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DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES PRÁTICAS EM UMA ESCOLA TÉCNICA INTEGRADA AO ENSINO MÉDIO (ETIM): O QUE DIZEM OS PROFESSORES

Fernanda Cátia Bozelli, Niomar Bolano Jalhium

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
24/01/2025
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## DESAFIOS EM RELAÇÃO A IMPLEMENTAÇÃO DE UM LABORATÓRIO DIDÁTICO DE CIÊNCIAS EM UMA ESCOLA TÉCNICA INTEGRADA AO ENSINO MÉDIO (ETIM)

## Niomar Bolano Jalhium 1 , Fernanda Cátia Bozelli 2

1 Professora no Centro Paula Souza - ETEC. Centro Paula Souza - ETEC. Ourinhos, São Paulo, Brasil. nb.jalhium@unesp.br

2 UNESP/Faculdade de Engenharia/Departamento de Física e Química, câmpus de Ilha Solteira, Fernanda.bozelli@unesp.br

## Resumo

As escolas técnicas sempre foram conhecidas por proporcionarem formações profissionais e possuírem boas estruturas laboratoriais para que as atividades práticas fossem realizadas. Essas escolas foram se (re)configurando ao longo das últimas décadas, principalmente após a Lei de diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, quando passaram a separar o ensino acadêmico do ensino profissionalizante. Nesse sentido, partindo da importância das atividades experimentais e do laboratório de Ciências e seu papel na formação do aluno, que possibilidades e desafios podem ser revelados por professores e membros da gestão escolar de uma escola técnica sobre desenvolver um laboratório didático de Ciências e realizar atividades experimentais junto a alunos do ensino técnico integrado ao ensino médio? De abordagem qualitativa, a pesquisa foi realizada em uma escola técnica do Centro Paula Souza, no estado de São Paulo, e contou com a participação de seis professores, sendo que um deles atua na direção e os outros dois na coordenação pedagógica. Para a constituição de dados foram utilizados questionários e documentos. Os dados foram organizados e sistematizados por meio do referencial teórico-analítico da Análise de Conteúdo. Os resultados revelam possibilidades de organização e desenvolvimento do laboratório de ciências em uma escola técnica de formação profissional, que oferece o ensino técnico integrado ao médio. Essa realidade irá depender muito da parceria entre gestão e professores em torno de um trabalho colaborativo. Os desafios se apresentaram nos aspectos que envolvem a concepção de laboratório e sua relação com a prática pedagógica do professor e a formação dos alunos. Também se verificaram na articulação teórico-prática e currículo, na necessidade de uma presença física e estrutural para o desenvolvimento das atividades experimentais, nos fundamentos que orientam a prática pedagógica, que se mostram indiferentes em relação à formação inicial e ao contínuo aperfeiçoamento dos professores.

Palavras-chave : Ensino técnico integrado ao médio (ETIM); Laboratório de Ciências; Atividades experimentais.

## Introdução

Na escola técnica, quando se fala em laboratório, este fica articulado, praticamente, aos espaços de formação profissional. No ano de 2010, o Centro de Paula Souza, no estado de São Paulo, por meio de sua Coordenadoria de Ensino Médio e Técnico, elaborou um projeto que foi intitulado 'Padronização do tipo e quantidade necessária de instalações e equipamentos dos laboratórios das habilitações profissionais' para instalação de laboratórios de Ciências, desde que estes fossem compartilhados com as habilitações profissionais de técnicos. Esse

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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

projeto para laboratórios apresentava em suas especificidades o layout, material de consumo, acessórios mínimos necessários para o funcionamento do(s) curso(s). Ou seja, tratava-se de um projeto orientador para a organização de laboratórios de ciências nessas escolas.

À exigência do Centro Paula Souza (CPS) para a implantação de um laboratório de ciências, mesmo relacionada à dimensão estrutural dos cursos, não difere das escolas ditas regulares públicas. Ou seja, também recaem sobre problemas de natureza funcional e organizacional em relação à formação de professores, necessidades de materiais e insumos, o que é corroborado e discutido por alguns pesquisadores (Tardif; Zourhlal, 2005; Bastos; Nardi, 2018). Outros discorrem sobre vários problemas na organização de um laboratório de ciências, entre eles: materiais de consumo, falta de equipamentos, recursos humanos, estrutura física, bem como a compreensão de professores quanto às atividades de laboratório (ligado aos aspectos da sua formação) que induzem a concepções que direcionam sua dinâmica. Como organizar turmas com grande número de alunos, falta de infraestrutura, carga horária reduzida, dicotomia entre teoria e prática permeiam esse processo (Carrascosa et al., 2006; Wesendonk; Terrazzan, 2020). Tais dificuldades e equívocos de concepção e prática culminam em experimentos realizados de forma aleatória, desvinculados dos conteúdos, evidenciando a dissociação entre teoria e prática, abordadas em

