PANORAMA SOBRE O ENSINO DE FÍSICA PARA NEURODIVERGENTES: UMA ANÁLISE PRELIMINAR DAS ÚLTIMAS CINCO EDIÇÕES DO SNEF (2015 - 2023)
Erick Elisson Hosana Ribeiro, Juliana Baleixo Macedo, Marcos André Rosário De Paula, Gláucia Nunes De Souza Da Conceição
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 24/01/2025
- Linha de pesquisa
- Diversidade, Inclusão E Direitos Humanos No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2025
Texto completo
## PANORAMA SOBRE O ENSINO DE FêSICA PARA NEURODIVERGENTES: UMA ANçLISE PRELIMINAR DAS òLTIMAS CINCO EDI,ÍES DO SNEF (2015 Ð 2023)
## Juliana Baleixo MacGLYPH<144>do 1 , Marcos AndrŽ Ros‡rio de Paula 2 , Gl‡ucia Nunes de Souza da ConceiGLYPH<141>‹o 3 , Erick Elisson Hosana Ribeiro 4
1 Universidade do Estado do Par‡ (UEPA) /Licenciando em F'sica / juliana.macedo@aluno.uepa.br 2 Universidade do Estado do Par‡ (UEPA)/Licenciando em F'sica / marcosdorosario07@gmail.com 3 Universidade do Estado do Par‡ (UEPA) / glaucianuns@yahoo.com.br
4 Universidade do Estado do Par‡ (UEPA) / erick.ribeiro@uepa.br
## Resumo
A educaGLYPH<141>‹o especial no Brasil tem registrado um crescimento significativo, com um aumento de 41,6% no nœmero de alunos matriculados desde 2019, totalizando mais de 1,7 milh‹o de estudantes em 2023. Esse crescimento destaca a necessidade urgente de revisar os curr'culos educacionais para abordar quest›es emergentes, como as neurodivergGLYPH<144>ncias. O objetivo deste estudo Ž analisar a presenGLYPH<141>a e o foco das pesquisas sobre o ensino de f'sica para alunos com neurodesenvolvimento at'pico nas œltimas ediGLYPH<141>›es do Simp-sio Nacional do Ensino de F'sica (SNEF). A pesquisa visa responder a perguntas fundamentais, tais como: qual Ž a quantidade de publicaGLYPH<141>›es sobre ensino de f'sica para neurodivergentes? Existe uma tendGLYPH<144>ncia crescente nas publicaGLYPH<141>›es relacionadas a neurodivergGLYPH<144>ncias? Quais s‹o as principais ‡reas de pesquisa representadas? Para atingir esses objetivos, foram examinadas as atas das œltimas cinco ediGLYPH<141>›es do SNEF, com GLYPH<144>nfase nas publicaGLYPH<141>›es relacionadas ˆ educaGLYPH<141>‹o especial e neurodivergGLYPH<144>ncias. Os resultados preliminares indicam uma discrep%ncia significativa entre a quantidade de pesquisas sobre deficiGLYPH<144>ncias gerais e aquelas focadas em neurodivergGLYPH<144>ncias, sugerindo que o Brasil ainda est‡ se adaptando ˆs novas demandas acadGLYPH<144>micas e sociais. Este estudo busca fornecer insights sobre como as pesquisas est‹o alinhadas com as necessidades educacionais atuais e identificar lacunas nas abordagens pedag-gicas, com o objetivo de garantir uma educaGLYPH<141>‹o mais inclusiva e eficaz para alunos neurodivergentes.
