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“TRILHA DAS CIENTISTAS” E “ENIGMA DAS CIENTISTAS”: PROPOSTAS DE JOGOS DIDÁTICOS

Caroline Conti Floriani, Julia Medeiros, Anna Carolina Momm, Gabriela Kaiana Ferreira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
24/01/2025
Linha de pesquisa
Diversidade, Inclusão E Direitos Humanos No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## 'TRILHA DAS CIENTISTAS' E 'ENIGMA DAS CIENTISTAS': PROPOSTAS DE JOGOS DIDÁTICOS

## Caroline Conti Floriani¹, Julia Medeiros², Anna Carolina Momm³, Gabriela Kaiana Ferreira ⁴

- 1 Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)/Curso de Graduação em Física - Licenciatura, carolfloriani48@gmail.com
- 2 Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)/Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física, julia.medeiros@grad.ufsc.br
- ³ Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)/Curso de Graduação em Física - Licenciatura, anna-momm@outlook.com
- ⁴ Universidade Federal de Santa Catarina/Departamento de Física, gabriela.kaiana@ufsc.br

## Resumo

O cenário para que as meninas e mulheres acessem e construam uma carreira em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) é permeado por desafios e obstáculos. Na escola, as meninas são pouco estimuladas a se interessarem por ciências, por conta de crenças negativas sobre suas capacidades e expectativas compartilhadas na sala de aula e entre familiares. Nas fases seguintes, as meninas acabam apresentando baixo desempenho em olimpíadas científicas e, à medida que o nível das competições aumenta, menor o número de mulheres nas equipes. Por consequência, constatamos para as estudantes mulheres, o baixo número de matrículas em cursos de STEM e os maiores índices de evasão. O caminho para a superação desse cenário desigual envolve a identificação, valorização e incentivo à participação das meninas e mulheres em campos das ciências. Pensando em alcançar esse objetivo, o Projeto de Extensão Meninas na Ciência, vinculado ao Departamento de Física da OMITIDO, desenvolveu o jogo de tabuleiro Trilha das Cientistas e o jogo de cartas Enigma das Cientistas. Os jogos apresentam mulheres que se destacaram nas áreas de STEM, trazendo aspectos das suas trajetórias e descobertas. Como resultado, tem-se a divulgação das cientistas e do conhecimento produzido por elas, o que é essencial para a problematização de estereótipos e combate a preconceitos com relação à presença e atuação das mulheres nas ciências. Portanto, o presente trabalho apresenta o processo de concepção dos jogos, uma proposta metodológica para a aplicação no contexto escolar e as possíveis implicações educacionais decorrentes disso.

Palavras-chave : Mulheres na Ciência, Jogos Didáticos, STEM

## Introdução

O cenário para que mulheres e meninas nas ciências acessem e construam uma carreira em STEM é permeado por desafios e obstáculos. Na escola as meninas são pouco estimuladas a se interessarem por ciências por conta de crenças negativas sobre suas capacidades e expectativas compartilhadas na sala de aula e entre familiares. Nas fases seguintes as meninas acabam apresentando baixo desempenho em olimpíadas científicas e, à medida que o nível das competições aumenta, menor o número de mulheres nas equipes. Por consequência constatamos o baixo número de alunas mulheres matriculadas em cursos de STEM e os maiores índices de evasão (Menezes, 2017). Há uma série de fatores que podem incentivar e direcioná-las à escolha de uma carreira científica. Entre os itens, podem ser citados: exemplos de mulheres cientistas bem-sucedidas; experiências práticas com ciências

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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

- e tecnologias; o incentivo para as ciências e tecnologias por meio do discurso de pais e professores; aplicações da ciência no dia-a-dia e, ainda, a confiança na igualdade intelectual, isto é, o desenvolvimento de uma crença individual e coletiva de que homens e mulheres são tratados com igualdade quando trabalham em uma mesma disciplina (Microsoft Corporation, 2017).
- O caminho para a promoção do maior interesse feminino pelos campos das ciências envolve a identificação, valorização e incentivo à participação das meninas e mulheres em campos das ciências. Como alternativa para a contemplação de tais aspectos, tem-se o uso dos jogos no contexto educacional. O uso de jogos na educação consiste em uma metodologia interativa, com resultados promissores e defendida por professores em diferentes níveis de ensino e entre estudantes de todas as idades. Os jogos sempre fizeram parte da vida do ser humano, especialmente na infância, e através deles podemos aprender a nos relacionar com o mundo que nos cerca.

