ANÁLISE DAS DISCIPLINAS DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE LICENCIATURAS EM FÍSICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Lucas De Souza Abrantes, Helena Da Costa Rampini, Marcelo Bomfim Corrêa, Vitor Acioly, Glauco S F Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 24/01/2025
- Linha de pesquisa
- Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente No Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ANÁLISE DAS DISCIPLINAS DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE LICENCIATURAS EM FÍSICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Lucas de Souza Abrantes 1 , Helena da Costa Rampini 2 , Marcelo Bomfim Corrêa 3 , Vitor Acioly 4 , Glauco S F Silva 5
- 1 Universidade Federal Fluminense/Licenciatura em Física, lucasabrantes@id.uff.br
- 2 CEFET/RJ/Licenciatura em Física, helena.rampini@aluno.cefet-rj.br
- 3 CEFET/RJ/Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Educação, marcelobomfimcorrea@gmail.com
- 4 Universidade Federal Fluminense/Instituto de Física/ vitoracioly@id.uff.br
- 5 CEFET/RJ/Licenciatura em Física/ Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Educação
## Resumo
A formação prática de professores se consolidou ao longo da história em disciplinas específicas para esta finalidade, que ficaram conhecidas como Prática de Ensino. O primeiro documento oficial brasileiro foi o Parecer 292 de 1962 do Conselho Federal de Educação (CEF), que previa que a Prática de Ensino fosse diferente e desvinculada da Didática, sob a forma de Estágio Supervisionado. Nesse sentido, como parte de um projeto em andamento o objetivo deste trabalho é apresentar uma análise inicial e descritiva das disciplinas de Estágio Supervisionado das licenciaturas em física do Estado do Rio de Janeiro. A metodologia deste trabalho orienta-se pela pesquisa documental uma vez que são analisados os documentos institucionais relacionados às disciplinas de Prática de Ensino (e equivalentes), como os Projetos Pedagógicos de Curso (PPC). Para a busca dos cursos de licenciaturas em física do Estado do Rio de Janeiro foi utilizado o Portal e-mec, em que foram identificados onze cursos presenciais em Instituições de Ensino Superior públicas. A análise permitiu a visão geral da distribuição geográfica de vagas anuais dos cursos no Estado. Os dados mostraram que ao todo são 41 disciplinas de Estágio e em sua maioria são nomeadas como Prática de Ensino, e poucas incluem física ou algum conteúdo específico no nome. Dos 11 cursos, mais da metade têm o PPC publicado antes de 2020 e quarto cursos têm o PPC de 2023.
Palavras-chave : Ensino de Física, Formação de Professores, Estágio Supervisionado
## Introdução
A formação prática de professores se consolidou ao longo da história em disciplinas específicas para esta finalidade, que ficaram conhecidas como Prática de Ensino. O primeiro documento oficial brasileiro foi o Parecer 292 de 1962 do Conselho Federal de Educação (CEF), que previa que a Prática de Ensino fosse diferente e desvinculada da Didática, sob a forma de Estágio Supervisionado. Segundo Goulart (2002), 'da necessidade de preparar o futuro professor para a parte pedagógica surgiu a ideia de uma prática de ensino durante o período de formação, associada a um estágio durante o qual o aluno [licenciando] entraria em contato com uma turma e poderia acompanhar um processo real de ensino e aprendizagem' (p.78). Nesse sentido, a discussão contemporânea sobre a curricularização do Estágio Supervisionado em disciplinas de Prática de Ensino (e equivalentes) se torna ainda mais importante para a compreensão e o estabelecimento de novas relações entre a universidade e a escola,
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
especialmente, na perspectiva de que ambas as são instituições formadoras (Silva e Villani, 2021).
Assim, como parte de um projeto de iniciação científica em andamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), o objetivo deste trabalho é apresentar uma análise inicial e descritiva das disciplinas de Estágio Supervisionado das licenciaturas em física do Estado do Rio de Janeiro.
## Procedimentos Metodológicos
Dentro da abordagem qualitativa, este trabalho orienta-se pela pesquisa documental uma vez que são analisados os documentos institucionais relacionados às disciplinas de Prática de Ensino (e equivalentes), como os Projetos Pedagógicos de Curso (PPC), identificando os objetivos dos respectivos cursos de licenciatura, bem como analisando as ementas das disciplinas de Práticas de Ensino e equivalentes. O material documental a ser analisado constitui-se, então, no corpus , isto é, uma coleção recortada e definida dos documentos estudados.
As etapas para coleta do material documental para constituição do corpus da análise são: (i) a busca no portal e-mec: levantamento dos cursos presenciais de licenciatura em física do Estado do Rio de Janeiro de Instituições públicas realizado através do portal e-mec 1 ;(ii) levantamento dos documentos: busca por documentos relativos aos cursos das licenciaturas localizadas no e-mec - Projetos Pedagógicos de Curso (PPC) - a partir dos quais foi possível encontrar respectivas grades curriculares dos cursos, com a apresentação das disciplinas de Prática de Ensino (e equivalentes) dispondo as ementas, objetivos, carga horária.
