AFROFUTURISMO EM PANTERA NEGRA: ALGUMAS IMPLICAÇÕES EDUCACIONAIS
Debora Samir Conceição De Souza, Soare, Aline Oliveir
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 24/01/2025
- Linha de pesquisa
- Diversidade, Inclusão E Direitos Humanos No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2025
Texto completo
## AFROFUTURISMO EM PANTERA NEGRA: ALGUMAS IMPLICAÇÕES EDUCACIONAIS
## Debora Samir Conceição de Souza 1 , Aline Oliveira Soares 2
1 UFSC/ Doutoranda PPGECT/ email: debora\_samir@hotmail.com 2 UFSC/ Doutoranda PPGECT/ email: aline.o.s@live.com
## Resumo
O termo Afrofuturismo surgiu na década de 90 nos EUA, cunhado pelo produtor cultural Mark Dery. O movimento é uma estética cultural, uma filosofia da arte e da história que combina elementos de ficção cientifica, ficção histórica, fantasia, arte africana e arte de diáspora africana. E tem sido essencial para recuperar valores dos povos africanos historicamente subjugados. O estudo, foi desenvolvido visando analisar e demonstrar a importância do afrofuturismo na luta para combater todo tipo de racismo e preconceito que ainda persiste nas sociedades contemporâneas a partir do longa-metragem Pantera Negra (2018) e suas perspectivas educacionais. Destaca-se que a pesquisa utilizou como guia metodológica a pesquisa documental qualitativa e base conceitual afrofuturista de Dery, que trata da conexão entre ficção especulativa, e a significação afro-americana. A partir disso, centramos nossa análise em aspectos específicos do filme, como o seu pensamento e simbologias, tais como a formulação e construção criativa da nação fictícia de Wakanda, bem como dos diversos grupos étnicos e clãs que o compõe. Por fim se tratará das implicações do fenômeno da diáspora africana, sobretudo quanto às questões do legado histórico do colonialismo e racismo aos indivíduos negros africano. Em se tratando do ensino, as escolas têm escopo em diversos documentos, como na Constituição Federal de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases (LDB). Dessa forma, nós professores (as), temos a responsabilidade e o compromisso de desenvolver estas questões para transformar a realidade do sistema educacional. Em geral, a ficção Pantera Negra conseguiu retratar muito bem um herói negro africano e temas como racismo e desigualdade social, num filme de alcance mundial que arrecadou milhões de bilheteria e obras dessa natureza são vistas como um poderoso instrumento de educação e instrução.
Palavras-chave : Afrofuturismo. Ensino de Física. Pantera Negra.
## Introdução
As propostas atuais de ensino vêm mostrando uma preocupação em possibilitar um ensino de ciências de forma contextualizada, levando a literatura especializada a uma discussão do currículo de Física para o Ensino Médio no Brasil, principalmente após algumas reformulações no ensino, como a aprovação da Lei Nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003 (Brasil, 2003) e da Lei Nº 11.645, de 10 março de 2008 (Brasil, 2008a), que alteram a Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Brasil, 1996) - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) -, para a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-brasileiras, Africanas e Indígenas em toda rede de Ensino Médio.
No entanto, os educadores de Física têm encontrado dificuldades em incorporar os conteúdos exigidos na Lei Nº 10.639/2003 (Brasil, 2003) e na Lei Nº 11.645/2008 (Brasil, 2008a) em suas práticas em sala de aula. Diante desse cenário
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
é que se tem pesado propostas que usam o cinema como recurso pedagógico, e neste trabalho trazemos o filme Pantera Negra.
O cinema surgiu em 1895, em Paris, no entanto, o cinema negro começou a ser produzido apenas em 1905, nos Estados Unidos, voltado para o público afroamericano, abordando temáticas e histórias que entravam num embate direto contra os filmes da Hollywood branca. Trazendo os negros que eram utilizados como objetos para ridicularização, assumindo personagens afrodescendentes como figuras multidimensionais, longe dos seus estereótipos comumente retratados e repetidos na mídia popular (Bittencourt, 2020).
