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INTERDISCIPLINARIDADE E PONTECIALIZAÇÃO DO ENSINO DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO

Débora Filgueira Dos Santos, Ligia Esteves Maria, Thalita Rodrigues Ribeiro, Ubirajara Gomes De Azeredo Filho, Awdry Feisser Miquelin

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
07/06/2011
Linha de pesquisa
Questões Teórico-Metodológicas E Novas Demandas Na Pesquisa Em Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## INTERDISCIPLINARIDADE E PONTECIALIZAÇÃO DO ENSINO DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO

## INTERDISCIPLINARITY AND THE ENCHANCING OF PHYSICS TEACHING IN HIGH SCHOOL

Débora Filgueira Dos Santos , Ligia Esteves Maria , Thalita Rodrigues Ribeiro , 1 2 3 Ubirajara Gomes de Azeredo Filho 4 , Awdry Feisser Miquelin 5

- 1 UTFPR/Departamento de Física, e-mail: deborafilgueira@gmail.com
- 2 UTFPR/Departamento de Física, e-mail: ligiaest@gmail.com
- 3 UTFPR/Departamento de Física, e-mail: thalitarribeiro@hotmail.com
- 4 Colégio Estadual José Busnardo, e-mail: UGAFS@click21.com.br
- 5 UTFPR/Departamento de Física, e-mail: awdry@utfpr.edu.br

## O corpo de investigação

Apoiados pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Docência (PIBID) 1 -da Universidade Tecnológica Federal do Paraná propomos uma investigação sobre a interdisciplinaridade no ensino de Física. Este projeto objeta a investigação no ensino de Física em escolas públicas da potencialidade de uma abordagem didático-pedagógica da Física, tendo como mote o estudo e desenvolvimento da interdisciplinaridade, envolvendo a problematização da realidade dos estudantes. Buscaremos analisar como esta metodologia vem sendo aplicada no Ensino Médio, tendo como foco principal a disciplina de Física e a partir desta investigar e propor práticas educativas que promovam a interação com as outras disciplinas como: feira de ciências, trabalhos em conjunto, charges, debates e etc.

Antes de adentrar nos detalhes do projeto em si, cabe ressaltar que a noção de Interdisciplinaridade que será adota ao longo da pesquisa é aquela em que as barreiras existentes entre cada uma das disciplinas é superada, no momento em que os especialistas passam a desenvolver suas áreas buscando a solução de problemas complexos, que não encontram as barreiras impostas pelos currículos, através de um projeto com objetivos em comum. Com base nessa definição, é que passa a ser conveniente utilizar as técnica de Fourez, para desenvolver o projeto de Ilhas de Racionalidade.

- O projeto consiste em três etapas:
- · Primeira etapa: Entrevista com o diretor e professor de física da instituição e aplicação de questionários aos professores e alunos da mesma, com questões sobre a presença ou não da interdisciplinaridade em sala de aula e a percepção dos sujeitos sobre a mesma. Para tanto utilizamos algumas questões focadas no conceito unificador de Energia que nos ajudará a desenvolver a etapa 3;

- · Segunda etapa: Analise dos dados e investigação em sala de aula através da observação;
- · Terceira etapa: Execução de práticas interdisciplinares. A priori serão desenvolvidas e investigadas estratégias interdisciplinares envolvendo o conceito unificador de Energia.

Utilizando as palavras de Gagné: "a aprendizagem depende em grande parte dos acontecimentos que se realizam no ambiente com o qual o indivíduo interage' (1974, p.02).

Sendo assim, quanto mais rico for esse ambiente, maior será seu desenvolvimento cognitivo.

Neste contexto de investigação educativa nos pautamos nas idéias de Morin (2002, 2007) e Angotti (1991), na busca dos elementos que potencializem uma prática interdisciplinar e que fazem parte do cotidiano estudantil, para dessa forma proporcionar a interatividade entre o conhecimento escolar e a realidade dos sujeitos. Segundo Paulo Freire:

Não seriam poucos os exemplos, que poderiam ser citados, de planos, de natureza política ou simplesmente docente, que falham porque seus idealizadores partiram de uma visão pessoal da realidade. Porque não levaram em conta, num mínimo instante, os homens em situação a quem se dirigia seu programa, a não ser como puras incidências de sua ação. (FREIRE. 1987, p. 48)

- É essa investigação da realidade dos estudantes proporcionando a interlocução do conceito unificador de Energia com as práticas a serem desenvolvidas, pois tomaremos como ferramentas para o ensino de Física elementos externos à sala de aula. Com isso também, objetivamos flexibilidade ao possibilitar adaptações para extratos sociais diversos.