Palavras-chave : neurodivergGLYPH<144>ncias; educaGLYPH<141>‹o especial; ensino de f'sica
## IntroduGLYPH<141>‹o
A educaGLYPH<141>‹o especial no Brasil persiste sendo um cen‡rio delicado. O Censo Escolar de 2023 aponta que atualmente h‡ 1.771.430 alunos da educaGLYPH<141>‹o especial matriculados no pa's, um aumento de 41,6% em relaGLYPH<141>‹o a 2019 com tendGLYPH<144>ncia de aumento nos pr-ximos anos. Este aumento pode reforGLYPH<141>ar a mudanGLYPH<141>a necess‡ria de curr'culo dos professores em relaGLYPH<141>‹o ˆ educaGLYPH<141>‹o especial, principalmente em aspectos de especialidades relativamente recentes, como as neurodivergGLYPH<144>ncias
Singer (2017), em sua republicaGLYPH<141>‹o de tese originalmente de 1998, acabou por popularizar o termo ÒneurodiversidadeÓ em uma observaGLYPH<141>‹o sociol-gica. Todas as pessoas ent‹o s‹o neurodiversas , por terem cŽrebros, habilidades e pensamentos diferentes; porŽm, neurodivergentes s‹o indiv'duos que se identificam dentro de uma comunidade fora do Òpadr‹oÓ de se pensar, o dito ÒnormalÓ. (Geralmente englobam, mas n‹o se limitam, a pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), TDAH (Transtorno do DŽficit de AtenGLYPH<141>‹o e Hiperatividade),
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
20 a 24 de janeiro de 2025 - Niter-i - RJ
DeficiGLYPH<144>ncia Intelectual (DI), Trissomia do 21 (antiga S'ndrome de Down), dislŽxicos, TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), entre outros. Vale ressaltar que nem todos os neurodivergentes s‹o necessariamente pessoas com deficiGLYPH<144>ncia ou ir‹o apresentar dificuldades no aprendizado.
Segundo Mcdemott (2024), a quantidade de pesquisas desenvolvidas sobre neurodiversidade e seus derivados aumentou nos œltimos cinco anos na AmŽrica do norte, porŽm isso n‹o Ž suficiente para que um perfil educacional nacional sobre essa comunidade seja descrito. Nos cen‡rios nacionais, a situaGLYPH<141>‹o pode ser agravada por situaGLYPH<141>›es socioecon™micas e a identificaGLYPH<141>‹o da comunidade pela populaGLYPH<141>‹o geral.
Partindo deste contexto, o objetivo deste trabalho Ž realizar um levantamento do tipo estado da arte dos principais trabalhos sobre o ensino de f'sica para pessoas com neurodesenvolvimento at'pico dentro das cinco œltimas ediGLYPH<141>›es do Simp-sio Nacional do Ensino de F'sica (SNEF), analisando aspectos quantitativos (nœmero de publicaGLYPH<141>›es) e qualitativos tais como as caracter'sticas dessas produGLYPH<141>›es e se o nœmero de publicaGLYPH<141>›es acompanha a necessidade de presenGLYPH<141>a crescente desse pœblico dentro da sala de aula.
## Aspectos Metodol-gicos
Para concretizar a busca pelos dados do estudo, inicialmente realizamos um levantamento minucioso das atas dos œltimos 8 anos do SNEF, utilizando os mecanismos de busca dos pr-prios sites das atas, utilizando filtros de busca para textos que abordassem a educaGLYPH<141>‹o especial em geral como (mas n‹o limitante): deficiGLYPH<144>ncia visual, deficiGLYPH<144>ncia auditiva, TDAH, TEA, ensino de f'sica para pessoas com deficiGLYPH<144>ncia, deficiGLYPH<144>ncia neurol-gica, DI e Libras (L'ngua Brasileira de Sinais). No entanto percebeu-se a necessidade de realizar uma busca manual direta por trabalhos por linha tem‡tica, iniciando pela tem‡tica do pr-prio simp-sio intitulada ÒEquidade, Inclus‹o, Estudos Culturais e o ensino de f'sicaÓ, onde geralmente s‹o colocados obras que trabalham o ensino para pessoas com deficiGLYPH<144>ncia e ‡reas afins. Ap-s isso, a busca foi ampliada para as demais linhas tem‡ticas do simp-sio e com isso. posteriormente foram encontradas algumas publicaGLYPH<141>›es relevantes que n‹o constavam na linha tem‡tica principal.
Ap-s a primeira busca, foi realizada outra filtragem com objetivo de mapear apenas obras que constavam os principais neurodesenvolvimentos at'picos como foco. Define-se os seguintes critŽrios de inclus‹o para an‡lise das obras: (a) Uso de palavras remetentes ao contexto das neurodivergGLYPH<144>ncias no t'tulo; (b) Uso de palavras remetentes ao contexto das neurodivergGLYPH<144>ncias nas palavras chaves, (c) Enfoque em algum tipo de neurodivergGLYPH<144>ncia no corpo geral no resumo.
