Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

INCLUSÃO CIENTÍFICA: DO CONHECIMENTO À DIVULGAÇÃO DA FÍSICA DE PARTÍCULAS

Maria Da Glória Fernandes Do Nascimento Albino, Amadeu Albino Jr, Marcia Begalli, Farinaldo Da Silva Queiroz, Denis Oliveira Damazio

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
24/01/2025
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Práticas Educativas Em Espaços Educativos Formais, Informais E Não Formais E O Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2025

Texto completo

## INCLUSÃO CIENTÍFICA: DO CONHECIMENTO À DIVULGAÇÃO DA FÍSICA DE PARTÍCULAS

Maria da Glória Fernandes do Nascimento Albino 1 , Amadeu Albino Júnior 2 , Márcia Begalli 3 , Farinaldo da Silva Queiroz 4 , Denis Oliveira Damazio 5

1 IFRN Campus Natal-Central / DIAC, gloriaalbinojunior@gmail.com

2 IFRN Campus Natal-Central / DIAC, amadeualbinojunior@gmail.com

3 Instituto de Física/UERJ, marcia.begalli@gmail.com

4

UFRN, farinaldo.queiroz@ufrn.br

5 Brookhaven National Laboratory, denis.oliveira.damazio@cern.ch

## Resumo

A Inclusão Científica deve ser um dos objetivos da Educação do Século XXI. O cidadão do mundo contemporâneo, deve possuir pelo menos noções sobre Ciência e Tecnologia, seus métodos e usos, riscos e limitações para que possa inferir sobre os interesses e determinações (econômicas, políticas, culturais, etc.) envolvidos nos processos e aplicações das pesquisas, nesse caso, o mundo das partículas. Neste sentido, o presente trabalho tem por objetivo descrever algumas das ações realizadas no projeto 'Inclusão Científica: do Conhecimento à Divulgação da Física de Partículas' que propõe o conhecimento sobre o ensino, pesquisa e divulgação científica na Física de Partículas, por meio de palestras, atividades experimentais e interação direta com pesquisadores de grandes centros de pesquisa do Brasil e do mundo. Para tanto, o projeto de extensão do Campus Natal-Central do IFRN conta com a parceria presencial e/ou de forma remota de pesquisadores do IFRN, do Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire (CERN - Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear) localizado em Genebra/Suíça, do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) localizado em Lisboa/Portugal, do International Institute of Physics (IIP - UFRN) localizado no Brasil, da UFRN e da UERJ. Os resultados obtidos indicam a necessária valoração de ações voltadas à dispersão do conhecimento a todos, em todos os lugares, como forma de incluir aqueles que historicamente têm sido excluídos das possibilidades de desenvolvimento do conhecimento, a partir da oportunidade de interação com pesquisadores de grandes centros de pesquisa e da promoção do pensamento científico como parte da estrutura cultural humana.

Palavras-chave : Física de partículas, inclusão científica, divulgação científica

## Introdução

O desenvolvimento científico e tecnológico de um país tem como prerrogativa fundamental a formação de profissionais qualificados e seu aproveitamento correspondente para a evolução dessa sociedade.

De forma pragmática, a Ciência é um sistema de aprofundamento do conhecimento que resulta da investigação criteriosa sobre a natureza, a sociedade e o pensamento. E a tecnologia, socializada como instrumento, é capaz de aumentar o poder social produtivo. Sendo constituintes da atividade humana são historicamente

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

condicionadas e se originam a partir da necessidade do homem em dar solução aos problemas que ocorrem na vida diária e, portanto, são partes integrantes da cultura que podem, e devem, ser realizadas por todos e com todos.

Porém, para que esta proposição possa ser efetivada, a educação em espaços formais e não formais deve ser capaz de inspirar e auxiliar crianças e jovens a reconhecerem-se como possíveis partícipes dessas atividades. Essa afirmação torna primordial a concretização de ações e projetos que contribuam para a valoração e o interesse pela Ciência e Tecnologia entre a população em geral e, em particular, entre os jovens.

A preocupação quanto a realização de ações é validada à medida que se faz evidente a exclusão de muitos aos meios e processos de aquisição do conhecimento científico e tecnológico. Nesse sentido a proposição de inclusão científica se faz necessária, uma vez que se refere a prática de levar o conhecimento a pessoas que, historicamente, foram excluídas das possibilidades de desenvolvimento do conhecimento relacionado a produção, divulgação e utilização científica e tecnológica no cotidiano social.

