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GGP em foco: Fisikest como meio e forma-ação

Abimael Carlos Muniz, Jeovan Baptista Moura, Sabrinna Aparecida Rezende Macedo, Luiz Gonzaga Roversi Genovese

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
24/01/2025
Linha de pesquisa
Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## GGP em foco: Fisikest como meio e forma-ação

## Abimael Carlos Muniz 1 , Jeovan Baptista Moura 2 , Sabrinna Aparecida Macedo 3 ,Luiz Gonzaga Roversi Genovese 4

- 1 Universidade Federal de Goiás, abimael2017@discente.ufg.br
- 2 Universidade Federal de Goiás, jeovanbm10@gmail.com
- 3 Universidade Federal de Goiás, sabrinnaaparecida@gmail.com

4 Universidade Federal de Goiás, lgenovese@ufg.br

Resumo: Este trabalho aborda o papel do Fisikest, um podcast voltado para a formação inicial de professores, à luz das noções de esfera e espaço de Peter Sloterdijk. A análise qualitativa, baseada na metodologia de análise de conteúdo de Bardin (2016), explorou quatro textos produzidos pelos autores, centrados na criação de espaços de interação e solidariedade na formação docente, no contexto do curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de Goiás. O Fisikest, criado pelo Grande Grupo de Pesquisa (GGP), é interpretado como um espaço híbrido, onde ocorre a interseção entre a universidade e o espaço escolar. Esse ambiente promove a interação entre alunos da licenciatura e estudantes da educação básica, funcionando como uma ponte formativa entre os dois contextos. Destacam-se os verbos "conversar" e "estar", que permeiam esses textos e refletem a importância da troca e da presença ativa no desenvolvimento de um ambiente formativo acolhedor. O Fisikest é interpretado como um "mimo pós-moderno", um espaço de difícil acesso no mundo contemporâneo, que resgata o sentido de comunidade e permite a construção de solidariedades e cuidado com o outro em ambientes psíquicos. Além disso, a autoinspiração do GGP é sustentada por técnicas climáticas etnoesféricas, derivadas de diversas culturas científicas e familiares, permitindo a criação de políticas de espaço que facilitam a formação docente em um contexto de esferas subjetivas e interconectadas.

Palavras-chave : Podcast; Sloterdijk; Forma-ação.

## Introdução

Peter Sloterdijk, em sua trilogia das Esferas, expõe que a vida é uma questão de forma. Habitar, coabitar e construir espaços é fundamental para a existência humana. Viver em esferas morfoimunológicas, que permitem o desenvolvimento e o relacionamento, é o que nos torna humanos (SLOTERDIJK, 2016, p. 44). Inspirados por esse pensamento, propomos refletir sobre como o Fisikest , um podcast criado no Instituto de Física da UFG, funciona como um espaço habitável e imunologicamente eficaz. André Gorz, em seu livro O Imaterial (GORZ, 2005), já destacava sobre como o mundo contemporâneo não é mais o mundo do capital descrito por Karl Marx (MARX, 2013). É neste cenário que o Ensino de Ciências, se encontra, permeado e imerso neste contexto, onde a educação se torna um dos meio de escoamento desta lógica presente no capital imaterial, com uma vida vazia e minada pelo trabalho. Peter Sloterdijk argumenta que a cultura humanista falhou em consolidar uma educação que atenda às necessidades contemporâneas (AMORIM, 2023). Ele defende uma educação pós-humanista que enfrente as dicotomias, pois a chegada da TV, rádio e mídias digitais enfraqueceu o humanismo, criando um descompasso com o mundo do capital imaterial denunciado por Gorz

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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

(GORZ, 2005). Uma solução para esse descompasso, segundo Sloterdijk, é a criação de espaços de mimo pós-modernos (AMORIM, 2023). Espaço de mimo onde os indivíduos constroem sua segurança e identidade. Esses espaços funcionam como "esferas" de convivência, proteção e coesão social, e de identidade. E neste cenário que esta pesquisa busca objetivar a seguinte pergunta: em que medida o Grande Grupo de Pesquisa (GGP), objetivado no podcast Fisikest, consegue ser esse espaço de mimo pós-moderno? E quais as ponderações em se pensar tais questões para o ensino de ciências?

