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PROJETO COMCIÊNCIA FÍSICA: UMA ANÁLISE DO ALCANCE DO PROJETO A PARTIR DAS REDES SOCIAIS

João Pedro Rodrigues Do Nascimento, Lais Rodrigues Da Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
24/01/2025
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## PROJETO COMCIÊNCIA FÍSICA: UMA ANÁLISE DO ALCANCE DO PROJETO A PARTIR DAS REDES SOCIAIS

João Pedro Rodrigues do Nascimento¹, Laís Rodrigues da Silva¹

¹Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ)/Instituto de Física/jotape.acade29@gmail.com/lais.silva@uerj.br

## Resumo

O projeto de extensão ComCiência Física, desenvolvido no Instituto de Física Armando Dias Tavares, visa integrar ensino, pesquisa e extensão para promover um diálogo entre universidade, escolas e sociedade, focando na construção de experimentos de baixo custo e na contextualização do conhecimento científico como parte da cultura. Voltado para licenciandos em Física da UERJ, professores e estudantes, o projeto busca desconstruir percepções equivocadas sobre a ciência, aproximando-a da sociedade. As redes sociais, especialmente o Instagram, são usadas para ampliar o alcance das atividades, disseminando conteúdo que incentiva o pensamento crítico e combate a desinformação. A plataforma tem gerado significativo engajamento, com interações como curtidas, comentários e compartilhamentos que servem como feedback para ajustar as estratégias de comunicação científica. Essas interações evidenciam a importância das redes sociais para popularizar a ciência e promover uma educação mais acessível e envolvente.

Palavras-chave : Redes Sociais, Divulgação Científica, Instagram.

## Introdução

O projeto de extensão, intitulado ComCiência Física, é um projeto desenvolvido por professores da área de Ensino do Departamento de Física Aplicada e Termodinâmica do Instituto de Física Armando Dias Tavares. Nosso objetivo principal é articular a Extensão ao Ensino e à Pesquisa para promover o diálogo entre a Universidade, a Escola e a Sociedade. Nossas atividades são planejadas e desenvolvidas com objetivos de alcançar tanto licenciandos em física da UERJ como estudantes e professores das redes públicas e privada, possibilitando um diálogo com professores da educação básica e superior e com a comunidade em geral. Nossas atividades envolvem construção de experimentos de baixo custo, apresentações de oficinas, mostras dos experimentos e discussões teórico-metodológicas acerca de estratégias didáticas e práticas experimentais, valorizando a contextualização do conhecimento científico e a compreensão da Física como parte da cultura.

As redes sociais desempenham um papel significativo na educação no atual cenário globalizado. Elas se tornam ferramentas valiosas para disseminar e ampliar o alcance do conhecimento científico, especialmente no ensino de Física. É fundamental, portanto, criar estímulos que promovam o compartilhamento de informações confiáveis e fomentar a produção de conteúdos que encorajem o pensamento crítico e a veracidade científica. Tais ações contribuem para o desenvolvimento de uma cultura científica mais sólida e acessível a todos.

No ensino de Física, as redes sociais são ferramentas estratégicas que facilitam o acesso rápido a informações e tornam conceitos complexos mais

acessíveis. Quando usadas de forma crítica, ajudam a combater a desinformação, essencial em áreas científicas onde erros podem prejudicar a compreensão do mundo. Promover uma cultura científica confiável e crítica fortalece o aprendizado prático, desenvolvendo habilidades como pensamento lógico. Além disso, educadores podem aproveitar essas plataformas para engajar os alunos, conectar a Física ao cotidiano e tornar o ensino mais envolvente.

## O Projeto ComCiência Física

No contexto das novas tendências educacionais, surge a necessidade da criação de repertórios de saberes coerentes com as demandas sociais para a construção de práticas socioculturais no âmbito da educação em ciências. Assim, as discussões sobre o desenvolvimento de estratégias para a divulgação da Ciência e para os processos de ensino e de aprendizagem vêm sendo projetadas no sentido de possibilitar o alcance do conhecimento científico e de seu ensino, visando à formação de sujeitos para uma cidadania responsável, ou seja, formação de sujeitos mais conscientes e críticos para o futuro que se aproxima.

Vale ressaltar que aproximar a Ciência do contexto social, valorizando a diversidade e todos os elementos que constituem a sociedade, implica apresentar uma visão de que a Física é também uma prática social, possibilitando a desconstrução de imagens inadequadas do que é a ciência e de como se constrói o conhecimento científico (GIL PEREZ et al, 2001; MOREIRA, 2018).

Nosso projeto parte, portanto, da valorização de uma perspectiva interdisciplinar e intercultural com respeito a diferentes culturas, entendendo a cultura como um processo de criação e recriação coletivas (CANDAU et al, 2013). Por fim, vale ressaltar que o projeto já vem estabelecendo parcerias com disciplinas da licenciatura a fim de criar experimentos em uma perspectiva de divulgação e de ensino baseado na necessidade de transformar a visão hegemônica pautada na transmissão de conteúdo e aplicação de fórmulas. É preciso sair dos muros da Universidade e atingir outros públicos, levando a Ciência a todos que busquem novas formas de enxergar o mundo.

