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Interdisciplinaridade através de recursos fílmicos e seriados: contribuições para um ensino de Física contextualizado

Anelise Santos Da Silva, Dioni Paulo Pastorio, Luciana Bagolin Zambon

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
24/01/2025
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## Interdisciplinaridade através de recursos fílmicos e seriados: contribuições para um Ensino de Física contextualizado

## Anelise Santos da Silva 1 , Dioni Paulo Pastorio 2 , Luciana Bagolin Zambon 3

- 1 Universidade Federal de Santa Maria, anelise.santos@acad.ufsm.br
- 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, dionipaulopastorio@gmail.com
- 3 Universidade Federal de Santa Maria, luciana.zambon@ufsm.br

## Resumo

Este trabalho é um recorte de uma revisão sistemática de literatura, caracterizada como pesquisa qualitativa e exploratória, no contexto do mestrado acadêmico no programa de PósGraduação em Educação Matemática e Ensino de Física da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A pesquisa foi desenvolvida nos anais das últimas cinco edições do Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) e Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF), partindo do seguinte problema de pesquisa: Como a utilização dos recursos digitais Filmes e Séries vêm sendo propostos no Ensino de Física nos últimos 10 anos, nos dois principais congressos de Ensino de Física do Brasil: o Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) e o Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF)? Para tanto, tem-se como objetivo discorrer sobre uma das categorias emergentes da pesquisa em questão, a qual apontou de que formas a utilização de recursos audiovisuais podem contribuir para um ensino interdisciplinar, trazendo benefícios significativos no cenário do Ensino de Física na educação básica. Tais benefícios perpassam a possibilidade de superação das formas tradicionais de ensino, na disciplina de Física, no fortalecimento das relações entre as diferentes áreas do conhecimento e no trabalho colaborativo entre professores.

Palavras-chave : ensino de física; recursos audiovisuais; interdisciplinaridade

## Introdução

O ensino de Física, ao longo dos anos, tem enfrentado o desafio de tornar os conteúdos disciplinares mais acessíveis e atrativos para os alunos, tendo em vista que muitos conceitos físicos são abstratos e a linguagem científica e técnica se apresentam como barreiras à compreensão, que por sua vez são fatores que podem distanciar os estudantes dessa área do conhecimento. Nesse contexto, uma abordagem interdisciplinar surge como uma estratégia promissora, pois permite integrar diferentes campos do saber, assim possibilitando situar a Física em um cenário mais amplo, contextualizando os saberes específicos da Física com as demais disciplinas que constituem o currículo da educação básica.

Para tanto, esse trabalho é um recorte de uma revisão de literatura desenvolvida a partir de um levantamento de trabalhos publicados nos anais de dois dos principais eventos de ensino de Física, que apresentou a interdisciplinaridade

como uma possibilidade de superação do ensino tradicional, evidenciado por uma categoria emergente dos dados.

Deste modo, o presente texto discute como o uso de recursos fílmicos podem contribuir para um ensino de Física em uma perspectiva interdisciplinar, destacando a relevância do audiovisual na construção de uma aprendizagem mais significativa e conectada com as demandas atuais de ensino e aprendizagem, permeadas pelo avanço tecnológico.

## Metodologia

A pesquisa foi desenvolvida a partir da seguinte problemática: Como a utilização dos recursos digitais Filmes e Séries vêm sendo propostos no Ensino de Física nos últimos 10 anos, nos dois principais congressos de Ensino de Física do Brasil: o Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) e o Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF)?

Portando, caracteriza-se como pesquisa qualitativa (Yin, 2016) e de cunho exploratório pois, como define Gil (2021), visa familiarização com o tema estudado, podendo objetivar-se a torná-lo melhor compreensível ou explícito, bem como na construção de novas hipóteses. Desenvolveu-se a pesquisa mediante revisão da literatura, sendo este 'um tipo de investigação focada em questão bem definida, que visa identificar, selecionar, avaliar e sintetizar as evidências relevantes disponíveis.' (Galvão; Pereira, 2014, p. 1).