## Resultados e discussões
De acordo com o portal e-mec, há 11 cursos de licenciatura em física oferecidos em Instituições de Ensino Superior (IES) públicas no Estado do Rio de Janeiro, como mostrado no Quadro 1. As oito IES públicas se dividem em três da Rede Federal de Educação Tecnológica (1 CEFET e 2 IF), três universidades federais e duas estaduais. Dessas IES, três têm mais de uma oferta de curso em campi diferentes: o CEFET/RJ nas cidades de Petrópolis e Nova Friburgo; IFRJ em Nilópolis e Volta Redonda e a UFF nas cidades de Niterói e Santo de Antônio de Pádua.
Quadro 01: Oferta de cursos de licenciatura em Física em IES públicas do RJ.
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Fonte: Portal e-mec/ SEEDUC
No que se refere à distribuição geográfica da oferta de cursos de licenciatura em Física no Estado do Rio de Janeiro, organizamos o Quadro 1 com a informação da Regional da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC), a fim de proporcionar uma visão geral dessa relação entre a oferta e a localidade. Das 14 Regionais, há oferta de cursos de licenciaturas em 10, isto é, em 70% das Regionais. Contudo, esse percentual não representa a uma cobertura em todo Estado, dado as ofertas de vagas estão concentradas. Observa-se no Quadro 1 que do total de vagas anuais (860) no Estado quase metade são ofertadas nas Regionais Metropolitanas, com maior concentração na própria cidade do Rio de Janeiro.
Figura 01: Cidades onde os cursos de licenciatura em física estão localizados nas Regionais da SEEDUC-RJ, com a legenda. Fonte: SEEDUC-RJ 2
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As Regionais administrativas da Secretaria compreendem áreas grandes com vários municípios, com exceção da cidade do Rio de Janeiro que contêm três delas, Metropolitana III, IV e VI, como mostra a Figura 1. O mapa da Figura 1 também apresenta as cidades onde estão localizados os 11 cursos de licenciaturas em física de IES públicas do Estado do Rio de Janeiro. A análise em detalhes da relação entre oferta de vagas, demandas de professores de física, densidade populacional entre outras não faz parte do escopo deste trabalho e correspondem a etapas futuras.
## As disciplinas de Estágio Supervisionado
No Quadro 2 a seguir apresentamos uma síntese dos dados da nossa primeira etapa de análise, no qual constam aspectos gerais sobre as disciplinas de estágio supervisionado nos currículos dos 11 cursos de licenciatura em física.
Quadro 02 : Disciplinas de Estágio Supervisionado das licenciaturas em física aqui analisadas.
Fonte: Própria a partir das informações dos sites oficiais dos cursos.
O Quadro 2 está organizado tal que as colunas apresentam, além da IES e a cidade de oferta, o ano do PPC, a carga horária (CH) total de Estágio Supervisionado (em horas), o número de disciplinas relacionadas ao Estágio, o nome dessas disciplinas, o período de oferta e a carga horária de Estágio por disciplina.
Como resultados gerais para uma análise preliminar, podemos observar o ano do PPC. De forma geral, 55% dos cursos (6 de 11) tem o PPC publicado antes de 2020,
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os demais (4 de 11) têm o PPC de 2023, um (UERJ) não foi possível encontrar a informação do ano de publicação PPC. O curso de licenciatura em Física do IFF-Cabo Frio é o mais antigo, publicado em 2014e os cursos do CEFET/RJ - Petrópolis, UFF e UFRRJ são o que têm o PPC mais recentes, em 2023. A informação do ano PPC é uma característica importante, pois está associada às variações das Diretrizes Curriculares Nacionais para formação de professores (DCN). Desde a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1996 foram publicadas ao todo quatro DCN em 2001, 2015, 2019 e 2024. As DCN têm impacto direto nos cursos de licenciatura, e nesse sentido, diversas associações científicas do campo educacional tem se debruçado para analisar esses documentos, a fim de evitar retrocessos na formação de professores no país 3 .
Outro reflexo importante das DCN sobre os cursos refere-se ao momento em que se inicia o Estágio Supervisionado. As DCN de 2015 preconizava o início do Estágio a partir da segunda metade do curso. Dessa forma, observa-se no Quadro 2 em que todos os cursos os Estágio ocorrem justamente nesse momento do curso, com variações no período de início, de tal modo que cerca de 70% (8 de 11) iniciam no quinto período, dois iniciam no sexto (UENF e UFRJ) e um (UFF-Pádua) inicia no oitavo período.
