CINE-CIÊNCIA E SEUS DESDOBRAMENTOS PEDAGÓGICOS: COM GRANDES PODERES VÊM GRANDES PROBLEMAS FÍSICOS
Emanuelli Camile Gonçalves Bonadiman, Rodrigo De Sousa Gonçalves
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 24/01/2025
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Práticas Educativas Em Espaços Educativos Formais, Informais E Não Formais E O Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## CINE-CIÊNCIA E SEUS DESDOBRAMENTOS PEDAGÓGICOS: COM GRANDES PODERES VÊM GRANDES PROBLEMAS FÍSICOS
## Emanuelli Camile Gonçalves Bonadiman 1 , Rodrigo de Sousa Gonçalves 2
1 Departamento de Física, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, emanuellibonadiman@ufrrj.br
## Resumo
O presente trabalho apresenta uma abordagem não-formal para o ensino de ciências, fazendo com que a exibição de filmes seja o estímulo inicial para uma discussão sobre um tópico científico, abordado em um vídeo apresentado. A execução do projeto - que se iniciou em maio de 2023 - é feita em sessões de exibição de um filme, seguida de um debate sobre a ciência envolvida, com especialistas na área e mediada pela equipe do 'cine-ciência'. Como os eventos são abertos, então não apenas discentes das áreas de ciências participam, mas também há a possibilidade da participação de outras pessoas, de diferentes segmentos internos e externos à Academia. Dado que o cinema é um segmento da sociedade transversal a diversos temas, tais eventos garantem, inclusive, a possibilidade da interdisciplinaridade. Deste modo, as obras cinematográficas apresentadas levaram, aos participantes, conhecimentos científicos através de métodos alternativos às salas de aula, e em um ambiente tipicamente dissociado do mundo acadêmico. Os resultados variaram desde a própria divulgação científica do departamento de Física até a boa relação da comunidade ruralina com o espaço físico do campus da UFRRJ, em Seropédica.
Palavras-chave : Cinema. Educação. Espaços não-formais.
## Introdução
Do pouso no olho da Lua até uma batalha que reúne mais de cinquentas super-herois contra um inimigo em comum, ver filmes é uma prática social tão importante, do ponto de vista da formação cultural e educacional das pessoas, quanto a leitura de obras literárias, filosóficas, sociológicas e tantas mais (DUARTE, 2006). Tratando-se de docência, aliar-se às mídias visuais de quaisquer tipos não é novidade, tampouco revolucionário. Com um histórico de um pouco mais de cem anos, enquanto o cinema, como uma das sete artes, desenvolvia-se e crescia como uma parte intrínseca da vida cultural da sociedade moderna, ele também ganhou espaço dentro das salas de aula como ferramenta pedagógica.
O surgimento e aprimoramento constante de novas tecnologias fez com que os educadores ganhassem um leque de possibilidades que, com uma boa construção do propósito pedagógico, faz com que seja factível trabalhar concomitantemente não apenas com as diferentes formas de se aprender dos alunos que constituem uma sala de aula, mas também faz com que haja uma interdisciplinaridade, que permite, através de um único recurso - no caso, um único filme -, trabalhar diferentes assuntos. Para Vygotsky (OLIVEIRA, 1997), a inserção de diferentes tipos de instrumentos no processo de ensino faz com que haja o aperfeiçoamento da aprendizagem, além de despertar nos educandos um novo olhar e interesse em relação ao próprio processo de ensino-aprendizagem.
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Com a chegada dos recursos tecnológicos nas escolas, exige-se dos educadores uma postura frente à prática pedagógica. Conhecer as novas formas de aprender, ensinar, produzir, comunicar e reconstruir conhecimento, é fundamental para a formação de cidadãos melhor qualificados para atuar e conviver na sociedade, conscientes de seu compromisso, expressando sua criatividade e transformando seu contexto. (CARVALHO, 2007, p.10).