A experimentação é parte integrante de qualquer processo de produção de conhecimento nas Ciências Naturais; portanto, faz parte da construção e evolução dessa área do conhecimento e deve estar presente em atividades relacionadas à Educação/Ensino de Ciências. Esse recurso didático desempenha um papel próprio no processo ensino/aprendizagem de disciplinas da área curricular de Ciências Naturais. [...] Ela tem a peculiaridade de permitir a discussão do fazer científico, de auxiliar a especificar/evidenciar a forma pela qual as Ciências Naturais, ou a Física, em particular, são produzidas e desenvolvidas. (Wesendonk; Terrazzan, 2020, p. 40)

Na pesquisa realizada por Bueno et al. (2004), os professores, ao serem questionados sobre a função e a importância da experimentação na Ciência, ressaltam que existem três tipos básicos: as de cunho epistemológico, que assumem que a experimentação serve para comprovar a teoria revelando a visão tradicional de ciências; as de cunho cognitivo, que supõem que as atividades experimentais podem facilitar a compreensão do conteúdo e as de cunho moto-vocacional, que acreditam que as aulas práticas ajudam a despertar a curiosidade ou o interesse pelo estudo.

Pensar o laboratório de Ciências envolve pensar muitos aspectos. Especificamente em relação ao Centro Paula Souza, quando teve início o projeto de organização do Laboratório de Ciências no Ensino Médio, este trouxe uma 'nota importante' mencionando que 'esse seja compartilhado com as habilitações profissionais de Técnicos' (São Paulo, 2010, p. 03). Dessa forma, o que faz com que os laboratórios de Ciências, ainda, não sejam realidade em escolas técnicas? Em escolas técnicas de nível médio integrado ao técnico, os laboratórios que existem são os laboratórios profissionalizantes, ou seja, os voltados às disciplinas do currículo dos cursos profissionalizantes. Segundo De Hollanda Cavalcanti e Queiroz (2018), o Ensino Médio no Brasil sempre viveu um dilema entre a formação técnica, profissional (a formação para o trabalho) e a generalista (humanista, propedêutica). Para as autoras, esta oposição ainda não foi superada e é falsa, uma vez que a técnica (e

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embutida nela a ciência) não se opõe ao humanismo. Ferreira e Azevedo (2020, p. 122) estabelecem uma crítica ao currículo integrado

que meramente tem a finalidade de aquisição de conhecimento, porém sem a finalidade de desenvolver o pensamento crítico e fomentar a emancipação pretendendo-se educação integral pela mera junção dos currículos. [...] deste modo, o que se pretende é que a formação profissional, uma vez necessária, seja aplicada de forma diretamente associada à formação geral de modo a que seja uma formação unitária e não dicotômica.

Mais do que pensar sobre a concepção que baliza os laboratórios em escolas técnicas e sua relação com a formação do estudante do Ensino médio ou do Ensino Médio Integrado ao Técnico, estas considerações acerca do laboratório levam a pensar sobre o papel do professor no laboratório didático de Ciências, pois este está ligado ao desenvolvimento da atividade experimental que, por si só, não é protagonista do sucesso da aprendizagem do aluno. Nesse sentido, no caso do Centro Paula Souza, os professores apresentam formações para atuar nas disciplinas curriculares de Ciências, mas não nas especificidades das atividades experimentais que eles somente carregam o que adquiriram em suas formações iniciais ou que deram prosseguimentos em termos de formação continuada. Ou seja, as chamadas aulas práticas são apontadas pelos professores como uma deficiência que está sendo cultivada desde o Ensino Fundamental e Médio e se estendendo no âmbito da formação inicial e no exercício da profissão docente. Nesse sentido, que possibilidades e desafios podem ser revelados por professores e membros da gestão escolar de uma escola técnica sobre desenvolver um laboratório didático de Ciências e realizar atividades experimentais junto a alunos do ensino técnico integrado ao ensino médio?

