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ELABORAÇÃO E UTILIZAÇÃO DE QUESTÕES AVALIATIVAS DE FÍSICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NAS MONITORIAS DE UM CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO DO CAMPO

Ana Karine Vieira Costa, Danila Ribeiro Gomes, Cristiano Rodrigues De Mattos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
24/01/2025
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ELABORAÇÃO E UTILIZAÇÃO DE QUESTÕES AVALIATIVAS DE FÍSICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NAS MONITORIAS DE UM CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO DO CAMPO

Ana Karine Vieira Costa 1 , Danila Ribeiro Gomes 2 , Cristiano Rodrigues de Mattos 3

## Resumo

Este trabalho relata a experiência de uma monitora no curso de Licenciatura em Educação do Campo, com habilitação em Ciências da Natureza, da Universidade Federal de Viçosa (UFV). É abordado a elaboração e utilização de questões avaliativas em disciplinas de Física e no ebook "A Física e os Sons que (não) estão à nossa volta". A experiência ocorreu durante o ensino remoto, em 2021 e 2022, no contexto da pandemia de covid-19. As questões observadas consistiam em problemas que integravam múltiplas habilidades, como interpretação textual, raciocínio lógico-matemático e conceitos físicos, essas questões compunham instrumentos avaliativos das disciplinas e eram trabalhadas nas monitorias. A prática de monitoria foi utilizada como um espaço para auxiliar os estudantes em suas dificuldades de aprendizagem e aprofundamento do conteúdo da disciplina, as principais atividades desenvolvidas nas monitorias eram revisar as questões, tirar dúvidas e reforçar conceitos dos conteúdos curriculares. Foi observado um aumento nas participações dos estudantes, bem como, uma evolução das perguntas trazidas às monitorias, que passaram a abordar temas mais complexos e reflexões a contextos concretos. Entretanto, dificuldades com cálculos matemáticos e interpretação de enunciados continuaram a ser os principais desafios. Além disso, a experiência proporcionou à monitora um desenvolvimento em suas habilidades docentes, especialmente no que se refere à elaboração de questões que problematizam situações reais. Assim, o trabalho contribui para a discussão sobre a importância de instrumentos que dialoguem com a avaliação formativa e sobre o papel da educação problematizadora.

Palavras-chave : Ensino de Física, Monitoria, Educação do Campo.

## Introdução

Este trabalho descreve a experiência de uma estudante de graduação e monitora no curso de Licenciatura em Educação do Campo com habilitação em Ciências da Natureza da Universidade Federal de Viçosa (Licena). Esse curso tem como objetivo a formação de docentes para atuarem preferencialmente em escolas do e no Campo, nos anos finais do Ensino Fundamental com o ensino de Ciências, e no Ensino Médio com o ensino de Física, Química e Biologia.

A experiência descrita refere-se à elaboração e utilização de questões que compuseram instrumentos avaliativos utilizados em disciplinas de Física do curso e no e-book de Gomes et al. (no prelo), elaborado pela docente responsável pelas disciplinas em parceria com a estudante e monitora e outros estudantes, sob uma

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perspectiva de inclusão de pessoas Surdas. Essas experiências foram vivenciadas em contexto de ensino remoto devido à pandemia da covid-19 em 2021 e 2022.

No contexto da Educação Superior, a monitoria é definida como uma atividade por meio da qual estudantes auxiliam outros estudantes no processo de ensino e aprendizagem (Frison e Moraes, 2010). Para Souza e Gomes (2015), a monitoria acadêmica é uma das estratégias adotadas para reduzir a evasão de estudantes, uma vez que ajuda a diminuir a lacuna entre o conhecimento exigido pelos cursos de formação superior e a capacidade do estudante de gerar esse conhecimento de forma autônoma. A monitoria, portanto, oferece uma exposição adicional ao conteúdo didático, facilitando o seu entendimento.

De acordo com as diretrizes do Programa de Monitoria da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que organiza as atividades exercidas por estudantes de graduação, pós-graduação e estágio pós-doutoral sob orientação de docentes que coordenam os componentes curriculares, a monitoria tem como objetivo:

- I. elevar o nível de aprendizado dos estudantes de graduação;
- II. reduzir as taxas de reprovação em disciplinas e de evasão do curso, da instituição e do sistema de educação superior;
- III. propiciar ao monitor formação didático-científica e capacitá-los à docência (UFV, 2019, art. 1º).

