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COMO A ASTRONOMIA PODE SER UM TEMA VALIOSO PARA AS OFICINAS FORMATIVAS NO NOVO ENSINO MÉDIO

Mateus Guilherme Da Costa E Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXVI
Ano
2025
Data
24/01/2025
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Físicacódigo De Apresentação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## COMO A ASTRONOMIA PODE SER UM TEMA VALIOSO PARA AS OFICINAS FORMATIVAS NO NOVO ENSINO MÉDIO

Mateus Guilherme da Costa e Silva, Mackson de Oliveira Frente 2 , Emanuel Freitas de Almeida 3 , Flávia Polati Ferreira 4

- 1 Graduando no Curso de licenciatura em física e Bolsista de Iniciação à docência da UFRN, campus central, mateus.silva.130@ufrn.edu.br
- 2 Graduando no Curso de licenciatura em física e Bolsista de Iniciação à docência da UFRN, campus central, Mackson.freire.703@ufrn.edu.br
- 3 Centro Estadual de Educação Profissional Professor João Faustino Ferreira Neto,

prof.emanuel.almeida@gmail.com

- 4 Universidade Federal do Rio Grande do Norte/Departamento de Física Teórica e Experimental, flaviapolati@fisica.ufrn.br

## Resumo

Assim como a sociedade, a Educação vem se tornando cada vez mais imediatista e exigente. Na vida contemporânea os estudantes do ensino fundamental ao médio são inundados de conteúdos e de cobrança, essa problemática corrobora para um ensino de ciência metódico, rotineiro e repleto de estigmas. Diante disso se vê a importância de uma educação que quebre com esse ciclo de cobranças que adoece e tornar o processo de ensino aprendizagem ainda mais cansativo. No novo ensino médio foi-se pensado nos itinerários formativos como uma ferramenta de ensino lúdica, dinâmica e que pode beneficiar o ensino de ciências. Deste modo, para explorar ciência de forma lúdica e dinâmica, a astronomia é uma temática rica e diversa que pode incentivar a busca pelo conhecimento, compreender fenômenos, estimular a criatividade e curiosidade dos estudantes, enxergar a beleza e a grandeza de propriedades existentes no universo e quebrar com o estigma de uma ciência monótona e conteudista. Este trabalho pretende pôr em pauta a forma como ensinamos ciências e Astronomia nas escolas, utilizando dos itinerários formativos presentes no ensino médio. Além disso, refletir sobre como a astronomia pode ser uma ferramenta transformadora para a educação.

Palavras-chave : Astronomia, Itinerário Formativo, Educação.

## Introdução

A astronomia é uma área da física abrangente e diversa, o que a torna tema enriquecedor para as oficinas formativas no novo ensino médio. Através do estudo da astronomia, os alunos podem aprender sobre a história do universo, o funcionamento dos corpos celestes e a evolução do conhecimento científico. Além disso, a astronomia pode ser utilizada para ensinar habilidades importantes, como a observação, a análise de dados e a resolução de problemas.

Uma oficina formativa representa uma abordagem de ensino que propõe a formação de maneira colaborativa. Essa abordagem inclui momentos de interação e compartilhamento de conhecimentos, baseados em uma construção de saberes que

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se caracteriza pela horizontalidade e pela concepção de um conhecimento em constante desenvolvimento. Sua dinâmica é fundamentada nos princípios de Paulo Freire, que propõe uma educação crítica, em que o conhecimento é construído de forma ativa e contínua. Freire defende uma pedagogia problematizadora, que se contrapõe ao modelo bancário de educação, no qual o ensino visa apenas a transmissão de conteúdos. Na educação problematizadora, o estudante participa da construção do saber e é encorajado a questionar e interpretar a realidade à sua volta.

Dessa forma, a astronomia torna-se não somente um tema científico, mas também uma ferramenta que, ao estimular a curiosidade e a reflexão crítica dos alunos, promove um aprendizado significativo e emancipador. Este trabalho busca discutir como a astronomia pode ser utilizada nas oficinas formativas para desenvolver uma educação transformadora, alinhada com o protagonismo estudantil e os objetivos do novo ensino médio.

Segundo o Referencial Curricular do Ensino Médio Potiguar (2021, Pag. 64, 65) sobre o protagonismo do estudante no ensino médio

Os estudantes de ensino médio, constituídos em sua diversidade de comportamentos, condições de gênero e expressões das diferentes juventudes, registram diferenças culturais, históricas, familiares e sociais, juntamente com capacidades cognitivas variáveis (incluindo aqueles com necessidades educacionais especiais) e projetos que estes identificam como essenciais à sua vida.

