Desenvolvendo um constructo na formação de professores de Física: Uma análise sobre tecnologia
Marcelo Bomfim Corrêa, Julio Cesar Dos Santos Moreira, , , Glauco S F Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 24/01/2025
- Linha de pesquisa
- Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## Desenvolvendo um constructo na formação de professores de Física: Uma análise sobre tecnologia
## Marcelo Bomfim Corrêa 1 , Julio Cesar dos Santos Moreira 2 , Glauco dos Santos Ferreira da Silva³
1 P rograma de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Educação/CEFET-RJ/ /marcelobomfimcorrea@gmail.com
- 2 Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Educação/CEFET-RJ/UERJCEDERJ-CECIERJ juliusmoreira@gmail.com
## Resumo
Este trabalho é um recorte de uma construção que vem sendo desenvolvida no curso de doutorado do programa de pós-graduação de Ciência, Tecnologia e Educação (CFETE-RJ). Aqui investigamos como a formação inicial de professores de física aborda o conceito de tecnologia. Para isso, analisamos os fluxogramas e os ementários de duas universidades do estado do Rio de Janeiro (UFRJ e CEFET/RJ) para entender como a tecnologia é integrada nas disciplinas ofertadas. A metodologia utilizada foi análise documental. Buscamos, nos documentos, a palavra tecnologia e como ela se relaciona nas disciplinas e na formação inicial. Ao analisar os ementários dos cursos, constatou-se que a abordagem da tecnologia nas disciplinas de física é predominantemente instrumental, ou seja, as ferramentas tecnológicas são vistas como recursos para ensinar conteúdos, mas não como objetos de estudo em si. A formação inicial, em geral, se concentra mais em formar os professores a usarem ferramentas tecnológicas do que a refletir sobre o papel da tecnologia na educação e na sociedade. Os cursos não oferecem disciplinas específicas para discutir a natureza da tecnologia, suas implicações sociais e como ela pode ser usada de forma crítica e pedagógica. As análises ainda mostram que é fundamental uma formação mais ampla sobre tecnologia, que inclua reflexões sobre o papel das tecnologias na educação, suas implicações sociais e a necessidade de uma abordagem crítica.
Palavras-chave : Formação de professores, Ensino de Física, Tecnologias
## Introdução
Neste trabalho damos alguns passos ao que entendemos que serão os insumos para uma reflexão mais ampla sobre a formação inicial de professores de física ao que tange o conhecimento tecnológico, a partir da investigação dos fluxogramas das licenciaturas e ementas das disciplinas e do Projeto Pedagógico do Curso (PPC), de duas universidades: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ / Petrópolis).
Nos alinhamos com a concepção de Mishra e Koehler (2006, 2008a, 2008b), Aziz (2010) e Pinto (2005) que compreendem a tecnologia não só como ferramentas, informação e comunicação, mas também como conceito. Portanto, nosso objetivo geral é investigar como a abordagem conceitual da tecnologia na formação inicial dos professores de Física é abordada nos documentos dos cursos de licenciatura.
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Este trabalho é um recorte de uma pesquisa de doutorado que visa analisar os projetos pedagógicos de curso (PPCs) das licenciaturas de universidades públicas no estado do Rio de Janeiro. Aqui, analisamos, apenas os fluxogramas e ementários de duas licenciaturas: Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET-RJ) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Estas universidades foram escolhidas por critérios de acessibilidade dos documentos até a data para envio deste trabalho. As discussões aqui apresentadas servirão de insumos para em aprofundar a compreensão da formação inicial de professores de Física na região.
## Referencial Teórico
Antes de adentrarmos na discussão sobre a tecnologia, é crucial definir o conceito de técnica, segundo a perspectiva de Pinto (2005). Para o autor, a técnica é uma característica inerente à ação humana, que se manifesta na capacidade de estabelecer conexões lógicas entre os elementos da realidade e, a partir dessas conexões, transformar a natureza por meio da invenção e da construção.
Pinto (2005) traz quatro significados para o termo tecnologia. Primeiro, no sentido etimológico, a tecnologia é a teoria, a ciência, o estudo, a discussão da técnica, abrangidas nesta última noção as artes, as habilidades do fazer, as profissões e, generalizadamente, os modos de produzir alguma coisa. Na segunda definição, a tecnologia equivale pura e simplesmente à técnica, sendo ambos os termos utilizados como sinônimos, e o seu sentido é intercambiável, popular e sem rigor definido. No terceiro sentido, o termo tecnologia se refere ao conjunto de todas as técnicas de que uma determinada sociedade dispõe, em uma dada fase histórica de seu desenvolvimento. E por último, a tecnologia é vista como a ideologização da técnica. De acordo com Batschauer (2020) e Silva (2020), este último termo é o mais utilizado nos trabalhos relacionados ao conhecimento tecnológico, não definindo, um referencial sobre a natureza da tecnologia, utilizando-a de forma ingênua, sem uma definição crítica, ou utilizando apenas como aparato ou ferramenta.