A constituição do corpus da pesquisa deu-se através de uma busca sistemática em anais dos dois principais eventos de ensino de Física, sendo eles o Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) e Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF), onde foram considerados os últimos dez anos - entre 2023 e 2014 -, totalizando cinco edições de cada evento. Através das ferramentas de busca dos próprios eventos, mediante utilização dos termos 'Filme', 'Cinema' e 'Série', foram encontrados um total de trinta e seis trabalhos, sendo vinte e oito publicados nos SNEF e oito nos EPEF.

Quadro 01. Trabalhos analisados (Fonte: autoral)

Os trabalhos foram lidos e analisados a partir de questões de pesquisa, definidas previamente e que possibilitaram observar algumas características pertinentes das práticas de ensino que se utilizam de Filmes e Séries no ensino de Física. As questões 1, 2, 3, 4 e 5 possibilitaram identificar a natureza (prática ou teórica) de propostas de ensino que se utilizam desse recurso, em quais etapas de ensino são mais aplicados, quais os gêneros cinematográficos mais utilizados, assim como referenciais, metodologias e instrumentos empregados junto aos Filmes e Séries.

Quadro 02. Questões de pesquisa (Fonte: autoral)

Especificamente para as perguntas 6, 7 e 8, utilizou-se da metodologia de Yin (2016) para análise de dados qualitativos, onde os dados passam por um processo de categorização feito a partir de um ciclo composto por cinco fases, sendo elas: 1) compilação, (2) decomposição, (3) recomposição (e arranjo), (4) interpretação e (5) conclusão. Yin (2016) descreve o processo como não linear e flexível para a análise dos dados.

Da questão de pesquisa número 6, emergiram quatro categorias, a saber: I. Função social da escola; II. Fatores necessários para o aprendizado; III. Superação do ensino tradicional; e IV. Relações diretas com objetos do conhecimento. As discussões deste trabalho, no entanto, serão focadas na categoria III , pois dela foi possível tecer importantes reflexões sobre interdisciplinaridade no ensino de Física.

## Resultados e discussões

A categoria III. S uperação do ensino tradicional mostrou-se relevante pois nove dos trabalhos analisados apresentam a utilização de filmes e séries como alternativas que se distanciam da abordagem tradicional de ensino, e treze trabalhos

mencionaram que tais recursos, quando empregados no contexto educacional, propiciam um ensino contextualizado e interdisciplinar.

Quadro 03. Constituição da categoria III (Fonte: autoral)

De acordo com Perez (2018, p. 17) 'a definição mais comum acerca da interdisciplinaridade remete à integração entre as disciplinas e à superação da fragmentação do conhecimento', bem como 'aposta na interdisciplinaridade como capaz de superar os erros e deficiências no ensino, pesquisa e atuação profissional - hoje fragmentados'. Sobre esse ponto, destacam-se alguns trechos dos trabalhos que corroboram com a ideia de desfragmentação do ensino:

- [...] ao negar a hierarquização dos saberes e conhecimentos, ao passo em que se desenvolve uma compreensão de que tanto a ciência quanto a arte são produções culturais humanas, o ensino de ciências e artes ganha outra proporção, uma vez que aponta para um entendimento menos fragmentado do conhecimento (SN06);
- [...] o professor não pode abstrair-se dessa realidade e continuar proporcionando ao aluno um ensino baseado na memorização dos conteúdos ou no repasse de informações. Mas este deve buscar articular o recurso tecnológico ao seu plano de aula, tornando o processo de aprendizagem mais construtivo, prazeroso e interdisciplinar. (SN09)
- [...] o presente trabalho propõe uma introdução à compreensão de Força em queda livre de forma prazerosa e amigável aos estudantes, além de promover interdisciplinaridade com a Biologia, a partir da análise sobre os efeitos da queda livre no corpo humano. (SN10);
- [...] os estudantes que se interessaram e participaram, puderam interagir com colegas de séries e idades diferentes, puderam observar as relações entre a ciência e todas essas áreas, verificando que todas as disciplinas se conectam apesar de serem apresentadas separadamente na escola. No caso desta oficina, observa-se que espaços não tradicionais que promovam a interação entre os estudantes, podem auxiliar na melhoria da aprendizagem de Física, pois espaços como este favorecem o compartilhamento de ideias entre os alunos, fazendo com que estes exercitem sua capacidade de análise e argumentação, propiciando um melhor desenvolvimento das capacidades cognitivas dos alunos. (EP05).

