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O QUE DIZEM OS PESQUISADORES BRASILEIROS SOBRE AS JUSTIFICATIVAS PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA

Rodolfo Langhi, Roberto Nardi

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
07/06/2011
Linha de pesquisa
Questões Teórico-Metodológicas E Novas Demandas Na Pesquisa Em Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O QUE DIZEM OS PESQUISADORES BRASILEIROS SOBRE AS JUSTIFICATIVAS PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA WHAT DO THE BRAZILIAN RESEARCHERS SAY ABOUT JUSTIFICATIONS FOR TEACHING ASTRONOMY

## Rodolfo Langhi 1 , Roberto Nardi 2

- 1 Professor Adjunto. Departamento de Física. Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências. UFMS, Campo Grande. Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciências (UNESP/Bauru). Apoio: CAPES. [e-mail: rodolfo@dfi.ufms.br]

2 Professor Adjunto, Livre Docente. Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciências. Departamento de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação

- para a Ciência. Faculdade de Ciências. UNESP, Campus de Bauru. Apoio CNPq. [e-mail: nardi@fc.unesp.br]

Palavras-chave: Educação em Astronomia; teoria das representações sociais; discurso do sujeito coletivo.

## 1) Justificativa e objetivos

Apesar do recente interesse pelos pesquisadores sobre o tema Educação em Astronomia , o ensino de conteúdos desta natureza, historicamente, não parece ter sido uma questão muito investigada em território brasileiro, de modo que sua presença foi se tornando, ao longo das décadas e reformas educacionais, cada vez mais rarefeita - e, em muitos casos, ausente - na educação básica (Bretones, 1999). A produção nacional de 61 trabalhos de pós-graduação de 1973 a 2010 sobre Educação em Astronomia confirma quão insipiente se encontra esta área (Langhi, 2009; Bretones, 2010). É neste contexto que justificamos a necessidade de uma retomada de reflexões sobre a importância da abordagem de temas como a Astronomia nas escolas. Porém, a fim de catalisar articulações inovadoras do trabalho docente a esse respeito, acreditamos que seja preciso um estudo sistemático acerca das justificativas para a inserção deste tema na educação básica, conforme apresentadas em pesquisas nacionais da área. Por isso, levantamos o seguinte questionamento: o que o pesquisador brasileiro afirma como justificativas para o ensino da Astronomia? A fim de apontar caminhos em busca de possíveis respostas a esta problemática, este trabalho objetivou efetuar uma análise qualitativa de uma amostra de artigos acadêmicos publicados em revistas qualificadas, representantes da produção científica nacional, cuja temática relacionase com Educação em Astronomia. Por meio dos procedimentos do Discurso do Sujeito Coletivo, os excertos discursivos dos pesquisadores, materializados em seus textos, forneceram subsídios para, em termos gerais, procurarmos responder: por que ensinar Astronomia?

## 2) Marco Teórico

A noção de sujeito coletivo baseia-se principalmente nos pressupostos da Teoria das Representações Sociais e das Representações Coletivas, principalmente com contribuições significativas de Emile Durkheim, Serge Moscovici e Denise Jodelet, recebendo maior atenção a partir do início da década de 1960, conforme apontam Duarte, Mamede e Andrade (2009). Estes autores sintetizam a compreensão das Representações Sociais como um processo social a partir de estruturas individuais, embora compartilhadas dialeticamente na comunicação e no discurso. Este compartilhamento pode se referir, dentre outros elementos, a um signo numa comunidade ou sociedade, a qual, no caso particular do presente estudo, remete-se à comunidade acadêmica dos pesquisadores que comunicam seus resultados de pesquisas em revistas qualificadas de áreas correlatas à

Educação em Astronomia, uma vez que o objetivo principal é a construção social e coletiva da imagem (domínio simbólico) relativa às justificativas para o ensino da Astronomia, presentes em sua estrutura discursiva. Assim, neste trabalho, os indivíduos pertencentes à coletividade ligada à comunidade de pesquisadores, que publicaram sobre o tema em questão, são geradores de uma representação social acerca dos elementos que justificam a importância do ensino da Astronomia. Deste modo, tais sujeitos abandonam sua individualidade a fim de serem incorporados em um discurso, conduzindo à noção de sujeito coletivo, sob a luz desta fundamentação. Portanto, consideramos, neste estudo, o pesquisador brasileiro enquanto um sujeito coletivo, cujo discurso é analisado nos registros de uma amostra de artigos que representam as comunicações científicas produzidas por sua coletividade, apoiando-se a remodelagem deste discurso principalmente em Lefevre, Lefevre e Teixeira (2000), cuja proposta denomina-se de Discurso do Sujeito Coletivo (DSC).