## Metodologia
Este trabalho tem como procedimento metodológico a pesquisa documental. Segundo Gil (2017), a pesquisa documental consiste em um procedimento metodológico que se baseia na coleta e análise de dados obtidos a partir de fontes documentais. Essas fontes podem ser tanto primárias (documentos originais) quanto secundárias (interpretações e análises de outras pesquisas). Ao utilizar essa metodologia, busca-se responder a questões de pesquisa específicas, tanto do passado quanto do presente, aprofundando o conhecimento sobre determinado tema a partir de registros escritos, visuais ou sonoros.
Assim, realizamos uma busca, no portal e-mec (emec.mec.gov.br/emec/nova), através de uma consulta textual, onde no campo curso, colocamos a palavra 'Física' e marcamos a opção pesquisa exata. No campo 'UF' colocamos o estado do 'Rio de Janeiro', marcamos com sim a opção 'gratuidade do curso', a modalidade marcamos a 'presencial', o grau que escolhemos foi 'licenciatura' e a situação colocamos como 'em atividade'. Após selecionar esses caracteres, encontramos 11 cursos de licenciaturas em física no Estado do Rio de Janeiro. Porém, só conseguimos acessar os ementários de duas instituições de
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ensino superior do Rio de Janeiro: a UFRJ e o CEFET/RJ - Campus Petrópolis. Na página inicial dos cursos, baixamos os fluxogramas e a partir do acesso dos ementários, buscamos identificar a frequência e a forma como o termo 'tecnologia' é relacionada nas disciplinas.
- O curso de licenciatura da UFRJ é estruturado como:
Quadro 1 : Distribuição da carga horária do Curso de Licenciatura em Física
Já o curso CEFET/RJ - Petrópolis é estruturado como:
Quadro 2 : Distribuição da carga horária CEFET/RJ - Petrópolis
Ambos os cursos têm um total de pelo menos 3.200 horas e ambos buscam promover um ensino inclusivo, integrando práticas pedagógicas, pesquisa e extensão.
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Essa abordagem visa garantir a acessibilidade em todas as suas dimensões, desde a infraestrutura até os materiais didáticos.
Enquanto o curso da UFRJ se estrutura de forma linear, seguindo o modelo três em um (três anos de Física e um ano de Pedagogia), o curso do CEFET apresenta uma organização curricular mais flexível, com subáreas de conhecimento interligadas. No entanto, em ambos os casos, a abordagem da tecnologia não é explicitada, o que indica uma possível lacuna na formação dos futuros professores. No entanto, ao observarmos os fluxogramas 1 , não identificamos uma disciplina específica dedicada à tecnologia.
Contabilizamos a palavra tecnologia aparece vinte e três vezes no ementário da UFRJ e dezesseis vezes no ementário do CEFET-RJ. Porém, na maioria das ocasiões, aparece como o nome de um centro de estudo, nome de algum lugar específico ou referência bibliográfica. Para ambas as universidades esses casos não foram considerados como foco de análise, devido à natureza do trabalho.
Iniciando pela análise da UFRJ, as disciplinas que mencionam a tecnologia são as do quadro:
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Dentre as atividades previstas temos: medida de objetos no céu, publicação de materiais e discussão de assuntos pela Web, modelagem 2D e 3D de fenômenos, processamento de imagens.
Quadro 3 : Disciplinas UFRJ que mencionam Tecnologia
A primeira disciplina descreve no objetivo o que o nosso referencial teórico menciona como a primeiro significado sobre tecnologia. Essa relação demonstra que a tecnologia não se limita apenas a um conjunto de ferramentas, mas constitui um modo de ser no mundo, uma forma de relação entre o homem e a natureza, que podemos entender como professor e sala de aula. O objetivo de desenvolver recursos que possam ser aplicados em salas de aula do ensino básico a partir de uma análise conceitual, indica uma intenção de tornar o ensino de Física mais acessível e envolvente para os alunos. Assim, essa relação demonstra que a tecnologia não é neutra, mas sim carregada de valores e significados culturais. Logo, o texto exige uma reflexão crítica sobre os valores que essas tecnologias difundem e sobre os seus impactos na construção da identidade cultural. O texto também propõe uma reflexão para identificar se as novas tecnologias estão sendo utilizadas para ampliar as possibilidades de aprendizagem ou se estão servindo para reproduzir modelos de ensino tradicionais, apenas em um formato digital.
Na disciplina monografia, ao tentar aprofundar temas específicos da Física com outros aspectos, o texto estabelece uma relação com a primeira e a terceira definição de tecnologia. A proposta de produzir uma prática a partir dos conhecimentos correlacionada as tecnologias digitais, buscam alinhar uma reflexão sobre o processo de ensino, onde o professor seja capaz de mediar as relações entre os alunos, os conteúdos e as tecnologias, promovendo a construção de conhecimentos significativos e a formação de cidadãos críticos e conscientes.