- O procedimento de an‡lise desenvolvido foi parcialmente quantitativo e predominantemente qualitativo, levando em conta caracter'sticas te-ricas dos campos de pesquisa associados. A partir disso, obtivemos um total de 140 publicaGLYPH<141>›es no contexto geral de educaGLYPH<141>‹o especial e 16 (dezesseis) publicaGLYPH<141>›es especificamente sobre alguma neurodivergGLYPH<144>ncia, organizadas por ediGLYPH<141>‹o/ano no quadro 1. A identificaGLYPH<141>‹o das categorias de an‡lise mais relevantes para o estudo est‹o descritas no quadro 2, e por fim, o quadro 3 permite uma vis‹o abrangente
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
dos temas abordados nas atas, s‹o feitas as devidas caracterizaGLYPH<141>›es do que foi encontrado.
Tabela 1: Nœmeros gerais de trabalhos da pesquisa
## Quadro 2: DefiniGLYPH<141>›es das categorias de an‡lise
## Quadro 3: PublicaGLYPH<141>›es sistematizadas sobre neurodivergGLYPH<144>ncias encontradas entre a XXI e a XXV
ediGLYPH<141>›es
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
## FormaGLYPH<141>‹o De Professores
## Resultados e Discuss›es
Observando os dados obtidos, no contexto da educaGLYPH<141>‹o especial em geral Ž poss'vel perceber uma discrep%ncia significativa entre a quantidade total de pesquisas relacionadas a deficiGLYPH<144>ncias e o nœmero de artigos focados em neurodivergGLYPH<144>ncias nos œltimos 8 anos de SNEF, visto que estes (16 publicaGLYPH<141>›es no total) representam apenas cerca de 11,4% do total geral de trabalhos identificados (140 publicaGLYPH<141>›es). Essa diferenGLYPH<141>a sugere que o Brasil ainda est‡ em processo de adaptaGLYPH<141>‹o ˆs novas demandas sociais e acadGLYPH<144>micas que surgem com o r‡pido crescimento e maior visibilidade das condiGLYPH<141>›es associadas ˆ neurodivergGLYPH<144>ncia, como o TEA e o TDAH, por exemplo, e neste sentido ainda tem um longo caminho a percorrer. Em contraste, as deficiGLYPH<144>ncias f'sicas, tais como as visuais e auditivas,
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
historicamente tGLYPH<144>m recebido mais atenGLYPH<141>‹o e pesquisa. Neste contexto, a Libras tem sido uma prioridade no sistema educacional brasileiro, especialmente ap-s a promulgaGLYPH<141>‹o da lei que a reconheceu como l'ngua oficial das pessoas surdas. Tudo isso se deve, em parte, ao longo hist-rico de estudos sobre essas condiGLYPH<141>›es e conferGLYPH<144>ncias ativistas em relaGLYPH<141>‹o ao assunto comparado ao per'odo recente em que as neurodivergGLYPH<144>ncias passaram a ser reconhecidas, abordadas e discutidas. Apesar desses avanGLYPH<141>os, os dados ainda indicam que a quantidade de publicaGLYPH<141>›es voltadas para neurodivergGLYPH<144>ncia Ž relativamente baixa em comparaGLYPH<141>‹o com o total de estudos sobre deficiGLYPH<144>ncias.
Esperava-se, inicialmente, que com o avanGLYPH<141>o da tecnologia e o alcance das informaGLYPH<141>›es atualizadas sobre tais condiGLYPH<141>›es, (pelo menos se comparado a 20 anos atr‡s) houvesse um volume maior de produGLYPH<141>›es nas œltimas ediGLYPH<141>›es do SNEF, acompanhando a necessidade desse pœblico. PorŽm, os dados surpreenderam ao mostrarem que o maior pico de publicaGLYPH<141>›es no ramo ocorreu em 2019. Uma prov‡vel explicaGLYPH<141>‹o para este fato Ž considerar a tem‡tica estabelecida desta ediGLYPH<141>‹o: ÒEnsino de F'sica no SŽculo XXI: Caminhos para uma EducaGLYPH<141>‹o InclusivaÓ. O nœmero total de publicaGLYPH<141>›es foi menor se comparado com as outras ediGLYPH<141>›es, mas as publicaGLYPH<141>›es sobre educaGLYPH<141>‹o especial (44 trabalhos) e ensino para neurodivergentes (7 trabalhos) foram maiores. De forma geral, do ponto de vista quantitativo, podemos perceber uma variaGLYPH<141>‹o do nœmero de trabalhos especificamente sobre neurodivergentes cuja aleatoriedade ainda n‹o nos permite dizer que haja uma tendGLYPH<144>ncia de crescimento ou decrescimento.
