RELATO DE EXPERIÊNCIA: ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA E SUA APLICAÇÃO EM UMA ZDP.
Matheus Willians Da Silva Souza, Stefany Da Silva Guimarães
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXVI
- Ano
- 2025
- Data
- 24/01/2025
- Linha de pesquisa
- Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Físicacódigo De Apresentação
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## TÍTULO
## RELATO DE EXPERIÊNCIA: ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA E SUA APLICAÇÃO EM UMA ZDP.
## Matheus Willians da Silva Souza¹ Stefany da Silva Guimarães²
¹UFG, Instituto de Física, matheuswillians@discente.ufg.br
² UFG, Faculdade de Ciências Sociais, stefany\_guimaraes@discente.ufg.br
## RESUMO
Este relato aborda uma experiência de estágio em educação científica realizada no CEPMG Mansões Paraíso durante o ano de 2023, como parte da Residência Pedagógica. A metodologia adotada incluiu a aplicação de estratégias adaptativas para promover a alfabetização científica entre os alunos do ensino médio, enfrentando desafios como a distribuição de livros didáticos mesclados e um projeto político-pedagógico que prioriza o conhecimento funcional sobre o científico. Utilizando conceitos como a Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygotsky, buscou-se engajar os alunos em um aprendizado além de suas capacidades atuais. A discussão centrou-se nas limitações e impossibilidades encontradas no contexto escolar, bem como nos enfrentamentos soiciais possíveis para superá-las, considerando o déficit de aprendizado causado pela pandemia e a falta de conhecimento da LIBRAS entre alguns alunos. Concluiu-se que, apesar dos desafios, foi possível proporcionar uma experiência educacional significativa, destacando a importância da adaptação e inovação na prática pedagógica para enfrentar as complexidades do ambiente escolar contemporâneo.
Palavras-chave: ZDP; LIBRAS; Alfabetização Científica.
## 1 INTRODUÇÃO
## 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Este relato descreve uma experiência de estágio em educação científica realizada no CEPMG Mansões Paraíso durante o ano de 2023 como parte da Residência Pedagógica. Enfrentando desafios como a distribuição de livros didáticos mesclados, um projeto político-pedagógico que prioriza o conhecimento funcional sobre o científico, e o déficit de aprendizado causado pela pandemia, busquei promover uma educação científica significativa. Ao aplicar conceitos como a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) de Vygotsky, explorei estratégias para engajar os alunos em um nível de aprendizado além de suas capacidades atuais, buscando assim superar as limitações impostas pelo contexto escolar. Este resumo destaca os obstáculos enfrentados, as descobertas feitas e as recomendações desenvolvidas para abordar esses desafios.
## 1.2 OBJETIVOS
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20 a 24 de janeiro de 2025 - Niterói - RJ
Nesta experiência, meu foco foi claro e definido: buscar o aprimoramento da alfabetização científica dos alunos, especialmente daqueles que são surdos, e promover uma abordagem mais significativa e compreensiva dos conceitos científicos. Além disso, busquei estimular o interesse dos alunos pela ciência, afastando-nos da abordagem tradicional baseada na memorização de fórmulas, e em vez disso, buscando uma compreensão mais profunda e contextualizada dos fenômenos físicos.
Os objetivos incluíram promover a alfabetização científica entre os alunos do ensino médio, superar as limitações do contexto escolar, aplicar conceitos como a Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygotsky para engajar os alunos em um aprendizado além de suas capacidades atuais, desenvolver estratégias para enfrentar os desafios específicos impostos pela pandemia e falta de conhecimento da LIBRAS, e proporcionar uma experiência educacional enriquecedora e significativa.
## 1.3 METODOLOGIA
Minha experiência foi realizada no Colégio Estadual da Polícia Militar de Goiás (CEPMG) Mansões Paraíso, um ambiente educacional que abrange alunos do ensino médio. Durante o período de 2023, desenvolvi uma série de atividades e estratégias pedagógicas com o objetivo de promover a alfabetização científica, especialmente entre os alunos surdos.
Minha abordagem metodológica envolveu uma interação estreita com os alunos, bem como com a intérprete de LIBRAS, reconhecendo a importância da comunicação eficaz para o sucesso do processo educacional. Identifiquei as necessidades dos alunos, adaptando materiais e abordagens conforme necessário para atender às suas demandas específicas.
Durante o estágio, as estratégias pedagógicas foram desenvolvidas considerando os desafios impostos pela desigualdade social, conforme os conceitos de capital cultural, social e econômico de Bourdieu. Essas desigualdades, evidenciadas pela pandemia, influenciaram diretamente o acesso ao conhecimento. Dessa forma, foram adotadas abordagens adaptativas para atender às diferentes necessidades dos alunos, buscando promover uma educação mais inclusiva e equitativa, especialmente no que tange à alfabetização científica.
O envolvimento ativo dos alunos, tanto surdos quanto ouvintes, foi fundamental ao longo de todo o estágio. Busquei constantemente feedback deles para orientar as próximas etapas do processo, garantindo assim uma abordagem pedagógica mais eficaz e centrada no aluno.