## Considerações sobre o laboratório didático de Ciências: entre concepções e práticas

Há um uso indiscriminado do termo 'trabalho experimental' e 'experiência', e isto podem levar a entender que analisar qualquer experiência seja avaliado como trabalho experimental. Essa discussão terminológica passou por termos como 'trabalho prático', 'trabalho laboratorial' e 'trabalho experimental'; 'prático' e 'laboratorial' (Malheiro, 2016, p. 111) 'enfatizando a ideia de que fazer experiências e exercícios práticos com materiais e equipamentos utilizados em grande escala pelos cientistas, geralmente num espaço laboratorial (ou algumas vezes em sala de aula), os alunos já estariam 'praticando Ciência''.

A literatura em educação e o ensino de Ciências contempla diferentes compreensões sobre o termo laboratório, podendo este ser abordado como didático, de ensino, científico e de investigação. Contudo, aqui será adotada a expressão 'laboratório didático', o qual é entendido como 'um lugar de formação em que são organizadas e desenvolvidas atividades pedagógicas intencionais e dirigidas por objetivos relacionados ao ensino e à aprendizagem de diferentes saberes, de forma a favorecer a integração dos conhecimentos' (Souza; Tauchen, 2017, p. 217).

Para Malheiro (2016), o 'trabalho prático' ficou compreendido como aquele em que os estudantes estão totalmente envolvidos, podendo esse 'envolvimento' ser cognitivo, afetivo ou psicomotor. Além do ambiente laboratorial, podem ser enquadradas, também, as atividades de campo, as pesquisas de informações na internet, a resolução de problemas de lápis e papel (entrevistas programadas e

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resolução de problemas). Já o 'trabalho laboratorial' deveria conter procedimentos que envolvessem o emprego de materiais presentes em um laboratório não, necessariamente, precisando que o trabalho laboratorial aconteça em um laboratório dentro dos padrões conhecidos. Pode ser uma atividade ao ar livre ou no ambiente de sala de aula, desde que, em ambos os espaços, os procedimentos de segurança sejam respeitados. Quanto ao 'trabalho experimental', o autor considera o controle e manipulações de variáveis como procedimentos básicos desse tipo de trabalho. Os resultados do estudo de Gonçalves e Galiazzi (2004) evidenciam uma concepção muito comum entre os professores de Ciências, a da necessidade de espaço físico específico para a realização de atividades experimentais. O aluno não é um cientista. Dessa forma, é preciso pensar sobre o quanto se torna relevante um espaço físico e estruturado para o desenvolvimento das atividades experimentais.

## O ENSINO MÉDIO E O ENSINO PROFISSIONAL: OBJETIVOS QUE SE ENTRECRUZAM

As formas de organização do Ensino Médio e os debates em torno dos seus objetivos protagonizaram diferentes momentos da história da educação no Brasil. Destaca-se a relação de forças e de interesse que via no Ensino Médio aquele

que deveria preparar o indivíduo com o conhecimento que possibilitasse seu ingresso nos cursos superiores (aqueles chamados de formação geral) e aquele que deveria estar atento ao mercado de trabalho, visando uma formação que desse conta das demandas ali apresentadas (Souza; Penido, 2020, p. 27).

De acordo com Souza e Penido (2020), embora a institucionalização com o nome de Ensino Médio Integrado date de 2004, o Ensino Médio nessa forma de oferta é resultado de um projeto defendido e construído ao longo de décadas numa educação pensada para a classe trabalhadora que busca manter a mesma qualidade e quantitativo de conhecimento necessário à formação básica presentes no Ensino Médio regular, numa oposição ao ensino técnico de formação aligeirada e que estava a serviço explícito do mercado de trabalho, como aconteceu no Brasil na década de 1970. Para Silva e Azevedo (2023, p. 28), 'existe uma relação muito próxima entre as modalidades de educação do Ensino Médio e o Ensino Profissionalizante que reflete um projeto de educação pautado por demandas políticas e econômicas que visam atender uma produção do espaço geográfico conduzida por ideais capitalistas'.

Mas em que medida os conhecimentos necessários à formação básica presentes no ensino médio regular se mantiveram ou se mantém na modalidade de ensino médio integrado? Souza e Penido (2020) identificaram em seu estudo que há um número considerável dos professores que associam seu ideal de ensino médio integrado àquele ensino que preza pela formação plena do sujeito (incluída sua habilitação profissional) a partir de um constante diálogo de professores das diferentes especialidades (formação básica e técnica).

