A CRIATIVIDADE (OCULTA) NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA E AS IMPLICAÇÕES NO ENSINO DE CIÊNCIAS
Roberto Gonçalves Barbosa, Irinéa De Lourdes Batista
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 07/06/2011
- Linha de pesquisa
- Questões Teórico-Metodológicas E Novas Demandas Na Pesquisa Em Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A CRIATIVIDADE (OCULTA) NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA E AS IMPLICAÇÕES NO ENSINO DE CIÊNCIAS
## THE (HIDDEN) CREATIVITY IN THE SCIENTIFIC PRODUCTION AND THE IMPLICATIONS FOR TEACHING OF SCIENCE
## Roberto Gonçalves Barbosa 1 , Irinéa de Lourdes Batista 2
1 Universidade Estadual de Londrina/ Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Educação Matemática/ betofisica@yahoo.com.br
2 Universidade Estadual de Londrina/ Departamento de Física/ irinea@uel.br.
Palavras- chave: criatividade, criatividade científica, ensino de ciências.
## Justificativa e objetivos
A criatividade tem sido considerada como uma das mais importantes características a ser desenvolvida nos indivíduos em uma época marcada pela incerteza e pelas rápidas e complexas mudanças. Apesar do apelo social, a criatividade tem tido pouca atenção na prática educacional e também nas pesquisas nacionais em educação. Pesquisadoras como Alencar (2003) salientam que no sistema educacional de diferentes países e inclusive no Brasil, existe uma série de barreiras que inibem a expressão e a capacidade de criar, em grande parte porque se privilegia em demasia, a reprodução e a memorização de conhecimento. Por outro lado, os que defendem uma 'educação criativa', acreditam que essa vertente traz benefícios emocionais; como a elevação da auto-estima; comportamentais, como ser mais autônomo e aberto a novas experiências, e intelectuais, como a capacidade de elaborar ideias originais e inusitadas (WECHSLER, 1998; ALENCAR, 2003). A partir dessa perspectiva, objetivamos pensar a criatividade sob o enfoque da educação científica e discutir possíveis caminhos para o seu estudo.
## Marco teórico e metodológico
Kind & Kind (2007) realizaram uma revisão no campo da educação em ciências e constataram que os trabalhos que abordam a criatividade são pesquisas que indiretamente se relacionam a tal característica, quer dizer, não tomam a criatividade como foco de discussão e análise. Decorrente disso, afirmam ser necessário estabelecer uma base comum de pesquisa para que se possa desenvolver estudos sobre a criatividade no ensino das ciências. Na mesma direção, por meio da revisão dos periódicos com qualis A e B da área 46 da Capes no Brasil chegamos à mesma conclusão que Kind e Kind (2007) quanto à ausência/carência de estudos cujo foco seja a educação para a criatividade científica. Por meio da leitura/análise de pesquisas sobre a criatividade no campo da psicologia (Alencar, 2003, Wechsler, 1998) filosofia (Kneller, 1978) e Ciências (Bohm, 1989), foi nos possível conhecer/identificar habilidades que caracterizam a pessoa criativa, tais como a fluência de ideias (ter muitas ideias), a flexibilidade de ideias (ideias diversificadas) a originalidade (ideias incomuns), a imaginação e a curiosidade, a
capacidade de 'brincar' com as ideias por meio do uso de analogias e metáforas. De posse desse conhecimento, buscamos no campo da educação científica pesquisas que recorrem ao desenvolvimento de características como as citadas acima.