## 2 MARCO TEÓRICO
Ao longo da minha residência pedagógica, uma das figuras teóricas que mais influenciou minhas ações foi Lev Vygotsky, especialmente suas ideias sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). Vygotsky argumenta que o desenvolvimento cognitivo é moldado pela interação social e que a aprendizagem eficaz ocorre quando os alunos são desafiados a trabalhar em um nível ligeiramente além de sua capacidade atual, mas com o apoio de um instrutor mais experiente.
Inspirado por esses conceitos, busquei criar um ambiente de aprendizagem colaborativo e inclusivo, onde os alunos, incluindo aqueles com deficiência auditiva, fossem incentivados a se engajar ativamente na construção do conhecimento. Ao reconhecer a importância da interação entre pares e do apoio dos intérpretes de
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LIBRAS, busquei criar atividades e estratégias que permitissem aos alunos trabalhar juntos para superar desafios e expandir seus horizontes cognitivos.
Além disso, ao considerar a ZDP, entendi que o papel do professor não era apenas transmitir informações, mas também facilitar o processo de aprendizagem, oferecendo suporte e orientação quando necessário. Assim, ao longo da minha residência, busquei estar presente como um facilitador ativo, estimulando a participação dos alunos, oferecendo feedback construtivo e adaptando minhas abordagens de acordo com as necessidades individuais e o progresso dos alunos.
Não deixando de levar em consideração os conceitos de capital cultural, capital social e capital econômico de Bourdieu, que evidenciam a desigualdade social, e como isso influencia diretamente na educação e no aprendizado de cada estudante.
Visto que essa desigualdade foi bastante evidenciada por conta da pandemia no acesso à educação, entre outros serviços.
Em suma, a teoria de Vygotsky sobre a ZDP foi uma fonte valiosa de orientação e inspiração durante minha residência pedagógica, informando minhas práticas e ajudando-me a criar um ambiente de aprendizagem estimulante e inclusivo para todos os alunos.
## 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Durante minha experiência, houve uma clara interface entre as expectativas traçadas inicialmente e o que efetivamente vivenciei no contexto da residência pedagógica. Ao longo do período, pude observar uma série de aspectos que contribuíram para uma compreensão mais profunda da realidade dos alunos e dos desafios enfrentados no processo de alfabetização científica.
A principal descoberta foi a significativa defasagem educacional enfrentada pelos alunos devido aos efeitos da pandemia. Muitos alunos demonstraram dificuldades em acompanhar o conteúdo, especialmente em disciplinas como física, onde conceitos complexos exigem uma compreensão sólida e contínua. Esta realidade destacou a importância de abordagens pedagógicas adaptativas e de suporte individualizado para atender às necessidades específicas de cada aluno. Colocando em evidência também uma fragilidade educacional relacionada à classe social a que se pertence.
Os conceitos de capital cultural, capital social e capital econômico de Bourdieu são fundamentais para compreender as desigualdades sociais e como elas impactam diretamente a educação e o aprendizado dos alunos. Esses capitais, acumulados de forma desigual entre diferentes classes sociais, refletem-se no acesso ao conhecimento e nas oportunidades educacionais disponíveis. Durante a pandemia, essa desigualdade se tornou ainda mais evidente, especialmente no que diz respeito ao acesso à educação. Alunos de classes sociais menos favorecidas enfrentaram maiores dificuldades com o ensino remoto, seja pela falta de equipamentos adequados, de internet de qualidade ou de um ambiente propício para o estudo em casa. No contexto da alfabetização científica, essas barreiras são amplificadas, tornando ainda mais desafiadora a criação de um ambiente de aprendizagem inclusivo e eficaz. A necessidade de estratégias pedagógicas adaptativas é, portanto, crucial para superar essas limitações impostas pela desigualdade social, e a pandemia evidenciou ainda mais a urgência de se lidar com esses desafios
Além disso, a falta de conhecimento da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) por parte de alguns alunos surdos apresentou um desafio adicional. Isso ressaltou a necessidade de uma abordagem inclusiva, onde a comunicação eficaz e o acesso
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equitativo ao conteúdo fossem priorizados. A colaboração com intérpretes de LIBRAS desempenhou um papel crucial na superação dessa barreira, mas também evidenciou a importância de promover a conscientização e o aprendizado da LIBRAS entre todos os alunos.
A criação de uma Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) que verdadeiramente caracterizasse e proporcionasse a alfabetização científica revelou-se desafiadora. A constante mudança do chamado "Novo Ensino Médio" também adicionou uma camada de complexidade ao processo educacional. No entanto, através de abordagens pedagógicas inovadoras e do apoio contínuo dos intérpretes de LIBRAS, consegui estabelecer um ambiente de aprendizagem que incentivava a colaboração, a participação ativa dos alunos e o desenvolvimento progressivo de seus conhecimentos científicos.
A vivência na residência pedagógica (RP) no contexto da escola trouxe à tona uma série de desafios e reflexões sobre a interseção entre teoria e prática. Problematizar essa experiência permite uma compreensão mais profunda das limitações, impossibilidades e dos enfrentamentos possíveis que foram feitos ao longo do processo.
