PARCERIA ENTRE PROFESSORES E PESQUISADORES PARA INTEGRAÇÃO DE FÍSICA E LITERATURA NA EDUCAÇÃO BÁSICA
Lívia Dantas De Freitas, André Machado Rodrigues
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 24/01/2025
- Linha de pesquisa
- Cultura, Cognição E Linguagem No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PARCERIA ENTRE PROFESSORES E PESQUISADORES PARA INTEGRAÇÃO DE FÍSICA E LITERATURA NA EDUCAÇÃO BÁSICA
## Lívia Freitas 1 , André Rodrigues 2
- 1 Instituto de Física do Programa Interunidades de Ensino de Ciências, livia\_dfreitas@usp.br
- 2 Instituto de Física do Programa Interunidades de Ensino de Ciências, rodrigues.am@usp.br
## Resumo
Neste trabalho, investigamos as parcerias de pesquisadores e educadores em uma proposta de interseção entre a Literatura de Cordel e o Ensino de Física em uma escola pública de São Paulo (SP). Desenvolvemos duas sequências didáticas com turmas de primeira série do Ensino Médio. Na primeira sequência, trabalhamos experimentos, leitura e produção de cordéis na disciplina de práticas experimentais e acompanhamos os dois professores responsáveis pela disciplina. Na segunda sequência, trabalhamos na disciplina de orientação de estudos em parceria com a professora responsável, e enfatizamos a leitura e a produção de cordéis. Nesta sequência, discutimos aspectos éticos da ciência e mudanças climáticas. Nosso referencial é a Teoria da Atividade Histórico-Cultural que busca compreender diversos elementos que compõem a atividade humana. Ao analisar os resultados, entendemos que as articulações e parcerias necessárias para realizar uma proposta como essa possui muitas condições e pode ser uma tarefa complexa, apesar de enriquecer as trocas profissionais.
Palavras-chave : Ensino de Física; Literatura de Cordel; Teoria da Atividade Histórico-Cultural.
## Introdução
Muitos pesquisadores estudam as interseções entre as artes e as ciências naturais na educação básica (Ferreira, 2012; Mirkin; Evans; Ferreira, 2020; Zanetic, 2006). Ferreira (2012), por exemplo, critica a forma como a arte normalmente é utilizada no ensino de física. Ele argumenta que a arte produz conhecimento e por isso deveria ser trabalhada nas aulas de física com a mesma relevância que o conhecimento científico. Para ele, é importante aproximar a arte e a física com a colaboração de professores das diferentes áreas e da coordenação escolar. Porém, percebemos que boa parte dessas discussões estão no campo teórico e acreditamos ser necessário entender como essas questões se desenvolvem nas escolas.
Assim, buscamos investigar as parcerias que nascem na implementação de uma sequência didática que envolve arte e ciência. Nessa perspectiva, escolhemos trabalhar com a Literatura e a Física. Optamos pela Literatura pois entendemos que é responsabilidade dos educadores de diferentes áreas colaborar com o ensino da leitura e da escrita, já que estas são importantes para todas as esferas do conhecimento (Navas, 2020). A escolha da física se deu pela formação dos pesquisadores. Para esta abordagem, realizamos discussões sobre leitura e produção textual por meio do cordel. Escolhemos o cordel por ser uma literatura brasileira e por ter um estilo diferente do texto em prosa que normalmente é utilizado nas aulas de ciências. A partir desse panorama, temos como pergunta de pesquisa: como as parcerias entre pesquisadores e professores são estabelecidas com base em propostas que relacionam Física e Literatura de Cordel? Desenvolvemos uma
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pesquisa-ação em uma escola pública de São Paulo (SP) com duas sequências didáticas, que foram desenvolvidas em dois momentos diferentes e possuem objetivos levemente distintos. No primeiro momento, trabalhamos com a montagem de foguetes e a leitura e a produção de cordéis como forma de estruturar os processos desenvolvidos. No segundo momento, trabalhamos discussões sobre ética na ciência, mudanças climáticas e realizamos a leitura e a produção de cordéis sobre esses temas. Em trabalhos anteriores, exploramos os espaços que a Física e a Literatura ocuparam durante as aulas, mas aqui buscamos explorar um dos desafios mais relevantes encontrados: a parceria entre o pesquisador e os professores em sala de aula.
## Referencial teórico
Utilizamos como referencial teórico a Teoria da Atividade Histórico-Cultural (do inglês, CHAT), que discute como as atividades são desenvolvidas. A teoria como elaborada por Engeström (2001) discute como ações individuais e grupais são incorporadas em um sistema de atividade coletiva.