Nesse pensamento, é possível inferir que colocar os estudantes no centro da construção curricular é uma necessidade, respeitando as diferenças e possibilitando exercerem o papel de protagonistas, dando espaço e voz, promovendo um currículo com força transformadora da ação educativa. Nessa direção, o protagonismo proposto neste Referencial coaduna com a educação libertadora concebida por Freire (2001, p.38), quando diz: 'não pode ser a do depósito de conteúdos, mas a da problematização dos homens em suas relações com o mundo'.

Ainda no Referencial Curricular do Ensino Médio Potiguar, faz-se necessário que as instituições de ensino tenham como função fundamental apoiar cada um dos alunos que por elas forem acolhidos, levando em consideração sua diversidade e incentivando-os a serem autores de suas próprias histórias. É essencial ponderar sempre a ética e a cidadania como principais valores, garantindo a promoção desse protagonismo e acreditando, juntamente com os estudantes, em seu potencial.

A organização dos Itinerários Formativos, que também estão presentes na estrutura organizacional do Referencial Curricular Potiguar, é feita com uma carga horária mínima de mil e duzentas horas, divididas progressivamente ao longo do Ensino Médio. Essa distribuição começa com uma carga horária menor na 1ª série e aumenta nas séries subsequentes. O principal objetivo dos Itinerários é desenvolver habilidades específicas, que são organizadas em unidades curriculares definidas previamente e outras que podem ser determinadas pelas próprias escolas. Eles incluem Trilhas de Aprofundamento propedêutico, Trilha de Educação Profissional e Tecnológica, Unidades Curriculares Eletivas, Projeto de Vida e Língua Espanhola

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e/ou Língua Materna. Nas escolas de tempo integral, também são oferecidas Atividades Integradoras e Oficinas Formativas. Essa estrutura pode ser adaptada conforme as necessidades específicas de cada modalidade de ensino.

A astronomia pode contribuir para uma oficina formativa de várias maneiras. Ela pode ser usada para estimular a curiosidade e a imaginação dos participantes, bem como para promover a reflexão crítica e a construção do saber inacabado. Além disso, a astronomia pode ser usada para ensinar habilidades específicas, como observação, análise de dados e resolução de problemas.

É possível exemplificar como a Astronomia pode ser incorporada em uma oficina formativa como explorando o céu, onde a oficina pode incluir uma sessão de observação do céu noturno, onde os participantes podem aprender sobre constelações, planetas e outros objetos celestes. Isso pode ajudá-los a desenvolver habilidades de observação e a compreender melhor o universo. Também pode ser oferecida uma exploração do céu de dia, acompanhando o movimento do Sol e fazendo experimentos com a sombra, como o experimento do gnômon. A oficina pode também incluir uma atividade em que os participantes analisam dados astronômicos, como a distância entre planetas ou períodos dos planetas. Isso pode ajudá-los a desenvolver habilidades de análise de dados e a compreender melhor os conceitos astronômicos. E ainda pode ser incluída uma atividade em que os participantes criem modelos astronômicos, como um modelo do sistema solar ou um modelo de uma galáxia. Isso pode ajudá-los a compreender melhor os conceitos astronômicos e a desenvolver habilidades de construção. Isso também ajuda os alunos a trabalharem melhor em grupo, seja discutindo ideias do projeto ou na execução do mesmo.

## Metodologia

O presente trabalho é fruto da atuação do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) no Centro Estadual de Educação Profissional João Faustino Ferreira Neto na cidade de Natal-RN. A ação interventiva teve duração de 3 encontros de 100 minutos em um intervalo de 1 mês e 7 dias e apresentou resultados iniciais de uma turma de Oficina Formativa do ensino médio formada por alunos do 2° ano nos cursos de meio ambiente e nutrição no intuito de ensinar astronomia em suas temáticas básicas e produzir um projeto de pesquisa com a temática da astronomia.

Para o alcance dos objetivos, na aula introdutória foi aplicado um questionário a fim de levantar as concepções prévias e alternativas dos estudantes a fim de usar o resultado como premissa para futuras aulas e foi abordado também a metodologia de projetos de com exemplos de projetos que os estudantes poderiam produzir. Nessa aula também a turma foi dividida em grupos de 5 alunos, utilizando o critério da união dos cursos, ou seja, todos os grupos tinham que obrigatoriamente ter 3 alunos de 1 curso e 2 alunos do outro curso.