Nesse sentido, os grandes centros de pesquisa podem desempenhar um importante papel, uma vez que se encontram na fronteira do conhecimento (entre aqueles que produzem e os que utilizam esse conhecimento), o que explica a sua relevância e autoridade científica para tanto. A parceria desses centros com projetos de extensão e de pesquisa podem proporcionar, por meio da divulgação, parâmetros conceituais e procedimentais da Ciência e da Tecnologia que levem ao desenvolvimento de um pensamento lógico e estratégico para a formação de uma cidadania mais consciente e atuante.

Em vista disto, se deu a edificação do projeto de extensão 'Inclusão Científica: do Conhecimento á Divulgação a Física de Partículas', um projeto de fluxo contínuo do Campus Natal-Central do IFRN. O projeto conta com parcerias importantes e imprescindíveis para a sua execução: O CERN (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire) - Suíça; o LIP (Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas) - Portugal; o IIP (International Institute of Physics) - Brasil, a UERJ e a UFRN. Essa parceria entre pesquisadores e membros do projeto tem promovido interações entre professores e estudantes de várias Instituições e público em geral, com os pesquisadores dos maiores centros de pesquisas da atualidade, no intuito de provocar oportunidades educativas e de divulgação científica como a realização de visitas técnicas ao Experimento ATLAS/CERN e ao LIP, das Visitas Virtuais ao Experimento ATLAS, e da realização de MasterClasses em Física de Partículas, além de palestras itinerantes.

Na perspectiva da divulgação das possibilidades encontradas para a inclusão científica a partir da parceria com grandes centros de pesquisa e instituições de ensino e pesquisa, o presente trabalho tem como objetivo apresentar ações realizadas durante o percurso deste projeto.

## Fundamentação Teórica

A elaboração de conhecimentos, segundo Núñez Jover (2007), faz parte de um contínuo pluridimensional que é a sociedade, onde cada fenômeno cobra sentido ao

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

se relacionar com o todo. E o conhecimento aparece como uma função da existência humana, como uma dimensão da atividade social de homens que estabelecem relações objetivamente condicionadas. Segundo o autor, somente dentro dessa trama de relações é possível compreender e explicar o movimento histórico e social da Ciência, como a busca da verdade, ou um esforço a favor do rigor e da objetividade.

Assim, segundo Kopnin,

... as ciências surgem não por meio de declarações, mas como resultado do descobrimento de leis fundamentais em cuja base cria-se o método para o estudo de grande conjunto de fenômenos de importância capital. Kopnin (1972, p. 6).

Isso a caracteriza como força produtiva que, junto à tecnologia propicia a transformação do mundo, uma vez que são produção, difusão e aplicação de conhecimentos humanos, realizados por meio de procedimentos planejados e controlados.

Segundo Moreira (2006), o significado social e cultural da Ciência como atividade humana, socialmente condicionada e possuidora de uma história e de tradições, fica muitas vezes camuflado nas representações escolares e em muitas atividades de divulgação. Para Delizoicov, Angoti e Pernambuco (2011), o senso comum pedagógico trata as questões relativas à veiculação de conhecimento científico na escola de forma simplista e ingênua e a sua apropriação pela maioria dos estudantes, apesar de ter passado mais de uma década do que foi exposto pelos autores, se agrava no Brasil. O desafio é, então, pôr o saber científico ao alcance do público, para tentar modificar a educação científica não somente a partir de práticas docentes em sala de aula, em ambiente formal, mas levar a ciência e a tecnologia para todos os lugares objetivando que a sociedade, cada vez mais, possa compreender e dialogar sobre a ciência.

Esse desafio, quando referido especificamente à pesquisas relacionadas a Física de Partículas, se sustenta e se justifica na necessidade de reconhecimento do seu valor enquanto conhecimento construído. Para Videira e Francisquini (2018), em nenhum outro episódio na história da Ciência parece ter havido uma mudança no plano epistêmico dos valores na física no que diz respeito à função da natureza como no caso da Física de Partículas. O denso conhecimento sobre como se estruturam e interagem as partículas construtoras de tudo e de todos, tem permitido a construção e o desenvolvimento de equipamentos utilizados no nosso cotidiano de diversas formas, desde dispositivos eletrônicos, restauração de obras de arte importantes para a construção de nossa identidade como sociedade, até o tratamento de doenças que são flagelos históricos.