## Análise de Pesquisa
Afim de mostrar o resultado desse estudo, e objetivando facilitar um primeiro entendimento, damos uma resposta provisória a duas questões. Ensino criativo ou Ensino para a criatividade? E, que tipo de criatividade devemos pensar quando tratamos da educação científica? Refletindo a respeito da primeira questão, poderíamos dizer que quando falamos em ensino criativo nos referimos aos estudos que se preocupam com a melhoria do processo de ensino e de aprendizagem da ciência, cujo objetivo é tornar as aulas mais atraentes e interessantes. Os estudos sobre arte e ciência exemplificam tal vertente, e afirmam que esta integração contribui na diversificação das aulas por meio da leitura e elaboração de poesias (ZANETIC, 2005), músicas, teatros (CARVALHO, 2006), desenhos e interpretação de pinturas (BRAGA, GUERRA e REIS, 2005) além de 'prepará-los para correr riscos sem ter medo do erro, bem como desenvolver sua expressividade' (KIND e KIND, p 9. 2007). A ensino para criatividade, diferentemente ao ensino criativo, seria aquele voltado para formação de estudantes criativos. Para que esse tipo de ensino ocorra, Kind e Kind (2007) consideram que é necessário o estabelecimento de um nível mínimo de sustentação teórica que indique quais as habilidade criativas da ciência que os alunos podem desenvolver e como isso acontece (KIND e KIND, 2007, p.27). Nessa direção podemos refletir a respeito da segunda questão. Quando se fala em educação em ciências pensamos na vertente da criatividade científica, que consideramos como aquela que está presente na construção do conhecimento científico. Filósofos como George Kneller (1978) e o físico David Bohm (1989) salientam que no fazer científico além de fatores lógico-racionais existem elementos da linguagem como as analogias e as metáforas, que permitem novas interpretações e conexões. As pesquisas (BOZELLI e NARDI, 2006; LEITE e DUARTE, 2006; BROWN e SALTER, 2010) que se dedicam a esta vertente geralmente estão interessadas na avaliação do poder pedagógico do uso das analogias e metáforas nas aulas de ciências e afirmam que estas constituem elementos importantes para o ensino, pois 'ajudam a tornar inteligíveis conteúdos novos, visualizar conceitos abstratos ou fenômenos não observáveis, implicam cognitivamente e afetivamente os alunos, melhoram o interesse e a auto-estima' (LEITE e DUARTE, 2006, p.46); características que se inserem numa abordagem criativa da educação em ciência. Do mesmo modo, citamos também os trabalhos com viés histórico-epistemológico que tratam dos modelos científicos, que dentre outros aspectos são considerados como representações de ideias, objeto ou fenômeno que se queira apreender. Segundo Batista (2004);
[…] um modelo é uma entidade natural ou artificial, relacionada de alguma forma, à entidade sob estudo ou a alguns de seus aspectos. Esse modelo é capaz de substituir o objeto em estudo e de produzir certos conhecimentos mediados concernentes à entidade sob estudo (BATISTA, 2004, p.466).
As pesquisas (BATISTA, 2004; MIRANDA, BADILHO, GARAY, 2006) que tratam da elaboração e enunciação de modelos científicos na educação científica
acreditam no potencial de aprendizagem que esta pode promover, uma vez que envolve uma estruturação cognitiva relacional, criativa e inovadora.
## Conclusão
O que podemos constatar é que as pesquisas sobre o desenvolvimento da criatividade na educação científica ainda é incipiente, o que demonstra a relevância do presente trabalho. Como já apontado, é preciso definir as habilidades criativas que estão presentes no fazer científico, bem como pensar alternativas didáticometodológicas para sua inserção no processo de ensino-aprendizagem. Os trabalhos citados são de grande contribuição para o campo da educação em ciências, inclusive para as pesquisas no campo da criatividade científica, todavia fazem uma conexão indireta com o tema em questão. Assim, o presente trabalho visa mostrar uma explicitação e aprofundamento nos estudos sobre a criatividade científica, apresentando uma plataforma epistemológica para o entendimento da criatividade que sustente os estudos voltados para educação científica.
## Referências
ALENCAR, Eunice Soriano de. Criatividade: múltiplas perspectivas . 3º ed. Editora Universidade de Brasília, Brasília, 2003.
BATISTA, Irinéa de Lourdes. O ensino de teorias Físicas mediante uma estrutura históricofilosófica. Ciência e Educação , V.10, n.3, p.461-476, 2004.
BOHM, David; PEAT, F. David. Ciência, Ordem e Criatividade . Trad. Jorge da Silva Branco. 1ºed. Ed. Gradiva. Lisboa: 1989.
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CARVALHO; Silvia Helena M. de. Uma viagem pela Física e Astronomia através do teatro e da dança. Física na Escola , v. 7, n. 1, 2006
LEITE, Rita; DUARTE, Maria da C. Percepções de professores sobre o conceito de analogia e de sua utilização no ensino-aprendizagem da Física e da Química. In: NARDI, R.; ALMEIDA, M. J. P. M.. (Org.). Analogias, Leituras e Modelos no Ensino da Ciência: a sala de aula em estudo. Escrituras, v.6, p. 45-49, São Paulo:2006.
KIND, Per Morten and KIND, Vanessa. Creativity in Science Education: Perspectives and Challenges for Developing School Science, Studies in Science Education , 43: 1, 1-37, 2007.
KNELLER, George F. Arte e Ciência da Criatividade . Trad. José Reis. 15.ed. Ibrasa: São Paulo, 1978.
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ZANETIC, João. Física e Cultura. Ciência e Cultura: temas e tendências - Física . Ano 57, n.3, p.21 - 24, 2005.
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