Em particular, os jogos educacionais e de divulgação científica podem ser utilizados com a finalidade de estimular e motivar os estudantes durante o processo de ensino e aprendizagem de conteúdos e no desenvolvimento de habilidades e competências (Brasil, 2018), como também, para torná-los mais interessados por áreas gerais (Engenharias, Ciências da Computação, Matemática, Biologia, Química, Física, Astronomia, Astrofísica, Cosmologia, e demais áreas das ciências) ou temas mais específicos das ciências (robótica, genética, bioquímica, física de partículas, física nuclear, radioatividade, por exemplo). Em vista disso, os jogos Trilha das Cientistas e Enigma das Cientistas buscam utilizar o potencial dos jogos na educação para contribuir na divulgação de conhecimento entre estudantes (de diferentes níveis de escolaridade) sobre trajetórias de mulheres cientistas na área de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), estimular o interesse pela área e incentivar mais meninas e mulheres à busca por profissões e carreiras científicas.

Reiterando-se o potencial da abordagem de jogos na educação, o Projeto de Extensão Universitária Meninas na Ciência, vinculado ao Departamento de Física da OMITIDO, desenvolveu um jogo de tabuleiro intitulado 'Trilha das Cientistas' e um jogo de cartas intitulado 'Enigma das Cientistas'. A proposta de criação destes jogos intenciona: estimular o interesse das estudantes pelas áreas de STEM; incentivar a busca por profissões e carreiras científicas entre as meninas e mulheres; contribuir para a desmistificação das visões inadequadas sobre a atividade científica à sociedade e, possibilitar a divulgação dos conhecimentos científicos entre os estudantes (de diferentes níveis de escolaridade).

Desenvolvidos pela equipe do projeto de extensão, esses jogos contribuem com a divulgação do legado das mulheres cientistas, cujo apagamento histórico faz com que suas trajetórias e contribuições sejam desconhecidas por grande parte das pessoas. Considerando-se que os jogos de entretenimento e divulgação científica, ao apresentarem aspectos biográficos, os feitos e conquistas das cientistas, possibilitam que sejam explorados tanto os conteúdos das ciências quanto as personalidades femininas que exerceram papéis fundamentais para o desenvolvimento da área. Tudo isso atrelado à mecânica de jogabilidade divertida e pedagógica que pode ser aplicada a uma variedade de públicos e contextos, adotando-se estratégias e adequações apropriadas ao público.

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Ademais, a linguagem de jogos nos permite fomentar discussões pertinentes sobre a presença e ausência das mulheres nas áreas de STEM ao longo da História das Ciências e evidenciar as contribuições de suas pesquisas de uma forma mais acessível, lúdica e interativa. Expondo ao público-alvo o perfil das cientistas tem-se a oportunidade de desmistificar os estereótipos de gênero associados aos cientistas na nossa sociedade.

Em vista disso, como objetivo geral, este trabalho pretende apresentar os jogos Trilha das Cientistas e Enigma das Cientistas. Para tanto, serão apontados na sequência o processo de concepção dos jogos, uma sugestão de orientação metodológica para a aplicação deles no contexto escolar e as possíveis implicações educacionais decorrentes disso. E, por fim, são apontadas as expectativas, reflexões, desafios e próximos passos para o desenvolvimento de ações para a realização de oficinas para esses jogos paradidáticos em escolas.

## Trilha das Cientistas: você sabe quem sou eu?

O jogo de tabuleiro Trilha das Cientistas divulga as contribuições, histórias e trajetórias de 30 mulheres cientistas que se destacaram nas áreas de STEM. O objetivo do jogo é chegar ao final da trilha do tabuleiro e, para avançar até o fim, os participantes devem pontuar reconhecendo a cientista pelo nome. Quanto aos materiais que serviram de fonte para a elaboração do conteúdo do jogo e para a construção do perfil de cada uma das célebres cientistas, foram utilizadas obras literárias e biográficas infanto-juvenis. Destacam-se os livros da autora Lindamir Salete Casagrande pertencentes a série 'Meninas, Moças e Mulheres que Inspiram', a saber: Bertha Lutz, Enedina Marques, Hipátia de Alexandria, Marie Curie, Zilda Arns e Sophie Germain. E, também, o livro 'As Cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo', escrito por Rachel Ignotofsky. A escolha por estas obras intencionou aproximar a linguagem do jogo com o seu público-alvo que consiste em estudantes da Educação Básica (Ensino Fundamental e Ensino Médio), com idades entre 11 a 18 anos. Porém, a versatilidade e potencial para divulgação científica do jogo permitem que seja utilizado em contextos mais abrangentes.

