Tratados diplomáticos para o desenvolvimento da Física Nuclear Brasileira: Uma proposta para a valorização da ciência nacional
Phelipe Júnior De Góis, Alexandre Bagdonas, Andreia Guerra De Moraes
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 24/01/2025
- Linha de pesquisa
- História, Filosofia E Sociologia Da Ciência No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## Tratados diplomáticos para o desenvolvimento da Física Nuclear Brasileira: Uma proposta para a valorização da ciência nacional
## Phelipe Góis 1 , Alexandre Bagdonas 2 , Andreia Guerra 3
1 CEFET-RJ, phelipe.gois@aluno.cefet-rj.br
2 Universidade Federal de Lavras (UFLA), alexandre.bagdonas@ufla.br
3 CEFET-RJ, andreia.moraes@cefet-rj.br
## Resumo
Atualmente debates envolvendo questões energéticas estão em crescimento, isso pode estar relacionado com a insuficiência de energia proveniente do mundo globalizado e por questões ambientais, advindas das mudanças climáticas. Nesse trabalho mostramos como a ciência e o governo brasileiro tratou e trata o tema no pós-guerra e nas questões atuais. Para isso, utilizamos os tratados que o governo brasileiro acordou com países do Norte Global para o desenvolvimento da física nuclear para criação de usinas, como forma de resolver problemas sobre escassez de energia. Argumentamos e temos como principal objetivo suscitar e promover visões de ciência com foco na valorização da ciência nacional em sala de aula, por meio de práticas envolvendo história cultural da ciência. A partir da história, problematizamos e analisamos dois casos históricos que aconteceram e que voltaram a acontecer atualmente, o primeiro em relação as promessas de resolução da insuficiência energética provocada pela crise do petróleo em 1973 e o segundo uma análise de como os países do norte global veem o Brasil como peça fundamental para o desenvolvimento e produção de energia nuclear devido suas reservas de minerais e materiais radioativos. Acreditamos que levar as tensões do desenvolvimento da ciência nuclear e da política nacional para o ensino, contribuem para a formação de estudantes com visões menos ingênuas do processo científico, além de reconhecer e valorizar a ciência nacional.
Palavras-chave : Energia Nuclear, Ciência Nacional, Crise Energética.
## Introdução
Vivemos em um mundo, no qual a demanda por energia cresce constantemente. Nesse contexto, o consumo energético torna-se uma preocupação crescente, assim como os impactos ambientais associados à produção dessa energia.
Para minimizar esses impactos, uma alternativa é o uso de energias renováveis, como a solar e a eólica. Iniciativas e debates sobre a implementação de carros elétricos, painéis fotovoltaicos, turbinas e usinas nucleares são estratégias discutidas em todo o mundo, como uma maneira de reduzir a emissão de gás carbônico (CO2). No entanto, a adoção dessas tecnologias pode exigir um consumo energético operacional maior do que o atual.
Problemas relacionados à falta de energia não são recentes; a promessa de resolução desse problema foi apresentada há alguns anos com a implementação das matrizes energéticas que temos hoje no Brasil, como as usinas hidrelétricas e as nucleares. Devido a isso, a crise energética adquire um elevado valor didático no ensino de física, uma vez que é um tema atual diretamente relacionado ao cotidiano do estudante. Nesse trabalho, daremos atenção à energia nuclear, devido às suas tensões científicas para sua implementação no país.
Nesse sentido, pensar a energia nuclear dentro do ensino de física nuclear como uma área importante para a formação de estudantes de nível médio ou superior é extremamente necessário, pois tem grande relevância social e histórica, em âmbitos
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
nacionais e internacionais. A energia nuclear é responsável por gerar, apresentar e debater aspectos e práticas relacionadas a questões de desenvolvimento científico, tecnológico, geopolítico, econômico, social, histórico, ético e ambiental (Schmiedecke; Porto, 2014; Souza, 2019; Bagdonas, 2020; Góis, 2022).