Dessa forma, a monitoria não apenas reforça o processo formativo dos estudantes que cursam os componentes curriculares atendidos pelo programa, mas também oportuniza aos monitores aprimorarem suas habilidades docentes e aprofundarem seus conhecimentos na área de atuação.

No âmbito das Ciências da Natureza, e particularmente no componente curricular de Física, Santarosa (2016) discute que é bastante comum os estudantes apresentarem dificuldades de aprendizagem em relação a conteúdos que envolvem a modelagem matemática, e a compreensão das grandezas físicas e suas unidades de medida. Esses tópicos, muitas vezes, são excluídos ou abordados de forma superficial na Educação Básica, resultando em lacunas quando os estudantes ingressam na Educação Superior. Outro aspecto importante é a correlação entre as altas taxas de reprovação em disciplinas da área de física e o aumento da evasão escolar (Diogo et al ., 2016). Nesse contexto, a monitoria é considerada como espaço que possibilita aos estudantes buscar meios para superar suas dificuldades de aprendizagem e melhorar o desempenho acadêmico.

Dentre as atividades que o monitor pode exercer está a resolução de exercícios ou problemas com os estudantes. Neste trabalho, utilizamos o termo 'questões' para nos referirmos a problemas compreendidos nos instrumentos avaliativos da disciplina ou inseridas no e-book . Para Echeverría e Pozo (1998), a solução de problemas pode ser entendida como uma série de ações destinadas à consecução de uma meta, seja ela de natureza quantitativa ou não. Ao orientar o ensino para a resolução de problemas é necessário planejar e criar situações suficientemente abertas para incentivar os estudantes a buscar e adotar estratégias que respondam não somente às perguntas feitas pelo professor, mas também às perguntas da realidade cotidiana .

Ao considerar essa abordagem problematizadora em questões avaliativas, nós nos alinhamos com a concepção de avaliação formativa de Haydt (1997), em que a avaliação é entendida como um processo sistemático, problematizador, planejado, contínuo e articulado para atender aos objetivos curriculares pré-estabelecidos. Para a autora, a avaliação formativa não se limita apenas a verificar o desenvolvimento

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cognitivo dos estudantes, mas é uma prática intencional retroalimentada com feedbacks e que possui o objetivo de contribuir para o processo formativo integral. Entendemos que aproximar a prática avaliativa a essa definição é um dos caminhos para melhorar o processo de ensino e aprendizagem.

Referenciamo-nos também em Freire (1967) para justificarmos o papel da educação problematizadora pautada na reflexão e transformação da realidade. Segundo Freire,

toda compreensão de algo corresponde, cedo ou tarde, uma ação. Captado um desafio, compreendido, admitidas as hipóteses de resposta, o homem age. A natureza da ação corresponde à natureza da compreensão. Se a compreensão é crítica ou preponderantemente crítica, a ação também o será (Freire, 1967, p. 105-106).

Nesse sentido, as ações críticas são condicionadas a uma compreensão crítica. No que se refere ao contexto de elaboração de questões avaliativas, preconizamos atividades que problematizem situações concretas e se conectem a contextos reais, com uso de estratégias que rompam a lógica de mera memorização de conteúdo. Nesse sentido, Freire destaca que, ao compreender criticamente os desafios propostos, os alunos podem intervir sobre sua realidade. Essa lógica é particularmente importante no âmbito da Educação do Campo.

Segundo Molina e Freitas (2011), a Educação do Campo busca desenvolver um projeto educativo integrado a um projeto político de transformação social, liderado pela classe trabalhadora do campo. Esse processo pressupõe uma formação integral dos sujeitos do campo, a fim de promover, simultaneamente, a transformação do mundo e a autotransformação humana, além de atender às demandas dos povos campesinos por uma educação pública, gratuita e de qualidade, que dialogue com suas especificidades, valorize e considere a legitimidade de suas culturas, formas de trabalho e modos de viver (Caldart, 2012). Historicamente, a trajetória escolar vivenciada pelos estudantes em contextos rurais é marcada pela violação de direitos básicos, dentre eles a educação. Essa realidade é refletida na ausência de domínio de alguns conhecimentos prévios desejados para ensino superior. Durante o ensino remoto em que ocorreu a experiência aqui relatada, esses desafios de aprendizagem foram ainda mais amplos, pois muitos estudantes enfrentaram dificuldades de acesso a dispositivos eletrônicos e à internet. Frente a essa realidade, a monitoria se destacou enquanto um espaço para amenizar esses desafios, ao oferecer um suporte adicional no processo de ensino e aprendizagem.