Tornou-se fundamental a presença de personagens e protagonistas diversificados no cinema voltado para todo e qualquer tipo de público, principalmente, de abordagens de temas que são por muitas vezes isolados, pouco aproveitados no cinema e ainda carregado de estereótipos ou ironizados. Porém, ainda que seja de forma tímida, podemos enxergar uma mudança nesse cenário representativo. Um exemplo tem sido o movimento afrofuturista.
O afrofuturismo é uma estética cultural, uma filosofia da arte e da história que combina elementos de ficção cientifica, ficção histórica, fantasia, arte africana e arte de diáspora africana. E a partir da perspectiva negra cria narrativas de protagonismo negro, por meio da celebração de sua identidade, ancestralidade e história. Cunhado por Mark Dery em 1994, o termo afrofuturismo é fruto de reflexões acerca das produções artísticas de afro-americanos (Dery, 1994, p. 180, apud Souza, 2019). O movimento tem sido essencial para recuperar valores dos povos africanos historicamente subjugados. Obras pertencentes ao movimento procuram retratar um futuro grandioso, caracterizado pela superação das condições determinadas pela opressão racial, dentro do contexto da vivência africana e diaspórica (Sousa; Assis, 2019).
Este ensaio, foi desenvolvido com o objetivo de instigar uma discussão/ reflexão a partir do filme Pantera Negra sobre identidade negra e seu processo de construção a partir da representação e algumas implicações educacionais. Para analisar o filme Pantera Negra em seus elementos de identidade negra, relações étnico-raciais e diáspora africana, parte-se do pressuposto de que Pantera Negra pode ser útil para reflexões sobre raça, gênero, africanismo e racismo.
## As relações étnico-raciais e o ensino de Física
No campo do Ensino de Ciências, discutem-se formas de promover um ensino científico de qualidade, contextualizado histórica e socialmente, de modo a formar alunos críticos, que entendam e problematizem o papel da ciência e da tecnologia em suas vidas. Segundo Jesus, Paixão e Prudêncio (2019), é só abordando sistematicamente essas questões que será possível dizer que o ensino de Ciências cumpre uma de suas funções, a de formar para cidadania.
Um caminho possível para que o ensino de Ciências se comprometa com a promoção de uma educação cidadã é a inserção das discussões das relações étnicoraciais no ambiente educacional, uma vez que a escola constitui um espaço propício, sobretudo devido à importância dessa abordagem na construção das identidades dos estudantes. Por isso, a Lei n.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003 (BRASIL, 2003) traz a obrigatoriedade do ensino da história africana e afrodescendente no currículo da Educação Básica.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Conforme a Lei citada, as discussões não se reduzem a uma única disciplina, história e geografia, como se costuma pensar, também não é de responsabilidade de um único professor, que seja ainda negro e/ou militante (Jesus; Paixão; Prudêncio, 2019). Mas que segundo Fadigas et al. (2019), grande parte das professoras e professores tem desconhecimento sobre como abordar, assim não se sentem preparados. Isso acontece com certa frequência quando se trata, por exemplo, do ensino de Ciências, como foi evidenciado por Jesus, Santos e Prudêncio (2016), que realizaram uma pesquisa com professores de Ciências de escolas estaduais do interior da Bahia.
É nesse sentido que trazemos como discussão nesse trabalho o filme Pantera Negra (2018), como uma abordagem para inserção e discussão das relações étnicoraciais. Como Fadigas et al (2019, p 2), acreditamos que as narrativas afrofuturistas, articuladas a conteúdo da história das ciências, servem como plataforma para promover o pertencimento étnico-racial positivo e reeducar as relações étnico-raciais, no âmbito do ensino de ciências da educação básica.
## Pantera Negra e Afrofuturismo
O cinema voltado para grandes bilheterias, em específico os filmes que retratam super-heróis, geram alcance mundial todos os anos. Ao estrear o filme Pantera Negra em 2018, a Marvel deu um passo em uma direção diferente do que o estúdio tinha feito até então. No ano de 2019, a edição do Oscar, principal premiação do cinema em Hollywood, foi a que mais teve profissionais negros levando a estatueta dourada em toda a história, sendo sete homens negros premiados e quinze mulheres negras também levaram o prêmio. Não podemos deixar de mencionar que quatro desses prêmios conquistados, vieram do filme Pantera Negra (Morais, 2020).
