Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

IMERSÃO NA SALA DE AULA: UMA EXPERIÊNCIA COM O PIBID

Vanesa Grazieli Rogoski Golembionski, Adriano José Ortiz

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
24/01/2025
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2025

Texto completo

## IMERSÃO NA SALA DE AULA: UMA EXPERIÊNCIA COM O PIBID

- 1 Instituto Federal do Paraná/Física/Campus Ivaiporã, vvaanessagrazieli@gmail.com
- 2 Instituto Federal do Paraná/Física/Campus Ivaiporã, adriano.ortiz@ifpr.edu.br

## Resumo

O presente trabalho tem como objetivo principal elencar as experiências alcançadas por meio da participação no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), em que licenciandos do primeiro ano do curso de Licenciatura em Física puderam ter contato com a realidade da educação e da vida docente, participando das aulas, desenvolvendo atividades e auxiliando o professor regente. Portanto, para o desenvolvimento desse estudo, realizou-se a investigação a respeito da realidade do Ensino de Física, bem como as nuances vivenciadas no processo de ensino-aprendizagem, em especial durante um momento pandêmico, tendo em vista que o período de participação no programa foi coincidente com a pandemia de Coronavírus, ou seja, as aulas foram acompanhadas majoritariamente de forma remota. Diante disso, buscou-se a implementação de novas ferramentas didáticas envolvendo aparatos tecnológicos, bem como atividades dinâmicas imprescindíveis diante do contexto vivenciado, com isso, notou-se, por exemplo, maior envolvimento e comprometimento dos estudantes durante as aulas.

Palavras-chave : Ensino de Física; Licenciatura; PIBID.

## Introdução

O ensino de Física detém suas características e particularidades específicas. Segundo Moreira (2018) o ensino de Física de um modo geral leva o aluno a uma interação negativa com o conteúdo, na qual os estudantes dizem não gostar de Física e evitam-a, ao passo que buscam apenas realizar padronizadamente avaliações e testes, sem de fato interagir com o conteúdo.

Diante da problemática exposta, se faz necessário um ensino de Física contextualizado, que busque expor a ciência em questão como imersa no cotidiano do estudante. Consequentemente, tendo tal princípio como base, buscou-se por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), vivenciar a realidade em sala de aula, a fim de perceber quais são as nuances que envolvem o processo de ensino-aprendizagem.

Assim sendo, durante um período de um ano e meio, estudantes do curso de licenciatura em Física da rede federal, participaram de atividades que envolvem aulas, reuniões, avaliações e correções de provas e trabalhos em turmas de Ensino Médio, tanto na rede federal quanto na estadual. Contudo, o presente relato visa apenas apresentar as experiências vivenciadas na rede federal, em que o Ensino Médio é integrado a cursos técnicos. Destaca-se que a participação no programa coincidiu com o período pandêmico, ou seja, teve início no ano de 2020 e término em 2022, o que fez com que as atividades fossem acompanhadas remotamente em

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

grande parte da carga horária e presencialmente durante um curto período de tempo.

Portanto, foi possível vivenciar, por meio do PIBID, a realidade da educação brasileira frente a um dos períodos mais complexos e emblemáticos para esta. No entanto, as experiências alcançadas foram produtivas, de modo a contribuírem tanto para a formação dos acadêmicos quanto para o ensino da disciplina de Física nas turmas atendidas. Portanto, o principal objetivo do presente relato é justamente apresentar as experiências alcançadas pelos licenciados integrantes do PIBID durante o período de participação no programa.

## Fundamentação teórica

A Física é uma ciência que estuda a natureza e os fenômenos que nela ocorrem. Inclusive, a palavra 'Física' é oriunda do grego 'Physis' que significa natureza. Deste modo, é notório que a Física faz parte de diversas ocasiões, desde as mais simples e rotineiras que envolvem o movimento de carros, chuveiros elétricos, lentes de óculos, aparelhos de tv e celulares, até o compreendimento do universo em larga escala ou a descrição de partículas ínfimas que compõem o interior dos átomos. Todavia, mesmo que a Física faça parte da nossa rotina, é comum notarmos seu ensino com características desmotivantes e descontextualizadas, em que o principal foco é a padronização do estudante para que este realize satisfatoriamente avaliações, sem de fato compreender o conteúdo, apenas o memorizando mecanicamente, como salienta Moreira:

Em resumo, o ensino da Física na educação contemporânea é desatualizado em termos de conteúdos e tecnologias, centrado no docente, comportamentalista, focado no treinamento para as provas e aborda a Física como uma ciência acabada, tal como apresentada em um livro de texto (MOREIRA, 2017, p.3).