Portanto, temos os Filmes e Séries impressos como alternativas inovadoras, com potencial de superar ensino tradicional, que ainda é muto forte no Ensino de Física e Ciências, bem como Gonçalvez, Coelho e Coutinho (2022, p.6) ao denotarem

que 'o uso de filmes pode contribuir para o ensino de Ciências da Natureza em uma abordagem interdisciplinar'.

Entre esses meios de distribuição de produtos audiovisuais, o cinema tem maior notoriedade pelo fato de já ter seu lugar estabelecido e, inclusive, já ser muito utilizado em práticas educativas. O cinema possui as narrativas visual e sonora que, no contexto de ensino, proporciona uma experiência imersiva ao expectador/aluno, que pode facilitar a compreensão de fenômenos oriundos de diversas áreas do conhecimento. No ensino de Física, ao elaborar atividades que englobem essas combinações, estas podem ilustrar de maneira lúdica conceitos abstratos como gravidade, eletromagnetismo, leis de Newton e até mesmo teorias mais avançadas, como a relatividade geral e a mecânica quântica. Sobre isso, Piassi, Gomes e Ramos (2017, p.116) dizem que 'uma atividade desse tipo pode ser um instrumento bastante adequado para introdução de elementos da Física Moderna, trabalhando com a imaginação criativa'.

Para além da capacidade de ilustrar fenômenos complexos, o uso de filmes no ensino de Física promove uma compreensão mais contextualizada ao conectar o conteúdo da Física com questões sociais e tecnológicas contemporâneas como mudanças climáticas e seus efeitos, sobre os impactos ambientais e as responsabilidades humanas diante da crise climática. 'Este é um exemplo do tipo de debate que remete às questões sobre impactos sociais de determinadas tecnologias mesmo que ainda sejam fictícias' (Piassi; Gomes; Ramos, 2017, p.116). Nesse sentido, o cinema não apenas ensina conceitos físicos, mas também incentiva o aluno a refletir sobre a difusão da ciência no mundo real.

Deste modo, a abordagem interdisciplinar evidencia-se, pois ao utilizar esses recursos, têm-se uma integração natural entre a Física e outras áreas do conhecimento, como a Matemática, Geografia, História e Filosofia. Dessa forma, o estudo da Física é enriquecido, por exemplo, com análises de cálculos matemáticos, de debates sobre o contexto histórico das descobertas científicas, de reflexões filosóficas sobre a natureza do universo, fomentando discussões sobre os impactos das teorias cosmológicas no entendimento da origem do universo, dentre vários segmentos. Essa abordagem integrada favorece a compreensão de que o conhecimento científico não é algo acabado, mas sim parte de um todo maior e que continua em constante evolução. Assim favorecendo que o aluno tenha uma composição ampla dos conhecimentos referentes à construção da ciência, bem como diz Garcia (2010, p. 14) sobre se ter 'uma visão do cinema na condição de meio pedagógico, como veículo de conhecimento e enriquecimento de saberes, envolvendo competências e habilidades, também o despertar do interesse dos alunos pela arte cinematográfica'.

Uma abordagem interdisciplinar traz benefícios não só para os alunos, que são os principais sujeitos do processo de aprendizagem, mas favorece os próprios docentes, pois encoraja o desenvolvimento de atividades colaborativas.

'Mesmo que o ofício de professor seja, fundamentalmente, uma atividade solitária, no sentido de que cada professor deve assumir suas próprias responsabilidades e deveres profissionais, o trabalho em equipe é indispensável, sobretudo no secundário, para melhorar a qualidade da

educação e adaptá-la melhor às características particulares das aulas ou dos grupos de alunos'. (Delos, 2010, p. 35)'.