Figura 01: Estrutura de um sistema de atividade humana. Fonte: Engetröm (2001, p. 5).
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No esquema acima, sujeito é um indivíduo ou um grupo que tem as ações orientadas a um objeto a partir de várias relações, como com a comunidade que está inserida e suas regras. Entendemos que essa estrutura nos ajuda a enxergar o problema como uma unidade, chamando-nos atenção para todas as variáveis envolvidas. Entendemos a escola como uma comunidade que possui diferentes regras estabelecidas (pelas leis, currículos, estrutura escolar etc.) e os professores como sujeitos da atividade de parceria. Olhar para o problema por meio desta perspectiva possibilita a compreensão de como as parcerias entre professores e professores-pesquisadora interferem nas escolhas tomadas e no desenvolvimento das sequências didáticas.
## Metodologia
Nossa estratégia metodológica consiste em uma pesquisa-ação (Tripp, 2005), em que a pesquisadora se envolveu ativamente nas atividades de dentro e de fora da sala de aula. A coleta de dados consistiu nas notas de campo que foram realizadas durante as negociações com a escola, o planejamento das tarefas e durante as aulas. Utilizamos as vinhetas como instrumento de pesquisa (Roth,
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2005), que entendemos como descrições focadas de uma série de eventos dos casos estudados. Exploramos estas vinhetas na próxima seção.
A pesquisa foi realizada em uma escola pública que participa do Programa de Ensino Integral (PEI) na cidade de São Paulo - SP. Aplicamos duas sequências didáticas diferentes com turmas de primeira série do Ensino Médio. A primeira aplicação ocorreu no último bimestre de 2022 na disciplina de práticas experimentais e a segunda, no terceiro bimestre de 2023 na disciplina de orientação de estudos . Mostraremos e discutiremos nas próximas seções as relações estabelecidas com e entre os professores dessas disciplinas. Todos os nomes citados aqui são pseudônimos para preservar as identidades dos participantes.
## Resultados
## Vinheta 1 - Contexto escolar
O PEI possui várias características particulares. Uma delas é a grade curricular, em que as disciplinas são divididas em formação geral básica (disciplinas como português e matemática) e parte diversificada (disciplinas que não constam nas escolas regulares). Trabalhamos com práticas experimentais e orientação de estudos , que são disciplinas da parte diversificada. Práticas experimentais tem como propósito o desenvolvimento de experimentos na área de ciências da natureza ou de matemática e, até 2022, era ministrada por dois professores. Tinha-se a ideia de que a colaboração entre dois educadores facilitaria a condução das tarefas em sala. Em 2022, trabalhamos em parceria com os professores Alice e Eduardo na construção de foguetes, nas leituras e nas produções do cordel sobre os experimentos montados. Os experimentos e suas explicações físicas foram o foco desta sequência. Orientação de estudos tem como objetivo auxiliar os alunos em temas deficitários em Língua Portuguesa e/ou Matemática. A professora dessa disciplina, Ester, direcionava suas aulas para a Língua Portuguesa. Nesta aplicação, em 2023, o cordel e seus elementos foram o foco desta sequência, em que as discussões sobre física estiveram mais diluídas.
No início das observações, a escola estava com deficiência no corpo docente e a professora Alice estava sozinha à frente da disciplina de práticas experimentais na primeira série A. O professor Eduardo foi contratado depois. Em contrapartida, outra professora, que chamaremos de Lorena, estava sozinha à frente de outra turma da primeira série. Em 2023, a gestão escolar passou a designar apenas um professor para a disciplina devido às dificuldades que os educadores enfrentavam ao trabalhar em duplas.
Outra característica do PEI é a 'avaliação 360' que acontece no final de cada ano. Os educadores estavam bastante ocupados, cansados e estressados no final de 2022 devido a necessidade de planejar apresentações obrigatórias para suas avaliações.