O jogo é composto por 1 tabuleiro, 30 cartas, peões e manual de instruções. Em sua totalidade, o jogo é composto por 1 tabuleiro 1 , 30 cartas, peões e manual de instruções. As figuras a seguir ilustram o tabuleiro do jogo (Figura 01) e um exemplo de carta (Figura 02). A mecânica do jogo consiste em descobrir quem é a cientista a partir da leitura de até 10 dicas de uma carta. O perfil de cada cientista - que constituem as dicas nas cartas - foi construído com base nas informações de: nacionalidade e ano de nascimento, área de pesquisa e pioneirismo, contribuições à ciência, prêmios recebidos, desafios enfrentados na sua carreira, entre outros. A cada rodada, uma carta com um novo perfil de uma cientista é lida (pelo narrador ou equipe adversária). O jogador recebe dicas sobre o perfil em questão durante a sua rodada ao escolher um número de 1 a 10 (ou seja, o jogador escolhe o número correspondente a cada dica). Quanto menos dicas forem utilizadas para acertar o nome da cientista, mais pontos ganha o jogador respondente. As rodadas de jogo podem ser feitas no modo duelo (2 participantes) ou em grupo, de modo interativo.

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Figura 01: Tabuleiro do jogo 'Trilha das Cientistas' (dimensões 42cm x 29,7cm)

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Figura 02: Carta do jogo 'Trilha das Cientistas' (dimensões 15cmx10cm)

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## Enigma das Cientistas: você adivinha quem sou eu?

O jogo de cartas Enigma das Cientistas surge como uma proposta de adaptação do jogo Trilha das Cientistas, buscando incluir recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, mantendo a proposta de divulgar as contribuições, histórias e trajetórias de mulheres que se destacaram nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). O objetivo do jogo é descobrir quem é a cientista a partir da leitura do enigma. Um exemplo de carta pode ser observada na figura a seguir (Figura 03).

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Figura 03: Carta do jogo 'Enigma das Cientistas' (dimensões 15cmx10cm)

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Sendo indicado jogar em grupo, a mecânica do jogo inicia com um pessoa, designada como narradora, escolhendo um enigma (uma carta) e lê sua descrição em voz alta. Os outros jogadores deverão fazer perguntas para resolver o enigma. O narrador só pode responder às perguntas com 'Sim', 'Não' ou 'Não é relevante', de acordo com a solução apresentada. A rodada termina quando algum jogador adivinhar a solução que está relacionada com a vida de uma mulher cientista. A cada rodada, um novo enigma é lido. Fica a cargo dos jogadores acrescentar pontuação.

Como recurso de acessibilidade, o jogo Enigma das Cientistas conta com o recurso de audiodescrição das instruções de jogo e de cada carta, identificando o enigma e a solução, que são disponibilizadas no site e no canal do Youtube do projeto Meninas na Ciência. O objetivo é que a pessoa ou estudantes com deficiência visual, acesse os áudios indicados na carta 'recursos de acessibilidade' e, com o auxílio de fones de ouvido, escute o enigma e a solução da rodada em que narrar.

## Metodologia de aplicação

Algumas características são essenciais quando se pretende desenvolver jogos educacionais ou mesmo selecionar algum para aplicação em um contexto educacional. Dentre estas características, ressalta-se: jogos com objetivos bem definidos, que estimulem o pensamento criativo e reflexivo dos estudantes; que possibilitem a mobilização de esquemas mentais; que oferecem maneiras diversificadas de aprender informações novas ou, então, de revisar conhecimentos já aprendidos e estabelecer a interação entre os estudantes. A reunião dessas características em um jogo paradidático, inserido em um contexto metodológico

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ativo, tem grande potencial de despertar o interesse e favorecer o engajamento dos estudantes para a realização da tarefa.

Nesse sentido, como metodologia para a aplicação do jogo Trilha das Cientistas e Enigma das Cientistas, o Projeto de Extensão Meninas na Ciência produziu uma sequência de orientações para que o jogo seja utilizado, de maneira mais ampla, em uma oficina de jogos. A atividade deverá ser conduzida por um apresentador/narrador, que pode ser o professor, e é composta por quatro momentos, que serão especificados nos próximos parágrafos. Os jogos não foram aplicados em contextos controlados como na sala de aula, mas é o próximo passo do projeto que se dará da seguinte forma.