## A experiência dialógica e colaborativa da monitoria na Licena

O plano de trabalho da monitoria compreendeu uma carga horária de 9 horas semanais durante 4 meses em 2021 e 10 horas semanais durante 5 meses em 2022. As atividades desenvolvidas pela monitora incluíam a participação nas aulas síncronas conduzidas pela docente responsável dos componentes curriculares supracitados, colaborar na elaboração e avaliação dos instrumentos de ensinoaprendizagem e avaliação. Estes eram disponibilizados aos estudantes pela plataforma digital PVANet Moodle, além de oferecer atendimentos para resolução de dúvidas e exercícios, realizados de forma síncrona, por meio da plataforma Google Meet, e de forma assíncrona, por meio das ferramentas do PVANet Moodle e do aplicativo WhatsApp. Dentre essas atividades, destacou-se a colaboração da monitora na construção de questões que integravam os questionários avaliativos das disciplinas

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e eram aplicados semanalmente. Embora a responsabilidade principal pela construção dos questionários fosse da docente, a monitora contribuía com a criação de algumas questões, além de discutir e opinar para o aprimoramento do material.

Ao longo da experiência foram desenvolvidos registros qualitativos acerca das observações e reflexões realizadas pela monitora durante as aulas da disciplina e atendimento aos estudantes nas monitorias. Esses registros foram posteriormente sistematizados com a docente responsável pela disciplina em reuniões periódicas previstas no plano de trabalho da monitoria. Para essas observações e registros, foram utilizadas anotações pessoais, gravações das aulas e monitorias, além de um questionário disponibilizado aos estudantes no final da disciplina. Esse questionário tinha como objetivo avaliar aspectos gerais relacionados a disciplina, como a prática docente, a prática da monitora, o sistema de avaliação e demais elementos.

Os critérios utilizados na elaboração das questões incluíam a contextualização de situações-problema, que eram relacionadas à realidade dos estudantes ou a contextos mais amplos pertinentes aos conteúdos estudados. Buscou-se também envolver múltiplas habilidades, incluindo a interpretação textual, raciocínio lógicomatemático e a aplicação conceitual dos conteúdos. As questões variaram entre formatos de múltipla escolha e discursivos, que exigiam respostas mais elaboradas e cálculos.

Após a aplicação dos questionários, a docente corrigia as respostas e fornecia aos estudantes feedbacks indicando erros e acertos. Durante as monitorias, a monitora disponibilizava tempo para que os estudantes apresentassem dúvidas e compartilhassem reflexões acerca do conteúdo estudado. Então as questões eram revisadas e discutidas coletivamente, num processo de promoção do diálogo e da colaboração coletiva. A monitora conduzia a resolução focando especialmente conceitos sobre os quais os estudantes manifestavam maior grau de dificuldade.

Durante o oferecimento da disciplina 'Ciências da Natureza: a Física e suas Tecnologias para a Educação do Campo II' a docente utilizou uma versão do e-book como principal recurso didático no estudo de Ondulatória e Acústica, que foi realizado com tratamento transversal do tema inclusão de pessoas Surdas. Nessa versão, o ebook ainda não possuía seções dedicadas a questões matemáticas. Posteriormente, com a possibilidade de publicação do e-book e considerando o papel formativo que os problemas desempenham no processo de ensino e aprendizagem, a monitora passou a integrar a equipe autora. Ela foi, então, responsável pela elaboração de questões com enfoque matemático e que demonstrassem a aplicação prática das fórmulas físicas abordadas ao longo das unidades do e-book , reforçando o vínculo entre os conceitos físicos expressos matematicamente e suas aplicações concretas. Dessa forma, em colaboração e sob orientação da docente, a monitora vivenciou a experiência de elaborar questões tanto para as atividades avaliativas de disciplinas de Física, quanto para compor as seções de cálculos no e-book.

## Resultados e Discussões

Ao longo da disciplina e especialmente nos momentos de monitoria, a monitora observou que os estudantes tiveram uma interação progressiva com as questões propostas; os estudantes faziam cada vez mais comentários e apresentavam mais

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dúvidas sobre aspectos relacionados às questões. Frequentemente os encontros se estendiam além do horário previsto devido às discussões geradas sobre as questões.

