Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

CONVITES DOCENTES NUM LABORATORIO DE FISICA

Elisabeth Barolli, Marisa Franzoni

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
IX
Ano
2004
Data
28/10/2004
Linha de pesquisa
Formaçao E Prática Profissional De Professores De Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2004

Texto completo

## RESUMO

O efeito das intervenções docentes foi analisado no contexto de uma aula em que um grupo de estudantes desenvolvia uma atividade experimental num laboratório didático de física. Foram focalizadas algumas das intervenções docentes realizadas no desenvolvimento dessa atividade, para, em seguida, tentar compreendê-las no âmbito do que estamos denominando convites docentes. Estes construtos teóricos foram elaborados tendo como pressuposto a idéia de que num processo em que ensino e aprendizagem se articulam é possível admitir a realização de uma experiência de aprendizagem tanto do ponto de vista de quem ensina como de quem aprende. Essa experiência aqui referida se caracteriza pelo enfrentamento, por parte dos sujeitos, de riscos, dificuldades, ansiedades, ilusões e desilusões. Se ela é realizada, certamente seus efeitos serão marcantes, pois nessas circunstâncias o sujeito irá investir, também, sua subjetividade no enfrentamento da situação problema que ele experimenta.

Nossa análise sobre a situação investigada apóia-se nas proposições de Winnicott acerca do processo inconsciente que caracteriza o progressivo afastamento que a criança realiza em relação à mãe em seu desenvolvimento. Nesse processo é fundamental que o bebê experimente uma oscilação entre ilusão e desilusão gradativa o que contribui para que ele se volte para a procura de outros objetos e vínculos que lhe permita realizar a separação com a mãe, sem que com isso ele fique totalmente a deriva. Em analogia, os convites docentes parecem apresentar algum potencial para alimentar o processo da ilusão e da desilusão nos contextos educativos. Assim, o professor ao fazer uma intervenção pode criar uma situação de ilusão, como é o que parece ter ocorrido na situação investigada. No entanto, pelo que pudemos depreender de nossa análise, houve um rompimento drástico na ilusão criada inicialmente pela professora, o que teve como conseqüência a criação de um vazio na relação estabelecida entre professora e alunos, impedindo que o convite fosse efetivado.

Nossos resultados sugerem que não é qualquer intervenção que pode colocar em marcha a articulação entre ensino e aprendizagem e possibilitar novas experiências aos estudantes, bem como ajudá-los a rever suas crenças acerca de um determinado conhecimento. Sugerem, também, que o docente precisa reconhecer que suas intervenções têm um potencial que tanto pode contribuir para a realização de uma experiência de aprendizagem como provocar um desastre em termos da aprendizagem de seus alunos. Sem dúvida, não é possível avaliar, em toda sua extensão, as conseqüências de uma intervenção, porém o que nos fica claro é que a responsabilidade do professor na condução e sustentação de suas intervenções não pode ser banalizada.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.