## 3) Metodologia e Análise de pesquisa

Apoiando-se nos estudos e levantamentos de Marrone Júnior (2007) e Iachel (2009), limitamos a nossa amostra por efetuar a procura por artigos publicados entre 1985 e 2008, que abordassem o tema sobre Educação em Astronomia, dentro do universo de toda a literatura de circulação nacional da área de Ensino de Ciências e Matemática (identificada pelo termo 'área CAPES 46'), avaliados com Qualis A e B. Encontramos um total de 95 artigos em cinco dos 61 periódicos diferentes, que representaram a produção nacional sobre ensino e divulgação da Astronomia [a lista completa destes artigos com links diretos a cada um deles está disponível em Langhi (2010)]. O estudo destes artigos conduziu a uma leitura analítica resultando num lastro relativamente expressivo de transcrições literais reveladoras da essência socialmente representativa, segundo o objetivo desta pesquisa -buscar os elementos discursivos conduzentes às justificativas que os pesquisadores da área relatam tanto implícita como explicitamente para a inserção da Astronomia na Educação Básica e na Formação de Professores. Assim, tais excertos, chamados de expressões chave (ECH) - uma das figuras metodológicas da fundamentação do Discurso do Sujeito Coletivo (Lefevre e Lefevre, 2005) - foram categorizados para que a condução da análise se apresentasse organizada em subdivisões do extensivo conjunto de ECH destacados, conforme os 'mapas' analíticos citados por Duarte, Mamede e Andrade (2009), denominados de Instrumentos de Análise do Discurso (IAD).

Deste modo, as ECH apreendidas nos artigos analisados, relacionadas com elementos que justificam o ensino da Astronomia, foram classificadas do seguinte modo, conforme alusão a que a estrutura textual indicava: 1) História e Filosofia da Ciência (HFC) e Ciência Tecnologia e Sociedade (CTS), 2) atividades práticas e de observação do céu, 3) fatores motivacionais, 4) interdisciplinaridade, 5) erros conceituais e concepções alternativas, 6) formação de professores, 7) potencial de estabelecimentos específicos em Astronomia. Seguindo a seqüência metodológica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), a partir das ECH correspondentes a uma mesma categoria, constituímos uma ideia central (IC) descritiva para cada conjunto de ECH correlacionados, o que nos conduziu à construção de um discurso coletivo representativo da comunidade científica de pesquisadores brasileiros (enquanto sujeito coletivo) acerca das justificativas para o ensino da Astronomia. Para a reconstrução deste DSC, consideramos os seguintes princípios, segundo Lefevre e Lefevre (2005): coerência (excertos discursivos isolados formam um todo discursivo

coerente), posicionamento próprio (cada discurso expressa uma posição específica sobre a questão de pesquisa), artificialidade natural (considera-se uma só pessoa artificial falando pelo grupo, desaparecendo discursos individuais, os quais são, entretanto, naturais), distinções entre DSCs (os discursos podem apresentar distinções, antagonismos e complementariedades). Destacamos o último princípio, a partir do qual os distintos DSCs, constituídos na análise efetuada no item anterior, apresentaram-se com características complementares, embora diferentes, o que, conforme Lefevre e Lefevre (2005), permite-nos a apresentação do DSC final em seu estado unificado, sem a obrigatoriedade da separação de seus resultados (o espaço aqui destinado não comportará sua publicação na íntegra, mas os sete itens acima fornecem uma noção do DSC final construído).

## 4) Conclusões

Os resultados obtidos através da análise da amostra de artigos com os procedimentos do DSC sobre as justificativas do ensino da Astronomia indicam a importância da inserção deste tema nas escolas de acordo com o discurso do pesquisador brasileiro em concordância com outras fontes bibliográficas. Apesar da evidência destas vantagens do ensino da Astronomia, parece persistir um descaso quanto à abordagem deste tema na educação brasileira e na formação de professores. Há a necessidade, portanto, de uma retomada de reflexões sobre a importância da abordagem temática utilizando a Astronomia na educação formal, catalisando articulações inovadoras do trabalho docente.

## 5) Referências

BRETONES, P. S. Disciplinas introdutórias e Astronomia nos cursos superiores do Brasil . Dissertação de mestrado em Geociências, Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências, Campinas, 1999.

BRETONES, P. S. Banco de Teses e Dissertações sobre Educação em Astronomia . Disponível em: <http://www.dme.ufscar.br/btdea>. Acesso em dez. 2010.

DUARTE, S. J. H.; MAMEDE, M. V. e ANDRADE, S. M. O. Opções teórico-metodológicas em pesquisas qualitativas: representações sociais e discurso do sujeito coletivo. Saúde e Sociedade, 18, 4, 620-626, 2009.

IACHEL, G. Um estudo exploratório sobre o ensino de Astronomia na formação continuada de professores . Dissertação de mestrado em Educação para a Ciência, UNESP, Faculdade de Ciências, Bauru, 2009.

LANGHI, R. Astronomia nos anos iniciais do ensino fundamental: repensando a formação de professores . Tese de doutorado em Educação para a Ciência, UNESP, Faculdade de Ciências, Bauru, 2009. Disponível em: <http://sites.google.com/site/proflanghi/tese>. Acesso em dez. 2009.

LANGHI, R. Artigos nacionais sobre ensino de Astronomia . Disponível em: <http://sites.google.com/site/proflanghi/artigos>. Acesso em dez. 2010.

LEFEVRE, F.; LEFEVRE, A.M.C. Depoimentos e discursos . Brasília: Liberlivro, 2005.

LEFEVRE, F.; LEFEVRE, A.M.C.; TEIXEIRA, J. J. V. O Discurso do Sujeito Coletivo. Uma nova abordagem metodológica em pesquisa qualitativa . Caxias do Sul: Educs, 2000.

MARRONE JUNIOR, J. Um perfil da pesquisa em ensino da astronomia no Brasil a partir da análise de periódicos de ensino de ciências . Dissertação de mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática, Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2007.

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