As teorias se justificam significativamente quando os envolvidos procuram construir o conhecimento de modo ativo, o que permite a identificação dos conhecimentos trazidos do ambiente real pelos alunos, possibilitando uma ampla interação entre os sujeitos que possibilita o processo compreensão do que é a aprendizagem colaborativa. (Lucena, 1997; Guedes, 2003)

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Foram utilizados os métodos da Aprendizagem Colaborativa e do Ensino Interativo para a aplicação do presente trabalho, elaborando aulas em que os alunos contribuíssem de forma ativa na construção do conhecimento, com o objetivo de fugir dos padrões expositivos e ajudar os alunos a construírem um conhecimento científico dentro da temática da astronomia e se perceberem como papel importante no processo ensino-aprendizagem. Com a ajuda de ferramentas tecnológicas buscou-se durante as aulas, despertar a curiosidade dos alunos para os temas que foram levados a cada encontro, estimulando debates com/entre os alunos, para que eles expressem suas ideias e desenvolvessem diálogos para uma melhor compreensão dos temas apresentados.

Durante cada encontro também foi discutido, grupo a grupo, o desenvolvimento do projeto que cada uma das equipes decidiu construir. Os processos de desenvolvimento dos projetos foram divididos em 3 etapas: Pesquisa Inicial, documento escrito e construção do material. Sendo a pesquisa inicial uma pesquisa feita pela equipe a fim de decidir qual trabalho em volta da temática de astronomia seria construído, o documento escrito sendo uma síntese do que seria o projeto, materiais necessários e as fontes utilizadas na busca, por fim a construção do projeto que seria feito em equipe junto com os estudantes e observado pelos professores.

A pesquisa inicial, escolha do projeto e documento escrito foram pensados e construídos pelas equipes de forma autônoma, a fim de trazer o protagonismo para os estudantes, sendo os professores apenas mediadores das escolhas que cada equipe teve. Já a construção do Projeto deve ser observada e analisada para garantir o processo de construção em equipe.

## Resultados e discussões

A Oficina formativa com a temática em astronomia gerou frutos positivos. Para chegar a esses frutos foram aplicados questionários finais que também foram aplicados de forma dinâmica e colaborativa, os Questionários finais foram aplicados em plataformas digitais e incentivadas com discussões no caminhar da aplicação.

A intenção desse questionário era avaliar a compreensão dos conteúdos ministrados, promovendo a reflexão crítica dos estudantes, em alinhamento com a proposta de problematização de Paulo Freire. Este foi aplicado uma semana depois da aplicação de cada conteúdo e aberto para discussão entre os colegas, desde que essa discussão fosse feita em voz alta para gerar outras discussões e posicionamentos em toda turma. Os Bolsistas também possuíam um papel provocativo nessas discussões levantando questionamentos e incentivando os posicionamentos.

Os estudantes do Segundo ano dos cursos técnicos de meio ambiente e nutrição demonstraram, com base em discussões e no questionário inicial, possuir um déficit na astronomia Básica, sobretudo nos temas que envolvem a lua e movimentos e observação dos astros que são uma das temáticas fundamentais na astronomia. Na primeira aplicação é possível perceber que os alunos não possuíam uma percepção fundamental sobre a lua e suas fases, Na questão 1 do questionário inicial foi pedido que os estudantes respondessem com desenhos das fases da lua. Dos 29 desenhos respondidos apenas 8 demonstravam as 4 fases principais da lua, o que demonstrava sobretudo um não reconhecimento das fases pois quando olhamos os resultados da questão 5, em que era questionado quais eram as fases

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da lua, é possível perceber que havia um conhecimento sobre as 4 fases principais, mas não havia uma percepção de como eram essas fases. Na questão 5, mais da metade dos estudantes responderam corretamente quais eram as fases principais, sendo 17 respostas corretas. Também é necessário apontar as questões 3, em que é questionado se a lua possui movimentos e, se sim, quais são. Nessa questão também tivemos resultados importantes a apontar, é possível notar que 67,5% dos discentes sabiam a existência dos movimentos, mas não sabiam dizer quais era. haviam ainda uma noção limitada envolvendo movimento dos astros como não conseguir distinguir, ou não tão rapidamente, os movimentos dos astros e o movimento aparente desses astros visto da terra,