A integração de múltiplas habilidades nas questões, como a interpretação textual, o raciocínio lógico-matemático e a aplicação de conceitos físicos, mostrou-se importante no processo de ensino e aprendizagem dos estudantes. Isso foi observado a partir dos comentários e interações nas monitorias síncronas e atendimentos assíncronos. Além dos contextos presentes nas questões, os estudantes estabeleciam relações dos conteúdos curriculares com outros exemplos e partilhavam isso nas aulas, monitorias e fóruns de discussões no PVANet Moodle. Durante o estudo de ondulatória, por exemplo, os estudantes mencionavam situações externas relacionadas ao comportamento da luz, extraídas de canais digitais ou de suas próprias realidades, e durante as monitorias questionavam sobre as relações desses exemplos com as questões que estavam sendo desenvolvidas. Esse movimento indicou um desenvolvimento progressivo na capacidade dos estudantes relacionarem o conhecimento adquirido em contextos diversos, que se refletiu em uma compreensão integrada dos conceitos estudados.

Foi observada também uma evolução nas dúvidas trazidas pelos estudantes. Inicialmente, as perguntas eram mais básicas e focavam na compreensão direta dos conceitos, mas, ao longo das atividades, os estudantes passaram a explorar aspectos mais complexos, incluindo conteúdos que iam além daqueles abordados diretamente nas aulas. Isso indicou um aumento na capacidade dos estudantes de estabelecerem conexões mais amplas e aprofundadas a partir da apropriação e sistematização do conhecimento. Ao mesmo tempo, ao longo dessa experiência, percebeu-se que os estudantes ainda apresentavam dificuldades relacionadas principalmente às questões que envolviam interpretação de enunciados e cálculos matemáticos. Essas dificuldades eram percebidas durante o processo de correção das questões e nos resultados dos instrumentos avaliativos. Respostas incoerentes ao que era solicitado no enunciado e falhas na organização dos cálculos, que frequentemente levavam a resultados equivocados, mesmo quando os estudantes compreendiam a lógica subjacente ao problema, indicaram essas dificuldades.

Em relação às questões elaboradas para o e-book , ainda não houve aplicação prática da versão com essas questões incorporadas. Assim, até o momento, a experiência é considerada apenas em termos da contribuição formativa que essas atividades proporcionaram à monitora responsável pela elaboração, bem como das hipóteses sobre suas potenciais contribuições pedagógicas. A experiência adquirida durante as monitorias foi fundamental para a criação das questões do e-book , permitindo à monitora desenvolver melhor sua compreensão sobre a integração de conteúdos curriculares com situações-problema.

A seguir, é apresentado um exemplo de questão elaborada pela docente em colaboração com a monitora, que foi utilizada em um instrumento avaliativo e posteriormente resolvida na monitoria.

Observe as figuras a seguir.

Figura 01 - Caiçaras em um barco pescando

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Fonte: http://professorluizjose.blogspot.com/2013/09/pujante-povocaicara.html

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Figura 02 -Ilustração da estrutura de uma embarcação

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Fonte: https://www.victoryyachts.com.br/dicas/estruturas-da-embarcacaoparte-2/

A Figura 1 é uma foto de sujeitos pertencentes ao tradicional povo caiçara, em um barco pescando nas águas do Oceano Atlântico, no litoral do sudeste do Brasil.

A Figura 2 é uma ilustração das partes de uma embarcação.

Essa prática socioeconômica da pescaria por povos tradicionais, assim como outras realizadas no âmbito do transporte e do esporte, é possível graças ao domínio que a humanidade detém sobre o comportamento dos fluidos e dos objetos neles imersos. Nas mais diversas manifestações desse comportamento estão envolvidos fenômenos estudados no âmbito da Hidrostática, descritos por leis da Física, como é o caso da Lei de Stevin e o Princípio de Arquimedes. Suponha que uma canoa caiçara tenha uma massa de 1200 kg e sua carena tenha volume de 1800 litros.

## Considere:

- - Densidade da água do mar: 1,03 g/cm³;
- - Aceleração da gravidade: 10 m/s³;
- - 1 m³ = 1000 l;
- - 1 g/cm³ = 1000 kg/m³.