A escola, como instituição atuante dentro do Estado, não só influencia os diferentes segmentos da sociedade como também é diretamente influenciada por tudo o que acontece fora dela, de maneira que o educador tenha a necessidade de moldar-se constantemente à realidade que o cerca e cerca seus alunos. Uma dessas influências é justamente o cinema que consagra-se como um tipo de expressão cultural e que, portanto, carrega, por definição, a capacidade, não apenas de comunicar algo, mas também de instruir, fazer refletir e, principalmente, de educar.
Incontestavelmente, existe, entre educação e cultura, uma relação íntima e orgânica. Quer se tome a palavra 'educação' no sentido amplo, de formação e socialização do indivíduo, quer se restrinja unicamente ao domínio escolar, é necessário reconhecer que, se toda a educação é sempre educação de alguém, por alguém, ela supõe também, necessariamente a comunicação, a transmissão, a aquisição de alguma coisa: conhecimentos, competências, crenças, hábitos, valores, que constituem o que se chama precisamente de 'conteúdo' da educação. (FORQUIN, 1993, p.10).
O cinema, intencionalmente ou não, traduz-se como uma prática educadora capaz de atingir diferentes tipos de pessoas em diferentes tipos de contexto. No entanto, o cinema por si só não pode ser visto como um material pedagógico, mas sim como um complemento que servirá a um propósito pré-determinado.
Junto com questões políticas e sociais, são as ciências - sejam elas exatas, humanas ou naturais -, que preenchem os minutos que fazem um filme e, embora a Física seja colocada em uma posição dotada de racionalidade e lógica, é através de fenômenos (às vezes até mesmo fantásticos) que grande parte das pessoas desfrutam do seu primeiro contato com a área. Para além da formação escolar tradicional em ciências, é na variedade das experiências presentes em uma tela que há a descoberta de um novo mundo que, de uma forma ou de outra, é subvertido para a compreensão do próprio mundo ao qual se está inserido (BARROS, 1997).
O professor e físico João Zanetic, a partir da década de 80, em sua tese de doutorado intitulada de 'Física também é cultura', explora a potencialidade da Física, não apenas como uma disciplina do Ensino Médio, mas em seu caráter cultural, capaz de instigar e aguçar a imaginação e a capacidade de criar dos alunos em sala de aula, promovendo um espaço de socialização que, por si só, é uma forma de cultura.
Quando se comenta sobre cultura, de um modo geral, raramente a física comparece de imediato na argumentação, ou outra representante das ciências naturais dá o ar de sua graça. Cultura, quando pensada academicamente ou com finalidades educacionais, é quase sempre evocação de alguma obra literária, alguma grande sinfonia ou uma pintura famosa; cultura erudita, enfim. Tal cultura traz à mente um quadro de Picasso, uma sinfonia de Beethoven, um livro de Dostoiévski, enquanto que a cultura popular faz pensar em capoeira, um samba de Noel ou num tango de
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Gardel. Dificilmente, porém, a cultura se liga ao teorema de Godel ou às equações de Maxwell. (ZANETIC, 1989, p.94).
Dessa forma, tem-se a Física - e, por consequência, as outras ciências naturais -, não mais como fruto de cientistas malucos e de experimentos que deram errado, mas sim como uma atividade humana que é produzida continuamente por todos. Essa percepção, no entanto, não pode restringir-se ao Ensino Médio, mas também se faz necessário que na graduação, em especial nas licenciaturas, formem-se docentes que consigam, por conta própria, incitar a perspectiva de um conhecimento vivo, em que o educando será capaz de correlacionar, por exemplo, as famosas equações à descrição de situações do cotidiano, ou, ainda, a uma reflexão do próprio mundo ao qual está inserido. Freire, em 'Educação na Cidade' (1996), é um chamariz na contribuição dessa visão a partir do momento em que define que o processo educacional não pode limitar-se a uma ótica de compreensão imediata, mas sim como uma construção conjunta do conhecimento, em que o aluno abandona o papel de agente passivo e receptáculo dos saberes acumulados do professor, e passa a ser um sujeito no próprio processo de ensino-aprendizagem, o que permite-lhe imergir no conteúdo, experimentar e, finalmente, transformar e apropriar-se do que está sendo proposto em sala de aula, compreendendo e interpretando o mundo que o cerca.
O bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é, assim, um desafio e não uma cantiga de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas. (FREIRE 1996, p.96)
Para além disso, Zanetic (1989) ainda destaca em sua tese a importância do professor em sua prática docente estimular a criatividade e a imaginação nas aulas de física. Tendo em vista tal contexto, estudos recentes demonstram a capacidade do cinema em desenvolver o fascínio, e utilizá-lo como ferramenta pedagógica. Por exemplo, Nascimento (2015) correlaciona com essa perspectiva as ideias de Pietrocola (2004) e Snyders (2004) sobre como esses dois os fatores - criatividade e imaginação -, alinhados e impulsionados pelo uso de ferramentas culturais, têm o potencial de despertar nos discentes quanto ao seu o processo de ensino e aprendizagem. Em complemento, do ponto de vista legal, no parágrafo 2, do artigo 26, da Lei de Diretrizes e Bases (Brasil, 2014), se tem a determinação da obrigatoriedade do ensino de arte como forma de promoção ao desenvolvimento cultural dos alunos. E se o cinema é tido, por excelência, como a sétima arte e, portanto, um instrumento da cultura que é capaz de transmitir algo, é válido estimular as reflexões e a própria atividade intelectual através justamente do lúdico presente no processo imaginativo-criativo.
Ainda que os pontos pautados tenham sido discutidos sob a perspectiva da educação básica, no âmbito universitário tem-se a promoção dessa interação transformadora através das atividades de extensão. Levando à interdisciplinaridade, articulada ao ensino e a pesquisa pelo princípio da indissociabilidade (Art. 207 da Constituição Brasileira), e direcionada a uma relação dialógica entre a comunidade acadêmica e a sociedade, de modo que promova mudanças tanto na instituição de Ensino Superior quanto na comunidade externa.
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Quando se pensa em um projeto que correlaciona não apenas arte e educação, mas também restringe a área de atuação para as ciências exatas, é importante que a perspectiva esteja alinhada com as potencialidades existentes. Isto é, uma vez que se tem o uso do cinema em sala de aula como um meio alternativo de formação, que faz com que o processo de ensino-aprendizagem seja estimulado e aperfeiçoado, ao adotá-lo sob a luz da Física há a apropriação de uma linguagem que é familiar ao aluno e, portanto, serve como agente facilitador na transmissão e construção de um diálogo. Diante desse cenário, em busca de uma atividade de extensão universitária que envolva a utilização do cinema como ferramenta pedagógica, através do estímulo e do fascínio, tem-se a criação do projeto Cine-Ciência, no Departamento de Física (DEFIS), do Instituto de Ciências Exatas (ICE) cujo desenvolvimento será descrito abaixo
## Descrição Metodológica
O projeto foi iniciado no primeiro semestre de 2023, de forma que, partindo de uma óptica simplificada, a cada mês letivo, foi apresentada uma sessão de filmes, seguida de uma roda de conversa. O processo de definição das sessões inicia-se com uma reunião de ideias, que envolvem o levantamento de filmes até uma lista de possíveis convidados. Como o projeto se desenvolve a partir de um trabalho colaborativo, é utilizado o Google Drive para que se mantenha o compartilhamento de arquivos e, por conta disso, há uma planilha com diversos filmes possíveis.
A escolha do filme a ser exibido, além de passar pela revisão desta lista, é feita a partir da perspectiva de mostrar que a ciência - e, em especial, a física -, é fruto da atividade humana e, portanto, não só presente no cotidiano, mas também passível de ser compreendida por quem decide participar da sessão. A ficção científica é predominante no repertório das sessões, uma vez que faz com que seja possível trazer ao debate questões para a reflexão que vão desde a ética na ciência até o impacto dela no dia-a-dia, enquanto estimula a imaginação e traz a física para o lugar ao qual pertence: a realidade; assim como a presença de filmes biográficos, que tem a intencionalidade de humanizar os cientistas e, novamente, realocar a física - e, consequentemente, a ciência - como sendo fruto da atividade humana.