- O filme é inspirado na trajetória de vida do príncipe T'Challa interpretado por Chadwick Boseman, potencial sucessor do trono de Wakanda, na África, após a morte do seu pai durante os eventos de Guerra Civil. T'Challa também é na trama, o superherói Pantera Negra.
Neste cenário, Wakanda recebe dos céus uma substância poderosa e rara, denominada vibranium , sendo ela a responsável pelos super poderes de T'Challa e também pelo alto desenvolvimento tecnológico da região, quebrando com estereótipos de uma África pobre e sem desenvolvimento (Matos, 2021, p.426). O filme constrói sua narrativa sobre uma imagem de Wakanda como o país poderoso, levando-nos a imaginar a história de seu povo, os rumos que teriam tomado, caso não tivessem sido explorados e escravizados dentro de um sistema pré-capitalista.
- O afrofuturismo também se preocupa com os rumos a serem tomados pela população africana e afrodescendente. Seu significado vai além do protagonismo negro, apenas por um representante dessa etnia, a valorização e enaltecimento dos valores culturais africanos também devem ser protagonistas (Sousa; Assis, 2019). A inserção de personagens negros no filme e de outras obras que trazem o afrofuturismo, fomenta neles uma perspectiva de futuro.
O movimento tem uma estética própria e possui alguns elementos que lhe caracteriza, como o reconhecimento da África como a terra originária de todas as pessoas pretas no mundo e o respeito a sua ancestralidade. Assim como é apresentado nos primeiros minutos do filme, iniciando com uma breve narrativa de como a nação de Wakanda foi constituída. A narrativa é um diálogo entre pai e filho sobre seu lugar de origem (Alves, 2020).
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
A narrativa de Pantera Negra, prova que mesmo um filme voltado para o entretenimento, pode possibilitar a reflexão sobre valorização da estética africana, da cultura e costume, da identidade negra e da representatividade na produção de entretenimento. Dessa forma, o universo ficcional de Pantera Negra ganha a potencialidade de reescrever a história de negras e negros na África em diferentes temporalidades (Gomes; Carvalho; Costa, 2019).
## Estética, Ciência, Tecnologia e as personagens femininas de Pantera Negra
Uma discussão/reflexão pautada no cinema, deve considerar elementos além do discurso verbal utilizado nos filmes. É importante considerar os demais recursos usados na narrativa, como os elementos não verbais, a música acompanhada das cenas, edição de imagens, figurinos e outros, de acordo com Motta e Furaso (2014).
As escolhas visuais e sonoras de Pantera Negra chamam atenção logo nas primeiras cenas do filme. A trilha sonora com músicas compostas por Kendrick Lamar, destacam alguns elementos, como os tambores africanos, R&B 1 e o rap.
Quanto a estética, as cores e formatos de Wakanda, são modernos e ao mesmo tempo tribais, demonstrando que o povo daquela cidade olha para frente sem deixar para trás suas tradições e valores passados. Em cores, destaca-se o dourado, representando a riqueza de Wakanda, apesar da face que prefere mostrar para o mundo, bem como tons de azul e roxo, que também entram em destaque. A cor roxa, aparece representando o vibranium e suas aplicações, e permeia desde o uniforme do Pantera Negra até os detalhes das instalações subterrâneas.
Elementos como os que foram mencionados, pintura, formas, cores e músicas, incorrem como sendo os principais recursos na identificação do afrofuturismo, especialmente pela singularidade da estética caracterizante do movimento, confome Alves (2020).
Não podemos deixar de mencionar o figurino dos personagens, também trazem elementos que fazem referência a estética do afrofuturismo. A roupa de T'Challa (Chadwick Boseman), possui triângulos em todo o figurino (Figura 1) , que de acordo com a responsável pelos trajes, a afro-americana Ruth E. Carter , a forma é a geometria sagrada da África: 'Isso faz dele não apenas um super-herói, mas um rei, um rei africano'. E segunda ela, a cor preta foi a pedido do diretor, justifica o uso da cor como uma representação da realeza e também porque o filme se chama Pantera Negra.
Figura 01: T'Challa (Chadwick Boseman)
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Fonte: https://nerdizmo.uai.com.br/a-cultura-africana-no-figurino-de-pantera-negra/
<!-- image -->
Ruth conclui que: o filme 'se conecta com tudo que já trabalhei sobre escravidão e sobre como os africanos vieram a este país (EUA), também com o que aconteceu com sua cultura '.