Deste modo, é importante que o educador se atenha a novas metodologias e abordagens de ensino em que o estudante não é coadjuvante no processo de ensino-aprendizagem, mas sim atua como protagonista, em que o professor, por sua vez, detém o papel mediador do conhecimento. Para tanto, enfoca-se a aprendizagem significativa, tendo em vista que é nesse tipo de aprendizagem que o estudante pode vivenciar a mudança sem se deixar ser alienado por ela, lidar com a informação sem se sentir impotente diante da velocidade com que estas se propagam e sua grande disponibilidade de acesso, bem como fazer uso e desenvolver a tecnologia sem se tornar tecnófilo (Moreira, 2006).

Fica nítido que o ensino de Física necessita, sobretudo, ser contextualizado com a realidade dos estudantes, para que estes se sintam submersos no processo de construção do saber, fazendo com que a aprendizagem tenha significado e, consequentemente com que se tornem cidadãos críticos e pensantes, considerando que ' [...] formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas [...]' (Freire, 1996, p.9).

No que toca ao ensino brasileiro, não se pode deixar de citar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que como o próprio nome sugere é a base para os conteúdos ensinados em território nacional. No tópico referente às ciências da

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

natureza para o Ensino Médio, notam-se alguns aspectos relevantes e que devem ser considerados. A título de exemplificação, nas habilidades e competências específicas, percebem-se pontos relacionados à construção do pensamento crítico, como:

Interpretar textos de divulgação científica que tratem de temáticas das Ciências da Natureza, disponíveis em diferentes mídias, considerando a apresentação dos dados, a consistência dos argumentos e a coerência das conclusões, visando construir estratégias de seleção de fontes confiáveis de informações (BNCC, 2018, p.545).

Contudo também considera-se, de acordo com Silva (2018) que a abordagem trazida pela BNCC acaba se mostrando limitada pelo seu caráter pragmático e a-histórico, ou seja, mesmo o documento que é base para a educação precisa ser moldado visando se adequar satisfatoriamente ao processo efetivo e contextualizado de construção do saber, não apenas no que tange ao ensino de Física.

## Abordagem Metodológica

Para a realização do presente relato de experiência nos baseamos em uma abordagem condizente com a qualitativa, pois consideramos que 'A abordagem qualitativa tem se afirmado como promissora possibilidade de investigação em pesquisas realizadas na área da educação' (Teis, 2006, p.1). Deste modo, para a construção do relato, pautamo-nos nas experiências alcançadas por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), onde licenciandos em Física puderam vivenciar a prática docente por 18 meses, desde o primeiro ano da graduação, participando das aulas de Física para turmas de cursos técnicos integrados ao Ensino Médio da rede federal.

Por conseguinte, buscaremos apresentar os aspectos notados no período de participação no programa, o que envolve o dia a dia na sala de aula mesmo que por Google Meet, resolução de atividades, correção de provas, participação no planejamento das aulas, elaboração de material didático, criação de dinâmicas e experimentos, atividades de formação docente, etc.

Também destaca-se que, para corroborar no escopo do relato, pesquisas bibliográficas foram realizadas, evidenciando que, conforme destaca Gil: 'A pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. ' (Gil, 2002, p.46). Logo, foram utilizados autores como Marco Antônio Moreira e Paulo Freire para alicerçar a discussão tangente ao ensino de Física.

## Resultados e Discussão

O PIBID é um programa federal que visa o apoio à prática docente desde a graduação, proporcionando que o estudante de licenciatura possa conhecer na

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

prática a realidade de ser professor desde os primeiros semestres do curso. Visto que, geralmente, nas disciplinas de licenciatura, os estágios obrigatórios ocorrem nos últimos períodos, contrariamente, o PIBID expõe o estudante já no início da graduação, fato que o faz perceber as complicações e dificuldades encontradas no ensino de Física e, por meio das disciplinas do curso, possa buscar práticas visando atenuá-las.