Para compreender melhor as questões associadas à crise energética em especial da energia nuclear, é essencial investigar sua origem e as ações que promoveram seu desenvolvimento. Nesse contexto, a História da Ciência pode oferecer uma contribuição significativa. Uma abordagem eficaz para problematizar a crise energética é através da vertente historiográfica conhecida como História Cultural da Ciência. Esta abordagem tem o objetivo de analisar e enfatizar as práticas que impulsionaram o desenvolvimento científico, bem como os atores sociais que participaram da construção do conhecimento científico (Pimentel, 2010; Moura; Guerra, 2016; Mazzarella et al, 2024 ).
Diversos historiadores da ciência têm dedicado seus estudos para compreender o processo de construção da ciência nacional. Em seus trabalhos são analisados a vida e o trabalho dos cientistas (Bassalo; Caruso, 2010; Costa; Ottoni, 2018; Tavares et al ., 2020; Tavares et al ., 2020; Pereira; Bagdonas et al , 2014), ampliação e criação de instituições científicas (Bassalo; Caruso, 2010; Oliveira et al , 2023), circulação do conhecimento entre cientistas e intuições (Coelho; Gurgel, 2019; Oliveira et al , 2023) e práticas científicas e/ou atores sociais envolvidos no processo de construção da ciência (Tavares et al ., 2020; Oliveira et al , 2023).
Integrar a ciência nacional e seu desenvolvimento ao ambiente escolar pode facilitar sua valorização e incentivar a carreira científica entre os jovens da educação básica. Além disso, proporciona um entendimento mais profundo da história, das práticas relacionadas a questões sociopolíticas e das tensões envolvidas (Bagdonas et al, 2014; Gurgel et al , 2014; Schmiedecke; Porto, 2014; Oliveira et al , 2023).
Outro aspecto relevante para ser problematizado em sala de aula é a visão estereotipada da imagem do cientista. Existe uma predominância da imagem do cientista por parte dos estudantes, sendo muitas vezes como homem branco, usando jaleco, isolado em seu laboratório e em grande parte europeu, asiático ou estadunidense, muitas vezes associados a área da saúde. Essa visão estereotipada não reflete a diversidade, incluindo a falta de representatividade brasileira. Trabalhar com a ciência nacional pode ajudar a romper com esses estereótipos, promovendo uma representação mais ampla e inclusiva da carreira de cientista no Brasil (Watanabe et al .; 2011; Reznik et al ; 2019).
Sendo assim, nesse trabalho discutiremos como os debates atuais sobre a crise energética já foram abordados na década de 1970 no Brasil, em razão do choque e da escassez do petróleo. Exploramos o objetivo e as ações do governo brasileiro para diversificar a matriz energética do país com novas tecnologias e desenvolvimento científico, especialmente através da geração de energia elétrica por hidrelétricas e usinas nucleares. Enfatizamos a energia nuclear, com vistas a uma discussão sobre o uso dessa nova forma de geração de energia, além de exploramos aspectos relacionados às práticas e ao desenvolvimento da ciência nacional, geopolítica, sociopolítica, diplomacia e questões ambientais. Para isso, abordamos os acordos realizados pelo governo brasileiro com países do Norte Global, com o objetivo de entender e desenvolver técnicas de produção de energia com materiais radioativos.
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## Tratados nucleares com países do Norte Global e criação das usinas nucleares
Nesta seção, evidenciamos os principais tratados relacionados à produção e ao desenvolvimento da tecnologia nuclear no Brasil com países do Norte Global, desde a entrada do país na Segunda Guerra Mundial até os acordos pós-guerra.
## Entrada do Brasil na segunda guerra: Uma troca entre minerais e a industrialização
A segunda guerra mundial é marcada na história pelos lançamentos das bombas nucleares em Hiroshima e Nagazaki no Japão. O Brasil por sua vez, de forma indireta, acabou contribuindo para o desenvolvimento da tecnologia nuclear dos EUA. Em meados de 1935 até 1940, o país sul-americano, assegurava negociações diplomáticas e comerciais, com os principais envolvidos na segunda guerra mundial, EUA e Alemanha, pois se mostrava preocupado com questões econômicas. Os líderes estadunidenses sabiam da forte reserva de minerais localizados no Brasil e não queria perder esse elo diplomático, devido aos avanços nas pesquisas nucleares desenvolvidas no país. Liderado pelo presidente Getúlio Vargas, o Brasil em 1941, resolve romper as ligações diplomáticas com a Alemanha e apoiar os Aliados (Pinheiro, 1995).