Sendo a ciência tão importante na nossa vida, sendo ela tal força racional avassaladora, tendo para si o estatuto de verdade sobre as coisas do mundo natural e social, é natural que uma expressão artística que se aproprie da retórica de verdade da ciência, para tratar de questões que cercam a ciência, também adquira uma força e uma repercussão social correspondente. Uma força, inclusive de questionar a própria ciência, de colocá-la em xeque, tendência muita contemporânea encontrada em histórias que mesclam fantasia e ciência, dando relevo ao irracional e ao inexplicável. (PIASSI, 2007)
De maneira semelhante, é feita a escolha de convidados: uma vez que a proposta do Cine-Ciência é focar na atividade pedagógica sobre ciência a partir de um filme, levando em consideração as atividades atuais na vida do campus, a temática do filme, assim como possíveis expectativas do público, um levantamento de possíveis docentes é feito, bem como o alinhamento de sua agenda pessoal com a agenda do projeto, para que, dessa forma o convite seja feito.
Com isso estabelecido, para que a sessão ocorra, três ações paralelas são necessárias, sendo a primeira delas a definição do dia, que almeja a uma combinação que inclua diferentes características, incluindo, o dia possível para o
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docente convidado, a vida acadêmica dos discentes (sendo menos cabíveis horários perto da hora do almoço, por conta da fila do bandejão, ou sextas-feiras, quando a maioria dos discentes sai de Seropédica), a possibilidade de agenda para alguém da equipe responsável pelo cine-ciência, entre outros. O segundo lugar é tomado pela definição do espaço físico a ser utilizado que, em geral, ou é o Auditório Hilton Sales ou o Auditório da Biblioteca Central. Em último lugar, e uma das partes vitais para que o projeto continue ocorrendo, é o convite à comunidade interna e externa à Rural, que é feito através de convites pessoais, a divulgação na página do departamento no portal de cursos, e, principalmente, através das redes sociais do Cine-Ciência.
Definido tudo, e chegado o dia, o filme é exibido. O objetivo é fazer uma sessão agradável para quem participa, tanto do ponto de vista do conforto físico quanto do estímulo intelectual. O filme é exibido de maneira contínua, sem interrupção e, após o mesmo, o docente convidado é apresentado e faz uma fala inicial. Este momento permite o docente apresentar conceitos científicos estritos, pontuando cenas dos filmes. O formato é completamente livre e, em geral, ocorre com o auxílio de slides de apoio, mas não em formato de apresentação formal. Como o objetivo é sempre falar sobre ciência, os docentes apresentam conceitos científicos em geral aprendidos em sala de aula, podendo chegar a incluir equações, gráficos ou definições formais, mas sem enveredar em uma formalidade excessiva que destoe do ambiente de exposição do filme. Como não há uma obrigação de que o público se mantenha em todas as sessões, é sempre feito um levantamento informal e no momento, sobre o tipo de público presente (se graduandos, de quais cursos etc.) e, com isso, é objetivado um alinhamento entre o conteúdo apresentado e o histórico de aprendizado do público. Após a apresentação do docente, é aberta a palavra a todos na sessão e ocorrem as interações entre público, equipe do cine-ciência e docente expositor.
À parte da exibição do filme e das respectivas interações, nas sessões é passada uma lista de presença com campo para assinatura, instituição de ensino e e-mail dos participantes, tendo cada um dos campos um motivo próprio. A assinatura permite vincular a presença ao certificado, impedindo que alguém ganhe o certificado simplesmente por haver se inscrito no sistema online. Já a indicação da instituição do público permite que seja mapeado o tipo de público, com relação a especificidade do instituto proveniente e, por fim, o email permite o contato posterior. Assim, após a exibição propriamente do filme, há uma certa continuidade da sessão, buscando entender os prós e contras da exibição, e fazendo a garantia do certificado de participação. Com isto, uma planilha no drive é preenchida com as presenças colhidas por assinatura. Em seguida é enviado um e-mail para os participantes com um questionário anônimo do Google, e instruções para a obtenção de certificado.