## Metodologia da Pesquisa

A pesquisa, de natureza qualitativa, foi realizada no contexto de uma escola técnica de ensino médio integrado ao ensino técnico no interior do estado de São Paulo. Esta escola faz parte de uma autarquia do Governo do Estado de São Paulo, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, e que está presente em 368 municípios, perfazendo um total de 223 Escolas Técnicas e 73 Faculdades de

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Tecnologia estaduais, com mais de 322 mil alunos em cursos técnicos de nível médio e superiores tecnológicos. A escola oferece os cursos técnicos presenciais de Administração, Cozinha, Desenvolvimento de Sistemas e Recursos Humanos; o Ensino Técnico Integrado ao Médio em Administração, Desenvolvimento de Sistemas e Informática; e, ainda, o Ensino Médio com Habilitação Técnica Profissional (Novotec Integrado).

Inicialmente, todos os professores, cerca de 40, foram convidados pelo diretor da escola, informalmente, para auxiliar na organização do Laboratório didático de ciências, inclusive os alunos. Contudo, os que se dispuseram a participar foram os professores que estavam lecionando as disciplinas de Ciências da Natureza (Física, Química, Biologia) e Geografia, além da professora que estava atuando na Coordenação Pedagógica e o Diretor da escola. As atividades decorrentes da implantação do laboratório de ciências foram desenvolvidas junto às turmas do primeiro ano do Ensino Médio e do Ensino Técnico Integrado ao Médio, para participarem do projeto. Foram realizadas reuniões com os professores para discutir o laboratório e as atividades práticas que seriam realizadas. Estando pronta a parte física e estrutural do laboratório para a inauguração, como primeira atividade experimental, foi pensado, pelos professores participantes e membros da equipe gestora, algo que pudesse levar a escola para além de seus muros, beneficiando a comunidade e envolvendo os alunos. Nesse sentido, em parceria com a Prefeitura Municipal e a Secretaria do Meio Ambiente, surgiu o Projeto 'Revitalização do Lago da cidade' que fica em frente à escola técnica. Foram considerados como dados o documento de planejamento do laboratório, transcrições de reuniões e um questionário entregue aos professores e membros da equipe de gestão com questões que versavam sobre sua formação, atuação profissional e participação no projeto. Por uma questão de espaço será trazido aqui as unidades de significado em relação a implantação do laboratório didático de ciências referente a categoria 'Sobre ter um laboratório de ciências em uma escola técnica', a qual foi constituída considerando o referencial teórico-metodológico da Análise de Conteúdo (Moraes, 1999). As unidades de contexto que possibilitaram o surgimento das unidades de significado foram: Reunião de organização do laboratório de ciências (ROL), Projeto do Laboratório de ciências (PLC) e Resposta do questionário dos professores e gestores (RQPG).

## Resultados e discussão

## Sobre ter um laboratório de ciências em uma escola técnica

É possível verificar que a ideia de organização de um laboratório de ciências partiu da gestão da escola, por meio do diretor (P6), com apoio da coordenação pedagógica (P5), que também é professora de matemática, a partir de uma visita à Estação Ciências 1 , pensando que o laboratório poderia ser um motivador para as aulas de Ciências dos alunos. O diretor enfatizou que chegou a trabalhar com laboratório 'vendo as reflexões das ondas e fizemos lá maravilhosos 8 dias e eu vim encantado [...] Precisava de um laboratório, porque tudo aquilo que eu tinha vivenciado e eu tinha quase que certeza absoluta que os nossos alunos ficariam

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encantados'. Já a professora coordenadora pedagógica, P5, realça a relação do espaço, antigo laboratório do curso de enfermagem, e dos materiais para o início das atividades, podendo estes serem reutilizados. Importante destacar as palavras, 'encantamento', 'sonho'; 'inovador' e 'desafio', as quais não se restringem apenas às escolas técnicas, mas a 'maioria das escolas'. De acordo com dados do Anuário Brasileiro da Educação 2020, no ensino médio apenas 48% das escolas possuem laboratórios. O que se mostra como 'sonho' e 'desafio' é a realização de atividades experimentais de forma interdisciplinar, o que envolve pensar a articulação entre os conhecimentos disciplinares. Acima de tudo, entre os professores, o que fica evidente no trecho 'nós conseguimos que todos comprassem a ideia aqui e aí fica muito mais fácil e gostoso de trabalhar', 'a gente tem um grande caminho a percorrer' é a preocupação da gestora quanto implantar algo na escola sem a participação e aceitação dos professores, o que não seria fácil e não seria 'gostoso'.