Assumimos assim como grande desafio, na condição de professores e investigadores no Ensino de Física inquirir e promover possibilidades metodológicas para compreender o papel da interdisciplinaridade no ensino-aprendizagem e sua inserção nas aulas de Física na Escola Básica.

Este projeto encontrasse em fase inicial, por hora desenvolvemos a etapa um e estamos investigando dentro da etapa dois. Os dados coletados já são suficientes para transcorrer a etapa dois, uma vez que estes dados mostram que a maioria dos alunos não conseguem identificar elementos interdisciplinares e transdisciplinares, o que nos motiva a continuar desenvolver este projeto.

## Resultados da Investigação

Quando perguntamos ao aluno se com o desenvolvimento de atividades envolvendo outras disciplinas e práticas extraclasse seria possível despertar o seu interesse pelas Ciências, dezesseis dos vinte e dois entrevistados responderam de forma positiva; aos professores foi perguntado se a prática de tal atividade pode promover uma melhora na qualidade educacional, todos os entrevistados igualmente responderam de forma positiva. Logo, os sujeitos investigados acreditam que uma aula interdisciplinar traria um aprendizado mais significativo e motivador a sua formação escolar.

A seguir, os professores foram solicitados a informar a freqüência temporal que efetuam conexões entre os assuntos de sua disciplina com outras ou com eventos do cotidiano: a maioria declarou utilizar tais conexões na maioria das aulas. Aos alunos, por sua vez, dirigiu-se a seguinte indagação: os docentes utilizam práticas amplas para discutir temas cotidianos em conjunto com outras matérias? Alguns deles afirmaram perceber essas relações, outros não perceberam correlação alguma. Estas respostas entram em choque. Será que estas conexões que os professores afirmaram realizar são realmente interdisciplinares, ou então, quando as mesmas acontecem os estudantes são incapazes de identificá-las?

Investigamos também a percepção dos próprios professores sobre sua formação ao questionar se: os que atualmente estão atuando no mercado de trabalho possuem o preparo necessário para utilizar adequadamente essa metodologia? A maioria disse discordar da preparação dos mestres; assim nota-se que não existe nem conhecimento e nem segurança por parte dos mesmos para trabalhar de forma interdisciplinar. Duas outras indagações sobre o tema 'Energia', sua forma de trabalho (em conjunto com outras disciplinas), trabalhado assim de forma diferenciada com práticas diversas, potencializaria o aprendizado foi aceita de forma positiva tanto por estudantes quanto por professores. Isto demonstra a esperança e abertura para um trabalho interdisciplinar.

Desta forma apresentamos os resultados preliminares de nosso projeto de investigação, os quais oriundos de um questionário aplicado na escola conveniada ao PIBID - UTFPR, mostra que é compatível a investigação e criação de estratégias didático-metodológicas para a Interdisciplinaridade no ensino-aprendizagem de Física na realidade que estudamos.

## Referências

ANGOTTI, J. A. Fragmentos e totalidades no conhecimento científico e no ensino de ciências. Tese de doutoramento, FEUSP, 1991.

PIETROCOLA, M.; NEHRING, C. M.; SILVA, C. C.; TRINDADE, J. A. de O.; LEITE, R. C. M.; PINHEIRO, T. de F. As Ilhas De Racionalidade E O Saber Significativo: O Ensino De Ciências Através de Projetos. . Belo Horizonte. Ensaio - Pesquisa Em Educação Em Ciências: 2000. Vol. 2

MORIN, E. A religação dos saberes: O desafio do século XXI . 6 ed, Rio de Janeiro. Bertrand Brasil, 2007.

MORIN, E. A cabeça bem feita. Repensar a reforma repensar o pensamento . 6 ed., Rio de janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido , 17ª Edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

GUERRA, A.; REIS, J. C.; BRAGA, M. A. B.. Uma Abordagem Histórico-Filosófica Para o Eletromagnetismo No Ensimo Médio. Caderno Brasileiro de Ensino de Física. Vol: 21. Nº 2: 2004.

GUERRA, A.; FREITAS, J. D. de; REIS, J. C.; BRAGA, M. A. B.. A Interdisciplinaridade no Ensino das Ciências a Partir de uma Perspectiva Histórico-Filosófica. . Caderno Brasileiro de Ensino de Física. Vol: 15. Nº 1: 1998.

GAGNÉ, R.M., Como se realiza a aprendizagem, 1ª edição, editora S.A, 1974.

MIQUELIN, A. F.; HAMMES, E. H.; PINTO, J. S.; VERDICCHIO, L. H.; BOZATSKI, M. F. ; PACHECO, N. O.; SILVA, R. V.; FERRARINI, R. (org); GANZ, S. T. Diálogos com a Prática: Construções Teóricas. 1. ed. Curitiba: SESI-PR, 2008. v. 1.

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