Com relação à presença nas sessões, esta pode ser analisada sob o viés da polaridade comunidade interna/externa. Com efeito, a maior presença nas sessões é da comunidade interna, com uma pequena participação da comunidade externa. Tal participação é uma consequência natural do tempo de maturidade do projeto, e da expansão (em crescimento) da divulgação do mesmo. Dado que o projeto tem pouco mais de um ano, o desenvolvimento do mesmo foi feito de maneira orgânica e em uma escala pequena, almejando um crescimento contínuo e sustentável. Com isto, inicialmente a principal propaganda foi feita de maneira pessoal e dentro do curso de
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física. À medida que foram sendo convidados docentes externos ao ICE, naturalmente discentes de outros cursos também participaram.
Para contornar essas limitações, foi feito um investimento de tempo nas redes sociais, em que a equipe do Cine-Ciência gerencia um perfil do projeto no Instagram (@cineciencia.ufrrj). Ali são feitas divulgações das sessões, apresentações dos convidados, vídeos de como chegar nas sessões, entre outras postagens. Com isto, houve uma maior visibilidade sobre o projeto e também interação com a comunidade externa.
Ainda, para além das redes sociais, há a pretensão da expansão do Cine-Ciência em dois vetores de ação distintos. Um 'de dentro para fora', levando o projeto para escolas e projetos da região. Isto poderá ser realizado facilmente, haja visto que a discente referida é professora no pré-Enem vinculado à UFRRJ, bem como o curso de Física (ao qual está vinculado o projeto) é participante de maneira muito bem estabelecida em programas como o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). Já em ações 'de fora para dentro' almejadas é possível buscar o convite para trazer turmas de colégios da região, como o próprio Colégio Técnico da UFRRJ (CTUR).
## Resultados
A pluralidade de resultados alcançados abrange desde a exploração de conhecimentos científicos, cujo contato inicial dos discentes é em sala de aula, até a própria presença dos discentes, em espaços não-formais, como parte de sua formação acadêmica. Assim, mesmo assuntos extremamente complexos e profundos, como a constituição da matéria, emissões de raios-X, curvaturas do espaço-tempo, entre outros, que em geral são vistos em sala de aula através de um viés matemático, puderam ser desenvolvidos nas interações entre docentes e público geral. Vimos também que a exibição de filmes, como espaços não-formais de educação, abriu espaço para uma discussão mais extensa e conceitual do que aquela realizada em sala, bem como permitiu discentes de outras áreas manifestarem conceitos pré-concebidos ou mesmo do senso comum. Com uma dinâmica menos formal do que a sala de aula, foi possível versar sobre os conteúdos científicos permitindo uma maior aproximação dos discentes com os temas expostos e, por vezes, não acessíveis.
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Figuras 01 a 06: Compilação de fotos de diversas sessões do projeto 'cine-ciência'.
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Foram também observadas algumas perguntas que questionaram sobre ideias ou cenas apresentadas nos filmes. Assim, ocorreram algumas dúvidas sobre a veracidade dos acontecimentos (como no filme Radiativa), mas também foram realizados questionamentos sobre o que significavam certos jargões técnicos e ideias apresentadas nos filmes (como no filme Estrelas Além do Tempo). Isto levava ao próprio docente o papel de conexão entre as cenas dos filmes e conceitos científicos. Além disso, foi possível ver o entusiasmo dos discentes partícipes concretizando o que foi apontado anteriormente, ou seja, o uso do cinema como ferramenta pedagógica e em especial na aparição do fascínio das obras apresentadas, e este como disparador para o desenvolvimento de novos conhecimentos, através de elementos imaginativos e culturais. Por fim, o projeto permitiu que discentes de graduação nas mais diversas áreas tenham tido contato com a ciência de forma lúdica que, em termos numéricos, totalizaram dez filmes, cinco institutos de ciência envolvidos e cento e cinquenta e oito espectadores.