## Vinheta 2 - Parcerias estabelecidas
A parceria entre a universidade e a escola começou pela proximidade dos pesquisadores com a professora Alice. Fizemos uma proposta inicial à professora que se interessou em participar da pesquisa e apresentou a ideia à coordenação da escola. Inicialmente, a pesquisadora coletaria dados em sala, enquanto a professora
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ministraria as aulas. Quando a gestão autorizou a pesquisa, começamos as reuniões com Alice para delinear a intervenção didática. Nesse processo, a professora sugeriu aplicar a mesma proposta com a turma da professora Lorena, pois ela estava sozinha à frente da disciplina de práticas experimentais. Assim, planejamos coletar dados nas duas turmas de primeira série. No primeiro encontro na escola, nos reunimos com os educadores das áreas de Ciências da Natureza, de Matemática e a coordenação. Neste encontro, apresentamos a ideia de pesquisa, o cronograma das tarefas e realizamos um experimento com os educadores. O professor Eduardo, recém contratado, não participou do planejamento, mas esteve presente em todos os encontros.
Após a primeira aplicação, percebemos que os estudantes precisariam de mais aulas para compreender a Literatura de Cordel, então adaptamos a proposta. Sugerimos que a professora Alice e o professor de português trabalhassem juntos. Essa colaboração evitaria que os educadores precisassem saber muito sobre os conhecimentos das áreas que eles não têm domínio. Alice foi quem realizou a primeira mediação com o educador. Ela relatou que conversou com o professor e com a coordenadora da área de linguagens (que também é a professora Ester). Nessa conversa, o educador de português mostrou desconforto e alegou que a proposta não se enquadrava no currículo da disciplina. Ester demonstrou interesse na proposta de trabalhar com o cordel e disse que era possível realizá-la. Então, decidimos seguir com Ester na disciplina de orientação de estudos. Depois, tentamos entender melhor as ressalvas do professor de português em uma conversa direta com ele, mas tivemos dificuldades de comunicação e não conseguimos entender suas objeções. Alice e Ester também relataram ter problemas de comunicação com ele.
## Vinheta 3 - Parceria com a professora Lorena
Lorena é licenciada em matemática e trabalhou por um ano na instituição. Nosso primeiro encontro foi durante a reunião com os educadores. Lorena estava presente, mas não participou das discussões sobre o cronograma e da abordagem que propomos para os experimentos. Ela estava concentrada ao montar sua apresentação para a avaliação 360. Tivemos uma breve interação, em que a professora perguntou se precisaria estudar para desenvolver o projeto. Explicamos que não seria necessário estudar para se aprofundar no assunto, pois forneceríamos apoio conceitual, já que a proposta envolvia temas que ela não dominava devido sua área de formação. Combinamos que o projeto seria iniciado na semana seguinte. Os professores Alice e Eduardo estariam com o primeiro ano A, enquanto Lorena estaria com a pesquisadora no primeiro ano B.
Durante a primeira aula, percebemos que Lorena não sabia que o projeto começaria naquela semana. A educadora auxiliou na distribuição dos materiais, mas se manteve distante dos outros processos da aula. Devido a essa conduta, percebemos que as expectativas estavam desalinhadas e propomos uma nova conversa. Alice, amiga de Lorena, se prontificou a conversar com ela e explicou novamente a proposta. Queríamos um trabalho construído em equipe. Para isso, Lorena precisaria olhar os experimentos propostos, coordenar a sala, realizar mediações com os grupos, etc. Com essas condições, a professora preferiu seguir outro plano de aula.
## Vinheta 4 - Parceria com a professora Alice
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Alice começou a atuar na escola em 2021. Em 2022 foi o primeiro ano que a educadora teve contato com pesquisa em sala de aula. Em 2022 também foi a primeira vez em que a docente se tornou preceptora do Programa de Residência Pedagógica (PRP). Apesar de Alice ter auxiliado nas decisões iniciais do projeto, ela não se envolveu ativamente na criação do cronograma, dado que não conhecia totalmente os experimentos que foram sugeridos pelos pesquisadores e pelo tempo disponível para dedicar a este planejamento.
A partir da aula destinada à construção do segundo foguete, a Alice passou a auxiliar na gestão de sala e fez contribuições em momentos que se sentiu mais confortável ou que sentiu que era mais apropriado, principalmente nas discussões conceituais sobre os foguetes. Durante o bimestre, discutimos rapidamente as percepções sobre as atividades realizadas em cada dia. Apesar das conversas terem sido rápidas, a professora apontou satisfação no desenvolvimento das atividades e alguns pontos de atenção para as aulas seguintes.
## Vinheta 5 - Parceria com o professor Eduardo
Eduardo ingressou na escola no último bimestre de 2022. Ele é professor de matemática e ministrava aulas no Ensino Fundamental. Eduardo não conhecia o PEI e a disciplina de práticas experimentais. Apesar da adaptação inicial, o educador se interessou pelo projeto e auxiliou em tarefas mais burocráticas durante o bimestre. As conversas sobre o cronograma e as atividades com o professor se restringiram aos horários livres do educador, em que discutimos sobre a tarefa do dia e suas percepções sobre as tarefas de cada encontro. Em conversas informais, ele relatou que aprendeu muito durante o projeto, já que não conhecia a dinâmica da disciplina e o tema trabalhado.