Com base nessas informações, responda as perguntas a seguir.

- a) Qual a massa total que essa canoa pode transportar (considerando caiçaras, instrumentos e peixes) para que não afunde?

b) Se esse barco afundasse até o fundo do mar a 300 m de profundidade, qual seria a pressão total a que ficaria submetido? Apresente a resposta em pascal e atm (Gomes et. al., no prelo).

A questão abrange o estudo da Hidrostática, utilizando o contexto de pesca tradicional dos povos caiçaras e que também pode ser uma prática socioeconômica. A questão propõe a análise do comportamento de uma canoa ao flutuar sobre um fluido. Sua resolução implicou a interpretação do enunciado, a resolução de cálculos

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matemáticos e domínio de conceitos relacionados ao Princípio de Arquimedes e à Lei de Stevin.

Após os estudantes resolverem a questão de forma individual em um momento avaliativo da disciplina, a monitora mediou a resolução durante a monitoria, que ocorreu por videochamada na plataforma Google Meet. Inicialmente, foram feitas perguntas aos estudantes sobre as percepções que tiveram ao resolver a questão individualmente. Houve respostas variadas: alguns tiveram dificuldades na resolução, enquanto outros a consideraram fácil. Após esse momento, a monitora fez a leitura da questão, destacando os dados fornecidos para facilitar a interpretação do problema. Ela conduziu a resolução fazendo perguntas aos estudantes para que eles pudessem construir suas próprias interpretações e chegar às respostas de forma mais autônoma. Foram feitas perguntas como 'Por que a canoa dos caiçaras flutua e não afunda no mar?', 'Quais são as forças que atuam neste fenômeno e como elas se comportam?' entre outras. Esse foi um momento de diálogo em que os estudantes apresentaram suas percepções, e a monitora discutiu e complementou, contribuindo para o entendimento da questão.

Após interpretar a questão e certificar-se de que não havia dúvidas sobre o que precisava ser resolvido, a monitora propôs que os estudantes conduzissem o passo a passo para a resolução das perguntas, enquanto ela mediava esse processo. Para tanto, ela insistia que todos participassem, fazia correções quando necessário e reforçava o conteúdo trabalhado. Os próprios estudantes comentaram o que precisava ser feito em cada questão e descreveram o procedimento a ser realizado. Ao fim da resolução, a monitora perguntou se havia dúvidas, e um estudante pediu para que explicasse melhor como objetos flutuam, especificamente grandes embarcações. Com a ajuda de uma lousa virtual, a monitora retomou conceitos básicos, como força peso, força da gravidade, empuxo, área, entre outros, para explicar como a flutuação das embarcações acontece. Ao fim da monitoria, o estudante relatou que havia entendido o fenômeno.

Essa é uma das experiências vivenciadas pela monitora que exemplifica como ocorria o desenvolvimento das questões nas monitorias, e como a utilização de contextos concretos podem gerar questionamentos da realidade.

## Considerações Finais

As observações acerca das situações concretas vivenciadas na experiência de monitoria na Licena revelaram que a abordagem desenvolvida para estudo de Física com questões favoreceu o processo de ensino e aprendizagem dos estudantes do curso que participaram das monitorias. Os exemplos contextualizados trabalhados nas monitorias motivou a participação dos estudantes, que passaram a interagir mais nas discussões e compartilhar exemplos concretos relacionados aos conteúdos. Além disso, destacou-se a evolução na formulação de perguntas por parte dos estudantes, que desenvolveram questionamentos mais complexos ao longo do tempo.

Essa experiência favoreceu também a formação da monitora partir da prática desenvolvida pela docente e dos questionamentos dos estudantes. Ao longo do processo, ela aprofundou seus conhecimentos e desenvolveu competências, como a habilidade de contextualizar problemas, propor desafios que fomentassem o pensamento crítico, identificar as principais dificuldades dos estudantes, e colocar em sua prática teorias educacionais, como a avaliação formativa e a educação

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problematizadora. A interação constante com os estudantes, as dúvidas por eles apresentadas e a necessidade de adaptar estratégias de ensino contribuíram para que a monitora desenvolvesse maior sensibilidade às diferentes formas de aprendizagem, habilidades essenciais para sua futura atuação docente.

## Agradecimentos

Danila Ribeiro Gomes é bolsista CNPq - Brasil.

## Referências

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.