a produção de material didático específico para a educação indígena (BRASIL, 1996). Diversos autores destacam a relevância desses materiais na prática docente (Chassot et al., 1993; Schroeder et al., 1995; Del Pino et al., 1996).

## Material Didático na Educação Escolar Indígena

- O material didático na educação indígena reflete contextos locais e facilita o ensino planejado. O Censo Escolar de 2015 revelou que apenas 53,5% das escolas indígenas possuem material didático específico (BRASIL, 2015). Wanderley Cardoso (2011) e Gerson Alves (2016) destacam que ainda há escassez desses materiais, e que a participação da comunidade é essencial na produção coletiva.
- O professor Terena Jader [Matemática Física] explica que, embora ainda não exista um material específico de matemática, os professores conseguem adaptar o conteúdo para o contexto cultural da comunidade. O RCNEI (1998) revela a falta de materiais didáticos nas escolas indígenas, uma lacuna que persiste até hoje. Outros professores, como Lilian [Geografia], relata dificuldades em adaptar os poucos materiais disponíveis para o ensino médio, 'a gente coleta, o que dá para a gente fazer adaptação. Mas não é todos, no caso do ensino médio. É pouco.'.

Além disso, as condições das escolas indígenas, como a falta de infraestrutura e de materiais adequados, são apontadas como barreiras significativas para uma educação diferenciada e de qualidade (ROSA et al., 2020).

## Formação Continuada e Elaboração Coletiva para a Produção de Material Didático em Escolas Indígenas

- O projeto Ação Saberes Indígenas nas escolas do MS, regulado pelo MEC e implementado em 2013, conta com a colaboração de UCDB, UEMS, UFGD e UFMS. O projeto atua em dois Territórios Etnoeducacionais: Cone Sul e Povos do Pantanal (AGUILHERA URQUIZA, 2022). Destina-se à criação de materiais didáticos e capacitação de professores Terena, conforme relatado pela professora Brenda [Língua Portuguesa e inglês]:

'Eu crio o material! Temos o programa Ação Saberes Indígenas na Escola, que abrange várias etnias e permite construir material didático' (BRENDA).

Os materiais, frequentemente voltados para as séries iniciais, incluem histórias e mitos da aldeia, como descrito pelos professores Jader e Armando. Jader escreveu sobre "pequenas histórias da Aldeia Córrego do Meio", e Armando [Língua Portuguesa] destacou um livro em construção que abrange aspectos da vida e cultura Terena.

- A construção desse material envolve a comunidade e os anciãos, considerados 'bibliotecas vivas'. De Oliveira e Vecchia (2020) destacam a necessidade de participação ativa dos indígenas para garantir que o material respeite a prática cotidiana e linguística da comunidade. Cinta Larga (2021) observa que materiais didáticos muitas vezes ignoram os saberes indígenas, apresentando conhecimentos generalizados que não atendem às especificidades culturais.

Alves (2016) critica o modelo integracionista e defende a necessidade de uma abordagem mais autêntica e investigativa. Jabez e Armando relatam a

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importância de envolver a comunidade na definição de termos novos para a língua Terena e a dificuldade em criar materiais específicos. Nesta construção é sempre consultado os anciãos e a comunidade, para definir um novo vernáculo da língua Terena.

Duarte (2009) enfatiza que o uso da língua materna é crucial para a revitalização linguística, e os materiais didáticos devem promover conhecimentos tradicionais e fortalecer a língua. Marilza [professora Regente] enfrenta desafios na inclusão da língua Terena em materiais devido à falta de fluência e recursos. Gidião [Língua Materna] menciona o uso de material produzido por missões evangélicas como uma solução temporária.

Embora muitas iniciativas sejam bem-intencionadas, como destaca a professora Fabricya [Ciências], há uma necessidade de maior colaboração com os indígenas. A pesquisadora Naine Terena de Jesus (2014, p.149) fala que 'os professores primam pela criação e direcionamento dos diferentes produtos de comunicação para fortalecer a educação escolar'.

Apesar das dificuldades, os indígenas Terena têm produzido materiais como livros bilíngues e HQs. De Oliveira e Vecchia (2020) e Cinta Larga (2021) ressaltam a importância da formação contínua e da colaboração com universidades para a produção de material didático específico.

## Considerações finais

Uma forma de preservar e disseminar o conhecimento tradicional entre as populações indígenas é por meio da educação escolar. Os materiais didáticos são uma ferramenta importante nesse processo, necessitando de colaboração para serem desenvolvidos e adaptados às particularidades de cada comunidade indígena. Segundo o professor Gidião [Língua Materna], sobre o material deixado por missões evangélicas (ainda em uso na comunidade): "Não era exatamente o que deveria ser, mas deixaram um caminho muito bom!". Essa frase destaca que, embora tais materiais forneçam um ponto de partida, eles não substituem a criação de conteúdo que realmente pertence e reflete a realidade da comunidade indígena.

Portanto, os professores indígenas têm assumido um papel fundamental na elaboração de seus próprios materiais didáticos, como um complemento às suas práticas pedagógicas. No entanto, a quantidade de materiais produzidos ainda é limitada, e há necessidade de mais esforço para desenvolver e divulgar conteúdos que realmente reflitam a identidade Terena.

Foi observado que os materiais existentes são majoritariamente voltados para alunos da pré-escola até o quinto ano do ensino fundamental, com uma carência significativa de recursos para o ensino médio. Essa dificuldade pode estar relacionada à falta de capacitação adequada, tanto na formação inicial quanto na formação continuada dos professores. Além disso, a infraestrutura das escolas indígenas e a carga de trabalho dos professores, que frequentemente precisam compensar a ausência de profissionais e enfrentar outras tarefas, contribuem para esses desafios.

Este estudo deixa algumas questões em aberto que só poderiam ser respondidas com uma imersão mais profunda na realidade das escolas indígenas. Como pode ser criado um material didático que integre conhecimentos tradicionais e científicos de maneira eficaz? Como garantir que os materiais didáticos atendam

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todos os níveis escolares? Existem deficiências na formação dos professores indígenas, e como podem ser superadas? O fato é que os professores indígenas estão fazendo o melhor com os recursos disponíveis e enfrentam essas dificuldades com determinação.

## Referências

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144p.,illus.[1]https://www.youtube.com/c/ElielTerena/videos.

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