A proposta da disciplina eletiva, demonstra uma relação à discussão sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). As TICs são apresentadas como ferramentas de apoio à disciplina, sem uma análise crítica sobre seu papel no processo de ensino e aprendizagem. Essa abordagem se aproxima da quarta definição de tecnologia proposta por Pinto (2015), que a concebe como um instrumento auxiliar, desconsiderando suas implicações sociais e culturais.
Já os documentos do CEFET/RJ foram analisados a partir do quadro abaixo:
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Quadro 4 : Disciplinas CEFET/RJ que mencionam Tecnologia
Na primeira disciplina, a ementa apresenta a ciência não como um conjunto de verdades absolutas, mas como um processo de construção e reconstrução de modelos, evidenciando as controvérsias e debates que permeiam a história da ciência. A utilização de novas tecnologias de informação e comunicação no ensino de Física permite a criação de ambientes de aprendizagem mais dinâmicos e interativos, facilitando a visualização de conceitos complexos e a resolução de problemas.
No entanto, é necessário considerar aspectos como a especificidade das tecnologias a serem utilizadas, a forma como os diferentes elementos serão articulados e os objetivos de aprendizagem a serem alcançados. Nesta ementa, o quarto caso se mostra presente, pois a tecnologia não é acompanhada de uma reflexão crítica sobre seus impactos tanto na disciplina quanto na ciência.
Na segunda disciplina, o documento evidencia uma relação entre educação e tecnologia, mas bem no início, o texto evidencia que a tecnologia será utilizada como o meio e não como o conceito a ser estudado. Essa identificação fica mais explicita ao destacar as potencialidades das TDIC's em criar um espaço onde os licenciandos possam explorar, investigar e interagir com conteúdo de forma autônoma e colaborativa. Nesse caso, segundo nosso referencial, identificamos a terceira definição sobre tecnologia.
## Discussões
A formação de professores de Física, tanto na UFRJ quanto no CEFET, apresenta relações bem modestas na formação quando relacionada a tecnologia. A análise dos fluxogramas curriculares de ambas as instituições demonstra que, apesar de suas diferenças metodológicas, a abordagem conceitual da tecnologia não ficou bem explicita. Diante desse panorama, a formação dos futuros docentes para atuarem em um contexto educacional cada vez mais digital tem algumas lacunas, como por exemplo uma disciplina específica, que possa abordar diversos conceitos sobre tecnologia e como eles podem ser empregados na sala de aula.
Já a análise dos ementários apresenta diferentes propostas pedagógicas que envolvem a utilização de tecnologias no ensino de Física. A principal discussão gira
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em torno de como a tecnologia é concebida e integrada aos processos de ensino e aprendizagem. Nossas análises indicam em um caminho que as formações podem ir além de uma visão instrumental da tecnologia, que a reduz a um mero aparato auxiliar das disciplinas, se alinhando com Pinto (2005).
Tanto na primeira quanto na segunda disciplina, o conceito de tecnologia é explorado sob a perspectiva de desenvolver práticas e recursos que possam auxiliar o processo de ensino e aprendizagem. Nos alinhamos com os textos das disciplinas, que indicam que a tecnologia deve estar presente em todas as etapas do processo educacional, desde a seleção dos conteúdos até a escolha das ferramentas e recursos digitais. Além disso, as ementas também destacam a necessidade de uma reflexão constante sobre a forma como a tecnologia está sendo integrada às práticas pedagógicas e como ela pode contribuir para a construção do conhecimento dos estudantes.
As disciplinas astronomia informação e comunicação e oficina de projetos de Ensino em Física: ondulatória e eletromagnetismo, ao se alinharem com a quarta definição de tecnologia do referencial teórico, demonstram a necessidade de uma discussão mais aprofundada sobre o papel das TICs na educação. Entendemos que o ementário é um suporte. E nesse caminho adicionamos que, embora as TICs sejam mencionadas como ferramentas importantes, a falta de uma análise crítica sobre suas características, potencialidades e limites impede que sejam utilizadas agregando significados para os estudantes e professores.
A disciplina: novas tecnologias no ensino de Física ao apresentar um panorama das tecnologias disponíveis, evidencia a distância entre o potencial dessas ferramentas e sua efetiva utilização em sala de aula. A falta de recursos financeiros, a desigualdade digital e a formação inadequada dos professores são alguns dos fatores que limitam a implementação das novas tecnologias no ensino de Física e constitui alguns problemas, no qual a disciplina busca superar.
E ambas as universidades não apresentam uma disciplina especifica sobre tecnologia, onde pode ser abordado diferentes referenciais que abordam o conceito, reflexões epistemológicas, debates teóricos e implicações de como a tecnologia é utilizada na sociedade para além de ferramenta ou TDIC's. Ambas as universidades estão alinhadas em propor a inserção da tecnologia no ensino, porém, torna fundamental que as formações de professores compreendam as diferentes concepções de tecnologia e sejam capazes de escolher e utilizar as mais adequadas para promover a aprendizagem significativa dos alunos.
## Referências
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