## Referencial Teórico

Peter Sloterdijk, renomado filósofo alemão nascido em 26 de junho de 1947, é um pensador prolífico cujas contribuições se estendem da antropologia filosófica à crítica da modernidade. Autor do célebre "Crítica da Razão Cínica" (1983) e da trilogia "Esferas" (1998-2004), Sloterdijk aborda uma vasta gama de temas com uma criticidade e perspicácia notável, explorando conceitos como transferência, esferas, ressonância, espaço interior, díade e espaço íntimo. Para Sloterdijk, "as histórias de amor são histórias de formas, e toda solidarização é a formação de uma esfera, ou seja, a criação de um espaço interior" (SLOTERDIJK, 2016, p. 15). Em seu primeiro livro, ele começa com a imagem de um menino que, ao soprar uma bola de sabão, a observa com admiração. Esse exemplo inicial serve para introduzir a ideia de que as esferas, mesmo provisórias, constituem um espaço biunitário comum de vida e experiência. Sloterdijk é um pensador que dissolve as distinções tradicionais entre natureza e cultura, e entre ser humano e natureza. Sua filosofia do íntimo se desenvolve a partir de Heidegger, mas em oposição a ele, focando não no dasein (Ser-aí), mas no mitsein (Ser-com), conceito central em sua teoria das esferas. Para Sloterdijk, a análise do ser começa na medialidade, evitando a dicotomia entre sujeito e objeto e estabelecendo uma ontologia da intimidade.

Bruno Latour, por sua vez, explora a ideia de híbridos, argumentando que elementos não devem ser considerados inferiores aos humanos, uma perspectiva que ressoa com a teoria de Sloterdijk. Pitta (2020) sugere uma convergência entre os dois teóricos ao discutir uma "antropologia cibernética", ou uma ontoantropologia, que permite pensar a subjetividade como um coletivo envolvendo "sujeitos", "objetos" e "meio". Sloterdijk, ao refletir sobre o dasein e a afirmação "Dasein está no mundo", questiona: "No onde?" (LATOUR, 2023). Está em uma sala com ar-condicionado? Fora dela, em um espaço público ou privado? Não há um "fora", pois o que consideramos fora é apenas outro dentro, com diferentes condições de imunidade e controle. Essa perspectiva pode ser ampliada ao incorporar a noção de Latour sobre o rastreamento de híbridos, permitindo-nos observar como diferentes elementos - como a sala, os microfones, as pessoas e o processo de formação se conectam para formar redes sociotécnicas. No espaço analisado, identificamos possibilidades para a formação inicial de professores, com foco nos discentes que cursam a licenciatura em Física. O Fisikest e, como veremos, o GGP são espaços onde ocorre essa formação, vinculada ao Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás. Assim, as esferas de intimidade e solidariedade descritas por Sloterdijk podem ser entendidas como parte de uma rede sociotécnica mais ampla, na qual componentes humanos e não humanos se interligam para criar ambientes que moldam tanto as experiências quanto às formações. Essa perspectiva revela a complexidade das interações que constituem a realidade social contemporânea.

## Metodologia

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O presente estudo tem como base uma abordagem qualitativa, fundamentada na análise de conteúdo proposta por Bardin (2016), com o objetivo de aprofundar a compreensão sobre o tema Fisikest e sua relação com a formação inicial de professores. A análise de conteúdo foi escolhida por sua capacidade de sistematizar e interpretar dados qualitativos de forma objetiva e rigorosa, permitindo a extração de categorias e significados latentes nos textos. Para potencializar essa análise, foi utilizado o software Iramuteq, uma ferramenta robusta e amplamente empregada em estudos qualitativos, que oferece recursos tanto para a segmentação textual quanto para a visualização de dados, como nuvens de palavras e análise de similitude. O corpus deste estudo é composto por quatro textos selecionados, todos produzidos pelos autores e que tratam do Fisikest como tema central.

Os textos aqui escolhidos (MEIRA, 2021a; MEIRA, 2021b; MEIRA, 2022; MEIRA, 2023) fazem parte de produções realizadas que teve como assunto o Fisikest, e foram trabalhos oriundos pelos integrantes do projeto. Esses textos foram escolhidos com base em sua relevância para a pesquisa e sua abordagem sobre a noção de espaço e as dinâmicas de interação dentro da formação de professores. Cada texto foi cuidadosamente lido e codificado, seguindo as etapas da análise de conteúdo descritas por Bardin (2016), que incluem a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados.