Essa decisão se concretizou após muitas negociações entre Vargas e os líderes dos EUA, por meio de vários tratados, os acordos de Washington, em setembro de 1940. Nesses acordos o Brasil apoiaria os EUA na Guerra e começaria a exportação de minerais e materiais radioativos para o país da América do Norte, além de permitir a criação de bases áreas em solo brasileiro. Por sua vez, os EUA disponibilizariam e iniciariam um processo de industrialização da siderurgia do país da américa do sul. Começava então, uma nova era de participação brasileira em pesquisas envolvendo o uso de minerais e da física nuclear (Pinheiro, 1995).
## Acordo Brasil-França: Uma nova forma frustrada de geração de energia
Outro país que demonstrou interesse nos minerais brasileiros foi a França. Após decretado o fim da Segunda Guerra Mundial, grande parte dos países do globo voltaram as atenções para a Guerra Fria. Diante disso, os países do norte global, depois de perceberem o poder de destruição das bombas nucleares lançadas em Hiroshima e Nagazaki, começaram a pesquisar e desenvolver seus próprios armamentos para fins de segurança diplomática em casos de novas ameaças de guerra. Nesse contexto, EUA e URSS criaram um acordo internacional que proibia a criação e a produção de novas armas nucleares para países sem conhecimento da tecnologia e da ciência nuclear, denominado de Tratado de não proliferação de armas nucleares (TNP). O Brasil, no governo Costa e Silva, não tinha conhecimento satisfatório para produzir uma arma nuclear, mas sabia de seu papel nessa ciência devido suas reservas de minerais e materiais radioativos que lá encontravam. Diante disso, o Brasil, em 1968, se recusa e entrar no TNP, com esperança de produzir seus armamentos nucleares (Girotti, 1984; Andrade, 2007; Brandão, 2022).
Tendo em vista a corrida armamentista, a França, buscou um acordo com o Brasil em 1953, visando sua abundância de minerais e materiais radioativos. Nesse tratado, o Brasil, liderado pelo Almirante Álvaro Alberto (1889-1976), exportaria seus minerais, enquanto a França ficaria responsável por fornecer os equipamentos necessários para a extração de 25 toneladas anuais de urânio metálico na região de Poços de Caldas, em Minas Gerais. Além disso, a França comprometeu-se a compartilhar técnicas para o enriquecimento de urânio, utilizadas na produção de energia nuclear. Os equipamentos franceses prometiam, inicialmente, a construção
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de duas usinas. As técnicas poderiam servir tanto para a criação de bombas quanto para a geração de energia elétrica. No entanto, o tratado não chegou a se concretizar devido à relação que o Brasil já havia estabelecido com os EUA em 1941 (Brandão, 2022).
Em 2024, o interesse europeu pelas reservas nucleares do Brasil voltou a se destacar. Cerca de 70% da eletricidade na França é gerada por energia nuclear. O país considera essa fonte uma solução para as crises energéticas e climáticas globais. No entanto, a França depende de materiais nucleares de países fora do Norte Global, como o Brasil e o Níger, para garantir uma geração adequada durante a transição energética. Com o objetivo de avançar nesse sentido e estimular o Brasil a expandir sua produção de energia nuclear, os governos da França e do Brasil assinaram um tratado de colaboração em 28 de março de 2024 (BRASIL, 2024; CNN, 2024).
## Tratados e promessas nucleares com o EUA (Angra 1) e Alemanha (Angra 2)
Logo após o golpe de 64, em 1965, o Brasil era liderado por Castelo Branco (1897-1967) que reforçou os laços diplomáticos com os EUA, por meio de um novo tratado chamado de tratado bilateral. Esse acordo tinha como objetivo o fornecimento de urânio enriquecido pelos EUA para reatores de pesquisa brasileiros. Os EUA nesse cenário buscavam diversas ações de incentivo a questões nucleares, incluindo a doação de reatores de baixa potência para países interessados em iniciar pesquisas em energia nuclear por meio do enriquecimento de urânio (Schmiedecke, 2006; Brandão, 2022).