- 1) Apresentação inicial : apresentação do contexto geral sobre a presença e ausência das mulheres nas áreas de STEM ao longo da História das Ciências, bem como sobre as contribuições delas nas suas áreas de pesquisa. Este momento terá como objetivo conhecer o público com o qual será aplicado o jogo e poderá ser adaptado conforme a necessidade. Para estimular o debate, algumas questões podem ser feitas aos estudantes: 'Como você imagina um cientista?' ou 'Para você, como se parece um cientista?'.
- 2) Explicação do jogo : serão apresentados os materiais do jogo Trilha das Cientistas: tabuleiro, cartas, peões e manual de instruções. Na explicação do jogo Enigma das Cientistas, serão apresentados os materiais: manual de instruções, cartas e recursos de acessibilidade. O apresentador poderá ler ou incentivar que os estudantes leiam em grupos as regras definidas para os jogos.
- 3) Jogo Trilha das Cientistas : neste momento, os estudantes jogarão o jogo. O apresentador poderá definir estratégias de mediação durante esta etapa e o nível de interferência que terá sobre as equipes, mas é importante que ele estimule os estudantes a interagirem entre si e a questionarem sempre que não compreenderem alguma informação contida na carta de cada uma das cientistas. Como cada uma das cartas contém informações diversas sobre as cientistas, sugere-se que sempre sejam lidas todas as 10 dicas após o jogador acertar quem é a cientista com um número inferior de dicas, de forma a aproveitar a experiência completa do jogo.
- 4) Jogo Enigma das Cientistas : neste momento, os estudantes jogarão o jogo. O apresentador poderá apresentar as possibilidades de jogo, em duplas, grupos ou com todos os estudantes, ressaltando a importância da cooperação e verificando se há a compreensão do funcionamento do jogo. É de extrema importância direcionar e auxiliar o acesso aos recursos de audiodescrição, indicados na carta 'recursos de acessibilidade', para os narradores que possuírem deficiência visual. Cada carta possui informações extras sobre cada cientista, sendo recomendado ler na íntegra após a solução do enigma.
- 5) Discussão e encerramento : o apresentador poderá solicitar aos estudantes que compartilhem suas experiências sobre o jogo, estimulando-os a refletir novamente sobre a imagem do cientista sobre a qual haviam pensado no início da atividade. Outra alternativa pode ser solicitar que cada equipe escolha uma cientista para a posterior apresentação das características dela ao grande grupo, possibilitando que os estudantes exponham suas ideias e opiniões.
- Os jogos Trilha das Cientistas e Enigma das Cientistas se destacam na modalidade de jogos de tabuleiro e de cartas, respectivamente, pelo diferencial de contribuírem com a divulgação do legado das mulheres cientistas, cujo apagamento

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histórico faz com que suas trajetórias e contribuições sejam desconhecidas por grande parte das pessoas. Nesses jogos de entretenimento e divulgação científica, ao serem mostrados os aspectos biográficos, os feitos e conquistas das cientistas, tem-se a possibilidade de serem explorados tanto os conteúdos das ciências quanto as personalidades femininas que exerceram papéis fundamentais para o desenvolvimento da área. Tudo isso atrelado à mecânica de jogabilidade divertida e pedagógica que pode ser aplicada em uma variedade de públicos e contextos, adotando-se as estratégias e adequações apropriadas.

## Algumas reflexões, alguns frutos e próximos passos

Neste trabalho apresentamos algumas das atividades realizadas no âmbito do Projeto de Extensão Meninas na Ciência com o objetivo de abordar as histórias de mulheres nas áreas de STEM, as quais consistiram na concepção e elaboração dos jogos didáticos 'Trilha das Cientistas' e 'Enigma das Cientistas'. Para além do objetivo principal, o desenvolvimento destes materiais de divulgação científica têm contribuído para a formação teórica de estudantes da educação básica e do ensino superior, bem como para o estímulo e envolvimento destas meninas e mulheres em pesquisas no campo da história e da filosofia da ciência, com foco nas análises epistemológicas e na relação entre gênero e ciências, em espaços que lhe seja assegurado condições de igualdade de gênero, especialmente na área da física.