Na fase de pré-análise, foi realizada uma leitura flutuante para identificar ideias-chave e temáticas recorrentes. Em seguida, na exploração do material, o software Iramuteq foi empregado para auxiliar na segmentação dos textos e na categorização das unidades de sentido. Nesse processo, foram destacadas as contribuições dos textos no que diz respeito ao espaço de interação, à solidariedade e ao impacto dessas dinâmicas na formação inicial de professores. O uso do Iramuteq possibilitou uma análise visual e estatística, o que complementou a leitura interpretativa e manual dos textos, fornecendo uma visão mais abrangente das relações presentes nos dados.

Com o software, foi realizada uma análise de similitude e uma nuvem de palavras. A análise de similitude no Iramuteq busca identificar as conexões entre as palavras de um texto, criando redes que mostram como os termos estão associados. Esse método ajuda a visualizar a estrutura semântica do conteúdo, destacando os conceitos mais relevantes e suas relações. Com isso, é possível entender melhor os temas centrais e a organização das ideias no corpus analisado. A nuvem de palavras no Iramuteq é uma representação gráfica que destaca os termos mais frequentes em um corpus, utilizando diferentes tamanhos para indicar sua relevância. Essa visualização permite identificar rapidamente os principais temas ou conceitos abordados no texto, auxiliando na interpretação inicial do conteúdo.

Por fim, os resultados foram interpretados à luz do referencial teórico adotado, buscando captar tanto as representações espaciais quanto as ações e contribuições descritas nos textos, que evidenciam um efeito desse espaço de interação sobre a formação docente. Essas categorias e subcategorias emergiram da análise de conteúdo, sendo posteriormente discutidas em articulação com a literatura existente sobre o tema. Dessa forma, a metodologia adotada permitiu não apenas uma análise detalhada dos textos selecionados, mas também uma visualização clara das interações entre as temáticas discutidas, proporcionando uma contribuição significativa para o entendimento do papel do Fisikest na formação de futuros professores.

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## Fisikest: Meio e Espaço imunológico

O Grande Grupo de Pesquisa (GGP) (GENOVESE; GENOVESE, 2012), sediado no Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás, reúne diversos pequenos grupos de pesquisa (PGP) e serve como base para atividades como o estágio supervisionado em licenciatura em Física. Dentro desse contexto de formação crítica e reflexiva, quadripolar, envolvendo quatro entes indissociáveis Aluno-formador (escola), Licenciando-Formador (universidade), Professor-Formador (escola) e Docente-Formador (universidade) (GENOVEZ, 2008) - abre-se uma janela para observar a formação de possíveis esferas, ou espaços morfoimunológicos de cuidado e desenvolvimento (Sloterdijk, 2016). O GGP, sob nossa perspectiva, é interpretado como uma esfera imunológica artificial, que cresce em inclusividade e promove o desenvolvimento da consciência. O Oikos, que inaugura o espaço discutido, não possui uma origem precisa, mas emerge de uma ideia do Autor², com o apoio do Autor³. Esse conceito é formalizado no Projeto de Investigação Simplificado (PIS) e na Escrita do Esboço de Autoanálise, onde o licenciando formador reflete sobre sua trajetória e motivos que o levaram até o presente momento. A comunicação foi um aspecto marcante em sua formação, desde o curso Técnico em Telecomunicações no Instituto Federal de Goiás, integrado ao Ensino Médio, onde surgiram os primeiros indícios da ideia de um podcast.

O Fisikest, concebido durante a pandemia da Covid-19 (SARS-CoV-2), quando as interações sociais e educativas foram transferidas para o ambiente virtual, se destaca por seu surgimento nesse contexto de isolamento. A criação desse podcast revela o primeiro indício dos elementos do pós-humanismo que se manifestam. A socialização via internet, e a educação é uma de suas características centrais. O Fisikest é um podcast que tem como princípio, entrevistar, conversar com os 4 entes que agregam a formação docente que formam esse espaço no ensino de Física do Instituto de Física da UFG, sendo eles: Aluno formador da escola, Aluno da Universidade, Professor da Escola, e Professor da universidade (Figura 1). No presente tempo, novembro 2024, o Fisikest conta com mais de 60 podcast gravados, com participação de mais de 40 convidados, além de participação em Escola das profissões, e até mesmo entrevistas feitas na escola (Figura 2).

Figura 1 -Sala e espaço onde ocorre o Fisikest

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Fonte: Fotografia capturada pelos autores.

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Figura 2 -Fisikest realizado na Escola com os Alunos formadores

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Fonte: Fotografia capturada pelos autores.