- O trabalho realizado com o PIBID teve seu início em meados de do ano de 2020, período em que a pandemia de COVID-19 se disseminou com vigorosidade, por conseguinte, tanto alunos quanto professores precisaram ficar fora das salas de aula, visando a proteção da saúde de todos. Deste modo, diante das limitações causadas pela pandemia, as atividades referentes ao PIBID também necessitaram ser realizadas de maneira remota.

Primeiramente, começou-se a estudar a respeito da vida docente, em momento anterior ao contato com os estudantes do Ensino Médio. Primordialmente estudamos conteúdos a serem trabalhados na sala de aula, bem como atividades contextualizadas a serem realizadas quando fosse viável a interação com os alunos. Em momento posterior foi possível participar das aulas online, destaca-se que estas ocorriam via Google Meet e não se tratavam de aulas propriamente ditas, visto que os encontros remotos eram realizados para que os alunos pudessem tirar suas dúvidas a respeito das atividades atribuídas pelo professor.

Deste modo, tais encontros duravam cerca de 15 minutos e a presença dos estudantes era baixa. Ainda assim, esse foi o primeiro contato dos pibidianos com a realidade da sala de aula, mesmo que remotamente.

Diante da impossibilidade, mesmo no ano de 2021, de retornar presencialmente às salas de aula, a dinâmica das aulas foi alterada, sendo dividida em atividades assíncronas e aulas síncronas, via Google Meet. Esses encontros duravam o tempo previsto para uma aula presencial e o conteúdo foi ministrado de maneira integral, de forma que os encontros virtuais não serviam apenas para colocação de dúvidas. As aulas ocorriam remotamente e as atividades eram propostas e enviadas por meio da plataforma Google Classroom.

Pibidianos não podem ministrar aulas, porém podem e devem auxiliar o professor nestas. Assim sendo, participavam assiduamente de todas as aulas de Física do supervisor do projeto, de modo a buscar maneiras de auxílio ao educador e aos estudantes.

Destaca-se a desmotivação por parte dos alunos com vista às aulas remotas. Esses eram introspectivos, faziam poucas perguntas e colocações durante a aula, basicamente ligavam o microfone apenas para responder à lista de presença e a câmera infimamente era ligada. Logo, foi inevitável sentir que o professor ministrava sua aula para os logos e fotos dos e-mails dos estudantes, sem saber se estes de fato acompanhavam as aulas.

Participando das aulas e visando aumentar a participação dos estudantes, os pibidianos, adjunto do professor, passaram a sugerir atividades diversificadas. Uma proposta que surtiu efeito foi a utilização da plataforma Kahoot. O Kahoot

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

permite ao professor criar quizzes e questionários interativos, deste modo, foram desenvolvidas questões referentes aos conteúdos abordados durante as aulas e os estudantes jogavam o quiz todos juntos.

Destaca-se que a plataforma Kahoot é bastante interativa, tendo em vista que a cada pergunta e resposta, o aluno recebe determinada pontuação que está relacionada ao tempo de resposta bem como se esta foi correta ou incorreta, e ao final, há um pódio de colocação dos jogadores com as maiores pontuações. Com a realização da atividade notou-se que a participação dos alunos mudou consideravelmente, esses interagiam, faziam brincadeiras saudáveis e competiam entre si, o que certamente foi benéfico para o processo de ensino-aprendizagem, não mecânico e contextualizado com a realidade da faixa etária dos alunos. Abaixo evidenciamos uma imagem que retrata a utilização do Kahoot em uma aula remota:

Figura 01: Utilização da plataforma Kahoot em aula virtual

<!-- image -->

Como as aulas ocorriam via plataforma virtual, os experimentos de Física dotavam de dificuldade para serem realizados. Todavia, a Física é uma ciência experimental e portanto é importante que os estudantes vejam na prática o que eles estudam na teoria para que o ensino seja contemplado em plenitude. Visando uma proposta que atenuasse a situação e pudesse proporcionar a experimentação, os pibidianos criaram vídeos demonstrando e explicando experimentos de Física, os conteúdos escolhidos foram, por exemplo, eletrodinâmica, magnetismo, dinâmica etc.