Deste modo, a interdisciplinaridade incentiva o trabalho colaborativo entre professores de diferentes disciplinas, promove a troca de experiências, ideias e estratégias pedagógicas, ao passo que fortalece o ambiente de trabalho para que, cada vez mais, a escola se torne um espaço de colaboração, que contemple o desenvolvimento dos alunos de forma completa e integral, em consonância com as demandas atuais de ensino, bem como defende Wagner (2012, p.52).

'Ao fazer educação dentro do novo paradigma, respeitando-se as culturas, as diferenças raciais, de cor, de comportamento, formato de família e outros nuances, constrói-se uma escola com novos conceitos, que educa na interdisciplinaridade, numa forma de manter a visão geral dos temas apresentados, na busca do conhecimento universal' (Wagner, 2012, p.52).

## Considerações finais

A revisão de literatura desenvolvida mostrou que o uso de recursos fílmicos e seriados, ou seja, dos audiovisuais no ensino de Física, dentro de uma abordagem interdisciplinar, oferece um caminho possível para tornar os conteúdos científicos mais acessíveis, contextualizados e atrativos para os alunos, tendo em vista os Filmes e Séries possibilitam uma compreensão ampla e significativa da Física, pois apoia-se na ideia de integração de diferentes áreas do conhecimento e na relacionação dos fenômenos físicos com situações cotidianas ou temáticas globais. Os trabalhos analisados no desenvolvimento da pesquisa demonstram que essa estratégia não só promove o interesse dos alunos pela ciência, mas também contribui para o desenvolvimento de habilidades críticas e criativas, fundamentais para a formação de indivíduos capazes de analisar e interpretar o mundo ao seu redor.

Os audiovisuais, quando utilizados de maneira planejada e alinhados aos objetivos pedagógicos, podem transformar a sala de aula em um espaço dinâmico de aprendizagem, onde o conhecimento científico dialoga com a realidade e com outras disciplinas. Nesse sentido, a interdisciplinaridade, mediada por imagens e sons, surge como uma ferramenta valiosa para um ensino de Física mais contextualizado e conectado com os desafios atuais, que são permeados pela inevitável inserção da tecnologia na vida acadêmica e pessoal dos estudantes da educação básica.

## Referências

DELOS, J. Educação : um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI (destaques). Brasília: UNESCO, 2010. Disponível em:

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FARIA, A. C. M. et al. 'A ciência que a gente vê no cinema': uma intervenção escolar

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GALVÃO, T. F; PEREIRA, M. G. Revisões sistemáticas da literatura: passos para sua elaboração. Epidemiol. Serv. Saúde , Brasília, v. 23, n. 1, p. 183-184, mar. 2014. Disponível em:

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GARCIA, D. A. S. O cinema como inovação pedagógica na escola. 2010. Trabalho de conclusão de curso (especialização em Mídias na Educação). Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2010. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/handle/1/1995. Acesso em: 30 ago. 2024.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa . 6 ed. São Paulo: Atlas, 2021.

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PEREZ, O. C. O Que é Interdisciplinaridade? Definições mais comuns em Artigos Científicos Brasileiros. Interseções , Rio de Janeiro, v. 20, n. 2, p. 454-472, 2018. Disponível em:

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PIASSI, L. P.; GOMES, E. F.; RAMOS, J. E. F. Literatura e Cinema no Ensino de Física: Interfaces entre Ciência e Fantasia. 1. ed. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2017. v.1. 151p.

WAGNER, A. C. Cinema: uma arte interdisciplinar . 2012. Trabalho de Conclusão de curso de curso (Especialização em Mídias na Educação). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação, Porto Alegre, 2012. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/95934. Acesso em: 30 set. 2024.

YIN, R. K. Pesquisa qualitativa do início ao fim . Porto Alegre: Penso, 2016.

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