E essa mudança de valores, segundo Videira e Francisquini (2018) é uma oportunidade para a congregação de áreas e ideias no sentido de dispor de capacidade epistêmica no esforço de comprovação de leis e modelos propostos. Isso justifica o grande valor dado as descobertas da área e o número de cientistas de diferentes campos que estão envolvidos nas pesquisas. E explica a audaciosa pretensão de incluir muitos, tantos quanto seja possível, no chamado mundo da ciência, por meio de um projeto desta magnitude, com a participação de grandes pesquisadores em renomados centros de pesquisa.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## MasterClass Internacional em Física de Partículas

O MasterClass Internacional em Física de Partículas é um evento de divulgação científica em Física de Partículas promovido pelo Grupo Internacional de Divulgação em Física de Partículas (do inglês, International Particle Physics Outreach Group - IPPOG), e conta hoje em dia com a participação de cerca de 225 Universidades e Centros de Pesquisas espalhados pelo mundo envolvendo mais de 60 países, que recebem mais de 13.00 estudantes do Ensino Médio durante um dia (em Natal-RN realizamos em dois dias), com o propósito de desvendar os mistérios da Física de Partículas, por meio de palestras de pesquisadores do CERN que fornecem informações sobre tópicos e métodos de pesquisa básica nos fundamentos da matéria e das forças, possibilitando aos estudantes participantes realizarem medições de dados reais resultantes das colisões ocorridas no acelerador de partículas do CERN, o LHC (Larger Hadrons Collider). No final de cada dia, como numa colaboração de investigação internacional, os participantes participam numa videoconferência para discussão e combinação dos seus resultados.

O objetivo principal do MasterClass é fazer com que os participantes vivenciem a rotina de um cientista (físico, matemático, engenheiro, químico, etc.) como, por exemplo, analisar dados reais dos experimentos do LHC disponibilizados pelo CERN, levando-os a identificar partículas produzidas nas colisões próton-próton do LHC. As atividades desenvolvidas traduzem-se como uma estratégia para trabalhar conceitos de Física Moderna e Contemporânea.

## Visita Virtual ao Experimento ATLAS

A Visita Virtual é uma conexão de vídeo ao vivo feita por um grupo (normalmente uma sala de aula) ao Experimento ATLAS no CERN. Um guia, que é um cientista ou engenheiro trabalhando no experimento, recebe os visitantes na sala de controle ou (durante as paradas planejadas do LHC) no detector subterrâneo. Durante uma visita virtual, os guias se apresentam e descrevem seu trabalho em Física de Partículas. Em seguida apresentam o CERN, o Grande Colisor de Hádrons (LHC) e o experimento ATLAS, incluindo seus objetivos e realizações. Todas as Visitas Virtuais são realizadas na língua nativa do país que está organizando, no nosso caso, em português.

## Metodologia

A metodologia utilizada no projeto é do tipo colaborativa participativa, onde os compartes são corresponsáveis pelo processo. Segundo Thiollent (2008), esse tipo de metodologia é bem adequada ao grupo extensionista, porque essa área de atividade possui indiscutivelmente propriedades interativas, comunicativas e/ou participativas. Daí a metodologia participativa, segundo o autor, possuir longa tradição em várias áreas de atuação social e educacional e que se aplicam facilmente em projetos de extensão. Nesse sentido, a metodologia orienta as tomadas de decisão de forma adequada para um planejamento de ações que seja efetivo, mas que não

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

seja exageradamente burocrático e incompatível com a participação e a vivência do processo.

O projeto em execução foi desenhado em 5 etapas realizáveis a partir de março de 2024. Sendo elas:1. Planejamento das ações. 2. Estudo do material disponível sobre Física de Partículas para o nível básico de Ensino. 3. Apresentação da palestra O Universo das Partículas: Desvendando o LHC e o Experimento ATLAS, para docentes, estudantes e público em geral. 4. Realização, em parceria com pesquisadores do CERN, de Visitas Virtuais ao Experimento ATLAS em instituições de educação e ensino e a divulgação da Física de Partículas em eventos científicos. 5. Elaboração e realização do MasterClass Internacional em Física de Partículas organizado em parceria com o IIP, o CERN, a UFRN e a UERJ, destinado a docentes e discentes das redes Pública e Privada de Ensino. 6. Visita Técnica ao Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) em Lisboa/Portugal. 7. Visita técnica ao CERN e ao Experimento ATLAS em Genebra/Suíça.

## Resultados e Disseminação dos Resultados

O desenvolvimento do projeto tem demonstrado que atividades relacionadas a divulgação da Ciência e do seu fazer aliado a tecnologia tem um grande potencial de possibilidades que contribuem diretamente para a inserção de tópicos relacionados a Física de Partículas no ensino, além de divulgar os avanços desse campo científico, promovendo a inclusão científica e a valorização da Ciência e do conhecimento científico.

As atividades realizadas promoveram a participação de um público formado por discentes, docentes e pessoas em geral da comunidade, que puderam interagir com pesquisadores renomados de grandes centros de pesquisa. Até o momento foram realizadas atividades em Natal e também em cidades do interior do Rio Grande do Norte, como Canguretama (Figura 01), Parnamirim e Ceará Mirim, sempre contando com o apoio dos Campi do IFRN.

