CURRICULO VITAE: LADRÃO DE MATERIAL RADIOATIVO- PIBID COMO FOMENTADOR DA ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA
Fabiana Gozze Soares, Danielle Vieira Da Silva, Leonardo Araújo, Angélica Teodoro Gouveia, Michele Silva Oliveira, Robson Marcello Antunes, Silvana Souza Lima, Shellen Cristina Cabral Oliveira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 24/01/2025
- Linha de pesquisa
- Currículo E Ensino De Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## CURRICULO VITAE: LADRÃO DE MATERIAL RADIOATIVO- PIBID COMO FOMENTADOR DA ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA
Fabiana Gozze Soares 1 , Danielle Vieira da Silva 2 , Leonardo Araújo 3 , Angélica Teodoro Gouveia 4 , Michele Silva Oliveira 5 , Robson Marcello Antunes 6 , Silvana Souza Lima 7 , Shellen Cristina Cabral Oliveira 8
1 SEE/EE Professor Colombo de Almeida, fabianagozze@prof.educacao.sp.gov.br
2 IFSPO/ daniellevs1812@gmail.com
3 SEE/ l.araujo@ufabc.edu.br
4 SEE/ angelica\_gouveia@hotmail.com
5 ETEC/oliveiras2mih@gmail.com
6 SEE/ marcelloantunes@Hotmail.co.uk
7 SEE/ siluminista@hotmail.com
8 SEE/ shellencabral@prof.educacao.sp.gov.br
## Resumo
O presente trabalho apresenta uma aula desenvolvida e aplicada, por uma aluna licencianda pertencente ao programa PIBID, em uma escola pública localizada no Estado de São Paulo. A aula ministrada pela licencianda trouxe luz ao tema acerca da radioatividade para alunos do segundo ano do Ensino Médio quando se tratando dos perigos que materiais radioativos podem trazer quando expostos ou manuseados de maneira incorreta. Para trabalhar tal tema, utilizou-se o incidente ocorrido em Goiânia com o radioisótopo césio-137. Procurou-se apresentar o ocorrido aos alunos e discutir o incidente e suas consequências para a população envolvida. Os estudantes receberam bem a maneira como a aula foi abordada, bem como, entenderam a relevância do tema e dos saberes ali envolvidos, sendo este nosso objetivo.
Palavras-chave : Ensino Médio, Radioatividade, Césio-137
## Introdução
A inserção dos saberes científicos na educação formal tem sido um grande desafio, principalmente depois de os professores e professoras do Estado de São Paulo terem perdido sua liberdade de cátedra, uma vez que os conteúdos a serem trabalhados em sala de aula são pré-determinados pela Secretaria da Educação e devem ser introduzidos em nossa prática de maneira integral. Deste modo, inserir qualquer tipo de discussão que fuja do material determinado pela SEDUC se torna cada dia mais difícil, mesmo que necessário.
A necessidade se apresenta principalmente quando nos deparamos com notícias que envolve o saber científico, ou a falta dele, quando se coloca em risco a saúde da população.
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Em julho de 2024 foi noticiado o roubo de materiais radioativos na cidade de São Paulo. O material estava contido em galões de chumbo para conter a radiação do material constituído de Germânio e Gálio (CASEMIRO, 2024; ESTADÃO, 2024).
O material roubado foi utilizado em laboratório de exame de imagens para elaboração de diagnóstico de pacientes com câncer (CASEMIRO, 2024; ESTADÃO, 2024).
Ainda segundo as plataformas de notícias, após o término da utilização do material no laboratório, o mesmo seria transportado para a empresa de origem, quando foi realizado o roubo durante o trajeto de retorno (CASEMIRO, 2024; ESTADÃO, 2024).
Partindo desta premissa, vemos o quanto a formação de estudantes na área científica é imprescindível para sua própria segurança e segurança de terceiros quando pensamos na possibilidade de eventos como esse que colocam em risco a segurança da população. Deste modo, é possível entender a importância de saber manusear este material para que não haja contaminação.
Sendo assim, entendemos que nossa prática realizada pode contribuir para que no futuro, nossos estudantes tenham ciência dos riscos que envolvem manusear determinados materiais sem a devida proteção, e ainda, que seu manuseio pode acarretar em acidentes terríveis para os envolvidos.