Do ponto de vista qualitativo, nota-se uma diversidade de abordagens e metodologias, refletindo um crescente interesse na adaptaGLYPH<141>‹o do ensino para diferentes necessidades. Com base nas caracter'sticas apresentadas pelos trabalhos identificados, podemos classific‡-los em trGLYPH<144>s categorias iniciais: Metan‡lise e Ensino de CiGLYPH<144>ncias por InvestigaGLYPH<141>‹o (I); SequGLYPH<144>ncias did‡ticas e ferramentas (II) e FormaGLYPH<141>‹o de Professores (III).
Em relaGLYPH<141>‹o ˆ primeira categoria, podemos citar os trabalhos de Jœnior et al. (2017), que exploram atividades experimentais investigativas para alunos com deficiGLYPH<144>ncia intelectual, enquanto Oliveira et al. (2017) investiga o estado geral da educaGLYPH<141>‹o inclusiva no contexto das escolas pœblicas de BelŽm-PA. AlŽm disso, Eiras (2019) analisou a participaGLYPH<141>‹o de um aluno com necessidades educacionais especiais em uma brincadeira cient'fica investigativa (BCI) realizada durante as aulas de CiGLYPH<144>ncias do Ensino Fundamental.
No caso da segunda categoria, podemos destacar as obras de Galv‹o e Ruas (2019), que focam no uso de sequGLYPH<144>ncia did‡tica para alunos com Transtorno do Espectro Autista. AlŽm disso, Ribeiro (2019) descreve o desenvolvimento de atividades voltadas para uma aluna com Trissomia do 21, analisando a participaGLYPH<141>‹o desta. Ademais, Silva e Santos (2023) prop›em a utilizaGLYPH<141>‹o de HQs a partir de uma sequGLYPH<144>ncia did‡tica fundada na Pedagogia Hist-rico-Cr'tica (PHC) para alunos com necessidades especiais.
Por œltimo, na terceira categoria, temos os destaques de Martins, Parisoto e Nascimento (2023), que discutem as percepGLYPH<141>›es e desafios que um grupo de professores de f'sica enfrentam ou podem enfrentar ao lidar com o TDAH. AlŽm disso, Batista e Arantes (2019) narram e refletem sobre a atividade de duas alunas autistas durante o decorrer de um est‡gio, analisando suas implicaGLYPH<141>›es dentro da
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
formaGLYPH<141>‹o de professores no contexto escolar. Por fim, Silva Jr. e Barbosa (2019) relatam experiGLYPH<144>ncias docentes com um aluno autista durante o est‡gio supervisionado, utilizando atividades de -ptica geomŽtrica.
Todas estas abordagens demonstram a tentativa de abordar as necessidades espec'ficas de diferentes grupos, uma resposta ao crescente reconhecimento das neurodivergGLYPH<144>ncias no campo educacional.
No ano de 2021, houve um grande reflexo da pandemia de Covid-19, j‡ que as produGLYPH<141>›es se situavam no cen‡rio de 2020. Ent‹o, grandes volumes das produGLYPH<141>›es tinham um foco maior no ensino remoto e pouco foi retratado sobre educaGLYPH<141>‹o especial com foco em neurodesenvolvimento at'pico. A œnica apariGLYPH<141>‹o de uma produGLYPH<141>‹o sobre Altas Habilidades/SuperdotaGLYPH<141>‹o revela outra lacuna significativa na pesquisa sobre neurodesenvolvimento at'pico no Brasil. Embora a superdotaGLYPH<141>‹o n‹o seja geralmente considerada uma deficiGLYPH<144>ncia, indiv'duos superdotados muitas vezes enfrentam desafios sociais e acadGLYPH<144>micos, especialmente aqueles que tambŽm se enquadram em algum diagn-stico espec'fico. A falta de estudos sobre essa interseGLYPH<141>‹o entre superdotaGLYPH<141>‹o e neurodivergGLYPH<144>ncia sugere que mais esforGLYPH<141>os s‹o necess‡rios para entender as complexidades desses estudantes.