Figura 01: Visita Virtual ao Experimento ATLAS realizada no IFRN Campus Canguaretama com o pesquisador Denis Damazio no ATLAS/CERN

<!-- image -->

Já foram realizados dois MasterClasses em Física de Partículas em Natal, um no Campus Zona-Leste do IFRN (Figura 02) e outro na sede da Secretaria de Estado

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

de Educação, Esporte e Lazer (SEEC/RN), que contou com a participação de professores de Ciências da Natureza e técnicos pedagógicos da secretaria (Figura 03). Nas duas atividades foram realizadas visitas virtuais ao Experimento ATLAS como culminância da ação. No caso da SEEC/RN, o objetivo foi proporcionar uma capacitação para que os professores e técnicos pudessem atuar como agentes motivadores e multiplicadores para a realização de futuras ações interativas dessa natureza em suas respectivas Escolas.

Figura 02: MasterClass Internacional em Física de Partícula realizado no IFRN Campus Zona-Leste em Natal-RN com a pesquisadora Márcia Begalli (UERJ/CERN)

<!-- image -->

Figura 03: MasterClass Internacional em Física de Partícula realizado na Secretaria de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer do Rio Grande do Norte RN com a pesquisadora Márcia Begalli (UERJ/CERN)

<!-- image -->

A participação de todos os públicos mencionados nos eventos começava bastante tímida e ia se intensificando a medida que o processo passava a ser mais prático e interativo. Esta percepção indicou, deste a primeira ação proposta, e foi ratificada pelos comentários deixados nos questionários relativos a satisfação e importância da atividade, a importância de proporcionar esse tipo de experiência que pode ser descrita como vivencial ou imersiva, uma vez que propõe que o participante seja 'Físico por um dia'.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Considerações Finais

Não se pode formar o espírito científico sem que os interesses sejam despertados. Segundo Bachelard (1996), criar e manter um interesse vital pela pesquisa (ciência) é o primeiro dever de um educador. Neste sentido, não basta finalizar este trabalho com o discurso de satisfação sobre quão positivas foram as ações realizadas até agora no projeto de inclusão científica ao qual nos propusemos, persistem as preocupações de ordem epistemológica, conceitual e procedimental, ética e organizacional para uma participação social mais efetiva nas tomadas de decisões relativas aos rumos da educação e pesquisa em nosso pais, para que possamos conscientes do valor cultural e pragmático da Ciência e da tecnologia, exigir maiores investimentos em Educação, Ciência e Tecnologia.

E, para finalizar nas palavras de Bachelard (1996), talvez em nenhuma outra época o espírito científico tenha tido tanta necessidade de ser defendido quanto hoje. Segundo o autor, a Ciência, tanto por sua necessidade de coroamento como por princípio, opõe-se absolutamente à opinião (conhecimento vulgar provisório). E para nos defender da opinião, que escraviza a sociedade no obscurantismo e na doutrinação do saber para poucos é imperativo que o espírito científico seja motivado ao desenvolvimento. Para tanto, temos que despertar o interesse pela Ciência e Tecnologia nessa e nas futuras gerações a partir de ações de divulgação que levem a inclusão.

## Referências

DELIZOICOV, Demétrtio; ANGOTTI, José André e PERNAMBUCO, Marta Maria. Ensino de Ciências, Fundamentos e Métodos. Cortez Editora, São Paulo. 2002.

BACHELARD, Gaston. A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento / Gaston Bachelard; tradução Esteia dos Santos Abreu - Rio de Janeiro: Contraponto, 1996. 316 p.

KOPNIN, P. V. Fundamentos lógicos da ciência. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1972.

MOREIRA, Ildeu de Castro. A inclusão social e a popularização da ciência e tecnologia no Brasil. Inclusão Social, Brasília, v. 1, n. 2, p. 11-16, abr./set. 2006.

VIDEIRA, Antonio Augusto Passos &amp; FRANCISQUINI, Mariana Faria Brito. A Instituição da 'Física de Partículas Elementares' como disciplina cientifica e sua relação com a formação de professores. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 35, n. 1, p. 81-96, abr. 2018.

THIOLLENT, Michel Jean-Marie. Avanços da metodologia e da participação na extensão universitária.Texto apresentado na mesa-redonda 'Avanços metodológicos e produção de conhecimento', VI SEMPE - São Carlos, 26/08/2008. In: Metodologia para Projetos de Extensão: Apresentação e Discussão / Targino de Araújo-Filho; Michel JeanMarie Thiollent; Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) - São Carlos: Cubo Multimídia, 2008.

NÚÑEZ JOVER, J. La ciência y la tecnologia como processos sociales lo que la educación cientifica no deberia olvidar. La Habana: Editorial Félix Varela, 2007.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.