Após a discussão de algumas possibilidades diferentes de reatores, como o grupo do Tório da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que trabalhava com o urânio natural e águas pesadas (Schmiedecke, 2006), os reatores da empresa Westinghouse que trabalhava com urânio enriquecido, foi escolhido pelo governo brasileiro em um acordo assinado em Washington em 1972, devido as ações de incentivo por parte dos EUA e pelo desejo de dominação da tecnologia nuclear.
- O acerto desse contrato ocasionou o descontentamento vários cientistas nucleares brasileiros, devido ao governo não ter realizado uma consulta técnica antes de assinar o tratado. O Brasil escolheu a Westinghouse, devido a visão de desenvolvimento de tecnologia nuclear independente, indiciado pela não assinatura do TNP e por cientistas defensores das técnicas de enriquecimento de urânio. A Comissão de Energia Atômica dos EUA forneceria ao Brasil urânio enriquecido, para utilização como combustível, em troca de urânio natural. O país, entretanto, não poderia dispor livremente de materiais nucleares especiais produzidos como resultado de processos científicos. Nesse acordo, ainda ficou definido o tipo de reator que o Brasil compraria: seria do tipo PWR (Pressurized Water Reactor), um reator alimentado a urânio enriquecido e água leve pressurizada (Girotti, 1984; Schmiedecke, 2006; Brandão, 2022).
Com a definição do reator nuclear, a empresa Westinghouse venceu o processo licitatório internacional e começou a criação do parque nuclear brasileiro. A primeira usina nuclear em solo brasileiro, foi denominada de Angra I, em referência a cidade de instalação, Angra dos Reis - RJ. Seu projeto e sua construção inicial foram entregues em 1982 e considerada por muitos como um fiasco, devido a vários problemas técnicos, sendo resolvidos de maneira efetiva somente na década de 90. Essa instalação conseguia ter uma potência de produção energética aproximadamente de 640 MW (Girotti, 1984; Oliveira, 1998; Brandão, 2022).
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Anos depois, o Brasil, no governo de Ernesto Geisel (1907-1996), consolidou um novo acordo, agora com a Alemanha Ocidental, assinado em 1975, denominado ' Acordo de Cooperação no Campo dos Usos Pacíficos da Energia Nuclear'. Os alemães, assim como os EUA e a França, tinham interesse nos materiais nucleares presentes nas reservas brasileiras, com isso, o Brasil forneceria esses materiais, em troca da tecnologia nuclear, como é destacado:
- '[...] o acordo com os alemães envolveria todas as etapas do ciclo do combustível nuclear, desde a prospecção, a extração e o processamento de minérios de urânio, passando pela construção de reatores nucleares e outros componentes, até a cobiçada tecnologia de enriquecimento de urânio. A cooperação deveria abranger, ainda, a transferência de informações tecnológicas. O fornecimento de materiais e equipamentos nucleares, por sua vez, pressupunha que a parte contratante importadora, o Brasil, concluísse um acordo de salvaguardas com a AIEA, assegurando que materiais, equipamentos e instalações nucleares, bem como as informações tecnológicas, não fossem utilizadas para a produção de armas ou outros explosivos nucleares' (Brandão, 2022, p.78).
Esse acordo entre Brasil e Alemanha ocidental, foi noticiado em vários meios de comunicação da época, como mostrado manchete da folha de São Paulo do dia 28 de junho de 1975, presente na figura 1.
Figura 01: Manchete sobre o acordo nuclear entre Brasil e Alemanha Ocidental de 1975.
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Esse tratado com a Alemanha Ocidental, seria um dos maiores convênios nucleares de todo mundo. Nele, o país europeu prometia uma saída para a crise energética proveniente da baixa do petróleo e previa a construção de oito usinas nucleares, ultrapassando todos os recordes do setor nuclear alçados anteriormente pelos EUA. As construções seriam desenvolvidas por empresas privadas alemãs, com destaque para a KWU (empresa do grupo Siemens). Foram originalmente previstas a construção de oito centrais nucleares de 1300 MW, o dobro da potência da usina Angra I, comprada em 1971 junto à companhia norte-americana Westinghouse (Mirrow, 1979; Oliveira, 1998; Brandão, 2022).