Os experimentos desenvolvidos em vídeos foram simples, porém bastante visuais. Foi possível perceber que os alunos gostaram dos vídeos e se mostraram bastante interessados com os experimentos. Devido ao exposto, foi pedido para que estes realizassem seus próprios experimentos em casa, gravassem um vídeo e apresentassem durante a aula remota. A ideia surtiu efeito e os vídeos trazidos pelos estudantes demonstraram que estes tinham grande interesse pela experimentação, o que denota a necessidade da prática no ensino de Física.

Como o PIBID é um programa que auxilia na formação do educador, foram desenvolvidas apresentações criadas pelos licenciandos e apresentadas para o supervisor, os temas escolhidos envolviam óptica geométrica, campo elétrico, radiação, Leis de Newton etc. Todas as apresentações foram realizadas por Google

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Meet. Destaca-se a relevância de tais apresentações para os pibidianos, tendo em vista que como estávamos no início do curso, não tínhamos tido a experiência de fazê-las.

As apresentações foram desenvolvidas como se realmente fossem aulas ministradas para estudantes do Ensino Médio. Ao final de cada apresentação o supervisor fazia comentários a respeito da didática utilizada, dos artifícios para a contextualização do conteúdo, da escolha do conteúdo e também da linguagem utilizada para a apresentação. Deste modo, foi possível amadurecer grandemente a prática em sala de aula, a evolução benéfica das apresentações foi nítida, tendo em vista que atenuantes como nervosismo e linguagem inapropriada foram superados e a experiência certamente proporcionou maior conforto ao realizarmos apresentações.

Outro aspecto a ser evidenciado foi o auxílio na correção de avaliações e exercícios. O professor atribuia uma atividade avaliativa para os estudantes por meio do Classroom, estes, por sua vez, respondiam as questões nos seus cadernos, tiravam fotos e enviavam para a correção. Cada pibidiano ficava responsável pela correção de um número de atividades que depois eram conferidas pelo educador. Destaca-se que uma ação aparentemente simples se mostrou dotada de complexidade por diversos motivos. A título de exemplificação, foi notoriamente difícil a correção de determinadas atividades devido à letra incompreensível e fotos tremidas. Outro aspecto que dificultou a correção foram as questões que apresentavam coerência no raciocínio lógico, porém erros nas conclusões. Outras que envolviam cálculo, eram resolvidas de forma correta, no entanto o resultado final apresentava erros. Deste modo, foi possível balancear todos os atenuantes, a fim de a correção ser justa com todos os alunos, onde a imparcialidade deve prevalecer.

Outro feito que merece destaque foi a realização da Primeira Semana da Física para o Ensino Médio. Destaca-se que o evento 'Semana da Física' é um evento anual organizado pelo colegiado do curso de Física, no entanto, até então era voltado de modo especial para alunos da graduação. Visando estender o evento para alunos do Ensino Médio, o grupo de pibidianos, adjunto do professor supervisor e do coordenador do projeto desenvolveram a Primeira Semana de Física para o Ensino Médio, cujo tema foi 'Física: Parece Mágica, mas é Ciência'. O intuito principal do evento foi mostrar que a Física faz parte das nossas vidas, ou seja, está presente no cotidiano, e por mais que possa parecer mágica, ela é uma ciência pautada em evidências e em rigorosos métodos científicos.

Para o evento, foram construídas oficinas ministradas pelos pibidianos sob supervisão do professor e do coordenador. As oficinas foram ofertadas de maneira remota e não se restringiram ao público da rede federal, ou seja, estudantes do Ensino Médio da rede estadual também participaram do evento. As oficinas continham temas variados, o primeiro a ser discutido foi referente a história da Física, em que se buscou demonstrar como a Física foi sendo construída ao longo do tempo e quais foram os fatores que propiciaram para que ela fosse da maneira que é atualmente. Também deixou-se claro que a Física não é uma ciência pronta, isto é, ainda encontra-se em constante desenvolvimento à medida que nossas questões são propostas.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Outros temas apresentados nas oficinas foram relacionados à astronomia, óptica, dinâmica etc. Ao fim de cada apresentação uma atividade foi proposta, como a construção de mapas mentais. Durante a finalização do evento foi realizada uma feira de ciências virtual, em que os estudantes apresentaram experimentos mostrando conceitos como o de pressão e magnetismo, de uma forma bastante simples e visual. A seguir demonstramos uma imagem da abertura do evento com a oficina 'Espetáculo 01: Historiando Aquela que Parece Mágica':

Figura 02: Primeira oficina do evento 'Primeira Semana da Física para o Ensino Médio'

<!-- image -->

No ano de 2022, quando o programa chegava ao fim, foi possível retornar à sala de aula e pudemos conhecer os estudantes que havíamos tido contato virtual durante mais de um ano. Mesmo que tenhamos tido contato com a sala de aula presencial por pouco tempo, foi uma experiência enriquecedora, tendo em vista que a dinâmica e a interação são totalmente diferentes.