## Aplicação do Currículo Paulista nos segundos anos do Ensino Médio
Em 2023, o Currículo Paulista, pertencente ao currículo do Estado de São Paulo, teve suas competências e habilidades distintas da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) em relação ao ano/série (SÃO PAULO, 2020; BRASIL, 2023), ou seja, não estavam em conformidade com o que a BNCC apresenta de conteúdo para o segundo ano do Ensino Médio.
O currículo do 4º bimestre do segundo ano do Ensino Médio era formado pelos seguintes temas:
- · radioatividade (historiografia e suas leis);
- · meia vida;
- · radioisótopos;
- · datação do carbono -14;
- · reações nucleares;
- · funcionamento de uma usina nuclear;
- · avaliando os riscos da radioatividade.
Todas as aulas foram determinadas pela Secretaria da Educação, bem como, o material a ser utilizado. O material esteve disponível para alunos e professores na plataforma CMSP (Centro de Mídias de São Paulo), inseridas em seu repositório para ser utilizado pelos professores e consultado pelos alunos.
Para ciência dos licenciandos e licenciandas pertencentes ao programa PIBID, todo o material foi baixado e enviado via e-mail para os mesmos, de modo que estiveram a par dos conteúdos a serem trabalhos em sala de aula.
Cada licenciando e licencianda do programa desenvolveram atividades de acordo com os temas indicados pela Secretaria da Educação.
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A licencianda escolheu, como atividade a ser cumprida pelo programa, o último tema, apresentando aos alunos a historiografia de acidentes nucleares, se detendo mais especificamente no acidente ocorrido em Goiás, Goiânia, com isótopo césio-137 em setembro de 1987.
Por meio de uma aula expositiva, aplicada em dois tempos de 45 minutos, a licencianda apresentou dados do episódio que explicavam como ocorreu o descarte do material, sob que circunstâncias esse material foi encontrado e manuseado de forma inadequada, como houve a propagação da contaminação, número de mortes e suas causas, além de quais políticas públicas se tornaram necessárias para que este episódio não ocorresse novamente (MIRANDA et al , 2005; ROCHA, 2008; BARBOSA, 2009; OKUNO, 2013; FUINI et al , 2013; HELOU, 2014; VIEIRA, 2017; NETO e BERNSTEIN, 2014; SHUMANN e BERWIG, 2018; POZZETTI e GOMES, 2018; FRANZOLIN, 2022; NUNES e MESQUITA, 2022; SILVA, 2023).
A aula foi aplicada para três segundos anos, com média de 40 alunos por turma em uma escola estadual localizada na zona norte da cidade de São Paulo. Tendo os alunos ao final da aula apresentar um registro dos principais tópicos discutidos na aula, bem como, dúvidas que surgiram ao longo da fala da licencianda.
Figura 1: Exposição da aula pela licencianda. Fonte: Os autores.
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Deste modo, para o desenvolvimento e construção da aula, a licencianda teve de procurar por textos e materiais sobre o tema para que pudesse desenvolver seu conhecimento acerca do tema, e assim, produzir um plano de aula que contemplasse o currículo escolar.
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Já os alunos, se mostraram bastante receptivos sobre o tema e sobre a aula ser conduzida por uma professora em formação.
Os alunos participaram da aula ao final, fazendo comentários e questionamentos sobre o tema, mostrando interesse pelo assunto, assim como, poucos não se mostraram interessados na aula, como acontece de forma corriqueira nas aulas de física nestas turmas. Entretanto, essa falta de interesse de alguns poucos não atrapalhou a aula em si, tampouco desmotivou os demais alunos ao quererem saber mais sobre o assunto discutido.
## Considerações finais
Para a licencianda, foi um desafio preparar a aula, pois a mesma estava no primeiro ano de Licenciatura em Física, de modo que, pela grade do curso, este conteúdo só seria apresentado em disciplinas ofertadas após o terceiro ano de curso.
Conseguimos identificar na postura dos alunos após a aula, maior interesse durante as aulas posteriores, pois os próprios alunos relataram entender que é possível aproximar o conteúdo das aulas com seu cotidiano, bem como, entender que alguns fenômenos físicos podem nos afetar de maneira negativa se não soubermos como determinados fenômenos ocorrem, principalmente quando se tratando da radioatividade.
Sendo assim, entendemos que o Ensino de Física tem um papel importante no letramento científico dos estudantes, não apenas para que entendam como o os fenômenos naturais funcionam, mas também como a ciência pode propiciar qualidade de vida, assim como, nos fazer ficar doentes se não soubermos os saberes científicos necessários para lidarmos com o mundo que nos cerca.
