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A RELAÇÃO UNIVERSIDADE - MUSEU - ESCOLA NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO PROJETO PRODOCÊNCIA

Pedro Oliveira De Azeredo, Lais Rodrigues Da Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
24/01/2025
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Práticas Educativas Em Espaços Educativos Formais, Informais E Não Formais E O Ensino De Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A RELAÇÃO UNIVERSIDADE - MUSEU - ESCOLA NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO PROJETO PRODOCÊNCIA

Pedro Azeredo¹, Laís Silva¹

¹Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ Instituto de Física/ azeredo.pedro405@gmail.com/ lais.silva@uerj.br

## Resumo:

O projeto de Prodocência 'A Educação Não Formal na Formação Inicial de Professores: Um Caminho Contra-Hegemônico para o Ensino de Física', desenvolvido na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), teve como objetivo promover a formação inicial de licenciandos em Física por meio da integração de atividades entre universidade, museus e escolas. Este artigo apresenta um relato de experiência sobre o impacto dessas ações na formação docente, destacando a relevância da educação não formal e da divulgação científica, especialmente em ambientes museológicos. Influenciado pelo contexto da pandemia de 2020, o projeto propôs inicialmente a realização de oficinas pedagógicas no Museu Ciência e Vida além de visitas na instituição e participação em eventos de maneira conjunta; contudo, a retomada gradual das atividades do museu e a necessidade de maior autonomia dos participantes demandaram adaptações metodológicas ao longo do processo. Entre as experiências realizadas, destacam-se visitas ao Museu Ciência e Vida, ao Museu da Vida Fiocruz e a participação em oficinas no CIEP de Quissamã. Essas atividades revelaram a evolução dos mediadores e a importância de metodologias interdisciplinares e práticas não formais na formação de professores. O projeto demonstrou que a educação não formal pode enriquecer a formação de futuros docentes, ampliando suas perspectivas para além do ambiente escolar tradicional.

Palavras-chave : Museu, formação de professores, educação não-formal.

## Introdução

O projeto de Prodocência, teve início no mês de junho de 2022, orientado pela professora Laís Rodrigues, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O principal objetivo foi montar uma equipe de alunos da graduação em Física para fortalecer a relação entre a universidade, museus e escolas, promovendo a integração entre esses espaços na formação inicial de professores. Esta iniciativa buscou ir além das práticas tradicionais de ensino, explorando o potencial da educação não formal, representada pelos museus, como um espaço complementar de aprendizado e reflexão.

- O projeto foi diretamente influenciado pelo contexto gerado pela pandemia de Covid-19, que em 2020 forçou instituições educacionais a repensarem suas metodologias. A necessidade de novas abordagens para a educação científica e a valorização da divulgação científica emergiram como um ponto central, revelando o papel crucial dos museus e espaços educativos não tradicionais. Os museus se tornaram não apenas locais de preservação de conhecimento, mas também de construção e popularização da ciência.

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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ

Além de integrar alunos e professores à prática docente em ambientes não formais, o projeto buscava uma reflexão crítica sobre o papel da educação e a interação entre a universidade e a comunidade, especialmente em tempos de crise global.

Figura 01: Foto tirada no dia 18/08/2022, no 3° andar da UERJ na sala 3028B.

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A primeira reunião do grupo ocorreu no dia 18 de agosto de 2022, no terceiro andar da UERJ, reunindo seis bolsistas da graduação em Licenciatura em Física da UERJ e a professora orientadora do projeto. Nesse encontro, foram estabelecidas as primeiras diretrizes do projeto e discutidas algumas previsões para etapas futuras.

## O contexto do projeto Prodocência

O ano de 2020 foi marcado pela pandemia do Sars-Cov-2, que provocou mudanças nos hábitos de toda a sociedade. No Brasil, diversas medidas foram adotadas, tais como o fechamento de escolas e atividades não essenciais. Diferentes instituições tanto na esfera pública quanto privada precisaram rever suas atuações e métodos de trabalho. Com o fechamento das escolas, os profissionais da educação foram desafiados a encontrar novas metodologias para minimizar os efeitos da ausência da interação da sala de aula. Para além de todas as adversidades causadas pela pandemia, os problemas na formação científica e da precariedade da educação básica ocorrem há tempos. A evasão nos cursos de licenciatura em ciências aponta o desinteresse pela forma hegemônica de ensino, de alguma maneira a pandemia evidenciou as atividades de divulgação científica, divulgadores científicos passaram a ocupar a cena nacional, especialmente as mídias. Esse momento tem sido uma boa oportunidade de refletirmos sobre a importância da comunicação e popularização da ciência a fim de que a população possa exercer plenamente sua cidadania e não ser margem de manobra conduzida pelas fake news. A divulgação científica e comunicação pública da ciência têm como objetivos transmitir informações científicas, a fim de ampliar a consciência do cidadão a respeito de questões sociais, econômicas e ambientais associadas ao desenvolvimento tecnológico e que afetam o seu cotidiano. Certamente, são necessárias várias iniciativas que favoreçam uma maior qualidade e eficiência na construção de conhecimento, principalmente o escolar, numa perspectiva de cidadania e qualidade de vida para o presente e o futuro. Neste cenário, os museus de ciências vêm sendo reconhecidos por sua missão cultural e educativa, para além das funções de preservar, conservar e expor. Isto acontece em um momento no qual

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a educação escolar se amplia para outros espaços sociais, de forma a promover novas relações entre o sistema educacional formal e a educação não formal (BARBERO, 2014).