Propomos algumas atividades para os estudantes, pautadas principalmente no ensino por investigação. Uma delas foi realizada com uma turma de primeiro ano do Ensino Médio, a atividade foi baseada no jogo de cartas Black Stories, onde os alunos escolhiam uma carta e precisavam desvendar aos poucos a história nela presente, tendo em vista que a carta apresentava apenas alguns dados introdutórios. A ideia do jogo serviu para contextualizar a aula com o processo de construção da ciência. Evidencia-se que a turma se mostrou introspectiva em um primeiro momento, todavia, com o desenrolar da atividade, os estudantes mostraram-se muito participativos e relataram terem apreciado a atividade, inclusive pedindo por mais atividades semelhantes.

Outra atividade desenvolvida foi referente à eletrostática, em que dividimos os estudantes em grupos e entregamos alguns objetos, como uma latinha de refrigerante, um canudinho de plástico e um papel toalha. A proposta era fazer com que a latinha se movesse sem encostar nela, os grupos demoraram um período de tempo até conseguirem resolver o problema, no entanto, após muitas tentativas conseguiram mover a latinha ao atritar o canudo com o papel toalha e aproximá-lo da lata. Feito isso, o professor explicou o experimento e os conceitos envolvidos, a atividade teve sua finalização com a construção de um relatório.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Tendo como base a participação no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, é possível concluir que as experiências alcançadas foram enriquecedoras para a formação dos licenciandos. Levando em consideração os aspectos listados ao longo do presente trabalho, é visível que atividades variadas foram desenvolvidas tanto no que tange à prática em sala de aula, quanto à formação acadêmica, visto que muitas atividades de formação também foram desenvolvidas.

Em especial no que se relaciona ao contato com os estudantes, nota-se que estes almejam um ensino de Física contextualizado, pois demonstraram considerável interesse em atividades diversificadas como a utilização do Kahoot, gravação de vídeos de experimentos, eventos como a Semana da Física e atividades de investigação como a utilização de jogos como Black Stories para contextualização do processo de construção da ciência, bem como atividades provocativas como o desafio de movimentar uma lata sem encostar nesta.

Ademais, também evidencia-se que embora um ensino de Física investigativo, contextualizado, que vise a construção do pensamento criativo e crítico, bem como a emancipação, seja necessário, toda a realidade da educação precisa ser reformulada, visto que o educador precisa de tempo para construir atividades diversificadas e também de meios para que estas sejam realizadas. Com isso, uma educação de qualidade, equitativa e que vise a formação do pensamento crítico não é utópica, mas sim possível e necessária.

## Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Educação. Base nacional comum curricular . Brasília, DF: MEC, 2015. Disponível em:&lt;Disponível em:http://basenacionalcomum.mec.gov.br/documento/BNCC-APRESENTACAO.pdf &gt;. Acesso em: 20 de abril de 2024.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia : saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GIL, Antônio Carlos. Como classificar as pesquisas. Como elaborar projetos de pesquisa , v. 4, n. 1, p. 44-45, 2002.

MOREIRA, Marco Antônio. Uma análise crítica do ensino de Física. Estudos avançados , v. 32, p. 73-80, 2018.

MOREIRA, Marco Antonio. Grandes desafios para o ensino da física na educação contemporânea. Revista do Professor de Física , v. 1, n. 1, p. 1-13, 2017.

MOREIRA, Marco Antonio. Aprendizagem significativa subversiva. Série-Estudos-Periódico do Programa de Pós-Graduação em Educação da UCDB , 2006.

SILVA, MONICA RIBEIRO DA. A BNCC da reforma do ensino médio: o resgate de um empoeirado discurso. Educação em revista , v. 34, p. e214130, 2018.

TEIS, Mirtes Aparecida; TEIS, Denise Terezinha. A abordagem qualitativa: a leitura no campo de pesquisa. Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação , v. 1, p. 1-8, 2006.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.