## Vinheta 6 - Parceria com a professora Ester
Ester era a coordenadora de área de linguagens e suas tecnologias , licenciada em Educação Física e estava há cinco anos na instituição. Ela ministrava a disciplina de orientação de estudos, em que trabalhava habilidades deficitárias dos estudantes sobre português e literatura. Em reuniões para alinhamento de expectativas, percebemos que Ester se empolgou com a proposta devido ao interesse particular na Literatura de cordel. Acordamos que ela poderia ter a liberdade para planejar e ministrar as aulas sobre o cordel como preferisse e que estaríamos em sala para coletar os dados, mas também para oferecer suporte durante as aulas. A Física seria abordada pela professora Alice na disciplina de práticas experimentais, de acordo com seu próprio planejamento. A expectativa era que os estudantes levassem para a disciplina de orientação de estudos discussões das aulas de práticas experimentais e vice-versa. Logo, a produção dos cordéis seria realizada com Esther sobre os temas estudados com Alice. Porém, Ester informou estar com muitas atribuições e solicitou à pesquisadora que realizasse o planejamento. Nessas condições, ela não conseguiria estudar para as aulas e coube à pesquisadora ministrá-las. Assim, preferimos trabalhar só com uma das disciplinas para facilitar a coleta de dados. Apesar disso, a professora auxiliou na coordenação das tarefas, na gestão da sala, em propostas que poderiam ser acrescentadas, etc.
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## Discussão
Utilizamos a CHAT como fio condutor da discussão. Todo sistema de uma atividade está dividido e é influenciado pela comunidade, divisão de trabalho, ferramentas e signos, regras, etc. No escopo deste estudo, buscamos investigar especificamente como as relações da comunidade, da divisão de trabalho e das regras influenciaram a atividade de parceria entre os professores e pesquisadores. Podemos pensar que cada professor é o sujeito da atividade de parceria que realiza e os demais educadores e pesquisadores integram a comunidade. Assim, caracterizamos a afinidade entre os sujeitos como um componente da comunidade que estão inseridos. Destacamos as regras como o próprio currículo educacional e a formação dos educadores. Além disso, entendemos que a formação dos professores também é um elemento da divisão do trabalho. Desse modo, organizamos a análise com os seguintes tópicos: a formação do professor , a afinidade entre colaboradores e o currículo . Discutimos como cada um deles impacta a relação entre os sujeitos da atividade e destacamos os elementos da CHAT em cada uma dessas categorias.
## Formação do professor
As sequências didáticas propostas abordam temas da física e da literatura que não são da área de conhecimento de todos os educadores que colaboraram com a pesquisa. Mesmo com a aprovação de todos os educadores sobre as sequências propostas, a formação dificultou e impediu a realização de algumas parcerias, pois os educadores se depararam com inseguranças para ministrar as aulas com os temas escolhidos. Na perspectiva da CHAT, enxergamos a formação do professor como um fator influente devido a como algumas regras são estabelecidas e como essas regras impactam a divisão do trabalho .
A divisão do currículo em áreas de conhecimento é uma regra previamente estabelecida. Nesta divisão, as componentes curriculares de língua portuguesa, arte, educação física e inglês compõem a área de linguagens; enquanto biologia, física e química compõem a área de ciências da natureza. Apesar de trabalharmos com disciplinas que não compõem essas áreas, tanto práticas experimentais quanto orientação de estudos são disciplinas que exigem professores destas áreas de conhecimento. Orientação de estudos , por exemplo, deve ser ministrada por um professor da área de linguagens ou matemática. É devido a esta divisão que a professora Ester assumiu a disciplina, já que sua formação em educação física é lida como componente da área de linguagens. Devido a essa estrutura, professores que têm formação específica podem ministrar aulas interdisciplinares ou fora de sua área de formação. Logo, percebemos que a formação dos professores e a regra de divisão de áreas do conhecimento influenciaram diretamente a divisão do trabalho em cada sequência. Como os professores não se sentiram confortáveis para ministrar as aulas, a pesquisadora ficou responsável por discutir os temas com os alunos e coordenar as tarefas. Assim, a pesquisadora estudou com antecedência os assuntos propostos, mesmo que a Literatura de Cordel não seja um conhecimento que os pesquisadores dominem. Foi necessário despender várias horas de estudo para que a pesquisadora conseguisse realizar o planejamento das sequências e ministrar as aulas. Devido a todas as demandas da instituição, os educadores não conseguiram separar tempo com antecedência para a aprendizagem e planejamento dos conteúdos que seriam trabalhados. A sobrecarga de tarefas dos docentes e as avaliações obrigatórias do PEI foram determinantes para o desenho das sequências
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didáticas e da pesquisa. Porém, os educadores possuíam muito mais experiência em sala de aula e puderam auxiliar a pesquisadora com questões típicas deste ambiente, como adaptação de planejamento, gestão de tempo e de sala etc.