Ressaltamos, assim, a importância dos museus de ciências na promoção da cultura científica e, especificamente, da educação em ciências. Logo espera-se que a educação não formal faça parte da formação do futuro professor de ciências/física e que possibilite o contato com novas metodologias, uma nova linguagem e uma maneira diferenciada de interpretar e comunicar os conteúdos de ciências. É necessário enxergar a educação não formal como um caminho contra-hegemônico na formação de professores (LACLAU, 1998) e assim possibilitar a construção de uma nova maneira de educação científica, entendo o conhecimento científico como parte inerente da cultura humana (BORTOLIERO, 2009).

O objetivo do projeto de Prodocência se iniciou na tentativa de parceria entre a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e o Museu Ciência e Vida, com um foco no olhar crítico da universidade diante das atividades exercidas pelo museu em escolas no estado do Rio de Janeiro. Surgindo objetivos secundários ao longo do projeto, como a visitações em outros museus, criação de uma rede de comunicação com foco principal no Instagram e a criação de um podcast para dar voz às memórias de figuras importantes para o meio científico e educacional da universidade. Foi ao longo do projeto que uma visão ainda imatura e ingênua de um licenciando submetido apenas à visões de práticas hegemônicas, que o mundo da docência através de práticas contra-hegemônicas se tornou conclusivamente efetiva.

## A estratégia metodológica do projeto Prodocência:

As descrições das estratégias metodológicas que foram postas em práticas ao longo do projeto, devem ser observadas em diferentes instâncias de espaço tempo. Tendo em vista a princípio o projeto assim que iniciado, a metodologia elaborada previa a colaboração com a equipe pedagógica do Museu Ciência e Vida e os licenciandos do curso de Física da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. De modo geral, a proposta contemplava o desenvolvimento de oficinas pedagógicas em parceria com o Museu Ciência e Vida, além de visitas na instituição e participação em eventos de maneira conjunta. Sendo o desenvolvimento dessa proposta se dando em etapas:

No começo, os bolsistas selecionados participariam de um grupo de estudos junto ao Museu Ciência e Vida com o objetivo de refletir e aprofundar seus conhecimentos sobre as questões da educação não formal e divulgação científica. Após esse primeiro momento, seria desenvolvida de maneira conjunta com o Museu Ciência e Vida oficinas pedagógicas oferecidas a alunos e professores. As oficinas teriam como principal objetivo estimular a curiosidade e despertar a cultura de investigação e questionamento dos participantes. Concluídas essas etapas, as oficinas seriam prontamente levadas ao espaço do museu e da Universidade. Por fim, os bolsistas trabalhariam na produção de artigos sobre essa relação.

Logo nas primeiras semanas do projeto, as projeções não puderam ser postas em práticas devido a certos fatores: O primeiro deles é que por conta da recém saída da pandemia, o Museu Ciência e Vida levou um bom tempo para dar início às suas atividades de colaboração com o nosso grupo de Prodocência, o segundo foi a necessidade de uma certa autonomia do grupo perante a elaboração prévia do projeto. Portanto a estratégia metodológica do projeto foi bruscamente mudado,

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visando ainda uma forte colaboração com o museu Ciência e Vida, propostas de visitação em museus da cidade do Rio de Janeiro, também houve um esforço na elaboração de projetos próprios do grupo com foco na construção de uma identidade docente, viu-se a necessidade de um aprofundamento teórico em artigos sobre análise de conteúdo, educação formal e não-formal e por fim foi dado a entrada com um olhar crítico da universidade na interação do museu Ciência e Vida com escolas no estado do Rio de Janeiro.

## Impacto da relação Universidade - Museu - Escola na formação inicial

Fazendo agora um recorte com base no meu olhar do que vivenciei durante o projeto de prodocência, e destacando principalmente a relação Universidade -Museu - Escola na formação inicial, farei o relato breve de três atividades que eu participei:

- 1. Ida ao museu Ciência e Vida: Dia 13/10/2022, foram a professora Laís Silva e eu fazer uma visita ao museu Ciência e Vida que fica localizado na R. Aílton da Costa, S/N - Jardim Vinte e Cinco de Agosto, Duque de Caxias. Chegando em Caxias fui em uma loja de sapatos pedir para que me orientassem onde ficava o museu, mas de cara não conseguiram me indicar mesmo sendo moradores locais, só me indicaram onde eu deveria ir após eu falar a rua em que ele ficava, chegando a falarem "nossa, eu nem sabia que tinha museu em Caxias". Após encontrar o museu e minha professora, fomos recebidos pela professora Simone e após isso a visita pelas exposições da época foram mediadas por novos mediadores do museu, já que não fazia muito tempo que o museu tinha aberto após a pandemia. Eram graduandos de diversos cursos de ciência, e a mediação do grupo na exposição de fósseis e eras geológicas foi acometida de diversos erros nas falas além de uma clara insegurança, a foto a seguir mostra uma parte dessa exposição.