O afrofuturismo, denota na narrativa ser mais do que uma manifestação estética, mas um novo posicionamento político de ocupação de novos espaços sociais (Matos, 2021).
O filme foi também importante para o elenco feminino, compondo a maior parte do núcleo central, divergindo de outros filmes do universo cinematográfico Marvel, aonde mulheres negras aparecem em cenas de luta, como capitã de exército, atuando na ciência e tecnologia, como mãe, rainha, dentre outras. As personagens negras têm forte participação agindo de forma ativa e destacada dos primeiros aos últimos minutos do filme, garantindo também sua representação de força, capacidade, empoderamento e habilidade.
No filme, representações referentes à condição da mulher rompem definitivamente com o estereótipo da mulher frágil e incapaz, mostrando suas habilidades e conhecimentos tecnológicos. Além da representação dessas mulheres fugir da lógica comum em hollywood, não trazendo personagens sexualizadas ou com apelações em seus figurinos (Almeida, 2020).
O mesmo autor ainda usa como exemplo o figurino da personagem Ramonda (Angela Basset), a rainha-mãe (Figura 2). Usando durante grande parte do filme, um chapéu inspirado nos chapéus Zulu ou 'Isicholos', esses chapéus zulus são tradicionalmente usados por mulheres casadas para celebrações e cerimonias importantes (Almeida, 2020). A personagem ao conceder uma entrevista, falou sobre o impacto que o filme pode ter para as mulheres e como vê o tratamento dado às mulheres em Wakanda, dizendo: "É uma nação que respeita e reverencia as mulheres. Eles pensam em nós não apenas como rainha, mas rainha-mãe. Mãe é educadora e a primeira professora" (Basset, 2018).
Figura 02: Ramonda (Angela Basset)
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Fonte: https://rollingstone.uol.com.br/cinema/pantera-negra-2-vai-superar-primeiro-filme-dizangela-bassett/
<!-- image -->
Outras personagens que chamam atenção na narrativa, é a princesa Shuri, Nakia (Lupita Nyong'o) e Okoye (Danai Gurira), com figurinos marcantes, buscam realçar suas personalidades fortes, emponderadas e ousadas, enquanto homenageiam culturas e povos africanos (Figura 3).
Figura 03: Elenco feminino de Pantera NegraFonte: http://ovelhamag.com/pantera-negra-mulheres-wakanda/
<!-- image -->
As mulheres que atuam como guardiãs reais do reino fictício de Wakanda, Dora Milaje, usam uniforme predominantemente vermelho, de adereços únicos e futuristas, cheios de detalhes que homenageiam o estilo do povo Maasai da África Oriental que vive no sul do Quênia e norte da Tanzânia. Possuem ângulos no design dos trajes, como o ombro da armadura, que foram inspirados nas artes marciais, especificamente nas armaduras dos samurais (Crove, 2018).
A princesa Shuri, por exemplo, ressignificou a representação de princesa no cinema, comumente retratada como indefesa, frágil e passiva. A personagem traz um ar juvenil e a representatividade da mulher negra, desconstruindo estereótipo e a sexualização da mulher. O figurino da princesa é composto por roupas que transmite jovialidade, com cores vibrantes, a maioria de neoprene, muito usado em tecidos futurísticos. A personagem usa maquiagem tribal no rosto, inspirado em muitas tribos africanas. Cada tribo usa desenhos de acordo com sua cultura, carregado de significados como amor, feminilidade, rituais, etc.
As imagens femininas apresentadas em filmes populares, constituem-se modelos simbólicos que servem como fontes de informação e inspiração sobre mulheres.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
## Algumas Considerações
A ficção Pantera Negra conseguiu retratar muito bem um herói negro africano e temas como racismo e desigualdade social e em segundo plano questões como as que foram mencionadas ao longo do trabalho, como a de ampliar o alcance da prática da educação das relações étnico-raciais no ensino de ciências.