## Afinidade entre colaboradores
Outro fator que influenciou as parcerias foi a afinidade entre os pares, tanto nas relações pesquisador-professor, quanto nas professor-professor. Aqui, entendemos que as afinidades entre os educadores são características da comunidade.
Havia duas salas para professores na instituição. A gestão escolar enxergava essa divisão como um problema, pois os educadores se dividiam entre as salas em seus horários livres e de planejamento e acabavam formando grupos. Percebemos que esses grupos foram criados a partir de afinidades pessoais e profissionais entre os colegas, que consequentemente influenciava em com quem os professores preferiam colaborar. A própria pesquisa, inclusive, se iniciou devido à proximidade com uma docente da escola em que trabalhamos. Devido a esta divisão na comunidade, percebemos que algumas negociações foram mais fáceis de realizar, pois estávamos operando a partir da ótica da professora Alice e das conexões estabelecidas por ela com os demais membros da equipe. Assim, percebemos que as relações pessoais organizam a comunidade influenciando a formação de parcerias e como elas se desenvolvem. Essas afinidades podem, inclusive, facilitar a parceria entre professores que têm amizade e, em contrapartida, dificultar a parceria de um pesquisador externo no meio escolar.
## Currículo
O currículo está determinado a nível nacional e estadual. As disciplinas da formação geral básica possuem currículos mais rígidos quando comparados às disciplinas da parte diversificada do PEI. Devido a nossa breve conversa com o professor de português, percebemos que o currículo pode ser limitante para a realização de propostas didáticas mais diferenciadas, como a que planejamos com o cordel. Em contrapartida, as disciplinas de práticas experimentais e de orientação de estudos possuem currículos mais flexíveis, o que facilitou os acordos com as professoras Alice e Ester. Portanto, entendemos que o currículo é uma das regras que limita a formação de parcerias, uma vez que os educadores precisam segui-los para cumprir o cronograma escolar pré-estabelecido.
De modo geral, entendemos que as parcerias trazem perdas e ganhos que precisam ser pensados antes da tomada de decisões. Percebemos que os educadores e pesquisadores aprenderam uns com os outros em vários aspectos. Porém, aplicar esse tipo de projeto exige muito dos educadores e nem sempre é fácil estabelecer parcerias para realizar interseções entre arte e ciência. Destacamos que os pesquisadores são externos à escola e influenciam todas as relações na comunidade e, consequentemente, nas decisões tomadas. Logo, ressaltamos a importância dessas discussões para auxiliar outros educadores e pesquisadores a fim de avançar nas pesquisas da área.
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## Conclusão
Este trabalho organiza alguns fatores de influência na parceria entre professores e pesquisadores em uma pesquisa-ação com sequências que envolvem a leitura e a produção de cordéis no ensino de física. Consideramos a Teoria da Atividade Histórico-Cultural como referencial teórico para categorizar nossa análise.
A parceria entre a universidade e a escola foi estabelecida por meio de relações profissionais e pessoais, que determinou a tônica de todas as outras parcerias ao longo das sequências didáticas. Os sujeitos que participaram voluntariamente da pesquisa possuíam relação pessoal direta com os pesquisadores (caso da professora Alice) ou com a professora Alice (caso da professora Ester). Estas relações se comportam como um elemento facilitador da parceria, mas não determinante. A quantidade de atribuições aos professores é um dos fatores determinantes para o estabelecimento da parceria e a sua manutenção (caso da professora Lorena). Observamos que propostas como essa são interessantes, mas necessitam de grandes articulações na comunidade escolar. Os resultados nos ajudam a entender a complexidade de propostas como essa e podem ajudar o planejamento de professores que pretendem trabalhar com esta temática.
## Referências
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