Figura 02: Foto tirada no dia 13/10/2022 da parte em exposição do museu Ciência e Vida.

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- 2. Ida ao museu da Vida Fiocruz: Dia 15/02/2023, fomos ao Museu da Vida Fiocruz que fica localizado na Av. Brasil, 4365 - Manguinhos, Rio de Janeiro. Foram nesse dia a professora Laís Silva, eu, Lucas Fidelis, Alexandre Castro (todos alunos da

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graduação em física e bolsistas do projeto de Prodocência). Fizemos uma visita ao museu e seus diversos espaços com também uma mediação no castelo, desta vez os mediadores já estavam fazendo esse trabalho a mais tempo, possuíam um maior domínio da mediação e práticas didáticas do que estavam falando, também era utilizado por eles uma prática de passar a palavra para aqueles que tinha um maior domínio no tópico que correspondia sua área de graduação.

Figura 03: Foto tirada no dia 15/02/2023 na frente do castelo Mourisco na Fiocruz.

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Nesse dia também visitamos outras diversas áreas no espaço do Museu da Vida Fiocruz além do castelo que fora mostrado na figura 03 e descrito previamente.

3. Ida para Ciep de Quissamã: Dia 03/07/2023, eu, a professora Laís Silva e Carolline Batoreu (aluna da graduação de física e integrante do projeto de Prodocência posteriormente) fomos para o Ciep Brizolão 465 Dr. Amilcar Pereira Da Silva que fica localizado na Rua Edval Barcelos, 464 - 466 - Caxias, Quissamã, fomos em conjunto do grupo do museu Ciência e Vida (muitos deles alunos que fizeram a mediação no meu primeiro relato, eles não se lembravam muito bem de mim mas eu lembrava deles) e também um grupo do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). Ficamos em uma viagem de ida de quase 6 horas, chegando lá por volta de meio dia, lá o grupo do museu Ciência e Vida montou suas oficinas com algumas turmas e professores do colégio, o grupo do MAST montou um planetário móvel e nós da prodocência ficamos observando a interação de todas as instituições ali presente e depois também foi feita uma entrevista pela aluna Carolline Batoreu a um professor de biologia que dá aula no colégio e participou da oficina ministrada para professores. Nesse dia ocorreram muitas coisas então farei um destaque para o grupo de mediadores, eles estavam divididos em grupos e dando a oficina para as crianças em diversas salas. Após um ano, mesmo que em um ambiente completamente diferente, era notório a clara diferença nas posturas e colocações de situações deles, foram muito mais utilizados recursos de interdisciplinaridade ao longo da medição mas sem o acometimento de erros no

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conteúdo de suas oratórias. Além disso gostaria de destacar aqui uma pequena parte da entrevista com o professor de biologia do colégio: "...Também é uma forma de preservar patrimônio, preservar a informação. Eu vejo o Museu dessa forma. E os alunos, quando eles visitam, quando eles entram no museu, eles também têm contato com coisas que, para eles, são subliminares às vezes. Só está no livro, só está na Internet. É diferente. É um outro tipo de relacionamento. É um contato com algo mais vivo. ..." Na volta para casa, mesmo com todos muito cansados, ainda assim estavam felizes e sorridentes, demonstrando uma garra e vontade de seguir para além de tudo na carreira de docentes.

## Considerações Finais:

O projeto Prodocência revelou-se uma experiência significativa para a formação docente ao demonstrar a importância da educação não formal e dos espaços museológicos no ensino de ciências. A colaboração entre universidade, museus e escolas ampliou as habilidades dos licenciandos, especialmente em metodologias de mediação e interdisciplinaridade, beneficiando sua atuação futura no ensino. A formação docente, vista sob a perspectiva da educação não formal, oferece um viés contra-hegemônico, valorizando o conhecimento científico como parte da cultura humana (BORTOLIERO, 2009) e fortalecendo o papel dos museus na difusão da cultura científica (MARTÍN-BARBERO, 2014).

## Referências

BORTOLIERO, Simone. O papel das universidades na promoção da cultura científica: formando jornalistas científicos e divulgadores da ciência. Difusão e cultura científica: alguns recortes. Salvador: EDUFBA, 2009.

LACLAU, E. Desconstrução, pragmatismo, hegemonia. In: MOUFFE, C. Desconstrucción y pragmatismo. Buenos Aires: Paidós, v. 4, 1998. p. 97-136. MARTÍN-BARBERO, J. A Comunicação na Educação. São Paulo: Contexto, 2014.

155 p.

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