Uma das questões enfrentadas foi a própria estrutura educacional da escola, evidenciada pela distribuição de livros didáticos que mesclam o conteúdo de física com outras disciplinas das ciências naturais. Essa abordagem fragmentada pode dificultar a compreensão dos conceitos científicos de forma integrada, prejudicando a construção de um conhecimento sólido e contextualizado.
Além disso, o projeto político-pedagógico da escola pode refletir uma ênfase na funcionalidade do conhecimento para o cotidiano em detrimento da valorização do conhecimento científico em si. Isso pode impactar a maneira como os conteúdos são apresentados e a importância atribuída à alfabetização científica.
Outro desafio significativo é o nível de conhecimento escolar dos alunos, que se encontra defasado devido aos impactos da pandemia. A interrupção das aulas presenciais e a transição para o ensino remoto podem ter contribuído para lacunas no aprendizado, tornando mais difícil a aplicação e consolidação dos conteúdos científicos.
Diante dessas limitações e impossibilidades, foram necessários enfrentamentos criativos e estratégias adaptativas para promover uma educação científica significativa. Isso incluiu a busca por recursos e materiais complementares, a implementação de atividades práticas e experiências de aprendizado significativas, e uma abordagem mais individualizada e personalizada para atender às necessidades específicas dos alunos.
Também foi fundamental promover uma reflexão constante sobre as práticas pedagógicas e buscar formas de integrar teoria e prática de maneira mais eficaz. Isso envolveu a colaboração com outros profissionais da educação, a participação em formações e capacitações, e uma abertura para experimentar novas abordagens e metodologias.
Em suma, a vivência na residência pedagógica no contexto da escola trouxe à tona uma série de desafios complexos, mas também oportunidades de crescimento e aprendizado. Ao enfrentar essas dificuldades de frente e buscar soluções criativas e inovadoras, foi possível promover uma experiência educacional mais enriquecedora e significativa para os alunos.
## 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
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Ao refletir sobre minha experiência na residência pedagógica, devo reconhecer que os objetivos estabelecidos não foram plenamente alcançados, e isso se deve a uma série de desafios enfrentados ao longo do processo.
Primeiramente, a realidade dos alunos, cuja educação foi afetada pela pandemia, resultou em defasagens significativas no aprendizado, tornando mais difícil a promoção da alfabetização científica. Além disso, a falta de conhecimento da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) por parte de alguns alunos limitou a eficácia das estratégias de comunicação e inclusão.
A dificuldade em criar uma Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) que caracterizasse e proporcionasse a alfabetização científica também se mostrou um desafio constante. As constantes mudanças no chamado "Novo Ensino Médio" também adicionaram complexidade ao processo, exigindo adaptações frequentes nas abordagens pedagógicas.
Ao longo dessa experiência, ficou claro que o processo educacional exige uma adaptação contínua às mudanças na sociedade e nas condições dos alunos. A pandemia mostrou a importância de práticas pedagógicas flexíveis e inovadoras, que possam responder rapidamente a crises e desigualdades. Para além dos desafios encontrados, é fundamental que os educadores estejam sempre abertos a repensar e ajustar suas abordagens, incorporando novas tecnologias, métodos inclusivos e políticas que garantam a equidade no acesso ao conhecimento. Essa flexibilidade é crucial para garantir uma educação significativa e adaptada às realidades emergentes.
Portanto, apesar dos esforços dedicados e das estratégias implementadas, é evidente que há um longo caminho a percorrer para alcançar plenamente os objetivos estabelecidos. No entanto, esta experiência serviu como um importante aprendizado, destacando a necessidade de abordagens mais flexíveis, adaptáveis e centradas no aluno para enfrentar os desafios em constante evolução da educação.
## REFERÊNCIAS
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FREIRE, Paulo. Ação Cultural para Liberdade e Outros Escritos . Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976.
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GENOVESE, Luiz Gonzaga Roversi; GENOVESE, Cinthia Letícia de Carvalho Roversi. Estágio Supervisionado em Física : considerações preliminares. Goiânia: UAB, 2012. 211p.
NOGUEIRA, C.M.M. & NOGUEIRA, M.A. (2002) A sociologia da educação de Pierre Bourdieu: limites e contribuições . In: Educação e Sociedade: Dossiê 'Ensaios sobre Pierre Bourdieu', n. 78. Campinas: CEDES.Pág.15-36.
POZO, J. I.; CRESPO, M. A. G . A aprendizagem e o ensino de ciências: do conhecimento cotidiano ao conhecimento científico. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.
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VALLE, Mariana Guelero; SOARES, Karla Jeane Coqueiro Bezerra; SÁ-SILVA, Jackson Ronie (Org.). A Alfabetização Científica na Formação Cidadã . Curitiba: Appris, 2020, 185p.
VERAS, D., & DAXENBERGER, A. (2017). Um Olhar Sobre as Contribuições de Lev Vygotsky à Educação de Surdos . Olhar de Professor, 20, 252-269. DOI: 10.5212/OlharProfr.v.20i2.0006.
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