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O Fisikest pode ser compreendido como uma analogia ao fogo descrito por Sloterdijk em sua esferologia, funcionando como um espaço de interação comunitária. Este ambiente de troca, onde se investe tempo e energia em ouvir e possibilitar ser tocados pelas histórias dos outros, pode oferecer, vislumbre para os espaços de mimo, descritos por Sloterdijk. As pautas, de conversa do Fisikest, além de falar do convidado, emerge assuntos sobre ciência, sobre Física, envolve pautas, sobre o que é a vida, a arte, a educação. Os convidados são vastos, desde alunos-formadores, licenciandos formadores, professores-formadores, docentes-formadores.

A figura 3 abaixo, apresenta a Análise de similitude dos fragmentos dos textos, para poder observar a relação entre as palavras e suas conexões.

Figura 3 -Análise de similitude dos textos analisadosFonte: Elaborado pelos autores.

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O verbo "estar", por sua vez, conecta-se à noção de presença. Ele reflete o espaço de permanência e pertencimento proporcionado pelo Fisikest, um lugar onde os alunos não apenas consomem informações, mas se sentem parte de um ambiente formativo e acolhedor. O "estar" denota uma permanência ativa, uma imersão que facilita o desenvolvimento de reflexões críticas e criativas, fundamentais para a formação de professores. Ambos os verbos indicam que o Fisikest oferece um espaço onde os alunos podem "estar" juntos, compartilhando e construindo conhecimentos de forma colaborativa. Esse ambiente de conversa e presença reflete uma busca por sentido em um espaço de formação que vai além das barreiras tradicionais da sala de aula, proporcionando um espaço de difícil acesso no mundo contemporâneo, onde o individualismo e a dispersão tecnológica muitas vezes limitam essas experiências formativas. Esse processo de "conversar" e "estar" está intimamente ligado à autoinspiração do GGP, sustentada pelo uso de técnicas climáticas etnoesféricas, conforme figura 3. Essas práticas, oriundas de diversas culturas científicas e familiares, permitem a criação de políticas de espaço que promovem solidariedade e intimidade em ambientes psíquicos. No contexto das esferas subjetivas interconectadas de Sloterdijk, o Fisikest emerge como um espaço imunizador, onde a criação de laços solidários se torna possível, restaurando o cuidado com o outro e fortalecendo a formação docente.

A figura abaixo, figura 4, revela a nuvem de palavras com os textos analisados, e agrupados para expressar a relevância e as palavras com mais frequência, nos fragmentos.

Figura 4 - Nuvem de palavras do recorte do conjunto de Textos

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Fonte: Elaborado pelos autores.

Diante das imagens acima recortadas dos trabalhos realizados tendo o Fisikest como foco, é possível objetivar os verbos que permeiam esses textos, revelando aspectos fundamentais da dinâmica proposta. Os verbos "conversar" e "estar" se destacam, não apenas pela frequência com que aparecem, mas também por sua centralidade na criação de significado dentro desse espaço, vide figura 4. Esses verbos refletem o ato de interação e presença, características essenciais na construção de um ambiente que visa promover a formação de alunos durante a graduação. "Conversar" assume uma importância vital ao remeter diretamente ao espaço de troca de saberes e experiências, um espaço que transcende o tradicional modelo de ensino unidirecional e que, em vez disso, valoriza a reciprocidade e o compartilhamento. No contexto do Fisikest, a conversa não é apenas uma prática pedagógica, mas uma técnica etnoesférica que possibilita a criação de um clima intelectual e afetivo, alinhado com a formação humana e docente. Assim,

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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

"conversar" aqui se transforma em um ato de resistência contra a fragmentação do conhecimento e a alienação dentro do mundo moderno, onde a transmissão de saberes se tornou cada vez mais impessoal.

## Conclusão

Neste estudo refletiu-se sobre a aplicação das ideias de esfera e espaço de Peter Sloterdijk no contexto da formação de professores, abordando como o Fisikest, por meio do formato de podcast, contribui para a criação de um "mimo pós-moderno". Esse espaço simbólico oferece um local de intimidade e troca em um mundo cada vez mais fragmentado e de difícil acesso para a reflexão crítica e pedagógica. Através do Fisikest, ou outros espaços de conversa semelhantes, é possível resgatar e cultivar um ambiente de acolhimento, onde a formação docente não apenas se enriquece, mas também possibilita a construção de uma esfera de proteção emocional e intelectual. Em uma era marcada por "espumas" - metáfora de Sloterdijk para descrever a conectividade fragmentada e interligada das esferas subjetivas -, o Fisikest se destaca como um espaço imunizador de intimidade, onde solidariedades podem ser restauradas e o cuidado com o outro pode ser cultivado, especialmente em ambientes psíquicos muitas vezes negligenciados no cotidiano educacional.