Outra escuta possível a partir da fala da coordenadora, P5, aos professores é que não se precisa de muito para ter o espaço e desenvolver as atividades, visto que os alunos se encantam 'por coisas pequenas'. O 'muito pouco' para eles foi 'muito'. Importante chamar atenção para a natureza das práticas pedagógicas, que se

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alternam entre multidisciplinares, interdisciplinares e contextualizadas, o que se evidencia nos objetivos do texto do PLC. Nesse aspecto, torna-se importante questionar os fundamentos pedagógicos que o grupo de professores e gestores coadunam, o que é importante para que as ações possam atingir os objetivos propostos. Na fala de P4, a atividade experimental acaba assumindo o lugar de prática' que é somada ao da teoria: 'Aulas teóricas mais práticas'.

O professor P2 utiliza o termo 'necessidade' para explicar como surgiu a proposta de organização do laboratório de Ciências. Qual será o sentido de 'necessidade' para P2? Estaria relacionado a aspectos que envolvem a motivação dos alunos para aulas de Ciências? Ou de essencialidade para a formação científica, integral do estudante? A relação entre motivação e atividades experimentais precisa ser cuidada enquanto compreensão, pois como destaca Gonçalves e Galiazzi (2004), há muitos discursos de motivação pelas atividades experimentais sustentados pelo empirismo-indutivismo, em que a aprendizagem 'ocorria pela descoberta, através da repetição de um experimento' (p. 243), o que também pode estar relacionado à aprendizagem por descoberta frente à utilização das atividades experimentais como possibilidade de fomentar a formação de 'jovens cientistas'. Isso não tira a importância de pensar o quanto o laboratório pode contribuir para aspectos importantes em relação à formação dos estudantes mesmo que, a princípio, seja para a função de um ambiente de aprendizagem mais positivo (Suart, Marcondes, 2009).

Em seguida, utiliza o termo uma 'nova forma' de estudar, de ensinar Ciências da natureza, e que esta fosse além da sala de aula. Essa 'nova forma' de estudar precisa, necessariamente, de um espaço fora da sala de aula? Por mais que a proposta tenha sido trazida pelo diretor, P6, é possível verificar que os professores aceitaram a proposta e a tomaram para si. Borges (2002) reforça que ter um espaço físico de laboratório não quer dizer que será utilizado e nem que será utilizado de forma a promover competências e habilidades em torno de dimensões epistemológicas e cognitivas inerentes ao ensino e à aprendizagem em Ciências. Dessa forma, vai se construindo a necessidade de busca pela compreensão das concepções, dos fundamentos que vão norteando a equipe de professores e gestores em torno do 'sonho', desejo de organizar um laboratório didático de Ciências para as aulas do núcleo comum e realizar atividades experimentais para além da sala de aula.

## Algumas considerações

Essa pesquisa evidenciou, desde o início, o desejo de mostrar a importância de um laboratório de ciências em uma escola técnica do Estado de São Paulo, uma vez que os laboratórios dos cursos profissionalizantes sempre foram o destaque e, sem dúvida, a prioridade nessas escolas. A partir de um grupo de seis professores, entre eles um, na função de diretor, e dois, na função de coordenação pedagógica (P4 substituiu P5 no decorrer da pesquisa), foi possível alcançar resultados que apontam para possibilidades de se organizar um laboratório de ciências em uma escola técnica, bem como os desafios a serem enfrentados. Foi evidenciado que todos os participantes da pesquisa compreendem a importância das atividades práticoexperimentais no ensino de Ciências, na aprendizagem dos alunos para uma formação científica, tecnológica e cidadã. Segundo os participantes, a estrutura física e o espaço do laboratório são importantes, senão imprescindíveis, para a realização de atividades experimentais. Essa discussão está relacionada ao tipo de atividade prática a ser realizada em função do espaço que se tem, em que a atividade experimental de demonstração fica relacionada a sala de aula, na falta do laboratório

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A possibilidade de ter um laboratório de ciências em uma escola técnica para realização de atividades experimentais mostrou-se totalmente possível em função da parceria de todos da escola (gestão, professores, funcionários). Ou seja, as ações na escola, sejam estas de natureza regular ou profissional, precisam ser coletivas e abraçadas pela comunidade escolar.

## Referências

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