Das oito usinas previstas no acordo científico, somente duas foram 'entregues'. A primeira, denominada Angra II, começou a ser construída em 1976 e foi finalizada somente em 2001. Já a segunda, denominada de Angra III, começou a ser construída em 1980 e até hoje não foi concluída, tendo previsão de entrega para 2028. O motivo desse descumprimento, por parte da Alemanha, estava na dificuldade de transferência de uma tecnologia diferenciada para o entendimento do ciclo de enriquecimento e na
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eficiência dessa tecnologia, além das diversas falhas nas cláusulas contratuais presentes no documento oficial do acordo. Isso fez com que o Brasil tivesse sérias dificuldades e requerer o cumprimento por via judiciais das ações previstas pela empresa alemã. Outro fator importante para o não cumprimento do acordo foi a falta de mão de obra especializada na temática nuclear. Para resolver esse problema, o governo brasileiro criou o PRONUCLEAR com o objetivo de subsidiar formações nesta área. Esses episódios históricos ajudam a destacar como situações que envolvem o desenvolvimento científico e resoluções de problemas complexos como a crise energética, trabalham com promessas de resolução (Oliveira, 1998; Schmiedecke, 2006; Brandão, 2022).
Como descrito anteriormente, os dois casos mencionados, foco e interesse de Alemanha, França e dos EUA em explorar os minérios e materiais nucleares das reservas brasileiras para desenvolvimento da física nuclear e a promessa da 'solução' da crise energética com a criação de hidrelétricas e das usinas nucleares (angra 1 e angra 2), podem ser trabalhados em sala de aula, com vistas a destacar que ciência não tem a certeza e respostas para todos os problemas, não é imutável e que trabalha em colaboração com outras vertentes da cultura e da sociedade.
## Considerações Finais
Neste trabalho, argumentamos com base em estudos históricos a importância de realizar estudos sobre ciência nacional, enfocando questões a serem levadas para o ensino de física. Evidenciamos aspectos ligados ao desenvolvimento da física nuclear no Brasil, destacando especialmente os tratados firmados pelo governo brasileiro com os Estados Unidos, França e Alemanha. Esses acordos visavam promover a pesquisa e o avanço da física nuclear no país, abordando suas aplicações em áreas, como medicina, agricultura e conservação de alimentos. Além disso, o principal objetivo da época era enfrentar a crise energética provocada pela escassez de petróleo nas décadas de 1970, uma questão que continua relevante atualmente. Por essa razão, o tema possui um potencial educacional significativo. Ele visa fomentar a compreensão e o desenvolvimento da argumentação de estudantes do ensino médio e na formação inicial e/ou continuada de professores. Ademais, o estudo pode contribuir para uma visão mais precisa e menos distorcida sobre o uso do termo "nuclear" na sociedade.
Acreditamos que a análise desses episódios históricos, quando abordada com ênfase na história cultural da ciência, evidenciando características sociais das práticas científicas, como questões relativas ao financiamento de pesquisas, negociações políticas, acordos institucionais, conflitos de interesses e relações de poder, pode fomentar uma visão mais crítica sobre a ciência entre os estudantes. Essa abordagem pode destacar, por exemplo, a complexidade das decisões a serem tomadas, a natureza não neutra da ciência, a dependência de ações políticas, o desenvolvimento científico colaborativo e a integração da ciência na sociedade, desafiando a ideia de que a ciência é feita apenas por gênios.
Defendemos, também, que o tema pode servir como um recurso valioso para o desenvolvimento de visões críticas e para a valorização da ciência nacional. A análise de comparações entre as crises energéticas das décadas de 1970 e a atualidade, bem como dos acordos com a França em 1953 e 2024 para a obtenção de urânio e outros minerais radioativos ilustram claramente essa perspectiva. Além disso, a colaboração na produção de energia elétrica por meio da física nuclear pode
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proporcionar uma compreensão mais profunda e contextualizada das implicações sociais, culturais e políticas da ciência.
Para trabalhos futuros, pretendemos explorar essa temática com base na História Cultural da Ciência, realizando uma pesquisa em aulas de física da educação básica, buscando investigar e analisar as visões dos estudantes sobre a ciência nacional.
## Referências
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