Tais resultados permitiram fazer com que o contato com a ciência conseguisse se desemaranhar das estruturas clássicas da sala de aula, que limitam a autonomia e criatividade. Nesse processo, portanto, houve um desenvolvimento do entendimento sobre conteúdos científicos e aprendizado de técnicas de exposição científica, tanto por parte de quem assistiu às sessões, como também por parte de quem as mediou. Portanto, entre os resultados obtidos também podemos apontar o desenvolvimento do conhecimento de física e astronomia, entendimento de analogias e sistemas alternativos aos apresentados em sala de aula, que tratam de assuntos acadêmicos, desenvolvimento de habilidade para comunicação em grupo, métodos alternativos de ensino de ciência, entre outros.
## Conclusão
- O presente trabalho refletiu sobre as possibilidades de discussão e aprendizado no uso da exibição de filmes através de um projeto de extensão universitária. Com ele foi possível identificar a possibilidade de estender a sala de aula para além dela mesma, dando margem aos alunos se manifestarem nas sessões, bem como permitindo aos docentes um espaço mais livre para temas transversais.
Deste modo, o presente trabalho obteve seu êxito ao alinhar um ambiente não formal de educação, através da exibição de filmes, com o objetivo de compartilhar o conhecimento científico, em ambientes distintos da sala de aula. Como houve aplicações do presente projeto, sua capacidade de ser reproduzido inclusive em distintas sessões das que foram realizadas - mostra que mais do que apenas exibir filmes interessantes, é possível discutir ciência e destacar seu importante papel no ensino e na sociedade em geral. Após um ano de aplicação do projeto, foi exibida uma dezena de filmes, quase duas centenas de espectadores e muita discussão sobre ciência, dentro e fora dos muros da universidade, indicando o sucesso do projeto e sua natural continuidade.
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## Referências
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BRASIL. Lei Nº 13.006, de 26 de junho de 2014 . Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para obrigar a exibição de filmes de produção nacional nas escolas de educação básica. Brasília, 26 de junho de 2014.
BRASIL, Ministério da Educação. Resolução CNE/CES nº 7, de 18 de dezembro de 2018. Estabelece as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira e regimenta o disposto na Meta 12.7 da Lei no 13.005/2014, que aprova o Plano Nacional da Educação - PNE 2014 - 2024 e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 19 de dezembro de 2018.
CARVALHO, Rosiani, As tecnologias no cotidiano escolar: Possibilidades de articular o trabalho pedagógico aos recursos tecnológicos , Secretaria de Educação do Paraná, url: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1442-8.pdf, acessado em 13/11/2024.
DEPARTAMENTO DE FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO. Projeto Pedagógico do Curso de Física . Seropédica, 2023.
DUARTE, Rosália., Cinema & Educação , São Paulo: Autêntica, 2007.
FORQUIN, Jean-Claude., Escola e Cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar . Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
FREIRE, Paulo., A Educação na Cidade . São Paulo: Cortez, 1991.
NASCIMENTO JUNIOR, Francisco de Assis., Quarteto Fantástico: Ensino de Física, Histórias em Quadrinhos, Ficção Científica e Satisfação Cultural , Dissertação (Mestrado) -Instituto de Física, Instituto de Química, Instituto de Biociências, Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2014.
OLIVEIRA, Marta Kohl de., Vygotsky: Aprendizado e Desenvolvimento, um Processo Sócio-Histórico . Editora Scipione, São Paulo, 1997.
PIETROCOLA, M. Construção e realidade: papel do conhecimento físico no entendimento do mundo. In: Pietrocola, Maurício (org.). Ensino de Física: conteúdo, metodologia e epistemologia numa concepção integradora. Florianópolis: UFSC, 2004.
SNYDERS, Georges. A alegria na escola. São Paulo, Manole, 1988.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.