O filme, apesar de ser uma obra de ficção, retrata um mundo dentro da própria África. A pluralidade africana é representada e enaltecida num filme de alcance mundial que arrecadou milhões de bilheteria, instigando o conhecimento sobre a historiografia africana e sendo talvez o primeiro contato de algumas pessoas com essas culturas, já que como mostrado nesse trabalho não é comum esse tipo de representação em Hollywood.
Baseando-se nisso, ao trabalhar com enfoque no protagonismo negro, o afrofuturismo assume um compromisso com o empoderamento dessa população, desempenhando, assim, ação que auxilie na identificação negra, negando imagens e narrativas estereotipadas, na tentativa de quebrar essa marca racial.
É preciso perceber que a história da ciência e dos povos que ajudaram na sua construção não pode ser negligenciada ou omitida. O ensino de Física vai além de descrever a natureza e seus fenômenos e se faz necessário a construção de um currículo negro que vai além do conteúdo científico da disciplina e das teorias decoloniais e afrocentradas.
Existem poucos trabalhos que trazem abordagens sobre especificamente o afrofuturismo e sobre as relações étnico-raciais e o ensino de Ciências, principalmente no Brasil, indicando a necessidade de mais pesquisas sobre sua abordagem nas mais diversas áreas que envolvem o processo de ensino e aprendizagem. Por fim, destacamos a urgência em trabalhos na área de Física relacionados à Lei nº 10.639/03 (Brasil, 2003).
## Referências
ALMEIDA, C. M. Afrofuturismo e direção de arte no filme pantera negra. Trabalho de Conclusão de Curso - Curso apresentado ao Departamento de Comunicação, Curso de Radialismo, da Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa, 2020.
ALVES, E. C. Afrofuturismo: dos usos políticos do passado histórico ao empoderamento negro. Trabalho de conclusão de curso ( Graduação em História) Universidade Estadual da Paraíba, 2020.
BRASIL. Lei Nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 8, p. 1, 10 jan. 2003.
BRASIL. Lei Nº 11.741, de 16 de julho de 2008. Altera dispositivos da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para redimensionar, institucionalizar e integrar as ações da educação profissional técnica de nível médio, da educação de jovens e adultos e da educação
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
profissional e tecnológica. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 136, p. 56, 17 jul. 2008b.
BITTENCOURT, M. Cinema negro: a falta de protagonismo nas telonas -Jornalismo Júnior. 2020. Disponível em: <http://jornalismojunior.com.br/representatividade-no-cinema-a-falta-de-
protagonismo-negro-nas-telonas/>. Acesso em: 2 nov. 2022.
COVRE, G. 'Pantera Negra' deve se tornar o filme de super-herói mais bem avaliado do Rotten Tomatoes . PAPELPOP. Disponível em:
<https://www.papelpop.com/2018/02/pantera-negra-deve-se-tornar-o-filme-de-superheroi-mais-bem-avaliado-do-rotten-tomatoes/>. Acesso em: 25 jan. 2023.
DE BRITO, Rafael Casaes; EUGÊNIO, Benedito Gonçalves. O Ensino de Ciências e a formação de professores dos anos inicias para educar para as relações étnicoraciais. Revista Interinstitucional Artes de Educar , [S. l.] , v. 10, n. 1, p. 124-144, 2024. DOI: 10.12957/riae.2024.72090. Disponível em: https://www.epublicacoes.uerj.br/riae/article/view/72090. Acesso em: 14 nov. 2024.
FADIGAS, M. D.; SEPULVEDA, C.; MORAIS, J. M. de S.; SANTOS, M. E. dos. Afrofuturismo como plataforma para promoção de relações étnico-raciais positivas no ensino de ciências . Anais do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências - XII ENPEC , Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, 15 jan. 2023.
GOMES, J. V. dos; CARVALHO, C. A.; V. S. COSTA. Wakanda, Afrofuturismos e Raça: o que diz a narrativa de Pantera Negra sobre estar negro no mundo? ln: Intercom - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXIV Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste , Vitória, 2019.
JESUS, J. DE; PAIXÃO, M. C. S. DA; PRUDÊNCIO, C. A. V. Relações étnico-raciais e o ensino de ciências: um mapeamento das pesquisas sobre o tema. Revista da FAEEBA - Educação e Contemporaneidade , v. 28, n. 55, p. 221-236, 2019.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.