Nosso projeto se justifica pela necessidade de contribuir com o ensino de física que precisa dar conta de temas cada vez mais complexos que envolvem o diálogo entre muitas áreas do conhecimento. Nesse sentido, precisamos gerar um repertório coerente com as atuais e futuras demandas sociais que vislumbrem a formação de sujeitos mais críticos para a construção de uma sociedade cada vez mais consciente de suas tomadas de decisões. Para isso, precisamos questionar o ainda atual panorama do Ensino de Física baseado de forma hegemônica na transmissão de conteúdo e aplicação de fórmulas e contribuir com novos caminhos que ofereçam aos professores e aos alunos abordagens também conceituais e experimentais para práticas inovadoras de Física, almejando a preparação de indivíduos capazes de participar criticamente de uma sociedade democrática por meio da compreensão de conceitos científicos e suas implicações tecnológicas

## As redes sociais e a divulgação científica

Dentre as possibilidades da internet, as redes sociais são as mais atrativas, tanto que o Facebook e WhatsApp lideram o ranking de acessos. E, nessas redes sociais, é crescente uma nova tendência: as redes sociais segmentadas. São páginas ou grupos criados para visualização e compartilhamento de mensagens direcionadas a públicos específicos e temas diversos. O ambiente da web se tornou um dos mais propícios para publicação de variados assuntos, incluindo neste contexto, os temas referentes à Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I).

Com o acesso fácil e rápido de se criar contas em redes sociais, o REDIF possui atualmente sua página no Instagram, de modo que possa disponibilizar informações, instruções e experimentos, de forma democrática, rápida e prática para um público cada vez maior de pessoas interessadas na cultura de divulgação científica é formalizada por meio do trabalho, que tem como desenvolvimento as práticas realizadas com a rede (REDIF). Sua elaboração é construída através da pesquisa, elaboração de entrevistas com professores das intuições parceiras, para criação de artigos de divulgação a uma rede que possa facilitar a interação do professor - aluno; linkados ao museu a fisionomia do estudo se encontra por meio do mediador - visitante, que tem como objetivo uma melhor explicação dos eventos não só relacionados e física, mas sim a ciência.

Acreditamos que inovações no ensino são essenciais para tornar o aprendizado mais prazeroso e possibilitar uma formação crítica e participativa do estudante. O uso eficiente de diferentes mídias, formatos e saberes, como aplicativos de smartphones, desperta o interesse dos alunos. Quando aplicados com um viés pedagógico, esses recursos trazem resultados positivos na construção do conhecimento.

As redes sociais desempenham um papel crucial na divulgação científica, oferecendo um canal direto e acessível entre cientistas e o público geral. Sua importância se manifesta em diversos aspectos:

- · Acesso ampliado à informação: redes como Twitter, Instagram e YouTube permitem que o conhecimento científico chegue a uma audiência mais ampla, incluindo pessoas sem acesso direto a publicações acadêmicas ou que não frequentam o meio científico. Essas plataformas facilitam a disseminação de descobertas científicas de forma acessível e atraente;
- · Diálogo direto com o público: cientistas podem interagir diretamente com o público, respondendo a perguntas, corrigindo desinformações e esclarecendo dúvidas. Essa interação contribui para uma ciência mais transparente e acessível, além de engajar as pessoas em debates científicos relevantes;
- · Combate à desinformação: em um cenário onde informações incorretas ou pseudociências podem se espalhar rapidamente, as redes sociais se tornam ferramentas essenciais. Cientistas e divulgadores podem utilizá-las para combater mitos e teorias conspiratórias, oferecendo dados e estudos baseados em evidências;
- · Colaboração entre pesquisadores: além de se conectarem com o público, as redes sociais permitem que pesquisadores colaborem entre si, compartilhem ideias, participem de projetos em conjunto e até recrutem participantes para
- estudos. Esse ambiente favorece a criação de redes de colaboração internacionais e o avanço do conhecimento.
- · Engajamento interativo com a ciência: as plataformas sociais possibilitam que o público se envolva com a ciência de maneira mais interativa, por meio de vídeos, podcasts, infográficos ou debates ao vivo. Isso não só aumenta o interesse por temas científicos, como também promove uma educação científica contínua.

## Discussão dos dados:

Neste trabalho apresentaremos os dados das visitas presenciais ao projeto ComCiência Física, no último ano (2024) o projeto (ComCiência Física) recebeu a visita de duas instituições: o Colégio Gálatas e o Instituto Federal do Rio de Janeiro Campus Paracambi (IFRJ- Paracambi), onde um total de 43 alunos participaram da apresentação interagindo com os experimentos. o ComCiência Física também participou de eventos como o Domingo com Ciência na Quinta e uma visita à UERJ Campus Friburgo.