Já com os Questionários finais os resultados foram diferentes e em sua maioria positivos, no Questionário sobre fases da Lua a Questão 3 e 4 perguntam, respectivamente, qual as fases principais e quais as fases intermediárias da lua. Para a questão de número 3, todos os estudantes responderam e apontaram as representações corretas das fases da lua. Já na questão 4 os discentes tiveram também um ótimo desempenho tendo 24 deles respondendo corretamente quais as fases intermediárias da lua. Também no questionário final os resultados da questão 2 e 1 que pergunta, respectivamente, o que é a luz presente na lua e o que é a lua a grande maioria responderam as alternativas corretas para os dois questionamentos. Nesses resultados também conseguimos perceber uma noção mais refinada dos movimentos dos astros, como a rotação sendo responsável pelo movimento aparente do sol e como podemos perceber esse movimento usando a sombra e também perceber as coordenadas a partir do nascer e pôr do sol.

Os resultados dos questionários finais mostraram que, além de absorverem o conteúdo de astronomia, os estudantes desenvolveram um entendimento mais profundo sobre o tema, conectando a teoria à sua própria compreensão do universo. Esse formato dialoga com a ideia freireana de protagonismo, onde o aluno assume uma posição ativa e colaborativa, em oposição ao ensino conteudista tradicional.

## Considerações finais

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O presente artigo apresentou a aplicação do ensino de astronomia em uma oficina formativa, demonstrando que, apesar das dificuldades encontradas no processo, foram obtidos resultados significativos. A metodologia adotada, que incluiu aulas interativas e colaborativas, não apenas favoreceu a compreensão dos conceitos de astronomia, mas também incentivou o desenvolvimento das habilidades de trabalho em grupo e da reflexão crítica entre os estudantes. Essa abordagem atraiu os discentes tanto pelo conteúdo quanto pela forma lúdica e envolvente como foi transmitido. Ao contrário do modelo bancário de ensino criticado por Paulo Freire, que visa a mera fixação de conteúdos, a oficina formativa seguiu a proposta freiriana de uma educação problematizadora e participativa. Através dos questionários e das discussões em grupo, os estudantes puderam não apenas avaliar seu entendimento sobre astronomia, mas também participar ativamente da construção do conhecimento. Assim, além de adquirir conceitos científicos, os alunos se engajaram em uma experiência educacional que os posicionou como protagonistas do processo

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de aprendizagem. Conclui-se que essa experiência permitiu um aprendizado transformador, no qual os estudantes desenvolveram habilidades analíticas e colaborativas e se tornaram agentes ativos de sua própria educação. A astronomia, abordada de maneira lúdica e reflexiva, revelou-se uma ferramenta valiosa para promover a curiosidade científica e o desenvolvimento de uma postura crítica e emancipadora, essencial para o novo ensino médio.

## Referências

CENTRO DE REFERÊNCIAS EM EDUCAÇÃO INTEGRAL. Oficinas. 2023. Disponível em: https://www.educacaointegral.org.br/oficinas/. Acesso em: 11 dez. 2023.

ACERVO DA SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO E DA CULTURA DO RIO GRANDE DO NORTE. Plano Estadual de Educação do Rio Grande do Norte: 2015-2025. Natal, RN, 2015. Disponível em: http://www.adcon.rn.gov.br/ACERVO/seec/DOC/DOC000000000278463.PDF. Acesso em: 11 dez. 2023.

CRISTINA, Julia et al. Ensino de astronomia na educação básica.

PACHECO, Ronivaldo. Ensino de astronomia: o lúdico e a experimentação como estratégias pedagógicas no ensino médio. Dissertação (Mestrado Profissional em Docência em Educação em Ciências e Matemáticas) - Universidade Federal do Pará, Instituto de Educação Matemática e Científica, 2017.

RAPOSO, Washington Luiz. História e filosofia da ciência na licenciatura em física: uma proposta de ensino através da pedagogia de projetos. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 31, n. 3, 12 maio 2014, p. 722. DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7941.2014v31n3p722. Acesso em: 15 jan. 2024.

SILVA, Matheus et al. Projetor estelar: uma ferramenta tecnológica para o ensino de astronomia e observação do céu a olho nu.

GALILEU: a ciência ajuda você a mudar o mundo. Globo.com, Revista Galileu, 6 abr. 2021. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/. Acesso em: 11 dez. 2023.

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