ReforGLYPH<141>amos que deve-se reconhecer e atender ˆs necessidades espec'ficas da comunidade em geral n‹o apenas facilita seu aprendizado, mas tambŽm contribui para que se sintam mais integrados e confort‡veis no ambiente escolar. Segundo Shmulsky et al. (2021), embora serviGLYPH<141>os educacionais espec'ficos adaptados ˆs necessidades dos alunos neurodivergentes sejam fundamentais, ainda prevalece uma abordagem corretiva que busca ajustar esses alunos a uma dita ÒnormalidadeÓ. Com isso, corre-se o risco de reduzir a identidade neurodivergente a um conjunto de desafios, sem reconhecer o valor das formas œnicas de pensar e de se expressar. ƒ essencial validar esta identidade no contexto educacional, pois muitos alunos ainda se sentem acuados em sala de aula devido ao conceito relativamente novo de neurodiversidade, para o qual a formaGLYPH<141>‹o docente n‹o tem sido suficiente para oferecer suporte personalizado e inclusivo. Se incentivarmos esses alunos a verem suas caracter'sticas como aspectos positivos de sua identidade, poderemos promover uma educaGLYPH<141>‹o mais inclusiva e alinhada ao conceito de neurodiversidade.
## ConsideraGLYPH<141>›es Finais
As an‡lises realizadas neste estudo evidenciam a existGLYPH<144>ncia de uma lacuna significativa nas pesquisas sobre o ensino de ciGLYPH<144>ncias para pessoas com neurodesenvolvimento at'pico no Brasil. O ensino de ciGLYPH<144>ncias voltado para esse pœblico precisa de mudanGLYPH<141>as espec'ficas e n‹o deve ser ignorado apenas porque as aparGLYPH<144>ncias f'sicas e sociais dos indiv'duos possam parecer Òcomuns ou normaisÓ.
Embora o aumento de trabalhos ao longo da œltima dŽcada, especialmente em 2019, demonstra uma conscientizaGLYPH<141>‹o crescente sobre a import%ncia desse tema, o nœmero total de publicaGLYPH<141>›es ainda Ž insuficiente para atender ˆs demandas educacionais de uma populaGLYPH<141>‹o em constante crescimento.
AlŽm disso, o cen‡rio qualitativo sugere que, embora haja uma diversidade de abordagens pedag-gicas, como o uso de sequGLYPH<144>ncias did‡ticas e atividades experimentais adaptadas, essas pr‡ticas ainda s‹o restritas a um nœmero limitado
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
de estudos. A ausGLYPH<144>ncia de uma quantidade maior de trabalhos dedicados a alunos com altas habilidades ou outros tipos de neurodivergGLYPH<144>ncias tambŽm destaca ‡reas pouco exploradas pela pesquisa. O impacto da pandemia de Covid-19, que redirecionou o foco de muitas produGLYPH<141>›es para o ensino remoto, tambŽm contribuiu para a reduGLYPH<141>‹o da produGLYPH<141>‹o cient'fica no campo da educaGLYPH<141>‹o especial em 2021.
Esse contexto reforGLYPH<141>a a necessidade de estratŽgias pedag-gicas mais robustas e inclusivas, que considerem de forma cuidadosa as especificidades de todos os alunos, independentemente de suas condiGLYPH<141>›es de neurodesenvolvimento. Do mesmo modo, isso se aplica ao campo da FormaGLYPH<141>‹o de Professores, tanto no %mbito da formaGLYPH<141>‹o inicial dos futuros professores de f'sica, quanto da formaGLYPH<141>‹o continuada em relaGLYPH<141>‹o aos professores que j‡ atuam na docGLYPH<144>ncia da educaGLYPH<141>‹o b‡sica por todo o pa's. Diante desse cen‡rio, Ž crucial que mais esforGLYPH<141>os sejam direcionados ˆ formaGLYPH<141>‹o de professores e ˆ produGLYPH<141>‹o de materiais pedag-gicos inclusivos, para que as pr‡ticas educacionais possam evoluir de forma a garantir uma verdadeira inclus‹o. O ensino de ciGLYPH<144>ncias precisa ser adaptado para contemplar as diversas formas de aprendizado e proporcionar a todos os alunos um ambiente de aprendizagem que respeite e valorize suas singularidades.
## ReferGLYPH<144>ncias
BRASIL. Congresso Nacional. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educaGLYPH<141>‹o nacional. Di‡rio Oficial da Uni‹o n. 248, de 23/12/96 Ð SeGLYPH<141>‹o I, p. 27833. Bras'lia, 1996.