Uma evidência disso é que desde 2023 algumas participantes do projeto 2 têm se dedicado a realizar pesquisas com a intenção de abordar aspectos das histórias e trajetórias das cientistas, atendendo ao rigor e à qualidade exigidos pela historiografia contemporânea das ciências, oferecendo um conteúdo que seja tanto preciso quanto acessível (Forato, Pietrocola e Martins, 2011), e que represente de forma justa a contribuição das mulheres na ciência. A exemplo Medeiros (2024) apresenta um estudo histórico-epistemológico sobre a pesquisa da matéria escura destacando o papel da astrônoma estadunidense Vera Rubin neste processo e Medeiros e Ferreira (no prelo) expõem alguns episódios que escancaram os preconceitos de gênero enfrentados pela mesma cientista ao longo de sua trajetória. Ainda sobre o tema, o livro de divulgação científica intitulado 'A história de Estrela' foi recentemente publicado por Ferreira et al . (2024) contando a história de uma menina que ao se deparar com uma dificuldade na feira de ciências escolar, encontra inspiração na história da astrofísica Jocelyn Bell Burnel que é uma dentre as várias cientistas que enfrentou as consequências do Efeito Matilda em sua carreira profissional.

Os jogos didáticos apresentados aqui neste trabalho também tiveram como função motivar para meninas e mulheres se aproximarem das áreas de STEM, se sentirem mais conectadas com os conteúdos científicos e com as personagens ao longo da história das ciências, e também a função de catalisar processos e caminhos para meninas e mulheres conhecerem as possibilidades profissionais e de carreiras na área de STEM. Ainda que tenhamos várias histórias para relatar de casos de jovens que ingressaram em cursos da área, não temos ainda indicadores

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formais para acompanhar os percursos dessas estudantes, tendo em vista que, de maneira geral, estes jogos didáticos têm sido apresentado em feiras de ciências com alta circulação de pessoas. Um dos desafios é justamente desenvolver instrumentos para medir o impacto destes jogos em situações e contextos mais controlados.

Nesse sentido, como objetivos futuros pretendemos ampliar a abrangência do projeto, tanto divulgando e aplicando estes jogos didáticos em contexto de sala de aula, quanto estimulando professores e estudantes a desenvolverem seus próprios jogos didáticos. Para o ano de 2025 estão previstas oficinas de jogos para estudantes de escolas públicas dos municípios de OMITIDO/SC e região, bem como curso para professores/as das áreas de STEM visando a divulgação de conhecimento sobre as trajetórias de Mulheres em STEM. Este último têm como objetivo oferecer subsídios teórico e metodológico a estes/as profissionais para a implementação de atividades abordando o tema nas escolas que lecionam. O curso terá carga horária de 8 horas e se estruturará em dois encontros prevendo o desenvolvimento e aplicação de atividades pelos participantes em suas turmas no interstício. Os jogos desenvolvidos entre outros materiais serão fornecidos. A ideia é que ao final do curso, seja realizado o compartilhamento das experiência e dos materiais produzidos, tendo como foco a importância de promover oportunidades para mulheres e meninas em STEM.

Projetos que tenham como objetivo abordar histórias e trajetórias de mulheres cientistas são extremamente relevantes no ensino de ciências, especialmente na física. Para além de reconhecer e valorizar as contribuições dessas pioneiras, podem também inspirar e capacitar as próximas gerações de cientistas e educadores, criando um ambiente mais inclusivo e representativo na ciência, refletindo uma diversidade de perspectivas e experiências que enriquecem o campo científico como um todo. Uma profunda transformação na cultura e nos resultados das ciências (Schienbeger, 2008) é atravessada pelo combate de preconceitos e desmistificação de estereótipos de gênero que historicamente marginalizam populações subrepresentadas na STEM.

## Referências

MEDEIROS, J. Um estudo histórico-epistemológico sobre a descoberta da matéria escura e o protagonismo da pesquisa desenvolvida por Vera Rubin . Trabalho de Conclusão de Curso - Física/Licenciatura, 2024.

MEDEIROS, J.; FERREIRA, G.K. O Universo escuro para as mulheres: Gênero e Ciência na trajetória de Vera Rubin na Astronomia. Caderno Brasileiro de Ensino de Física (no prelo).

FERREIRA, G.K.; TISCHER, E.R., MIRANDA, R.M.P.; RODRIGUES, R.M.F. A história de Estrela. Editora Inverso, 2024.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular . Brasília: MEC, 2018.

FORATO, T.C.M.; PIETROCOLA, M.; MARTINS, R.A. Historiografia e natureza da ciência na sala de aula. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 28, n. 1, p. 27-59, 2011.

MENEZES, D. P. Mulheres na Física: a realidade em dados. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 34, n. 2, p.341-343, 2017.

MICROSOFT CORPORATION. Why Europe's girls aren't studying STEM . Microsoft Philanthropies. 2017. Disponível em: http://bit.ly/2qiFT5u. Acesso em: 02 set. 2024.

SCHIEBINGER, L. Mais mulheres na ciência: questões de conhecimento. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 15, supl. p. 269-281, 2008.

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