Gráfico 1 : Quantidade de público nas duas últimas visitas

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O gráfico acima ilustra o público que alcançamos nas duas últimas visitas do ano passado. Observa-se que algumas escolas receberam um número significativamente maior de estudantes, o que ampliou o alcance do projeto. Em contrapartida, outras contaram com um público menor, possivelmente devido à distância, já que algumas dessas escolas estão localizadas em regiões mais afastadas do Campus Maracanã da UERJ. Essa variação no público pode estar relacionada tanto à localização geográfica quanto à capacidade das escolas.

Figura 1 : Visita de estudantes da UERJ de outros cursos ao laboratório do ComCiência Física.

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As visitas presenciais são uma forma que permitem a interação dos estudantes com os experimentos e com a vivência do ambiente universitário, porém elas são limitadas às escolas próximas e as que possuem recurso para transporte, prejudicando assim, as escolas públicas e escolas longe da cidade. Logo, usar as redes sociais amplia esse alcance. Os vídeos podem ser usados pelos professores em sala de aula e os experimentos reproduzidos junto aos alunos. Em breve, o ComCiência Física vai disponibilizar os roteiros dos experimentos com vídeos da montagem. A ideia é ampliar ainda mais o alcance e construir uma cultura da divulgação científica no Instituto de Física da UERJ.

Gráfico 2 : Número de visualizações das últimas oito postagens

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O gráfico 2 aponta como as publicações no Instagram permitiram um amplo acesso ao conteúdo, aumentando significativamente o alcance do projeto. Em uma

análise feita no mês de setembro de 2024 em postagens feitas em datas anteriores às essas. Nos últimos oito vídeos postados, foram contabilizados um total de 6132 visualizações até então. Como podemos ver na figura 2, em apenas um vídeo tivemos 1190 visualizações. A figura 3 apresenta o número de interações da mesma postagem.

Figura 2 : Número de visualizações de uma das postagens.

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Figura 3 : Número de interações de uma das postagens.

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Gráfico 3 : Número de curtidas, comentários e compartilhamentos.

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O gráfico 3 revela o desempenho das últimas oito postagens de vídeo no Instagram, destacando o total de 473 interações, o que resulta em uma média de aproximadamente 59 interações por postagem. Essas interações, que incluem curtidas, comentários e compartilhamentos, vão além de simples métricas de engajamento; elas funcionam como uma forma valiosa de feedback. Curtidas indicam aprovação e interesse no conteúdo, enquanto os comentários possibilitam a troca de ideias, permitindo uma comunicação mais direta e pessoal com o público. Os compartilhamentos, por sua vez, são um indicativo claro de que o conteúdo gerou valor suficiente para ser transmitido a outros.

Essas formas de interação fornecem informações importantes sobre a relevância e a qualidade do assunto abordado. Quando há um alto número de interações, isso sugere que o tema ressoou com a audiência, provocando reflexão ou despertando curiosidade. Esse feedback instantâneo é fundamental para ajustar estratégias de conteúdo, identificar os temas que mais engajam e entender como a audiência está absorvendo as informações. Assim, cada interação não apenas amplifica o alcance da postagem, mas também serve como um indicador de como o conteúdo está sendo recebido e onde há potencial para aprimoramento.

## Considerações Finais

Podemos concluir que, as redes sociais não se limitam a meros veículos de entretenimento; elas se tornaram uma peça-chave no avanço do conhecimento científico e na democratização da ciência. Ao permitir a conexão direta entre cientistas, educadores e o público em geral, essas plataformas ampliam o alcance da informação científica, rompendo barreiras geográficas e institucionais. Além disso, ao facilitar o acesso a conteúdo de qualidade, as redes sociais desempenham um papel crucial no combate à desinformação, que pode distorcer a percepção pública sobre temas científicos importantes.

Esse ambiente digital não só torna a ciência mais acessível, mas também mais interativa e dinâmica. Através do diálogo em tempo real, vídeos explicativos, infográficos e discussões abertas, os usuários são incentivados a se engajar de maneira crítica com o conteúdo. Isso contribui para a formação de uma sociedade

mais informada e consciente dos avanços e desafios científicos. Portanto, ao aliar a ciência à conectividade e à participação ativa, as redes sociais tornam-se ferramentas indispensáveis para popularizar o conhecimento e estimular o pensamento crítico em escala global.

## Referências

GIL-PÉREZ, D. et al. Por uma imagem não deformada do trabalho científico. Ciência &amp; Educação, Bauru, v. 7, n. 2, p. 125-153, 2001.

MOREIRA, M. A. Uma análise crítica do ensino de Física. Estudos Avançados, v. 32, n. 94, 2018.

CANDAU, Vera Maria Ferrão. Didática, interculturalidade e formação de professores: desafios atuais. Revista Cocar, n. 8, p. 28-44, 2020.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.