INEP. CENSO ESCOLAR DA EDUCA,ÌO BçSICA 2023 Resumo TŽcnico Vers‹o Preliminar. Diretoria de Estat'sticas Educacionais (DEED). Bras'lia, 2024. Dispon'vel em: https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/ estatisticas\_e\_indicadores/resumo\_tecnico\_censo\_escolar\_2023.pdf
SINGER, J. 2017. Neurodiversity: the birth of an idea (2» ediGLYPH<141>‹o). Judy Singer Editor.
McDermott, L. Developing and Operationalizing a Critical Disability Physics Identity Framework: Investigating the Experiences of Neurodivergent Physicists at Various Career Stages. Nova Jersey, 2024. Dispon'vel em : https:// rucore.libraries.rutgers.edu/rutgers-lib/72595/PDF/1/play/
Secretaria de EducaGLYPH<141>‹o Especial. MinistŽrio da EducaGLYPH<141>‹o. [MEC]. (2008). PNEE: Pol'tica Nacional de EducaGLYPH<141>‹o Especial na Perspectiva da EducaGLYPH<141>‹o Inclusiva. Secretaria de EducaGLYPH<141>‹o Especial. Recuperado de http://portal.mec.gov.br/arquivos/ pdf/politicaeducespecial.pdf
Secretaria de EducaGLYPH<141>‹o Especial. MinistŽrio da EducaGLYPH<141>‹o. [MEC]. (2020). PNEE: Pol'tica Nacional de EducaGLYPH<141>‹o Especial: Equitativa, inclusiva e com aprendizado ao longo da vida. Secretaria de Modalidades Especializadas de EducaGLYPH<141>‹o. Recuperado de https://www25.senado.leg.br/web/ atividade/materias/-/materia/145041.
JòNIOR, M.; FERNANDES, S.; GON,ALVES, A. Avaliando a possibilidade do desenvolvimento de atividades experimentais investigativas com alunos com deficiGLYPH<144>ncia intelectual. Dispon'vel em: https://sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxii/sys/ resumos/T1091-1.pdf.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
BORGES GALVÌO, C.; ALVES, P.; RUAS, R. USO DE SEQUæNCIA DIDçTICA PARA UM ALUNO COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA. Dispon'vel em: https://sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxiii/sys/resumos/T0038-1.pdf.
SHMULSKY, S. et al. Do Neurodivergent College Students Forge a Disability Identity? A Snapshot and Implications. Journal of Postsecondary Education and Disability, v. 34, n. 1, p. 53Ð63, 2021.
DA CRUZ, W.; EIRAS, S. O PROTAGONISMO DE AMADEU EM UMA BRINCADEIRA CIENTêFICA INVESTIGATIVA (BCI)]. Dispon'vel em: https:// sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxiii/sys/resumos/T0514-1.pdf.
OLIVEIRA et al .EDUCA,ÌO INCLUSIVA NAS ESCOLAS PòBLICAS DE BELƒM PA: O CASO DAS CIæNCIAS EXATAS E NATURAIS. Dispon'vel em: https:// sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxii/sys/resumos/T0478-1.pdf.
RIBEIRO, E. ENSINO DE FêSICA PARA ALUNOS COM SêNDROME DE DOWN. Dispon'vel em: https://sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxiii/sys/resumos/T0172-1.pdf.
MARCULINO MARQUES DA SILVA1, R.; NEVES, J.; SANTOS. HISTîRIA EM QUADRINHOS NA CIæNCIA: UMA PROPOSTA DE ENSINO DE CIæNCIAS PARA ESTUDANTES COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS EM UMA PERSPECTIVA MULTIDISCIPLINAR. Dispon'vel em: https://sec.sbfisica.org.br/ eventos/snef/xxv/sys/resumos/T0060-1.pdf.
FERNANDA, H.; BATISTA, F.; ARANTES, A. ATIVIDADE EXPERIMENTAL DE CIæNCIAS EM UMA PERSPECTIVA INCLUSIVA: ENSAIO COM ESTUDANTE AUTISTA. Dispon'vel em: https://sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxiii/sys/resumos/ T0919-1.pdf.
BARBOSA, M. et al. INCLUSÌO NAS AULAS DE îPTICA GEOMƒTRICA: EXPERIæNCIA COM O AUTISMO NO ESTçGIO SUPERVISIONADO. Dispon'vel em: https://sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxiii/sys/resumos/T0212-1.pdf.
RAQUEL, E. et al. TDAH - DESAFIO PARA O PROFESSOR DE FêSICA?. Dispon'vel em: https://sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxv/sys/resumos/T0113-1.pdf.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.