Além disso, a autoinspiração proporcionada pelo GGP (Grupo de Gravação e Produção) é mantida através do uso contínuo de técnicas climáticas etnoesféricas, que se baseiam em tradições científicas e familiares variadas. Essas técnicas permitem a criação de "políticas de espaço" no mundo contemporâneo, onde as esferas sociais e culturais não são mais totalizantes, mas sim plurais e interconectadas. O Fisikest, neste sentido, torna-se um local de resistência e reconstrução da intimidade e solidariedade, proporcionando aos futuros professores um espaço onde podem se reconectar com as dinâmicas de cuidado e troca de saberes, muitas vezes ausentes nas formas tradicionais de ensino. Por fim, espera-se que as reflexões iniciadas neste trabalho possam ser aprofundadas em estudos futuros, tanto no campo universitário quanto no escolar. Esses novos espaços de conversa e interação, como os proporcionados pelo Fisikest, têm o potencial de transformar a formação de professores e, com isso, promover novas formas de solidariedade e cooperação em um mundo cada vez mais fragmentado e digitalizado.

## Referências

AMORIM, W. L. Sloterdijk e a domesticação pós-humanista em Heidegger . 2023.

BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo . São Paulo: Edições 70, 2016.

GENOVESE, L. G. R; GENOVESE C. L. C. R. Estratégias de construção de conhecimento : professores e futuros professores como agentes da reflexão e criticidade. Licenciatura em Física - Estágio Supervisionado em Física: considerações preliminares. FUNAPE, 2012.

GENOVEZ, L. G. R Homo Magister: Conhecimento e reconhecimento de uma professora de ciências pelo campo escolar. Tese. (Doutorado em Ensino de Ciências) Faculdade de Ciências, UNESP , BAURU, 2008.

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GORZ, André. O imaterial. Conhecimento, valor e capital . São Paulo: Annablume, 2005.

LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica . São Paulo: Editora 34, 2019.

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MEIRA, Jeovan Batista; SILVA, Aryane Beatriz de Souza; GENOVESE, Luiz Gonzaga Roversi; LEANDRO, Alex Benício. O processo de adaptação ao ensino remoto sob diferentes perspectivas . In: SEMINÁRIO DE ESTÁGIO E PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA - SEPEF, 6., 2021, Goiânia. Anais... Goiânia: [Entidade Organizadora], 2021 a.

MEIRA, Jeovan Batista; BENÍCIO, Alex; GONZAGA, Luiz. Sobre a influência do campo no discurso discente. In: CONGRESSO DE PESQUISA ENSINO E EXTENSÃO - CONPEEX, 2021 b.

MEIRA, Jeovan Batista; OLIVEIRA, David Alves de; MUNIZ, Abimael Carlos; ORSINI, Marco Antônio Figueiredo; FERREIRA, Lais Carla Matos; LIMA, Isabella Marinho de; GENOVESE, Luiz Gonzaga Roversi. Fisikest - Gênesis e sua provocação Filomeniana. In: SEMANA DA FÍSICA DO IF/UFG, 39., 2022, Goiânia. Anais... Goiânia: [Entidade Organizadora], 2022.

MEIRA, Jeovan Batista; MUNIZ, Abimael Carlos; GENOVESE, Luiz. Campo e o discurso discente . In: SEMINÁRIO DE ESTÁGIO E PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA - VII SEPEF., 2023, Goiânia. Anais... Goiânia: [Entidade Organizadora], 2023.

PITTA, M. F.; WEBER, J. F. Conquistar o Tertium Datur: Sloterdijk em defesa de uma 'antropologia cibernética' (entre Heidegger, Günther e Latour) . Trans/Form/Ação, v. 43, n. 1, p. 189-212, jan. 2020.

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PORTUGAL, Daniel B.; KUSSLER, Leonardo Marques; HAGGE, Wandyr (Org.). Quando fazer é pensar [livro eletrônico]: conectando design e filosofia . Rio de Janeiro: PPDESDI, 2023.

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