No que se refere a carga horária mínima, observa-se que todos os cursos cumprem a pelo menos 400 horas de Estágio Supervisionado, estando em acordo, portanto, com os documentos oficiais. Há, contudo, uma variação para além da quantidade de horas mínimas. As duas universidades estaduais são que têm horas totais de Estágio para além do mínimo, a saber, a UERJ cm 20 horas a mais e UENF com oito. Os cursos do IFRJ e o do CEFET/RJ-Nova Friburgo completam cinco horas a mais.
As disciplinas, em sua maioria, têm o nome mais comum de Prática de Ensino/Estágio Supervisionado, com algumas que escolheram nomear diferente, como o curso do CEFET/RJ - Petrópolis com disciplinas chamadas de Prática Docente (I a V) e os dois cursos da UFF com Pesquisa e Prática de Educativa. Porém, mesmo esses três cursos com nomenclaturas diferentes, ainda permanecem um caráter mais geral, sem especificar Física ou algum conteúdo. Nesse sentido, destacamos o curso do CEFET/RJ - Nova Friburgo que apresenta no currículo duas disciplinas com carga horária de Estágio relacionadas ao conteúdo específico de Física Térmica e Eletromagnetismo. O curso da UERJ apenas relaciona algumas disciplinas de Estágio Supervisionado em Física IV a VI, sem mencionar no nome algum conteúdo específico.
O Quadro 2 também dá destaque para o número de disciplinas e a sua respectiva carga horária dos cursos. Observa-se que 45% (5 de 11) tem quatro disciplinas, 27% (3 de 11) oferecem três, enquanto um curso (CEFET/RJ) tem cinco disciplinas, um curso (UERJ) oferece seis e a UFRJ oferece uma única disciplina cuja matrícula vigora por três períodos. Por outro lado, cerca de 55% dos cursos (6 de 11) distribuem a carga horária de Estágio uniformemente entre as disciplinas. Já os cursos da UERJ e IFF-Cabo Frio alteram a carga horária em apenas em uma das disciplinas, o do CEFET/RJ - Petrópolis tem a mesma carga horária nas duas últimas disciplinas e o
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CEFET/RJ - Nova Friburgo tem a distribuição diferente para cada disciplina. O curso da UFRJ é o que tem a maior carga horária por disciplina, 135 horas nas duas últimas.
## Considerações finais
Neste trabalho apresentamos uma análise inicial e de caráter descritivo sobre as disciplinas de Estágio Supervisionado dos cursos de licenciatura em física, presenciais e de IES públicas, do Estado do Rio de Janeiro. A primeira parte da análise permitiu a visão geral da distribuição geográfica de vagas anuais nesses cursos no Estado. A relação entre as Regionais da SEEDUC e a oferta de cursos permitirá aprofundar a análise entre vagas ofertadas e demandas de professores de física, possibilitando subsidiar melhor o argumento pela necessidade de abertura de novos concursos para professores na rede estadual.
A segunda parte da análise também tem um caráter geral, mas nos ajuda a responder como os Estágios Supervisionados em Física funcionam no Estado, por exemplo, chama a atenção que cerca de 55% dos cursos têm uma distribuição igual de carga horária de Estágio por disciplina. Qual o sentido epistemológico ao manter a carga horária de Estágio igual em todas as disciplinas? Por um lado, pode haver uma sinalização de que não hierarquia entre as disciplinas pois todas têm a mesma importância, mas por outro, pode supervalorizar práticas de observação e subvalorizar as chamadas regências. Da mesma forma, a quantidade da carga horária está diretamente relacionada com a supervisão, isto é, em como o professor da escola poderá dar conta de receber, acompanhar os estagiários, planejar, avaliar etc.
Assim, esta etapa geral e descritiva da análise teve a função de gerar dados para as etapas posteriores do projeto, nas quais pretendemos responder questões como: quais as maneiras de operacionalização dos Estágios? Como as ementas apresentam a relação com a escola? Como definem o papel do supervisor? Para tanto, vamos utilizar o referencial teórico de Chervel (1990) que baliza o funcionamento de uma disciplina a partir de vários elementos como a tradição pedagógica, as condições materiais, a interação professor-aluno (orientador-estagiário-supervisor-aluno).
## Referências
CHERVEL, A. História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa. Teoria & educação , v.2, n. 2, 1990, p.177-229.
GOULART, S. M. A prática de ensino na formação de professores: uma questão (dês) conhecida. Revista da Universidade Rural, Série Ciências Humanas . UFFRJ, v. 24, n 1-2, p. 77-87, 2002.
SILVA, G. S. F.; VILLANI, A. A disciplina de Práticas em Ensino de Física e análise da atividade de licenciandos no início do Estágio Supervisionado na Escola. Cad. Bras. de Ensino de Física , v. 38, n3, p. 1561-1588, 2021.
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