## Referências
BARBOSA, T. M. A. A RESPOSTA A ACIDENTES TECNOLÓGICOS: O CASO DO ACIDENTE RADIOATIVO DE GOIÂNIA. FACULDADE DE ECONOMIA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA. DISSERTAÇÃO DE MESTRADO, 2009.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC), 2023. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/#apresentacao. Acesso em: 10/08/2024.
CASEMIRO, P. É perigoso? Pode matar? Entenda o que é o material radioativo roubado em São Paulo e quais os riscos à saúde: Embalagens com material radioativo foram roubados em São Paulo. Substâncias representam risco à saúde e polícia investiga o caso. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/noticia/2024/07/06/entenda-se-material-radioativo-eperigoso-ou-se-ele-pode-matar.ghtml. Acesso em: 10/08/2024.
ESTADÃO, 2024. Ladrões roubam veículo com carga radioativa em São Paulo:
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Autoridade alerta que manipulação inadequada do material pode representar riscos à saúde. Disponível em: https://noticias.r7.com/sao-paulo/ladroes-roubam-veiculo-comcarga-radioativa-em-sao-paulo-05072024/. Acesso em: 10/08/2024.
FRANZOLIN, L. Césio-137, o maior desastre radiológico do Brasil. 2022. Disponível em: https://socientifica.com.br/cesio-137-o-maior-desastre-radiologico-do-brasil/. Acesso em: 25/08/2024.
FUINI, S. C.; SOUTO, R.; AMARAL, G. F.; AMARAL, R. G. Qualidade de vida dos indivíduos expostos ao césio-137, em Goiânia, Goiás, Brasil. Caderno de Saúde Pública 29 (7), 2013.
HELOU, S. Césio-137: consequências psicossociais do acidente de Goiânia./ Suzana Helou e Sebastião Benício da Costa Neto. - 2. ed. - Goiânia:Editora UFG, 2014.
MIRANDA, F. J.; PASQUALI, L.; NETO, S. B. DA C.; BARRETO, M. DE Q.; FILHO, G. D.; ROSA, T. DP V. Acidente radioativo de Goiânia: "O tempo cura todos os
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NETO, V. G. T.; BERNSTEIN, A. Césio 137: um drama antigo que serve de exemplo.
Revista Educação Pública. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/14/41/csio-137-um-drama-antigo-queserve-de-exemplo. Acesso em: 10/08/2024.
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POZZETTI, V. C.; GOMES, W. R. B. TRINTA ANOS DO CÉSIO 137: TRAJETÓRIA LEGAL DA POLÍTICA NACIONAL BRASILEIRA NA PREVENÇÃO DE ACIDENTES RADIOATIVOS. Revista de Direito Ambiental E Socioambientalismo, Salvador, v. 4, n. 1, p. 132 - 148, 2018.
SÃO PAULO. São Paulo (Estado) Secretaria da Educação. Coordenadoria Pedagógica. Currículo Paulista: etapa ensino médio / organização, Secretaria da Educação, Coordenadoria Pedagógica; União dos Dirigentes Municipais de Educação do Estado de São Paulo - UNDIME. São Paulo: SEDUC, 2020.
SCHUMANN, B; BERWIG, J. A. CÉSIO-137: O MAIOR DESASTRE RADIOLÓGICO E OS POSSÍVEIS CAMINHOS PARA A GESTÃO DOS RISCOS FUTUROSCESIUM137: O MAIOR DESASTRE RADIOLÓGICO E OS POSSÍVEIS CAMINHOS PARA A
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FUTURA GESTÃO DE RISCOS. Revista Duc In Altum. Cadernos de Direito, v. 10, n.2 21, 2018.
SILVA, F. S. Césio-137: 36 anos após o acidente de Goiânia, os desafios da segurança nuclear persistem. Disponível em: https://labnoticias.jor.br/2023/11/28/cesio-137-36-anos-apos-o-acidente-de-goianiaos-desafios-da-seguranca-nuclear-persistem. Acesso em: 10/08/2024.
OKUNO, E. Radiacão: Efeitos, riscos e benefícios. São Paulo; Harbra; 1988.
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ROCHA, S. F. Acidente radioativo com o Césio 137: A participação da Marinha no atendimento às vítimas. Revista Navigator, v. 4 n. 8, 2008.
VIEIRA, S. de A. Energia, Estudos avançados, 27 (77), 2013.
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